segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missão contra o plástico

Em missão contra o plástico, projeto que limpa a maior ilha de lixo do planeta bate recorde de coleta.
Nova tecnologia retira mais de 100 mil toneladas de lixo do oceano

Organização anuncia marco e afirma que resíduos coletados passam por certificação.

A organização The Ocean Cleanup, fundada por Boyan Slat, bateu recorde histórico em 2025 ao remover 25 milhões de kg de plástico da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, totalizando mais de 45 milhões de kg retirados do oceano. Utilizando barreiras em formato de "U", o projeto visa limpar 90% do lixo flutuante até 2040.

Aqui estão os detalhes da operação:

Recorde de 2025: A coleta de 25 milhões de kg representa um marco significativo, superando expectativas anteriores.

Tecnologia (Sistema 03): O projeto utiliza barreiras flutuantes gigantescas de cerca de 800 metros, que navegam lentamente para concentrar o lixo, utilizando o próprio movimento das correntes oceânicas.

Foco Duplo: Além de limpar o Pacífico, a organização atua na fonte, instalando barreiras em rios poluídos na Ásia e América para impedir que o plástico chegue ao mar.

Meta Ousada: A iniciativa busca remover 90% do plástico flutuante dos oceanos até 2040, combatendo o "lixo legado" (antigo) e impedindo novos detritos.

Impacto Ambiental: O sistema foi projetado para evitar que os detritos se transformem em microplásticos, protegendo a fauna marinha durante a coleta.

O sistema, frequentemente aprimorado, iniciou testes com cerca de 9 toneladas e evoluiu para escalas maciças de remoção.

The Ocean Clean Up quer limpar 90% do plástico dos oceanos até 2040 e já retirou 45 milhões de quilos de lixo do mar.
Inconformado com a poluição dos mares, o inventor holandês Boyan Slat, de 31 anos, estabeleceu a meta de retirar plásticos de oceanos e rios ao redor do mundo até 2040. A iniciativa ganhou escala após o empreendedor apresentar, em 2012, então com apenas 16 anos, um projeto para remover resíduos marinhos durante uma palestra no TED que se tornou viral e impulsionou uma campanha de financiamento coletivo.
Slat fundou a organização The Ocean Cleanup, que já arrecadou cerca de 40 milhões de euros e lhe rendeu o título de “Campeão da Terra”, concedido pela Organização das Nações Unidas (ONU). A ideia surgiu após o jovem relatar frustração ao observar, durante mergulhos, a presença de mais plásticos do que peixes em áreas oceânicas.
Resíduos plásticos coletados dos mares pelo projeto The Ocean Cleanup.

O principal laboratório da organização é a chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um aglomerado de resíduos plásticos com cerca de 1,6 milhão de km² localizado entre o Havaí e a Califórnia. Para enfrentar o problema, a iniciativa desenvolveu sistemas conhecidos como “interceptores”, que funcionam como barreiras capazes de capturar resíduos que variam de pequenos fragmentos, com poucos milímetros, a grandes detritos, como redes de pesca descartadas.

Os equipamentos utilizam modelagem matemática para prever a movimentação do lixo conforme as correntes marítimas, permitindo otimizar a coleta. Três sistemas de remoção já estão em operação e, segundo estimativas do fundador, a implantação de dez unidades poderia viabilizar a limpeza da mancha no Pacífico antes da expansão do projeto para outras regiões.

Sistema usado por ONG na Grande Mancha de Lixo do Pacífico utiliza redes e embarcações para remover plástico flutuante do oceano.

Os resultados recentes indicam avanço na operação. Em 2025, a The Ocean Cleanup retirou mais de 25 milhões de quilos de resíduos de ambientes aquáticos, elevando o total acumulado para mais de 45 milhões de quilos. Segundo a organização, o desempenho é resultado de anos de pesquisa, decisões orientadas por dados e da adaptação das tecnologias às realidades locais.

Para alcançar a meta de remover 90% do plástico flutuante nos oceanos até 2040, o projeto aposta em uma estratégia integrada. Além da retirada de resíduos já presentes no mar, a organização investe na interceptação de lixo em rios, em ações de limpeza em áreas costeiras e no uso de pesquisas sobre poluição marinha para embasar políticas públicas internacionais.

Interceptador de lixo instalado pela The Ocean Cleanup em parceria com a ONG Marea Verde, no Panamá.

Entre as novas frentes, a The Ocean Cleanup lançou o programa 30 Cities, apresentado na Conferência dos Oceanos da ONU, em Nice, no ano passado. A iniciativa pretende atuar em áreas urbanas consideradas entre as maiores responsáveis pela entrada de plástico nos mares, com potencial de reduzir até um terço dessa poluição.

A organização também afirma trabalhar em parceria com autoridades locais, comunidades e empresas para estruturar soluções de gestão de resíduos que mantenham resultados de longo prazo. Graças à parceria com a ONG panamenha Marea Verde, por exemplo, a startup já atua no Rio Abajo, no Panamá. A parceria tem como objetivo atuar em sete bacias dentro da cidade para impedir que o lixo chegue ao Golfo do Panamá.

Ações de limpeza costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para livrar o ambiente marinho do lixo, a organização afirma que não é suficiente apenas interromper a entrada de resíduos, sendo necessário também enfrentar o chamado "lixo legado, já presente no ambiente antes do início das operações. Por esse motivo, passaram a organizar limpezas costeiras com parceiros locais e voluntários, responsáveis por remover o lixo acumulado no litoral.

Para 2026, a expectativa é ampliar o número de equipamentos em operação em todas as frentes e intensificar a remoção de lixo, dando continuidade à missão de reduzir a poluição plástica nos ecossistemas aquáticos. (umsoplaneta.globo)

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