sexta-feira, 3 de abril de 2026

Restauração de 1,67 milhão de hectares na Mata Atlântica na última década

Pesquisa revela restauração de 1,67 milhão de hectares na Mata Atlântica na última década.
Uma pesquisa recente revelou a restauração de 1,67 milhão de hectares de floresta nativa na Mata Atlântica entre os anos de 2011 e 2021, representando cerca de 4% da cobertura atual do bioma. A regeneração, impulsionada por processos naturais e conservação, concentrou-se em Minas Gerais, Paraná, Bahia e São Paulo, frequentemente em "mosaicos de uso" (áreas mistas de lavoura e floresta).

Destaques da Pesquisa:

Regeneração Natural: O estudo aponta que boa parte desse ganho ocorreu por regeneração espontânea, evidenciando a capacidade de resiliência da Mata Atlântica.

Papel dos Pequenos Produtores: 45% da área total recuperada está em terras privadas, com pequenos produtores rurais tendo um papel fundamental na recuperação, especialmente em áreas de encostas e bordas de rios, informa o SOS Mata Atlântica.

Principais Estados: Os estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo (12,7%) concentraram o maior índice de restauração, afirma o EcoDebate.

Risco e Desafio: Apesar da área restaurada, o estudo alerta que a "perda de áreas jovens" — onde a vegetação volta a ser desmatada após iniciar a regeneração — ameaça os resultados, exigindo proteção permanente.

Impacto Econômico e Ambiental: A restauração é considerada uma estratégia de baixo custo e alta eficiência para o sequestro de carbono e conservação da biodiversidade, destaca o VEJA.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da Estratégia Mata Atlântica, em parceria com a UFSCar, TNC e Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, utilizando dados do MapBiomas, aponta a Agência FAPESP e o nossacidade.online.

Um estudo publicado no periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation revela que a Mata Atlântica registrou avanço significativo na restauração florestal na última década.

Entre 2011 e 2021, cerca de 1,67 milhão de hectares de florestas nativas foram recuperados no bioma, segundo análise baseada em dados da iniciativa MapBiomas.

O processo de recuperação foi muito mais intenso nos estados de Minas Gerais (26,4%), Paraná (18,6%), Bahia (12,9%) e São Paulo (12,7%). Embora o mapeamento não diferencie áreas que passaram por regeneração natural daquelas que receberam ações de restauração ativa, os pesquisadores indicam que a maior parte do crescimento da cobertura florestal ocorreu por processos naturais.

Segundo Vinicius Tonetti, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no Centro de Ciência para o Desenvolvimento “Estratégia Mata Atlântica”, os resultados demonstram que a recuperação da Mata Atlântica em larga escala é possível. “Os dados mostram que restaurar a Mata Atlântica é um caminho viável e necessário para proteger a biodiversidade e enfrentar as mudanças climáticas, mesmo em paisagens com intensa atividade produtiva”, afirma. O Centro recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp; processo nº 2021/11940-0), está sediado no Campus Lagoa do Sino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e tem o professor Paulo Guilherme Molin, do Centro de Ciências da Natureza (CCN), como pesquisador responsável.

A pesquisa também aponta que 75,2% do aumento da cobertura florestal ocorreu em áreas classificadas como “mosaicos de uso”, regiões onde há mistura de pequenas lavouras, pastagens e vegetação em regeneração. Esses locais frequentemente incluem pastagens abandonadas ou pouco produtivas, que podem se recuperar naturalmente quando as condições ambientais são favoráveis.

Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam que nem toda floresta regenerada permanece preservada ao longo do tempo. A análise mostra que 568 mil hectares de áreas que haviam se recuperado deixaram de existir até 2023, último ano considerado no levantamento. Para Tonetti, o dado reforça a necessidade de políticas públicas e incentivos para garantir a permanência dessas áreas. “O trabalho de restauração não termina quando a floresta começa a crescer. É fundamental proteger as florestas jovens para que elas se consolidem e continuem oferecendo benefícios ambientais”, explica.

Entre as medidas apontadas como estratégicas estão pagamentos por serviços ambientais, fiscalização ambiental e políticas específicas para a proteção de florestas secundárias, que são áreas importantes para a conservação da biodiversidade, o armazenamento de carbono e a regulação do ciclo da água.
O estudo também destaca o papel da regeneração natural como uma estratégia eficiente e de menor custo para recuperar grandes áreas.

Segundo Tonetti, esse processo depende fortemente da atuação da fauna. “Muitas espécies de árvores tropicais têm sementes dispersas por aves e mamíferos frugívoros. Esses animais transportam e espalham as sementes pela paisagem, favorecendo a regeneração das florestas”, afirma. Em pesquisa anterior desenvolvida durante seu doutorado, Tonetti já havia demonstrado a importância desses animais para a recuperação em larga escala da Mata Atlântica.

Ao todo, a pesquisa reuniu 16 cientistas de 14 instituições, entre universidades, organizações não governamentais e coletivos de restauração. Todos os autores integram o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, iniciativa que articula diferentes atores para promover a recuperação do bioma em larga escala, com benefícios ambientais, sociais e econômicos. O estudo está disponível para leitura na íntegra na plataforma ScienceDirect (em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2530064425000598). (ecodebate)

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