quinta-feira, 14 de maio de 2026

Quais mercados de energia são mais impactados pelo conflito no Oriente Médio?

O conflito no Oriente Médio impacta severamente os mercados globais de petróleo (Brent) e gás natural, com aumentos expressivos de preço devido a riscos na infraestrutura e transporte. O Estreito de Ormuz, rota de grande parte do petróleo/GNL mundial, é uma zona crítica, elevando custos de energia na Ásia e Europa.

Principais Impactos Setoriais:

Petróleo e Derivados: Alta de preços pressiona combustíveis como diesel e gasolina (ex: alta de 35% nos EUA), com petróleo Brent atingindo picos elevados.

Gás Natural: Ataques a instalações como o polo de Ras Laffan (Catar) geram instabilidade no fornecimento e aumento de preços.

Logística e Comércio: A paralisação ou risco no Estreito de Ormuz afeta o transporte de mercadorias, fertilizantes e combustíveis.

Custo de Geração: Aumento de custos para 13 grandes mercados de energia, dependentes de importação.

Países e Regiões mais afetadas:

Ásia (Japão/Coreia): Altamente expostos devido à dependência energética.

Brasil: Risco de reajustes em contratos de gás e pressão inflacionária.

Europa: Alta vulnerabilidade a interrupções no fornecimento.

A mais recente análise da Wood Mackenzie explora como 13 dos principais mercados de energia do mundo são impactados pela atual crise de combustíveis, sendo que aqueles mais dependentes de importações de combustíveis enfrentam a maior exposição ao risco. A consultoria afirma que o custo médio de geração deverá aumentar em US$ 2,30/MWh nesses 13 mercados se uma redução da escalada do conflito permitir a moderação dos preços dos combustíveis no segundo semestre de 2026, chegando a uma média de cerca de US$ 8,30/MWh caso os atuais níveis elevados de preços persistam ao longo do ano.
De acordo com a análise mais recente da Wood Mackenzie, a crise no Oriente Médio dividiu os mercados globais de energia em vencedores e perdedores.

O relatório mais recente da consultoria, intitulado “A Grande Divisão de Poder”, aborda o impacto da crise atual em 13 mercados de energia – Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Coreia do Sul, Espanha, Tailândia, Estados Unidos, Reino Unido e Vietnã. Desde o início do conflito, os preços do GNL à vista na Ásia subiram 94%, enquanto os preços do carvão aumentaram entre 17% e 31%.

A Wood Mackenzie constatou que os países com maior dependência de importações de combustíveis são os que enfrentam maior risco de aumento significativo de custos e potenciais restrições de abastecimento. O Japão é o mercado de energia mais vulnerável entre os analisados, com 64% da sua geração de eletricidade dependendo da importação de carvão e gás, seguido pela Coreia do Sul com 56% e pela Itália com 47%.

Em contraste, os EUA e o Brasil demonstraram vulnerabilidade mínima, entre 0 e 1%. Juntamente com a China e a Índia, esses países são considerados mais protegidos devido aos seus recursos domésticos de combustíveis fósseis e energias renováveis, como a matriz energética brasileira, dominada por hidrelétricas.

Questionado pela pv magazine se as energias renováveis poderiam ajudar a amenizar a situação nos países mais afetados pela crise, Xizhou Zhou, Vice-Presidente Executivo e Chefe Global de Energia e Renováveis da Wood Mackenzie, afirmou que o investimento em recursos de geração não fósseis leva tempo para se traduzir em mudanças significativas na matriz energética.

“Por exemplo, após uma década de crescimento fenomenal em energias renováveis, a China ainda tem 56% de sua geração proveniente de carvão e gás, em comparação com uma participação de 68% em 2015”, explicou Zhou.

Zhou acrescentou que, embora as energias renováveis sejam uma parte importante da solução, muitos dos mercados analisados, como o Japão, a Coreia do Sul e a Alemanha, têm ou tinham grandes parques nucleares que poderiam protegê-los dos choques do mercado de combustíveis fósseis.

“A Alemanha optou por fechar todas elas, o Japão ainda está lutando para reativar as usinas nucleares fechadas após Fukushima e os governos anteriores da Coreia do Sul também haviam planejado desativar as usinas nucleares, embora o governo atual seja muito mais favorável a isso”, disse ele.

Zhou também disse à revista pv magazine que a gestão da demanda não deve ser subestimada.

“Por exemplo, após o acidente de Fukushima, o Japão desativou toda a sua capacidade nuclear, que gerava 30% da sua energia, enquanto o carvão e o gás aumentaram a produção para ajudar a suprir a diferença. Medidas de gestão da demanda foram implementadas – incluindo a permissão do uso de camisas de manga curta em ambientes comerciais durante o verão para reduzir a demanda por ar-condicionado – e o consumo de energia nunca retornou aos níveis pré-Fukushima”, explicou ele.

A análise mais recente da Wood Mackenzie acrescenta que os custos médios de geração de energia provavelmente aumentarão em US$ 2,30/MWh nos 13 mercados analisados, utilizando o cenário base, que pressupõe que a desescalada geopolítica permitirá a moderação dos preços dos combustíveis no segundo semestre de 2026.

Em um cenário de alta sensibilidade aos preços dos combustíveis, que pressupõe a persistência dos atuais níveis elevados de preços até 2026, os custos médios de geração aumentariam 26% em média, para cerca de US$ 8,30/MWh. Para os mercados mais impactados, os custos médios de geração subiriam para US$ 22,40/MWh na Itália, US$ 17,00/MWh no Japão e US$ 14,40/MWh na Coreia do Sul.
Allen Wang, vice-presidente e chefe de pesquisa de energia e renováveis da Wood Mackenzie para a região Ásia-Pacífico, afirmou que esses aumentos de custos representariam desafios políticos significativos, exigindo que governos e concessionárias de energia elétrica encontrassem um equilíbrio delicado entre mecanismos de apoio financeiro, intervenções regulatórias e ajustes nas tarifas de varejo.

“Para os mercados emergentes com capacidade fiscal limitada, os custos elevados dos combustíveis também se traduzem em maiores riscos de confiabilidade, uma vez que garantir o fornecimento adicional de combustível se torna cada vez mais difícil durante períodos de aperto no mercado”, acrescentou Wang. (pv-magazine-brasil)

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