quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Planeta pode ultrapassar 1,5°C nos próximos cinco anos

Planeta pode ultrapassar 1,5°C nos próximos cinco anos, diz relatório da Organização Meteorológica Mundial

Há 80% de probabilidade de a temperatura média global exceder temporariamente o limite estabelecido pelo Acordo de Paris.

O conjunto de dados do serviço de meteorologia europeu informou que a temperatura média global dos últimos 12 meses, entre junho de 2023 e maio de 2024, é a mais elevada já registada, tendo atingido 1,63°C acima da média pré-industrial de 1850-1900.
Reduções nas camadas de gelo, gelo marinho e geleiras aceleram o aumento do nível do mar e o aquecimento dos oceanos.

Segundo relatório publicado no Dia Mundial do Meio Ambiente em 05/06/24, pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), há 80% de probabilidade de que a temperatura média global anual exceda temporariamente em 1,5°C os níveis pré-industriais durante pelo menos um dos próximos cinco anos. A temperatura média global próxima à superfície deve ser entre 1,1°C e 1,9°C mais alta entre 2024 e 2028, comparada com o período de referência 1850-1900.

O alerta é mais um ‘aviso categórico’, conforme classificado no comunicado, de que o planeta está muito próximo de atingir os limites de temperatura estabelecidos no Acordo de Paris sobre a mudança do clima, quais se referem a aumentos de temperatura no longo prazo, ao longo de décadas, e não no prazo de um a cinco anos. O comunicado ainda afirma que a projeção de temperaturas globais mais elevadas reflete o aquecimento contínuo causado pelos gases do efeito estufa (GEE).

“A OMM está soando o alarme de que iremos ultrapassar o nível de 1,5°C numa base temporária e com frequência crescente. Já ultrapassamos temporariamente este nível em meses individuais – e de fato em média ao longo dos últimos 12 meses. No entanto, é importante sublinhar que violações temporárias não significam que a meta de 1,5 °C seja permanentemente perdida porque isto se refere ao aquecimento a longo prazo ao longo de décadas”, disse em comunicado a vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett.

Segundo a OMM, as chances de ao menos um dos próximos cinco anos ultrapassar 1,5°C aumentou constantemente desde 2015, quando a probabilidade era próxima de zero. Entre 2017 e 2021, as chances eram de 20% e no relatório anterior (2023-2027) aumentaram para 66%. Agora, subiu para 80%.

O relatório aponta que a probabilidade de a média de temperatura global durante os próximos cinco anos exceder 1,5°C saltou de 32%, na edição do ano passado, para 47%. O documento indica ainda que é provável (86%) haver novo recorde de temperatura em um dos próximos cinco anos, ultrapassando o de 2023, que é o ano mais quente dos últimos 174 anos. A temperatura global do ano passado foi impulsionada por um forte El Niño, que foi classificado como um dos cinco mais fortes já registrados.

O conjunto de dados do serviço de meteorologia europeu informou que a temperatura média global dos últimos 12 meses, entre junho de 2023 e maio de 2024, é a mais elevada já registada, tendo atingido 1,63°C acima da média pré-industrial de 1850-1900. O relatório completo a respeito será publicado em 06/06/24.

Segundo o secretário substituto da Secretaria de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Osvaldo Moraes, o alerta reforça o que a comunidade científica tem avisado repetidamente há anos. O aquecimento global superior a 1,5°C pode desencadear impactos muito mais graves em relação às alterações climáticas e de condições meteorológicas extremas. Os impactos climáticos já estão ocorrendo, como as chuvas extremas que atingiram no final de abril e início de maio o Rio Grande do Sul e a seca histórica registrada na Amazônia em 2023. “Estudos recentes indicam que a temperatura já superou o limiar de 1,5°C e que os 2°C serão atingidos antes de 2030. Ou agimos agora ou não teremos motivos para nos orgulhar daquilo que as futuras gerações dirão sobre as nossas gerações”, afirmou.

Moraes enfatiza a importância da ação climática com redução imediata e profunda das emissões de gases de efeito estufa e da implementação das ações de adaptação, bem como o engajamento de todos os setores da sociedade. (gov.br)

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