Como a Polônia está
alcançando prosperidade com menos pessoas:
Visão Positiva do
Envelhecimento: Em vez de ver os idosos como fardo, cidades polonesas os tratam
como uma oportunidade, investindo em sua participação ativa na sociedade.
Economia Prateada (Silver
Economy): Foco em produtos e serviços para a população idosa (acima de 50
anos), incluindo telemedicina, inclusão digital e empreendedorismo sênior,
criando novos mercados e empregos.
Melhora na Qualidade de Vida:
A diminuição do número de jovens permite investir mais na qualidade da educação
e serviços para todos, melhorando a qualidade de vida geral.
Sustentabilidade e Meio
ambiente: Menos pessoas significam menor demanda por recursos, abrindo caminho
para políticas ambientais mais eficazes e restauração ecológica.
Adaptação e Inovação: A
Polônia implementa soluções inovadoras como melhor acessibilidade, transporte e
capacitação tecnológica para idosos, promovendo sua independência.
Contexto Demográfico:
A Polônia tem uma das menores
taxas de fecundidade da Europa, com apenas 1,1 filhos por mulher em 2024,
indicando um rápido envelhecimento.
No entanto, o país tem se
beneficiado de sua integração com a União Europeia e uma economia capitalista
resiliente, que impulsionam seu crescimento.
O envelhecimento populacional
não impediu que a Polônia entrasse no clube dos países de alta renda e com
elevado bem-estar social
A experiência recente da
Polônia desmente o mito de que as nações só conseguem enriquecer antes de envelhecer.
A renda per capita polonesa mais do que triplicou durante os 30 anos de
diminuição do número de habitantes e do avanço acelerado do envelhecimento
populacional.
Segundo a visão convencional
dominante, esse cenário colocaria a Polônia diante do risco de uma “armadilha
fiscal geriátrica” — um ciclo de pressão orçamentária crescente para sustentar
aposentadorias e serviços sociais, comprometendo o potencial de desenvolvimento
humano e econômico do país.
Ou seja, o crescimento
acelerado da renda per capita ocorreu após o início do decrescimento
demográfico. Portanto, o envelhecimento populacional não impediu que a Polônia
entrasse no clube dos países de alta renda e com elevado bem-estar social. O
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da Polônia era de 0,722 em 1990 e passou
para 0,906 em 2023, ocupando o 35º lugar no ranking global (o Brasil está em
84º lugar).
Esse sucesso socioeconômico
pode ser atribuído a uma combinação de fatores políticos, econômicos e sociais.
Abaixo estão os principais motivos:
Reformas Econômicas e
Integração à UE: a) Transição para a economia de mercado (anos 1990). Após a
queda do comunismo, a Polônia implementou reformas econômicas radicais,
incluindo privatizações, liberalização de preços e abertura ao comércio
internacional; b) Adesão à União Europeia (2004). O acesso ao mercado único
europeu impulsionou investimentos estrangeiros, exportações e transferências de
fundos da UE (como os fundos de coesão e agrícolas); c) Estabilidade
macroeconômica. A Polônia manteve políticas fiscais responsáveis, baixa
inflação e uma moeda estável (o zlóti), além de evitar crises financeiras
graves.
Crescimento da Produtividade
e Industrialização: a) Atração de investimentos estrangeiros. Multinacionais
(especialmente da Alemanha) instalaram fábricas na Polônia, aproveitando mão de
obra qualificada e custos menores; b) Desenvolvimento de setores dinâmicos.
Indústria automotiva, tecnologia e serviços financeiros cresceram
significativamente; c) Melhoria na educação e qualificação. A Polônia destacou-se
em avaliações internacionais como o PISA, elevando a qualidade da força de
trabalho.
Migração e Mercado de
Trabalho: a) Emigração de trabalhadores (anos 2000). Milhões de poloneses
migraram para outros países da UE (como Reino Unido e Alemanha), reduzindo o
desemprego e aumentando as remessas enviadas ao país; b) Retorno de
Profissionais Qualificados (anos 2010). Com a melhoria da economia, muitos
poloneses qualificados voltaram, trazendo experiência e capital; c)
Flexibilidade no mercado de trabalho. Reformas trabalhistas facilitaram a
criação de empregos, mesmo com a população em declínio.
Fundos Europeus e
Infraestrutura: a) Investimentos em Infraestrutura: A Polônia foi uma das
maiores beneficiárias de fundos da UE, usando-os para modernizar estradas,
ferrovias e cidades; b) Desenvolvimento Regional: Programas de apoio a regiões
menos desenvolvidas ajudaram a reduzir desigualdades.
Envelhecimento Populacional e Adaptação: a) Aumento da participação feminina em todo o mercado de trabalho: Políticas de incentivo ao trabalho feminino compensaram parcialmente o declínio populacional; b) Reformas na Previdência. A idade de aposentadoria foi aumentada para sustentar o sistema previdenciário; c) Automatização e Inovação. Empresas adotaram tecnologias para compensar a escassez de mão de obra.
Por fim, houve uma mudança de mentalidade em relação à população idosa. Ao invés de temer o envelhecimento populacional, várias cidades polonesas passaram a focar nas oportunidades geradas pelo crescimento das gerações prateadas. A Polônia tem buscado se adaptar a essa nova realidade trazida pela transição demográfica, com foco em aproveitar o potencial dessa faixa etária para incrementar a economia prateada.
Envelhecimento Ativo e
Inclusão Social: a) Participação na força de trabalho. Embora haja desafios, há
um reconhecimento crescente do valor da experiência e conhecimento dos idosos
no mercado de trabalho. Programas de requalificação profissional e incentivos
para a permanência ou retorno ao trabalho após a aposentadoria são discutidos
e, em alguns casos, implementados. O objetivo é manter os idosos ativos e
contribuindo para a economia e a sociedade; b) Voluntariado e engajamento
comunitário. Muitos idosos buscam atividades de voluntariado e engajamento em
suas comunidades, contribuindo com seu tempo e habilidades. Isso não só
beneficia a sociedade, mas também promove o bem-estar e a inclusão social dos
próprios idosos; c) Educação e Aprendizado Contínuo: Universidades da Terceira
Idade e outros programas de aprendizado contínuo têm se popularizado,
permitindo que os idosos adquiram novas habilidades, mantenham-se mentalmente
ativos e socializem.
Tecnologia e Inovação para a
Terceira Idade: a) Saúde e bem-estar: Há um investimento crescente em
tecnologias de saúde assistiva, monitoramento remoto, aplicativos de saúde e
bem-estar projetados especificamente para idosos. A telemedicina, por exemplo,
pode facilitar o acesso a cuidados médicos, especialmente em áreas rurais; b)
Inclusão digital: Esforços são feitos para capacitar os idosos no uso de
tecnologias digitais, visando à inclusão e ao acesso a serviços online,
comunicação e lazer; c) Mobilidade e acessibilidade: Desenvolvimento de
soluções de transporte e habitação que promovam a independência e a segurança
dos idosos; d) Empreendedorismo sênior. Muitos idosos optam por iniciar seus
próprios negócios, utilizando sua experiência e conhecimento acumulados ao
longo da vida. A Polônia tem visto um aumento no empreendedorismo sênior, com
programas de apoio e treinamento para essa faixa etária.
De economia falida nos anos
90 a destaque europeu: Polônia surpreendeu a União Europeia e pode ultrapassar
até países estagnados como Espanha. (ecodebate)





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