Populações de Salvador,
Natal, Belém e Porto Alegre caíram mais de 5%.
A dinâmica demográfica
brasileira está mudando. Os 500 anos de grande crescimento populacional ficaram
para trás.
Em mais de 500 anos de
história, a população brasileira cresceu e, progressivamente, se concentrou nos
grandes centros urbanos, sendo que alguns núcleos urbanos são bem antigos.
Cinco das grandes cidades brasileiras da atualidade foram fundadas em meados do
século XVI: Recife/PE (1537), Salvador/BA (1549), Vitória/ES (1551), São Paulo/SP (1554), Rio de Janeiro/RJ (1565) e
Natal (25 de dezembro de 1599). Outras destacadas cidades e capitais foram fundadas
no século seguinte, como Belém/PA (1616), Curitiba/PR (1661), Manaus/AM (1669)
e Florianópolis/SC (antiga Desterro, 1673).
Ainda no Brasil Colônia,
foram fundadas Cuiabá/MT (1719), Fortaleza/CE (1726), Macapá/AP (1758) e Porto
Alegre/RS (1772). No período monárquico, foi fundada, por exemplo, Teresina/PI
(1852), em homenagem à imperatriz Teresa Cristina. Na República Velha, foi
fundada Belo Horizonte/MG (1997). A capital do Brasil, Brasília/DF, foi fundada
em 1960. E a última capital a ser criada foi Palmas/TO, em 1989.
A tabela abaixo mostra a
população de Brasília e das 26 capitais das Unidades da Federação, segundo
dados de alguns censos demográficos selecionados, entre 1872 e 2022. No
primeiro censo realizado no país, a cidade do Rio de Janeiro era a mais
populosa com 274,9 mil habitantes, em 1872, vindo em seguida Salvador com 129
mil habitantes e Recife com 117 mil habitantes. A cidade de São Paulo possuía
apenas 31,4 mil habitantes e foi a capital estadual que apresentou o maior
crescimento no período republicano, chegando a mais de 11 milhões de habitantes
em 2010, à frente do Rio de Janeiro com 6,3 milhões, Salvador com 2,7 milhões,
Brasília com 2,6 milhões, Fortaleza com 2,5 milhões e Belo Horizonte com 2,4
milhões de habitantes em 2010. A capital estadual menos populosa é Palmas com
228 mil habitantes em 2010.
A soma da população das
capitais, em 1872, representava 9,6% do total de habitantes do país, passaram
para 16% do total em 1950 e chegaram a 25% da população brasileira em 1980.
Todavia, nos últimos 40 anos, a proporção da população conjunta das 27 capitais
se estabilizou em relação à população total do país e até diminuiu um pouco,
ficando em 23,8% em 2010 e 22,9% em 2022. Há, portanto, uma ligeira
desconcentração metropolitana.
Mas a grande novidade
apresentada pelo censo 2022 foi o decrescimento populacional de 9 capitais:
Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de
Janeiro e Porto Alegre. A diminuição do número de habitantes destas 9 capitais
não era esperada para o último período intercensitário (2010-2022).
Estudos mais aprofundados precisam ser realizados para buscar entender o que ocorreu, pois todas as 9 cidades apresentaram crescimento vegetativo (nascimentos – óbitos) entre 2010 e 2022. Será preciso avaliar os dados de migração intermunicipal para buscar entender o que aconteceu. Também é preciso avaliar a cobertura do censo nestas cidades para avaliar uma possível subenumeração da população destas capitais.
A tabela abaixo, com dados de nascimentos, óbitos e a variação vegetativa do Brasil e das 9 capitais para 2023, segundo o Portal da Transparência do Registro Civil (visitado 04/01/2024), mostra que o número de nascimentos superou o número de mortes no Brasil e em quase todas as capitais, com exceção de Porto Alegre.
O Brasil registrou 2,56
milhões de nascimentos e 1,41 milhão de óbitos, com crescimento vegetativo de
1,15 milhão de novos habitantes em 2023. Fortaleza, com 35,4 mil nascimentos e
18,8 mil óbitos, registrou o maior crescimento vegetativo (16,6 mil pessoas)
entre as 9 capitais em 2023. Salvador, com 30,2 mil nascimentos e 18,6 mil
óbitos, registrou o segundo maior crescimento vegetativo (11,6 mil pessoas) em
2023. Belém, com 19,6 mil nascimentos e 8,2 mil óbitos, registrou o terceiro
maior crescimento vegetativo (11,4 mil pessoas).
A cidade do Rio de Janeiro, apresentou os maiores volumes de nascimentos (66,8 mil) e mortes (61,4 mil), mas teve um crescimento vegetativo de somente 5,4 mil pessoas. Vitória apresentou os menores montantes de nascimentos e mortes. Porto Alegre foi a única capital que apresentou decrescimento vegetativo em 2023, com 18,57 mil nascimentos, 18,61 óbitos e -41 pessoas.
A dinâmica demográfica brasileira está mudando. Os 500 anos de grande crescimento populacional ficaram para trás. O Brasil deixou de ser um país jovem para ter uma estrutura etária cada vez mais envelhecida. Os dados das estatísticas vitais mostram que as capitais (com exceção de Porto Alegre) continuam a apresentar crescimento vegetativo.
O número de municípios com
redução do volume populacional está aumentando. Por enquanto, o país está em
uma fase de transição. Mas, indubitavelmente, na segunda metade do século XXI o
Brasil como um todo vai decrescer em termos demográficos. (ecodebate)
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