2025
foi o terceiro ano mais quente dos últimos 120 mil anos.
O
aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade. Se nada for
feito, a maior parte da população mundial pagará um alto preço
O
ano de 2025 marcou o aniversário de uma década do Acordo de Paris, mas ao invés
de reduzir, houve um aumento do aquecimento global.
O
ano registrou uma temperatura de 1,47ºC acima da média do período
pré-industrial (1850-1900), provavelmente, o terceiro ano mais quente dos
últimos 120 mil anos.
A anomalia da temperatura em 2025 ficou abaixo apenas de 2024 (com 1,6ºC) e de 2023 (com 1,48ºC), sendo que a média da anomalia dos últimos três anos ficou em 1,52ºC, portanto, acima do limite mínimo do Acordo de Paris, conforme mostra o gráfico abaixo.
Um aquecimento global de 1,5ºC em relação ao período pré-industrial tem uma ampla gama de efeitos em escala global, afetando ecossistemas, sociedades e economias. Os principais efeitos são:
•
Alterações nos Padrões Climáticos (Mudanças no ciclo das chuvas, correntes
oceânicas e padrões de vento).
•
Acidificação dos Oceanos (Diminuição do pH da água, prejudicando organismos
marinhos como corais, moluscos e outras espécies que dependem de carbonato de
cálcio).
•
Impactos na Biodiversidade (Extinção de espécies que não conseguem se adaptar,
migração de outras para novas áreas e desequilíbrios ecológicos).
•
Consequências para a Saúde Humana (Aumento de doenças respiratórias, surtos de
dengue, malária e outros problemas relacionados ao clima).
•
Impactos Econômicos (Perdas agrícolas, carestia, insegurança alimentar, aumento
dos custos de seguros, deslocamento de populações e pressão sobre recursos
financeiros globais).
•
Crises Humanitárias e Deslocamentos (Migração climática, xenofobia, conflitos
por recursos e aumento da desigualdade global).
•
Ondas letais de calor (Maior risco de incêndios florestais, estresse térmico em
humanos e animais, aumento da mortalidade e diminuição da expectativa de vida).
•
Derretimento de Gelo e Elevação do Nível do Mar (Inundações em áreas costeiras,
perda de habitat, e aumento da vulnerabilidade de cidades e ilhas).
Segundo
o climatologista James Hansen o Planeta deve atingir 1,7ºC acima da média da
temperatura do período pré-industrial e a marca de 2ºC pode ser atingida até o
ano de 2040. Ultrapassar a anomalia de 2°C acima dos níveis pré-industriais
representa um ponto crítico de risco sistêmico para o planeta e a economia
global.
O
limite de 2°C foi estabelecido no Acordo de Paris (2015) como o teto máximo
aceitável para evitar os piores impactos das mudanças climáticas — e mesmo essa
meta já era considerada arriscada. Superá-la amplifica exponencialmente os
perigos ambientais, sociais e econômicos.
O gráfico abaixo mostra que estamos em vias de retroceder o relógio climático em mais de 50 milhões de anos e próximos de reverter uma tendência de resfriamento de milhões de anos em apenas dois séculos.
Uma “Terra estufa” (superquente) e com menos biodiversidade será não só um lugar mais triste para se habitar, como poderá ser a Era de um colapso civilizacional e de um apocalipse ambiental. Assim como o desenvolvimento sustentável se tornou uma contradição em termos, o tripé da sustentabilidade virou um trilema, conforme argumentam Martine e Alves (2015).
A
6ª extinção em massa das espécies e o agravamento do aquecimento global são o
prelúdio da possibilidade de um colapso ecossocial.
O
aquecimento global é a maior ameaça existencial à humanidade. Se nada for
feito, a maior parte da população mundial pagará um alto preço.
No
ritmo atual, como mostrou o jornalista David Wallace-Wells, ano a ano,
estaremos cada vez mais perto de uma “Terra inabitável”. (ecodebate)



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