Principais
Descobertas e Impactos:
Falha
Metodológica: A maioria dos estudos anteriores subestimou a altura atual do
oceano.
Margem
de Erro: Os níveis costeiros estão, em média, 20 a 30 centímetros acima do que
os mapas e modelos indicavam.
População
em Risco: Até 132 milhões de pessoas a mais podem estar na rota de inundações
costeiras.
Subsidência
do Solo: O problema é agravado pelo movimento de descida do terreno
(subsidência) em áreas costeiras, muitas vezes acelerado por ação humana.
Aquecimento
Global: O aquecimento dos oceanos continua sendo o principal fator, com o nível
global subindo cerca de 9,4 cm acima da média de 1993 até 2023.
Esta
descoberta indica que o perigo de inundações é mais imediato do que as
projeções anteriores sugeriam.
Pesquisadores descobriram que a maior parte dos estudos sobre o nível do mar nas áreas costeiras subestimou a altura real da água — e que centenas de milhões de pessoas vivem ainda mais perto do risco do que se pensava.
Uma praia no atol de Funafuti, em Tuvalu, arquipélago que pode ser engolido pelo mar nas próximas décadas.
Uma nova pesquisa
indica que cientistas que estudam a elevação do nível do mar vêm usando métodos
que subestimam o quão alta a água já está hoje. Na prática, isso significa que
centenas de milhões de pessoas a mais, em todo o mundo, já vivem perigosamente
perto do oceano em elevação do que pesquisadores ocidentais estimavam.
O estudo,
publicado na quarta-feira na revista Nature, concluiu que a grande maioria dos
trabalhos científicos comete esse erro de base. Em média, níveis do mar em
áreas costeiras estão de 20 a 30 cm acima do que muitos mapas e modelos das
costas do planeta mostram.
Em algumas
regiões, a diferença é muito maior — especialmente no Sudeste Asiático e em
países-ilhas do Pacífico, onde a dinâmica do oceano é mais complexa. Nesses
lugares, o nível do mar na costa pode estar vários metros acima das estimativas
mais usadas.
Isso não quer
dizer que esses estudos estejam errados nas conclusões gerais sobre a
velocidade da elevação do mar ou sobre os impactos previstos. O nível do mar
nas áreas costeiras está subindo com o aquecimento global — isso continua
valendo. O ponto é outro: muitos cientistas vêm partindo de um “ponto zero”
errado ao calcular quais áreas e populações serão afetadas no futuro.
Em bom português:
eles vinham subestimando onde já está hoje o nível do mar na costa.
Esse detalhe faz muita diferença num momento em que governos e formuladores de políticas públicas recorrem à ciência para saber quanta área de terra — e quantas pessoas — podem ser impactadas pelo avanço do oceano, explica Katharina Seeger, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade de Pádua, que liderou o estudo enquanto fazia doutorado na Universidade de Colônia. “Eu não esperava que a discrepância fosse tão grande”, disse ela.
Pode parecer estranho falar em erro de mapa numa época em que GPS e imagens de satélite fazem parte da rotina. Mas o novo trabalho aponta um problema amplo no método que pesquisadores costumam usar para entender o desenho das costas e como elas podem mudar num clima mais quente.
Os autores
revisaram 385 artigos científicos publicados em revistas com revisão por pares
e descobriram que menos de 1% acertou de fato onde o nível do mar está hoje. O
problema começa em um método, já antigo, que compara medições de altitude do
terreno feitas por satélite com um “modelo de geoide” — uma forma de estimar o
nível médio do mar a partir do campo gravitacional da Terra.
Esse método já foi referência e era ensinado com frequência em cursos de pós-graduação, lembra Philip Minderhoud, autor sênior do artigo e professor associado que pesquisa subsidência do solo e elevação do nível do mar na Wageningen University & Research e no instituto holandês Deltares.
Geleira que pode elevar nível do mar está "por um fio", dizem cientistas
Capaz de elevar o
nível do mar em vários metros, geleira Thwaites derrete ao longo de sua base
submarina à medida que o planeta aquece
Só que hoje existem outros satélites e instrumentos capazes de medir o nível real do mar e mostrar variações locais causadas por correntes, ventos e marés — fatores que influenciam o nível da água, mas não entram no modelo baseado apenas na gravidade. A melhor estimativa do nível do mar aparece quando essas duas peças são combinadas da maneira certa.
O novo estudo mostra que, na maioria dos casos, isso não foi feito. Cerca de 90% dos trabalhos analisados por Minderhoud e Seeger usaram apenas o método baseado no campo gravitacional da Terra. Outros 9%, em geral mais recentes, até combinaram os dois tipos de dado, mas aparentemente de forma incorreta.
Para Robert Kopp, especialista em clima e nível do mar na Universidade Rutgers, em Nova Jersey, que não participou do estudo, o trabalho trata de um tema técnico que tende a ter mais impacto dentro da comunidade científica do que no dia a dia de gestores locais. “Em geral, quem sofre com alagamentos em maré alta sabe muito bem onde o mar está”, diz Kopp. Ele lembra que a ciência já vem alertando há anos que a elevação do nível do mar vai afetar muita gente — e o novo estudo não muda esse recado.
Nível do mar está mais alto do que se pensava
Do ponto de vista
global, no entanto, os resultados sugerem que centenas de milhões de pessoas a
mais — especialmente no Vietnã, nas Filipinas, na Indonésia, nas Maldivas e em
outros países do Sudeste Asiático e do Pacífico — vivem muito mais perto do
nível do mar do que se imaginava em boa parte da literatura produzida por
especialistas e formuladores de políticas no Ocidente. (infomoney)





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