Como Povos da Terra pela Amazônia, refletimos numa perspectiva
necessária e estratégica que contribua para a superação das múltiplas
violências, conflitos e disputas que ameaçam a Amazônia e para reanimar as
resistências pautadas na esperança dos amazônidas.
Por isso, estamos confiantes de que os temas e assuntos que foram
levantados nos diálogos Amazônicos e na Cúpula em Belém pela sociedade civil e
pela força da resistência e participação dos povos e organizações da Amazônia
estarão e se farão presentes nas atividades paralelas da COP 28 em DUBAI.
Queremos reafirmar e incidir junto aos governos e outras
organizações da sociedade civil sobre ampliação e inclusão de mais mecanismos
de participação social nas COPs, na incidência junto aos governos da Pan
Amazônia junto às suas delegações governamentais de seus Ministérios de
Relações Exteriores e na presença de defensores de Direitos Humanos e da
Natureza e ativistas socioambientais, lideranças religiosas junto às
mobilizações e marchas de incidência e manifestações pela Justiça Climática.
Os povos Amazônicos vêm atuando, mobilizando e difundindo documentos pautados desde a Cúpula da Amazônia, Diálogos Amazônicos e Declaração dos Povos da Terra e lançaremos em Dubai durante a COP 28 a nossa Coalizão dos Povos pela Justiça Climática Rumo a COP 30. Porque acreditamos nos processos que estamos criando e incidindo junto com dezenas de povos, organizações e redes.
Não pode mais haver dúvidas. A hora é agora! E por simples razões:
As mudanças climáticas se tornam evidentes para todo mundo; cresce
a consciência de que amanhã será tarde demais;
As últimas mobilizações mostram que deter as mudanças climáticas é
um objetivo possível!
Mobilização para mitigação e redução da temperatura em 1,5°C.
(Governo e sociedade civil)
Transição justa enfrentamento das desigualdades sociais, estruturais,
étnicas e econômicas
Financiamento da mitigação das consequências climáticas adaptação
aos impactos das mudanças climáticas;
Fundo de Perdas e Danos: mitigação e adaptação;
Mecanismo de participação social nas COPs 28,29 e 30.
Rever a questão do sócio bioeconomia no conceito de bioeconomia
voltada ao GT de trabalhos de bioeconomia que vai apresentar uma proposta ao
G20.
A força dos povos em movimento na Amazônia organizará o XI Fórum Social Pan-Amazônico na Bolívia, em junho de 2024, que levará as discussões das comunidades indígenas, campesinas, tradicionais, urbanas, mulheres e juventudes da Amazônia Boliviana ao mundo, e firmará um mobilizador processo de participação popular no curso para a COP 30, em dezembro de 2025. Neste caminho, comunidades e povos, queremos que façam valer os direitos humanos e da natureza em nossos territórios, incidimos por territórios com desmatamento zero, livres de petróleo e mineração e tantos outros impactos socioeconômicos impostos aos povos e territórios sem consulta livre, prévia e informada.
Nós povos, amazônidas, não mais permitiremos que se fale e discuta a Amazônia, na Amazônia e para Amazônia sem nós amazônidas, por isso em ação e mobilização firmaremos marchas, demonstrações, manifestos civis, processos judiciais, lutas por políticas públicas e por novos modos de vida, disputa dos financiamentos, resistências à invasão extrativa predatória em busca de commodities, defesa dos direitos laborais e sociais, afirmação de leis que defendam os bens comuns e reconheçam os direitos da natureza, garantindo os direitos dos povos e territórios amazônicos!
Portanto, clamamos que estas Conferências das Nações Unidas sobre
Mudança Climática precisam ecoar os anseios de mudanças. E o caminho que
perpassa a COP 28 pode assegurar grandes mobilizações, impulsionar ações e
vitórias territoriais, prévias e concomitantes, rumo a 2025. Ano esse que as
forças vivas, humanas e não humanas, estarão conectadas para mudar o curso da
história do clima e da vida no Planeta. Os caminhos da defesa da vida e da luta
socioambiental por justiça socioambiental se encontrarão, assim, em Belém. Tudo
estará interligado em prol do cuidado da Casa Comum. Precisamos fazer da
primeira COP na Amazônia o momento que mudará a história!
Temos a certeza de possuímos o potencial de mudar o curso da história do clima se atuarmos de forma coordenada, unida e urgente entre todos os povos. Este movimento, que faz da unidade na diversidade sua força, não será um movimento apenas amazônico ou de um só continente. Mas é necessário que seja mundial, alargando-se pela América, Ásia, África, Europa e Oceania. É tempo, é hora de conclamar todos os companheiros e as companheiras, irmãos e irmãs da Criação e dos quatro cantos do globo para trilharmos, por variados caminhos, porém na mesma direção. Depende de nós, da capacidade de articulação das nossas resistências, estratégias, vitórias e das lições que aprendemos de nossos ancestrais e que temos tecido nos últimos anos na salvaguarda da Amazônia e da Mãe Terra.
Bioeconomia pode mudar o destino da Amazônia!!!
Não há muito tempo. O ponto de não retorno para a Amazônia nos
aguarda ao virar o braço do rio, ao virar o caminho, a trilha. As alterações climáticas estão a piorar a
cada dia que passa. É tempo de mergulharmos nas águas profundas das sabedorias
ancestrais e juntos e juntas construir um horizonte comum de lutas
descentralizadas e integradas pela vida e pela natureza, para mudar a história
do clima e do planeta. Se deixarmos para mais tarde ou para amanhã, será tarde
demais!!! O futuro do Planeta é agora!!!
2025: Vamos mudar a história da Amazônia, do clima e do Planeta. (ecodebate)




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