Impactos diretos e indiretos
Doenças respiratórias e
cardiovasculares: Ondas de calor extremo e poluição do ar, especialmente de
queimadas, pioram asma, bronquite e aumentam o risco de AVC e infarto.
Doenças transmitidas por
vetores: Temperaturas mais altas e chuvas intensas ampliam o habitat de
mosquitos, aumentando casos de dengue, zika e chikungunya em novas áreas.
Saúde mental: Eventos
extremos como enchentes, secas e furacões causam estresse pós-traumático,
ansiedade e depressão, especialmente em sobreviventes e populações deslocadas.
Segurança alimentar e
hídrica: Secas e inundações afetam a agricultura, diminuindo a disponibilidade
e a qualidade dos alimentos, levando à desnutrição e insegurança alimentar.
Doenças infecciosas: O
desmatamento e outras alterações ecológicas aumentam o risco de novas pandemias
e a transmissão de doenças zoonóticas.
Vulnerabilidade e sobrecarga
do sistema de saúde
Grupos vulneráveis: Crianças,
idosos e pessoas com doenças crônicas são particularmente vulneráveis aos
efeitos da crise climática.
Sobrecarga dos sistemas de saúde:
Aumento da demanda por atendimento médico, internações e serviços de urgência
sobrecarrega hospitais e a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde
(SUS).
Dificuldade de acesso:
Eventos climáticos extremos, como secas severas na Amazônia, podem dificultar o
acesso de populações a medicamentos e consultas, como observado na Amazônia.
Ações e adaptação
Planos de adaptação: O
governo brasileiro, por exemplo, lançou o Plano de Ação em Saúde do Belém
(AdaptaSUS) para fortalecer a resiliência do setor de saúde diante das mudanças
climáticas, focado em prevenção, cuidado e vigilância.
Necessidade de adaptação: Especialistas reforçam a necessidade de adaptar os sistemas de saúde já existentes para lidar com as consequências da crise climática e salvar vidas no presente.
A crise climática já deixou
de ser uma ameaça distante para se tornar um problema urgente nos corredores
dos hospitais e nos prontos-socorros do mundo todo.
O estudo “Understanding the
health impacts of the climate crisis”, publicado no Future Healthcare Journal,
revela como as mudanças climáticas estão transformando a saúde pública e
sobrecarregando sistemas médicos que já operam no limite.
A pesquisa, que analisa dados globais, aponta que desastres naturais, ondas de calor, poluição do ar e surtos de doenças infecciosas estão se tornando mais frequentes e intensos, levando a um aumento drástico na demanda por atendimento médico – muitas vezes em regiões já fragilizadas pela falta de recursos.
Saúde e justiça climática: a vida acima do lucro!
Impactos na saúde pública:
doenças em ascensão e grupos vulneráveis
1. Avanço de doenças
infecciosas
• Mosquitos e patógenos em
expansão: Temperaturas mais altas e chuvas intensas estão ampliando o habitat
de vetores como o Aedes aegypti, aumentando casos de dengue, zika e chikungunya
em áreas antes consideradas seguras.
• Zoonoses em alta:
Desmatamento e alterações ecológicas elevam o risco de novas pandemias, como
visto com a COVID-19 e a febre amarela.
2. Doenças respiratórias e
cardiovasculares
• Poluição do ar e queimadas:
Partículas finas de incêndios florestais (como os da Amazônia e do Pantanal)
agravam asma, bronquite e aumentam o risco de AVC e infarto.
• Ondas de calor extremo:
Temperaturas recordes levam a desidratação, insolação e pioram condições
crônicas, como diabetes e hipertensão.
3. Transtornos mentais e
deslocamentos forçados
• Trauma pós-desastres:
Enchentes, furacões e secas prolongadas causam estresse pós-traumático,
ansiedade e depressão em sobreviventes.
• Migrações climáticas: Populações desabrigadas por eventos extremos enfrentam condições precárias, aumentando surtos de doenças em abrigos temporários.
Colapso nos hospitais e sistemas de emergência
1. Sobrecarga nos
prontos-socorros
• Após eventos como enchentes
ou ondas de calor, os hospitais registram picos de até 40% a mais em
atendimentos de emergência, segundo o estudo.
• Exemplo recente: No Rio
Grande do Sul, as enchentes de 2024 não só causaram mortes, mas também
interromperam o funcionamento de hospitais, com UTIs inundadas e falta de
medicamentos.
2. Falta de infraestrutura
adaptada
• Muitos hospitais não têm
resfriamento adequado para suportar temperaturas extremas, colocando pacientes
(especialmente idosos e bebês) em risco.
• Falhas no abastecimento:
Secas afetam o acesso à água potável, essencial para higiene hospitalar,
enquanto tempestades interrompem energia e redes de transporte de insumos.
3. Profissionais de saúde sob
pressão
• Médicos e enfermeiros
enfrentam jornadas exaustivas durante crises climáticas, com aumento de casos
complexos (ex.: insuficiência renal por desidratação em idosos).
• Falta de treinamento:
Poucos sistemas de saúde incluem protocolos para doenças climático-sensíveis,
como hipertermia ou intoxicação por fumaça de queimadas.
O que pode ser feito?
O estudo propõe medidas
imediatas:
✔
Hospitais resilientes: Construir unidades com energia solar, sistemas de
refrigeração eficientes e estoques estratégicos para emergências.
✔
Monitoramento climático em tempo real: Usar dados meteorológicos para prever
surtos de doenças e alocar recursos com antecedência.
✔
Treinamento médico: Capacitar equipes para lidar com doenças emergentes e
crises em massa (ex.: golpe de calor em multidões).
“O clima está reescrevendo a
história da saúde pública”, alertam os autores. Se nada for feito, os sistemas
de saúde entrarão em colapso antes mesmo de 2050. A solução exige não apenas
cortes de emissões, mas uma revolução na medicina – transformando hospitais em
estruturas adaptáveis e priorizando a prevenção. (ecodebate)
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