Enquanto Trump nega, o clima
cobra caro no bolso: renda nos EUA já encolheu 12%, aponta estudo.
Análise de dados mostra que
mudanças médias de temperatura afetam produtividade, preços e comércio nos EUA.
O custo atual da mudança
climática
No entanto, quando ele levou
em conta a persistência da mudança climática ano após ano, seu alcance nacional
e as conexões entre as economias regionais, a perda de renda saltou para cerca
de 12%. Essa perda é comparável a uma grande mudança na política nacional.
Novo estudo revela que o
impacto econômico do aquecimento global não é mais uma projeção, mas uma
realidade manifestada em perdas de receita por mudanças de temperatura.
Economistas alertam que o
custo real está na persistência e na forma como as mudanças climáticas
rotineiras se propagam pela cadeia de produção e comércio. Entenda por que
medir o que já está acontecendo é crucial para a resiliência e a adaptação no
Brasil.
Por décadas, economistas se
concentraram em como a mudança climática impactará o futuro. No entanto, uma
nova pesquisa de Derek Lemoine, Professor de Economia na Eller College of
Management, Universidade do Arizona, demonstra que o impacto já está presente:
a mudança climática reduziu a renda dos Estados Unidos em cerca de 12%.
Tradicionalmente, muitas
pesquisas focavam apenas em mudanças climáticas locais e de curto prazo.
Segundo o modelo de Lemoine, quando consideradas isoladamente, essas mudanças
tinham um impacto negativo na renda dos EUA de menos de 1%. No entanto, quando
ele levou em conta a persistência da mudança climática ano após ano, seu
alcance nacional e as conexões entre as economias regionais, a perda de renda
saltou para cerca de 12%. Essa perda é comparável a uma grande mudança na
política nacional.
O estudo baseou-se na simulação de modelos climáticos que comparavam o mundo com e sem emissões humanas, combinando isso com dados de renda pessoal per capita em nível municipal abrangendo de 1969 a 2019. Ao analisar como a renda mudou historicamente com mais dias quentes e menos dias frios, tanto localmente quanto em todo o país, Lemoine conseguiu obter uma imagem mais detalhada dos efeitos econômicos das mudanças nos padrões de temperatura.
O efeito dominó: por que o clima local afeta a renda nacional
É crucial medir o impacto da
mudança climática em nível nacional, e não apenas local. Lemoine explica que os
efeitos se tornam muito maiores porque a mudança climática opera por meio de
toda a economia.
O verdadeiro custo reside em
como as alterações de temperatura em todo o país se propagam através dos preços
e do comércio. Quando todas as regiões são afetadas simultaneamente, as
consequências econômicas se somam rapidamente. Por exemplo, as temperaturas na
Califórnia ou Iowa podem influenciar a renda no Arizona, demonstrando que essas
conexões entre estados transformam mudanças climáticas locais em impactos
econômicos de alcance nacional.
Essas mudanças rotineiras de
temperatura – como mais dias quentes e menos dias frios – afetam a renda
pessoal, a produtividade, os preços, o comércio regional e a demanda por
energia, fatores que influenciam os custos empresariais.
É importante notar que o
estudo de Lemoine não mede o impacto econômico de eventos climáticos extremos,
como inundações, incêndios florestais ou furacões, mas sim o efeito das
mudanças rotineiras de temperatura no rendimento pessoal.
A importância da medição para
a política e os negócios
Abordar a mudança climática
como um fator econômico contínuo, em vez de focar apenas em projeções futuras,
pode remodelar a forma como as empresas gerenciam o cenário financeiro. O
reconhecimento das perdas econômicas que já ocorreram reforça a importância do
planejamento de resiliência para as empresas. Este planejamento pode orientar
decisões importantes, desde a escolha da localização de negócios até a cobertura
de seguros.
Resiliência e adaptação: o
contexto brasileiro
Embora o estudo de Lemoine se
concentre nos EUA, a metodologia e a conclusão sobre a propagação dos custos
econômicos são de relevância global. No Brasil, a população e a economia
enfrentam a intensidade crescente de eventos como enchentes, longas secas e
ondas de calor.
As perdas patrimoniais
decorrentes de eventos climáticos extremos – como a destruição de moradias,
infraestrutura e plantações causadas por inundações ou estiagens – somam-se aos
custos de produtividade gerados pelas alterações de temperatura rotineiras,
como as observadas na pesquisa.
O entendimento de que a
temperatura afeta a produtividade, os preços e o comércio regional é
fundamental para que o Brasil desenvolva estratégias. Ao saber o que já está
acontecendo “no local”, é possível decidir onde direcionar os recursos de
adaptação. Publicar regularmente o custo econômico da mudança climática pode
ajudar a identificar onde o financiamento de adaptação é mais necessário para
regiões atingidas por desastres ou indústrias críticas afetadas pela
persistência de temperaturas elevadas.
Estados nos EUA avançam com
leis que cobram das empresas petrolíferas pagamento dos 'estragos' da crise
climática.
Mesmo sob pressão judicial e
com oposição do governo Trump, Vermont e Nova York lideram movimento que já
inspira outros estados a propor leis que exigem que as empresas de petróleo e
gás paguem pelos custos de desastres e adaptação relacionados ao clima
(ecodebate)





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