quinta-feira, 31 de julho de 2025

Consumo insustentável acelera a crise global da biodiversidade

O consumo excessivo e a agricultura insustentável estão alimentando crises sobrepostas que afetam a natureza e o clima, colocando em risco alguns ecossistemas como os recifes de coral, alerta um relatório divulgado pela ONU.
Com um declínio de 73% da vida selvagem em 50 anos, o consumo de nações ricas e o desmatamento empurram ecossistemas a “pontos de não retorno”, ameaçando do ar puro à descoberta de novos medicamentos no Brasil e no mundo.

A Terra enfrenta uma catástrofe silenciosa: a perda da biodiversidade em ritmo alarmante. Este artigo revela como hábitos de consumo globais e a destruição de habitats, incluindo os biomas brasileiros como a Amazônia, comprometem a base da vida no planeta e o futuro da medicina moderna, exigindo ações imediatas para reverter essa tendência perigosa.

Descubra a crise global da biodiversidade: seus riscos de extinção em massa, impactos ambientais, sociais e na pesquisa médica. Entenda como o consumo de países ricos impulsiona o desmatamento e ameaça espécies, incluindo as do Brasil. Saiba sobre as urgentes medidas de mitigação para proteger nosso futuro.

A Terra enfrenta uma das suas maiores ameaças ambientais: a perda acelerada de biodiversidade. A variedade de vida no nosso planeta, que abrange desde a diversidade dentro das espécies até a complexidade dos ecossistemas, é a base que sustenta a vida, fornecendo serviços essenciais como purificação do ar e da água, polinização de culturas agrícolas, regulação do clima e proteção contra desastres naturais. No entanto, um estudo recente e alarmante aponta para um declínio catastrófico de 73% no tamanho médio das populações de vida selvagem monitoradas entre 1970 e 2020, sinalizando que o mundo se aproxima de perigosos “pontos de não retorno”.

O consumo dos países ricos e o impulso à destruição

Um estudo da Universidade de Princeton, publicado na revista Nature, revelou o impacto oculto do consumo de nações de alta renda na perda global de biodiversidade. Embora muitos países causem degradação ambiental dentro de suas próprias fronteiras, os países desenvolvidos desempenham um papel significativo na perda de habitats no exterior ao terceirizar a produção agrícola e importar alimentos e madeira. Essa demanda externa leva as nações exportadoras a destruir suas florestas para atender ao consumo.

A pesquisa analisou o impacto de 24 nações de alta renda sobre 7.593 espécies dependentes de florestas entre 2001 e 2015. Os resultados indicam que o desmatamento impulsionado pelo consumo desses países foi responsável por 13,3% da perda global de habitat de vertebrados dependentes de florestas, somando-se aos impactos domésticos. Em média, essas nações causaram perdas de biodiversidade internacionais 15 vezes maiores do que seus impactos domésticos, com Estados Unidos, Alemanha, França, Japão e China entre os maiores contribuintes. Como destacou David Wilcove, coautor do estudo, “Ao importar alimentos e madeira, essas nações desenvolvidas estão essencialmente exportando a extinção“.
Os rurais parecem desconhecer a gama de produtos de baixo impacto, menor custo e alta eficácia.

Principais motores da perda de biodiversidade

A destruição de habitats naturais, especialmente florestas, para a produção agrícola e extração de madeira, tem sido um dos principais motores da perda de biodiversidade nas últimas décadas. O Relatório Planeta Vivo 2024 do WWF reforça que a perda e degradação de habitat, impulsionadas principalmente pelos nossos sistemas alimentares, são as ameaças mais reportadas para as populações de vida selvagem globalmente, seguidas por superexploração, espécies invasoras e doenças. Além disso, as mudanças climáticas representam uma ameaça crescente, especialmente na América Latina e no Caribe, onde foi registrada uma queda média de 95% nas populações de vida selvagem.

Uma nova pesquisa publicada na Nature Ecology and Evolution identificou as seis principais ameaças que afetam anfíbios terrestres, pássaros e mamíferos: agricultura, caça e captura, extração madeireira, poluição, espécies invasivas e mudança climática. A agricultura é a maior ameaça para os anfíbios, afetando 44% das terras globais, e é a ameaça mais prevalente quando consideramos anfíbios, mamíferos e pássaros juntos. Para pássaros e mamíferos, a caça e captura é a ameaça mais difundida, predominando em 50% e 73% das terras, respectivamente. Regiões como o Sudeste Asiático (Sumatra e Bornéu), Madagascar, e a Europa (para anfíbios devido a agricultura, espécies invasoras e poluição) são identificadas como “pontos críticos” de perda severa de biodiversidade.

Riscos de extinção em massa e pontos de não retorno

O declínio dramático de 73% nas populações de vida selvagem monitoradas globalmente, conforme o Índice Planeta Vivo (IPV), serve como um alerta precoce do risco crescente de extinção e da possível perda de ecossistemas saudáveis. Esse cenário nos coloca à beira de “pontos de não retorno” globais, onde um ecossistema é empurrado para além de um limite crítico, resultando em mudanças substanciais e potencialmente irreversíveis. Exemplos incluem o colapso da Floresta Amazônica e a morte em massa de recifes de corais, que geram ondas de choque que afetam a segurança alimentar e os meios de subsistência em todo o mundo.

No Brasil, a situação é particularmente preocupante, pois o país abriga biomas riquíssimos como a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica, mas tem perdido sua vegetação nativa em ritmo acelerado. Segundo dados do MapBiomas, o país perdeu cerca de 20% da vegetação nativa desde 1985, e mais de 1.300 espécies estão ameaçadas de extinção, de acordo com o ICMBio.
Consumo insustentável acelera a crise global da biodiversidade

Impactos e consequências

Os impactos da perda de biodiversidade são vastos e interconectados, afetando tanto o meio ambiente quanto a sociedade.

• Impactos Ambientais:

- Degradação de habitats e diminuição da capacidade dos ecossistemas de suportar a vida, criando ciclos de feedback negativo onde a perda de uma espécie leva à perda de outras.

- Redução da resiliência dos ecossistemas a eventos extremos como incêndios, inundações e secas, comprometendo sua capacidade de se recuperar e continuar a fornecer serviços essenciais.

- Perda da capacidade de provisão de ar e água limpos, solos saudáveis para produção de alimentos, e polinização de culturas agrícolas.

• Impactos Socioeconômicos:

- Escassez de recursos naturais (alimentos, medicamentos, materiais de construção), afetando diretamente a segurança alimentar e a saúde das populações humanas, especialmente aquelas que dependem diretamente desses recursos para sua subsistência.

- Perda do valor econômico direto e indireto da biodiversidade, que contribui para o turismo ecológico, pesca sustentável e agricultura.

- As populações humanas que menos contribuem para a crise climática e de biodiversidade são as mais afetadas pelos impactos das mudanças.

- Impactos na Pesquisa Médica e Saúde Humana:

- A natureza é um “laboratório vivo”, e a perda contínua de biodiversidade compromete diretamente o desenvolvimento de novos medicamentos. Cerca de 50% dos medicamentos modernos têm origem em compostos naturais.

- A extinção de uma espécie antes que seja estudada é comparada a “queimar um livro inédito”, resultando na perda definitiva de moléculas, enzimas e genes que poderiam originar medicamentos, vacinas ou biotecnologias inovadoras.

- Exemplos incluem a aspirina (salgueiro), o taxol (Taxus brevifolia) e o captopril (veneno da jararaca).

- Microrganismos, como bactérias do gênero Streptomyces (responsáveis por mais de dois terços dos antibióticos em uso) e fungos endofíticos (com ação anticâncer), são peças-chave para a medicina, mas muitos estão desaparecendo junto com seus habitats antes mesmo de serem estudados.

- A medicina poderá enfrentar um futuro com menos opções terapêuticas, menor capacidade de resposta a doenças emergentes e maior vulnerabilidade à resistência microbiana.
Consumo de países ricos acelera perda global de biodiversidade

Ações urgentes e medidas de mitigação

Para enfrentar a crise da biodiversidade, são necessárias ações coordenadas e integradas em todos os níveis da sociedade.

• Ações de Conservação:

- Criação de áreas protegidas e restauração de habitats degradados.

- Implementação de práticas agrícolas e florestais sustentáveis.

- Aumento da conscientização pública e promoção da participação comunitária na conservação.

- Políticas e práticas de consumo mais sustentáveis nos países desenvolvidos, visando reduzir a demanda por produtos que levam ao desmatamento.

• Compromissos Globais e Nacionais:

- Os países já concordaram com metas ambiciosas como o Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal (para interromper e reverter a perda da natureza), o Acordo de Paris (para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC) e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (para erradicar a pobreza).

- É fundamental que os países elevem seus compromissos e ações, produzindo e implementando planos nacionais mais ambiciosos para a natureza e o clima (NBSAPs e NDCs).

- Esses planos devem incluir medidas para reduzir o consumo excessivo global, interromper e reverter a perda de biodiversidade doméstica e importada, e reduzir as emissões.

• Financiamento e Reorientação:

- É preciso desbloquear mais financiamento público e privado para permitir ações em grande escala.

- Governos e empresas devem eliminar rapidamente atividades com impactos negativos na biodiversidade e no clima, redirecionando o financiamento de práticas prejudiciais para atividades que cumpram as metas globais.

- Soluções baseadas na natureza, como a agricultura regenerativa e a restauração de florestas, áreas úmidas e manguezais, podem impulsionar ecossistemas saudáveis e o bem-estar humano.

Apesar da situação ser desesperadora, ainda não ultrapassamos o ponto de não retorno. Temos os acordos globais e as soluções para colocar a natureza no caminho da recuperação até 2030. As decisões e ações tomadas nos próximos cinco anos serão cruciais para o futuro da vida na Terra.

Proteger e conservar a biodiversidade é essencial para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e o bem-estar das futuras gerações, promovendo um futuro mais equilibrado e saudável para todos.
Brasil com sua vasta biodiversidade, tem a responsabilidade e a oportunidade de ser um líder nessas transformações necessárias. (ecodebate)

Descarte irregular de entulhos da construção civil contamina água e solo

Descarte irregular de entulhos

O descarte inadequado de entulhos e outros resíduos da construção civil é uma prática comum no Brasil. Esses materiais podem conter substâncias perigosas, e, quando não descartados corretamente, podem causar danos ao solo, comprometendo a sustentabilidade do ambiente ao redor.
Entulho descartado de forma irregular.

Chumbo, mercúrio, cádmio e arsênio estão entre os elementos tóxicos liberados pelo descarte irregular de resíduos da construção civil. 60% do entulho ainda é descartado de forma clandestina.

Água contaminada por chumbo. Solo envenenado por mercúrio. Crianças expostas a cádmio e arsênio. Essa é a realidade invisível provocada pelo avanço dos lixões urbanos no Brasil, alimentados principalmente pelo descarte irregular de resíduos da construção civil (RCD).

Segundo a nova Pesquisa Setorial 2024 da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), o país gera mais de 106 milhões de toneladas de entulho por ano, mas recicla apenas cerca de 25% desse total e destina de forma adequada entre 30% e 40%. Isso significa que aproximadamente 60% do entulho ainda é descartado de forma clandestina, contaminando áreas de preservação, margens de rios e até bairros residenciais.

O problema, muitas vezes invisível, compromete a saúde pública e os ecossistemas. Entulhos misturados com restos de tinta, metais e componentes químicos liberam uma variedade de elementos tóxicos — chumbo, mercúrio, cádmio, arsênio, fósforo, cromo e bário — que infiltram no solo e atingem lençóis freáticos, contaminando rios, poços e fontes de abastecimento.

Descarte incorreto: entulhos de construção civil são encontrados em contêiner de lixo.

Situação compromete logística de trabalho do caminhão que realiza a rota.

“Estamos diante de uma crise silenciosa. Os efeitos dessa contaminação são cumulativos e podem causar câncer, doenças neurológicas, alterações hormonais e danos irreversíveis ao sistema renal. E o mais grave é que tudo isso acontece ao lado de áreas residenciais, muitas vezes sem que a população perceba”, afirma Rafael Teixeira, especialista em reciclagem e logística de resíduos da Abrecon.

O impacto vai muito além da degradação visual. O entulho descartado de forma irregular aumenta o risco de enchentes, contamina mananciais, favorece a proliferação de vetores de doenças e contribui para deslizamentos de terra, sobretudo em áreas urbanas vulneráveis. “Quando falamos em lixões, as pessoas pensam em lixo doméstico. Mas hoje, o maior volume de descarte irregular nas cidades é de entulho. E não é só uma questão estética ou de limpeza urbana — é uma questão de saúde pública e de responsabilidade ambiental”, reforça Teixeira.

O levantamento também mostra que o Brasil tem capacidade instalada para destinar corretamente até 81 milhões de m³ de RCD por ano, mas menos da metade dessa estrutura está sendo utilizada.

Em paralelo, mesmo com a produção de 24 milhões de m³ de agregados reciclados, apenas 16 milhões de m³ são efetivamente comercializados. O restante se perde por falta de política pública, incentivo à compra e fiscalização adequada.

Boa gestão e combate ao descarte irregular

Após fazer a triagem de resíduos de construção civil e de outros materiais reaproveitáveis por contaminar o meio ambiente, o restante é moído por poderosas máquinas trituradoras.

Pedriscos, areia e pedras depois que os resíduos são triados e triturados, sendo reaproveitados na construção.

Para a Abrecon, é urgente que os municípios implementem planos de gestão de resíduos da construção civil (PGRCD), incentivem o uso de agregados reciclados em obras públicas, adotem medidas rigorosas contra o descarte irregular — inclusive com responsabilização direta dos geradores — e fortaleçam os mecanismos de fiscalização e rastreabilidade do transporte de entulho. “Não se trata mais de opção. É uma urgência ambiental e social. O entulho descartado de forma criminosa hoje será a água contaminada que vamos beber amanhã”, finaliza Teixeira. (ecodebate)

terça-feira, 29 de julho de 2025

TERRA depende de ações rápidas para conter o aquecimento global

Sim, o planeta Terra precisa de ações rápidas e eficazes para conter o aquecimento global. As emissões de gases de efeito estufa, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis e desmatamento, estão elevando a temperatura global, causando mudanças climáticas com consequências graves. Ações como a transição para energias renováveis, melhoria da eficiência energética, proteção de ecossistemas e mudanças nos padrões de consumo são essenciais para mitigar esses efeitos.
Pequenas atitudes individuais que podem salvar o planeta TERRA: seu papel é muito importante no combate ao aquecimento global.

Com o aumento da temperatura média da Terra, mudanças climáticas são uma realidade. Mas é possível fazer a diferença para reduzir os impactos com atitudes simples e que podem ser adotadas imediatamente.

Ações necessárias:

Transição para energias renováveis:

Investir em fontes de energia limpa, como solar e eólica, e reduzir a dependência de combustíveis fósseis é crucial.

Melhoria da eficiência energética:

Reduzir o consumo de energia em todos os setores, incluindo casas, edifícios e transporte, é fundamental.

Proteção e restauração de ecossistemas:

Preservar e restaurar florestas e outros ecossistemas é importante, pois eles atuam como sumidouros de carbono, absorvendo o dióxido de carbono da atmosfera.

Mudanças nos padrões de consumo:

Reduzir o desperdício de alimentos, adotar dietas mais sustentáveis e optar por produtos com menor impacto ambiental são medidas importantes.

Transporte sustentável:

Incentivar o uso de transporte público, bicicletas e veículos elétricos, além de reduzir o uso de carros particulares, pode diminuir as emissões do setor de transporte.

Adoção de tecnologias de emissões negativas:

Desenvolver e implementar tecnologias que removam o dióxido de carbono da atmosfera, como o reflorestamento e a captura e armazenamento de carbono, pode ser necessário.

2024 foi o Ano mais Quente da História – Um Alerta para o Futuro

Ações individuais:

Economizar energia:

Desligar aparelhos eletrônicos quando não estiverem em uso, usar lâmpadas LED e reduzir o uso de ar condicionado e aquecedores são medidas simples que podem fazer a diferença.

Reduzir o consumo de carne:

A produção de carne, especialmente a bovina, tem um grande impacto ambiental. Optar por dietas mais vegetarianas ou reduzir o consumo de carne pode ser uma alternativa.

Utilizar transporte público ou bicicleta:

Priorizar meios de transporte mais sustentáveis ajuda a reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Comprar produtos locais e sazonais:

Optar por alimentos produzidos localmente e na estação reduz a necessidade de transporte e embalagens.

Reduzir, reutilizar e reciclar:

Práticas como evitar o desperdício de alimentos e reciclar materiais podem ajudar a diminuir o impacto ambiental.

Ações governamentais e empresariais:

Investir em energias renováveis:

Governantes e empresas devem investir em tecnologias de energia limpa e promover a transição para uma economia de baixo carbono.

Criar políticas públicas para a sustentabilidade:

É importante que governos criem leis e regulamentações que incentivem práticas sustentáveis e penalizem atividades poluentes.

Desenvolver e adotar tecnologias de baixo carbono:

Empresas devem investir em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias que reduzam as emissões de gases do efeito estufa.
Promover a educação ambiental:

É fundamental que a população seja conscientizada sobre a importância da sustentabilidade e das mudanças climáticas.

A urgência da situação exige ações coordenadas e ambiciosas em todos os níveis, desde as escolhas individuais até as políticas públicas e as práticas empresariais. (google)

Aumento do nível do mar ameaça cidades costeiras

Aumento do nível do mar ameaça cidades costeiras e milhões de vidas no Brasil e no mundo.

Populações em Risco: O Cenário no Brasil e no Mundo

A ameaça direta de inundações costeiras para as áreas habitadas está crescendo drasticamente. Um estudo da Climate Central aponta que, até o fim deste século 21, terras que hoje abrigam quase 100 milhões de pessoas em todo o mundo estarão em risco de inundações anuais.

Inundações, corrosão de infraestrutura e deslocamento de populações são previsões, com projeções piores que o esperado, atingindo em cheio o Brasil.
Projeções de elevação do nível do mar até 2100 para dois cenários com a quantidade de aumento em metros indicados (leite de 1m; extremo x 4m). Porcentagem e deslocamento total da população indicados no canto inferior direito.

O aquecimento global está impulsionando um aumento sem precedentes do nível do mar, e as consequências para as cidades costeiras e suas populações já são uma realidade preocupante, com projeções que indicam um cenário ainda mais drástico do que o esperado.

Este fenômeno complexo, resultante do aquecimento dos oceanos e do derretimento acelerado de geleiras e calotas polares, está redefinindo o futuro das regiões costeiras, impactando tanto a infraestrutura visível quanto a subterrânea, e ameaçando milhões de pessoas.

Ameaça Subterrânea: Corrosão e Falha da Infraestrutura Essencial

Uma das faces menos visíveis, mas igualmente devastadoras, do aumento do nível do mar é a sua interação com as águas subterrâneas costeiras.

Conforme o nível do mar sobe, o lençol freático costeiro é elevado e, simultaneamente, torna-se mais salgado e corrosivo. A intrusão de água salgada no subsolo exacerba a corrosão e a falha de redes complexas de infraestrutura enterrada e parcialmente enterrada em cidades.

Imagem renderizada com aumento de 3°C do Farol de Mucuripe, Fortaleza/CE.

Sistemas críticos como:

• Linhas de esgoto e drenagem podem ser comprometidos, levando à mobilização de contaminação urbana.

• Estradas e fundações de edifícios enfraquecem, comprometendo a segurança e a estabilidade das construções.

• Porões e sistemas de drenagem já estão experimentando inundações devido ao aumento dos níveis da água subterrânea.

Essa interação corrosiva ocorre muito antes dos efeitos visíveis das inundações superficiais, constituindo uma “ameaça oculta”. Globalmente, cerca de 1,42 bilhão de pessoas em 1.546 cidades e vilas costeiras baixas estão provavelmente já experimentando esses impactos.

Populações em Risco: O Cenário no Brasil e no Mundo

Ameaça direta de inundações costeiras para as áreas habitadas está crescendo drasticamente. Um estudo da Climate Central aponta que, até o fim deste século, terras que hoje abrigam quase 100 milhões de pessoas em todo o mundo estarão em risco de inundações anuais.

Imagem renderizada com aumento de 4°C da Ponta da Praia, Santos/SP.

No Brasil, a situação é particularmente alarmante:

• A população em zona de risco de inundação costeira anual em 2030 deverá ser de 1,3 milhão de pessoas.

• Até 2100, esse número deverá aumentar 68%, atingindo 2,1 milhões de brasileiros convivendo com a ameaça de inundações anuais.

• Cidades como Rio de Janeiro, Santos, Recife e Fortaleza, com suas vastas áreas costeiras e de baixa altitude, seriam diretamente afetadas por inundações mais frequentes e severas, comprometendo bairros inteiros, infraestruturas críticas e residências.

Outros países também enfrentam desafios imensos: a China, por exemplo, terá cerca de 52 milhões de pessoas em zonas de risco anual de inundação costeira até 2030, com mais 29 milhões adicionais até 2100. Vietnã, Bangladesh, Índia, Indonésia e Japão também verão milhões de seus cidadãos expostos a ameaças cada vez maiores.

A necessidade de realocar populações de áreas de risco traria desafios sociais e econômicos imensos, demandando investimentos em moradias, infraestrutura e serviços públicos.

Imagem renderizada com aumento de 3°C da cidade de Recife/PE.

Projeções Mais Drásticas e a Urgência da Ação

Novos estudos estão elevando as projeções do aumento do nível do mar, acendendo um alerta ainda mais urgente. Uma pesquisa inovadora, utilizando uma nova abordagem de “fusão” que combina modelos climáticos existentes com a opinião de especialistas, projeta que em um cenário de altas emissões, o nível médio global do mar pode subir entre 0,5 e 1,9 metro até 2100. Este limite superior é 90 centímetros maior do que a projeção mais recente das Nações Unidas. Mesmo em um cenário de baixas emissões, um aumento entre 0,3 e 1,0 metro é considerado “muito provável”.

Além disso, modelos de elevação mais precisos, que utilizam dados de satélite lidar da NASA (superiores aos dados baseados em radar que superestimavam a elevação do solo), revelam que os piores impactos do aumento do nível do mar ocorrerão antes do esperado.

Esses novos dados indicam que os maiores aumentos na área inundada acontecerão após os primeiros 1 a 2 metros de elevação, cobrindo mais do que o dobro da terra do que os modelos antigos previam.

Isso significa que as comunidades costeiras têm menos tempo para se preparar, e a maior parte dos danos pode ser mitigada se as ações forem tomadas antes que o mar suba os primeiros metros.

Aumento do Nível do Mar ameaça varrer do mapa cidades do litoral Brasileiro

Cidades costeiras do Brasil estão em alerta devido ao contínuo aumento do nível do mar, um fenômeno amplificado pelas mudanças climáticas globais.

Impactos Multifacetados para o Litoral Brasileiro

As implicações dessas novas projeções para o Brasil são significativas e exigem atenção urgente. Além das inundações diretas e danos à infraestrutura subterrânea, o aumento do nível do mar representa uma ameaça multifacetada:

• Erosão costeira acelerada: O avanço do mar intensificará a erosão de praias e falésias, ameaçando a estabilidade de construções e a existência de ecossistemas costeiros vitais, como mangues e restingas.

• Salinização de aquíferos e solos: A intrusão de água salgada em aquíferos costeiros comprometerá o abastecimento de água potável e impactará a agricultura em áreas próximas ao litoral. Um estudo da NASA sugere que 77% dos aquíferos costeiros serão afetados por intrusão salina até 2100.

• Prejuízos à economia e turismo: Setores vitais como o turismo serão severamente afetados pela degradação das praias e pela inviabilidade de infraestruturas. Atividades econômicas como a pesca e o transporte marítimo também sofrerão grandes impactos.

Ameaça a ecossistemas e biodiversidade: Ecossistemas costeiros únicos e ricos em biodiversidade, como manguezais, recifes de coral e restingas, serão severamente impactados, com consequências irreversíveis para a fauna e flora locais.

Imagens mostram o impacto do aumento do nível do mar na Estação Botafogo (RJ), caso a temperatura aumente 3ºC em relação aos níveis pré-industriais.

Adaptação e Mitigação

Diante desse cenário, a implementação imediata de políticas de adaptação e mitigação robustas é crucial. Atualmente, a maioria das medidas de adaptação em cidades costeiras é considerada inadequada em termos de profundidade, abrangência e velocidade.

Embora regiões mais ricas tendam a implementar medidas técnicas como diques e planejamento urbano inovador, em regiões menos desenvolvidas, as medidas focam mais em mudanças de comportamento.

No entanto, construir barreiras físicas como diques é caro e leva décadas para ser implementado. É fundamental que as cidades costeiras priorizem o planejamento e a implementação de medidas de adaptação eficazes, que considerem tanto os impactos nas infraestruturas quanto nas comunidades.

Isso inclui desde o planejamento urbano sustentável e a construção de barreiras físicas até a proteção e restauração de ecossistemas costeiros, que atuam como defesas naturais, e, de forma mais ampla, uma drástica redução das emissões de gases de efeito estufa.

A ação coordenada entre cientistas e governos, informada por pesquisas contínuas, será crucial para desenvolver soluções integradas e sustentáveis e garantir um futuro resiliente para as cidades costeiras.

O futuro do planeta e de suas populações costeiras depende de uma resposta rápida e decisiva às evidências científicas que continuam a surgir. (ecodebate)

domingo, 27 de julho de 2025

Crise climática reduz produção agrícola e agrava insegurança alimentar

Crise climática já reduz a produção agrícola global e agrava insegurança alimentar.
Pesquisas recentes expõem a “nova realidade climática” na agricultura, com perdas de safras essenciais, desafios de adaptação e a intensificação das desigualdades globais.

As mudanças climáticas não são mais uma ameaça distante para a agricultura mundial, mas uma realidade presente que já está causando perdas significativas na produção de grãos essenciais e projetando um cenário de escassez hídrica sem precedentes.

Pesquisas recentes, incluindo um estudo da Universidade de Stanford, apontam que a produtividade de safras globais de trigo, milho e cevada está entre 4% e 13% menor do que seria na ausência das tendências climáticas observadas, devido ao aquecimento e à secura do ar que afetam quase todas as principais regiões agrícolas do mundo.

Impactos atuais e projeções futuras

O aumento da frequência de ondas de calor e períodos de seca tem prejudicado severamente a produção agrícola. Em algumas regiões, as temporadas de cultivo estão mais quentes do que em quase qualquer outro registro dos últimos 50 anos. Essa intensificação do aumento da temperatura e da secura do ar é um fator crucial de estresse para as lavouras.

Sem clima, sem comida: produção de alimentos sofre com extremos climáticos

Crise socioambiental e inflação do preço dos alimentos expõem necessidade de repensar modelo de produção

Projeções futuras revelam mudanças ainda mais profundas e rápidas. As atuais regiões de cultivo principais verão alterações severas muito mais cedo do que o esperado, exigindo que os agricultores se adaptem agora às novas realidades climáticas.

• Milho: É a cultura mais afetada negativamente. A previsão é de que o rendimento da safra de milho diminua em quase um quarto até o final do século. Regiões como América do Norte e Central, África Ocidental, Ásia Central e Oriental podem ver uma queda na produção de milho em mais de 20% nos próximos anos.

• Trigo: Por outro lado, o trigo, que se adapta melhor a climas temperados, pode ter um potencial de aumento na produção global de cerca de 17%, especialmente em áreas como o norte dos Estados Unidos e Canadá, e na China.

No entanto, é crucial notar que os ganhos de trigo no Norte Global não compensam as perdas de milho no Sul Global, o que exacerba as desigualdades existentes e a segurança alimentar nos países mais pobres.

A ameaça da escassez hídrica

A escassez de água é um problema crescente em todos os continentes com agricultura, representando uma grande ameaça à segurança alimentar. Um estudo da American Geophysical Union (AGU) prevê que a seca deve aumentar em mais de 80% das terras agrícolas do mundo até 2050.

Este estudo introduziu um novo índice para medir a escassez de água, considerando tanto a “água verde” (água da chuva disponível no solo) quanto a “água azul” (irrigação de rios, lagos e águas subterrâneas), algo que a maioria dos modelos anteriores não fazia de forma abrangente.

A disponibilidade de água verde, essencial para as plantas, está mudando devido a padrões de precipitação e evaporação alterados por temperaturas mais altas, impactando cerca de 16% das terras agrícolas globais.

Enquanto algumas áreas, como o nordeste da China e o Sahel africano, podem receber mais chuva, outras, como o Centro-Oeste dos EUA e o noroeste da Índia, podem sofrer redução de precipitação, levando a um aumento na necessidade de irrigação.

75% ou ¾ dos países da América Latina e do Caribe têm alta exposição a eventos climáticos extremos, afetando a segurança alimentar.

Outras consequências interligadas

Os impactos das mudanças climáticas na agricultura vão além da simples queda de produtividade e escassez de água:

• Emissões de Gases de Efeito Estufa: A agricultura já contribui com cerca de 30% do aquecimento global. As mudanças climáticas podem intensificar essas emissões, especialmente de óxido nitroso e metano, devido ao aumento do uso de fertilizantes e à decomposição da matéria orgânica em solos mais quentes.

• Degradação do Solo: Temperaturas elevadas e eventos climáticos extremos aceleram a erosão, salinização e perda de nutrientes do solo, reduzindo sua produtividade e capacidade de armazenar carbono.

• Pragas e Doenças: Condições climáticas alteradas podem favorecer a proliferação de pragas e doenças que afetam as culturas, levando a perdas significativas e maior necessidade de pesticidas, com impactos negativos na saúde humana e no meio ambiente.

• Perda de Biodiversidade: Algumas culturas e variedades de gado podem não conseguir se adaptar às novas condições climáticas, resultando em perda de diversidade genética e tornando os sistemas agrícolas mais vulneráveis.

Esses impactos podem interagir e se amplificar, criando um ciclo de feedback negativo que, sem intervenções adequadas, pode ter consequências devastadoras para a agricultura e a segurança alimentar global.

Desafios nos modelos e a necessidade de adaptação

Curiosamente, os modelos climáticos usados para prever esses impactos tiveram “surpresas”. Eles erraram ao prever o grau de secura em zonas temperadas como Europa e China, onde o aumento foi muito maior do que o esperado.

Por outro lado, lavouras nos Estados Unidos, especialmente no Meio - Oeste, sofreram menos do que os modelos indicavam. Essas falhas são cruciais porque afetam a formulação de estratégias de adaptação, como esforços anteriores para prolongar a estação de cultivo que podem ter sido mal direcionados.

Ainda assim, a ciência do clima tem sido notável em antecipar os impactos globais sobre os principais grãos. A percepção pública, que muitas vezes subestima uma perda de produtividade de 5% ou 10%, precisa ser ajustada, pois essas percentagens são suficientes para “abalar os mercados” e afetar o “alimento suficiente para centenas de milhões de pessoas”.

Diante dessa “nova realidade climática”, a urgência em desenvolver estratégias de adaptação eficazes é clara. Soluções incluem:

• Práticas de conservação de água: Cobertura morta para reduzir a evaporação, plantio direto para estimular a infiltração de água no solo, e ajuste do tempo de plantio para alinhar o crescimento das culturas com os padrões de chuva.

• Melhoria da infraestrutura: Aprimorar a infraestrutura de irrigação (especialmente na África) e a eficiência da irrigação a longo prazo.

• Apoio à pesquisa e desenvolvimento: Investimentos robustos em pesquisa e desenvolvimento são necessários para evitar declínios na produtividade agrícola.

Como um país que produz e exporta tanto alimento pode ter tanta gente passando fome?

A ciência climática continua sendo uma bússola essencial para guiar decisões políticas e garantir a segurança alimentar global.

É imperativo que agricultores e formuladores de políticas ajam rapidamente para mitigar os efeitos já visíveis e se preparar para os desafios futuros. (ecodebate)

Resíduos eletrônicos

Resíduo eletrônico, também conhecido como lixo eletrônico ou e-lixo, refere-se a equipamentos eletrônicos descartados ou obsoletos, como celulares, computadores, televisores, entre outros. Este tipo de resíduo é uma preocupação crescente devido à sua composição, que inclui substâncias perigosas como chumbo, cádmio e mercúrio, que podem causar danos ambientais e à saúde humana se descartados incorretamente.

O que são resíduos eletrônicos?

Resíduos eletrônicos são equipamentos eletrônicos que foram descartados ou se tornaram obsoletos. Isso inclui uma ampla gama de itens, desde pequenos dispositivos como celulares e fones de ouvido até grandes eletrodomésticos como geladeiras e máquinas de lavar.

Por que a preocupação com o descarte correto?

A preocupação com o descarte correto de resíduos eletrônicos se deve principalmente aos seguintes fatores:

Composição:

Equipamentos eletrônicos contêm substâncias químicas perigosas, como metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio) e retardadores de chama, que podem contaminar o solo, a água e o ar se descartados em locais inadequados.

Impacto ambiental:

Descarte inadequado de resíduos eletrônicos leva à contaminação do meio ambiente, afetando saúde de plantas, animais e seres humanos.

Recursos valiosos:

Equipamentos eletrônicos contêm materiais valiosos que podem ser recuperados e reutilizados através da reciclagem, como metais (ouro, prata, cobre) e plásticos.

Onde descartar resíduos eletrônicos corretamente?

Existem várias opções para o descarte adequado de resíduos eletrônicos:

Pontos de coleta:

Muitas cidades possuem pontos de coleta específicos para resíduos eletrônicos, onde os equipamentos podem ser entregues para reciclagem.

Empresas especializadas:

Algumas empresas atuam na coleta e reciclagem de resíduos eletrônicos, oferecendo serviços para empresas e consumidores.

Fabricantes e varejistas:

Alguns fabricantes e varejistas de produtos eletrônicos possuem programas de logística reversa, onde aceitam a devolução de equipamentos usados para reciclagem.

O que pode ser feito para reduzir a geração de resíduos eletrônicos?

Comprar de forma consciente:

Priorizar produtos duráveis e com maior vida útil, evitando o consumo excessivo e a troca frequente de aparelhos.

Reparar equipamentos:

Antes de descartar um equipamento eletrônico, verificar a possibilidade de reparo, prolongando sua vida útil.

Doar equipamentos:

Doar equipamentos eletrônicos ainda em bom estado para instituições ou pessoas que possam utilizá-los.

Importância da conscientização:

A conscientização sobre a importância do descarte correto de resíduos eletrônicos é fundamental para reduzir o impacto ambiental e garantir a saúde da população. A educação ambiental e a divulgação de informações sobre os pontos de coleta e empresas especializadas podem auxiliar na mudança de comportamento e na promoção de práticas mais sustentáveis.
Resíduo computacional, também conhecido como resíduo eletrônico ou lixo eletrônico, são os equipamentos eletrônicos descartados ou obsoletos. A definição inclui computadores, televisores, tele móveis/celulares, entre outros dispositivos. (google)

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Ritmo do aquecimento global dobrou desde a década de 1980

O ritmo do aquecimento global dobrou desde a década de 1980. Um estudo recente publicado no Earth System Science Data revelou que a taxa de aquecimento global no período de 2012-2024 praticamente dobrou em comparação com a década de 1980.

Essa aceleração é observada tanto na temperatura global quanto no aquecimento dos oceanos. O estudo citado pela revista Exame mostra que a taxa de aquecimento dos oceanos aumentou em 4,5 vezes nas últimas décadas, com um ritmo atual de 0,27°C por década, em comparação com 0,06°C por década em 1980.

Este aumento no ritmo do aquecimento global tem diversas consequências, como o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, secas e inundações. Além disso, o aquecimento dos oceanos contribui para o aumento do nível do mar e para a acidificação dos oceanos, com sérios impactos nos ecossistemas marinhos.

O estudo, que teve contribuições de cientistas do Instituto Potsdam para Impactos Climáticos, destaca a necessidade urgente de medidas para mitigar as mudanças climáticas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Emissões de CO2 e elevação do nível do mar batem recordes; aviação internacional retoma níveis pré-pandemia.

Relatório internacional com mais de 60 cientistas revela que atividades humanas já elevaram a temperatura global em 1,52°C, com 1,36°C diretamente ligados à ação humana.

Estudo “Indicators of Global Climate Change” mostra que o aquecimento global acelerou, com emissões de 53 bilhões de toneladas de CO2/ano. Nível do mar sobe 26 mm desde 2019.

A taxa de aquecimento global no período de 2012-2024 praticamente dobrou desde a década de 1980, de acordo com a última atualização revisada por pares de “Indicadores de Mudanças Climáticas Globais”, publicada hoje no Earth System Science Data com contribuições de cientistas do Instituto Potsdam para Impactos Climáticos (PIK).

“Indicators of Global Climate Change” (Indicadores da Mudança Climática Global) oferece um panorama atualizado do estado do clima, realizado por uma equipe de mais de 60 cientistas de institutos do mundo todo. O cientista do PIK, William Lamb, liderou a seção sobre emissões de gases de efeito estufa.

A atualização mais recente, que fornece um panorama de 2024, inclui dois indicadores adicionais aos oito existentes: elevação do nível do mar e precipitação global terrestre.

O estudo constata que as atividades humanas resultaram na liberação na atmosfera do equivalente a cerca de 53 bilhões de toneladas de CO2 por ano, em média, na última década, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis e ao desmatamento. Em 2024, as emissões da aviação internacional – o setor com a queda mais acentuada durante a pandemia – retornarão aos níveis pré-pandêmicos.

“Essas tendências são impulsionadas principalmente por combustíveis fósseis, com contribuições menores do desmatamento, agricultura e outras atividades”, comenta Lamb, autor do PIK.

Em 2024, o aumento observado na temperatura da superfície global em relação aos níveis pré-industriais foi de 1,52°C, dos quais 1,36°C podem ser atribuídos à atividade humana.

Atingir 1,5°C de aumento da temperatura global em um único ano não é o mesmo que um aquecimento de longo prazo de 1,5°C – o limite consagrado no Acordo de Paris. No entanto, esses resultados reafirmam o quão longe e rapidamente as emissões estão indo na direção errada. O aquecimento só cessará quando as emissões de CO2 atingirem zero líquido.

Piers Forster, diretor do Priestley Centre for Climate Futures da Universidade de Leeds e principal autor do estudo, disse: “as temperaturas aumentaram ano após ano desde o último relatório do IPCC em 2021, destacando como as políticas climáticas e o ritmo da ação climática não estão acompanhando”.

Entre 2019 e 2024, o nível médio global do mar aumentou cerca de 26 milímetros, o que se traduz numa taxa de cerca de 4,3 milímetros por ano — mais do que o dobro da taxa de longo prazo de 1,8 milímetros por ano observada desde a viragem do século XX.

Lamb, coautor do PIK, conclui: “até que migremos o fornecimento de energia para tecnologias renováveis e limpas, e as práticas de uso da terra para métodos sustentáveis, as concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa continuarão a aumentar. A falta de ação decisiva sobre as emissões nos próximos anos deixará as gerações atuais e futuras com impactos cada vez mais intensos e drásticos das mudanças climáticas”.

Devido ao aquecimento global nas últimas décadas, o aumento do nível do mar está cada vez mais acelerado.

Os níveis médios globais do mar estão subindo a taxas sem precedentes, considerando os últimos 3.000 anos. (ecodebate)

Calor extremo ameaçará 5 bilhões de pessoas até 2050

Em relatório recente indica que 5 bilhões de pessoas podem ser afetadas pelo calor extremo até 2050. Esse número representa mais da metade da população mundial prevista para 2050. O calor extremo, caracterizado por temperaturas muito altas e longas, pode trazer sérios riscos à saúde, incluindo mortes e doenças relacionadas ao calor, como insolação e exaustão. Além disso, o calor extremo pode afetar a produtividade do trabalho e causar prejuízos econômicos.

O relatório, publicado por especialistas internacionais, destaca que o aumento do calor extremo é um resultado direto das mudanças climáticas. À medida que as temperaturas globais continuam a subir, mais pessoas em todo o mundo enfrentarão condições de calor perigosas. O estudo também aponta que algumas cidades serão mais afetadas do que outras, com projeções de que Manaus, por exemplo, se tornará uma das cidades mais quentes do mundo em 2050, com aproximadamente 258 dias de calor extremo por ano.

As consequências do calor extremo vão além do desconforto físico. O aumento das temperaturas pode levar a:

Problemas de saúde:

O calor extremo pode agravar condições médicas existentes e aumentar o risco de doenças relacionadas ao calor, como insolação e exaustão.

Mortes:

Especialistas preveem que as mortes relacionadas ao calor extremo podem aumentar significativamente até 2050.

Impacto econômico:

O calor extremo pode reduzir a produtividade do trabalho e causar perdas econômicas devido a interrupções no trabalho e danos à infraestrutura.

É importante ressaltar que a ação para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e mitigar as mudanças climáticas é crucial para evitar as piores consequências do calor extremo.

Cidades brasileiras estarão entre as mais quentes do mundo em 2050, indica estudo.

Cidades do Nordeste e da Amazônia podem sofrer um aumento de até 4,5°C em sua temperatura média.

Pesquisa combinou temperatura, umidade, luz solar e vento para mapear cidades mais quentes do mundo; países pobres concentrarão 80% dos afetados pelo aquecimento global.

Uma pesquisa realizada pela ONG Carbon Plan, em conjunto com o jornal The Washington Post, investigou o dano potencial que o calor pode causar ao planeta a longo prazo. No estudo foi previsto quais serão as cidades mais quentes até o ano de 2050.

A ONG evidencia a perspectiva de que, em cerca de 30 anos, aproximadamente 5 bilhões de pessoas estarão expostas a, pelo menos, um mês de calor prejudicial à saúde humana. A análise foi feita por meio de uma escala que combinou temperatura, umidade, luminosidade solar e vento e que determinou que 32°C é a condição limite para a saúde do indivíduo. Eles reforçam que essa condição é nociva até mesmo para um adulto saudável, caso exposto por mais de 15 minutos, e pode ser responsável pelo aumento da morte de pessoas em consequência de altas temperaturas.

Paulo Artaxo, professor do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, analisou o estudo e comentou: “Essas hipóteses levantadas podem se tornar realidade. Eles têm base física, base científica e só reforçam a necessidade urgente da redução de emissões de gases de efeito estufa, que é a única maneira que nós temos de evitar um colapso do sistema climático”.

Consequências do superaquecimento

As mudanças climáticas estão associadas, no geral, a desastres como queimadas e enchentes. Entretanto, os perigos do calor extremo são mais silenciosos e menos visuais, pessoas morrem nas ruas, outras adquirem doenças cardíacas e mentais por consequência dessa conjuntura. “Com as emissões atuais, a temperatura deve chegar, na segunda parte deste século, em 3°C de média global, o que significa, em áreas continentais, como o Nordeste brasileiro ou a Amazônia, um aumento da ordem de 4° a 4,5º”, garante o professor.

As métricas mais populares avaliam apenas a temperatura e a umidade, o que auxilia na explicação de como o corpo trabalha para controlar sua temperatura. Em contraponto, a temperatura de bulbo úmido analisa a influência do Sol e do vento na capacidade das pessoas em se resfriar.

De acordo com o levantamento, a temperatura absoluta não é tudo. Portanto, é levado em conta o aumento repentino da temperatura, pois isso ameaça a capacidade dos indivíduos em lidar com a situação, mesmo nos lugares que já são quentes. Artaxo garante que as áreas mais atingidas pelo aquecimento global serão as que já viviam no limiar de temperaturas perigosas, antes da intensificação dos eventos climáticos.

Um estudo da revista Lancet Planetary Health, publicado em 2021, apontou que ocorrem cerca de meio milhão de mortes ao redor do planeta devido ao calor excessivo e o número de pessoas acometidas por doenças crônicas desencadeadas por esse contexto está em crescimento.

Desigualdade no aquecimento global

Essa epidemia de calor, apesar de representar uma das maiores ameaças à humanidade, não irá afetar o mundo de maneira uniforme, segundo a pesquisa. Eles assumem que 80% da população afetada pelo calor extremo será de países mais pobres, enquanto apenas 2% viverá nas localidades mais ricas do mundo. Isso ocorrerá em regiões como o Sul da Ásia e a África Subsaariana, em virtude de sua localização e de questões socioeconômicas que dificultam o enfrentamento dos problemas climáticos. A falta de um sistema de saúde de qualidade ou de produtos, tal qual ar condicionado, são fatores essenciais para essa realidade.

Além disso, vale destacar que os trabalhadores ao ar livre, os mais afetados, costumam estar mais presentes nos países de maior risco. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), enquanto os EUA apresentam apenas 10% da força de trabalho ao ar livre, a Índia — um dos países de maior ameaça — possui 56% dela. Especialistas também ressaltam que os trabalhadores imigrantes são responsáveis por serviços mais pesados e possuem maiores demandas, mesmo que seja no mesmo local de trabalho que os nativos.
Incidência prevista de stress térmico em todo o mundo em 2085. O mapa apresenta a temperatura média ao longo de 29 anos (2071-2099) dos valores WBGT máximos diários, locais projetados (valores para estimados para o período da tarde à sombra) durante mês mais quente em 67.420 pequenas áreas geográficas (células da rede) cobrindo 50 km × 50 km no equador – Imagem: Reprodução/Relatório “Trabalhar num planeta MAIS QUENTE”/OIT

A pesquisa indica algumas possíveis soluções para mitigar essa problemática. Entre elas, é destacada a mudança na legislação dos países para a melhora de vida dos trabalhadores ao ar livre, como a garantia de pausas durante o serviço ou, até mesmo, a proibição quando as temperaturas estiverem extremas. Além disso, o uso de coletes acoplados a ventiladores e de roupas brancas demonstraram reduzir a tensão do calor na pele dessa mão de obra.

Cidades brasileiras mais quentes

Conforme o estudo, a cidade que mais sofrerá será Pekanbaru, na Indonésia, que deverá ter quase um ano de calor extremo — 344 dias. Já no Brasil, várias capitais sofrerão por, ao menos, um dia. “O Brasil é um dos países que mais devem sofrer com as mudanças climáticas globais, por conta de sua extensão continental e sua localização tropical. Muitas cidades brasileiras, como Teresina, Cuiabá e cidades do Agreste nordestino, já vivem no limiar da temperatura”. Em números absolutos, Manaus lidera entre as capitais brasileiras, ultrapassando o limite de 32°C por 258 dias. Em sequência, fecham a lista das cinco primeiras: Belém (222), Porto Velho (218), Rio Branco (212) e Boa Vista (190).

O professor ressalta que cidades de regiões como da Amazônia, que combinam altas temperaturas com altas umidades, terão um agravante: “É perigoso para a saúde humana, porque uma das maneiras que o corpo utiliza para se resfriar é a transpiração. Se você tem umidade relativa do ar entre 70% e 80%, dificulta a evaporação da água do corpo, o que conflui para que os mecanismos de regulação térmica do corpo deixem de funcionar adequadamente”. (ecodebate)

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