Principais
Pontos:
Aceleração
Clara: Após filtrar variações naturais (El Niño, vulcões), a tendência de
aumento de temperatura mostra uma clara aceleração a partir de 2013-2015.
Aumento
na Taxa: O aquecimento passou a ser de, aproximadamente, 0,35°C por década nos
últimos 10 anos, sendo o valor mais alto desde 1880.
Risco
no Acordo de Paris: Se este ritmo se mantiver, o limite crítico de 1,5°C do
Acordo de Paris poderá ser ultrapassado de forma duradoura antes de 2030.
Consistência
dos Dados: A conclusão é confirmada por cinco bases de dados internacionais
independentes (NASA, NOAA, HadCRUT, Berkeley Earth e ERA5).
Causas:
A principal causa é o aumento das emissões de gases de efeito estufa,
possivelmente intensificado pela redução de aerossóis (que têm efeito de
resfriamento temporário) na atmosfera.
O estudo, assinado por pesquisadores do PIK, destaca que os últimos dez anos (2015-2024) foram os mais quentes já registrados na história.
Também é alta a percepção dos prejuízos que o aumento da temperatura do planeta trará no curto e longo prazos: 72% acreditam que o aquecimento global pode prejudicar muito a eles e a suas famílias, mas uma parcela ainda maior (88%) pensa que afetará bastante as gerações futuras.
“Se
a taxa de aquecimento dos últimos 10 anos continuar, isso levará a uma
ultrapassagem a longo prazo do limite de 1,5°C do Acordo de Paris antes de
2030”
O aquecimento global acelerou desde 2015, de acordo com um novo estudo do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK). Após considerar as influências naturais conhecidas sobre a temperatura global, a equipe de pesquisa detectou, pela primeira vez, uma aceleração estatisticamente significativa da tendência de aquecimento. Nos últimos dez anos, a taxa estimada de aquecimento foi de cerca de 0,35°C por década, dependendo do conjunto de dados, em comparação com uma média de pouco menos de 0,2°C por década entre 1970 e 2015. Essa taxa recente é superior à de qualquer década anterior desde o início dos registros instrumentais, em 1880.
Taxa de aquecimento global (em °C por década) a partir dos dados de temperatura global da Berkeley Earth: A linha azul mostra as tendências lineares para o período anterior e posterior a 2015 (azul claro indica a faixa de incerteza). A linha vermelha mostra a tendência linear para janelas de 10 anos dos dados, em intervalos de 1 ano. Figura: PIK
“Agora
podemos demonstrar uma forte e estatisticamente significativa aceleração do
aquecimento global desde aproximadamente 2015”, afirma Grant Foster,
especialista em estatística dos EUA e coautor do estudo, publicado no periódico
científico Geophysical Research Letters.
“Filtramos
as influências naturais conhecidas nos dados observacionais, de modo que o
‘ruído’ seja reduzido, tornando o sinal subjacente de aquecimento a longo prazo
mais visível”, acrescentou Foster.
Flutuações naturais de curto prazo na temperatura global, causadas pelo El Niño, erupções vulcânicas e ciclos solares, podem mascarar mudanças na taxa de aquecimento a longo prazo. Em sua análise de dados, baseada em medições, os dois pesquisadores trabalham com cinco grandes conjuntos de dados globais de temperatura já estabelecidos (NASA, NOAA, HadCRUT, Berkeley Earth, ERA5).
Estudo publicado em 2016 indicava que aumento do nível do mar ia acelerar muito rapidamente.
Foto
mostra uma das ressacas em Santos, esta ocorreu em abril/2016.
“Os
dados ajustados mostram uma aceleração do aquecimento global desde 2015 com uma
certeza estatística superior a 98%, consistente em todos os conjuntos de dados
examinados e independentemente do método de análise escolhido”, explica Stefan
Rahmstorf, pesquisador do PIK e autor principal do estudo.
Estudo examina a aceleração estatística do
aquecimento global, não suas causas.
Após a correção dos efeitos do El Niño e do
máximo solar, 2023 e 2024, anos excepcionalmente quentes, tornam-se um pouco
mais frios, mas permanecem os 2 anos mais quentes desde o início dos registros
instrumentais. Em todos os conjuntos de dados, a aceleração começa a se tornar
aparente em 2013 ou 2014. Para testar se a taxa de aquecimento mudou desde a
década de 1970, a equipe de pesquisa aplicou duas abordagens estatísticas: uma
análise de tendência quadrática e um modelo linear por partes que determina
objetivamente o momento de qualquer mudança na taxa de aquecimento.
O estudo não investiga as causas específicas da aceleração observada. No entanto, segundo os autores, os modelos climáticos mostram que um aumento na taxa de aquecimento está fundamentalmente dentro do escopo da modelagem climática atual.
“Se a taxa de aquecimento dos últimos 10 anos continuar, isso levará a uma ultrapassagem a longo prazo do limite de 1,5°C do Acordo de Paris antes de 2030”, afirma Stefan Rahmstorf. “A rapidez com que a Terra continuará a aquecer depende, em última análise, da rapidez com que reduzirmos a zero as emissões globais de CO2 provenientes de combustíveis fósseis”. (ecodebate)





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