sábado, 13 de junho de 2026

Região Centro-Oeste tem a 2ª estrutura etária mais rejuvenescida

A região Centro-Oeste tem a segunda estrutura etária mais rejuvenescida.
Com base nos dados do Censo 2022, a região Centro-Oeste possui uma das estruturas etárias mais jovens do Brasil, situando-se geralmente como a 2ª mais rejuvenescida, atrás apenas da região Norte. Embora o país esteja envelhecendo, o Centro-Oeste mantém uma idade mediana abaixo da média nacional.

Pontos-chave sobre o Centro-Oeste (Censo 2022/2023):

• A 2ª mais jovem: A região Norte é a mais jovem, enquanto o Centro-Oeste apresenta maior proporção de jovens e adultos ativos em comparação com o Sul e Sudeste, que são mais envelhecidos.

• Transição demográfica: A região ainda possui uma estrutura etária "rejuvenescida", com o envelhecimento populacional ocorrendo em ritmo moderado em certas áreas, mas crescendo na média nacional.

• Influência da migração: O crescimento populacional impulsionado pela atração de trabalhadores (especialmente no setor agropecuário e serviços urbanos) contribui para manter a estrutura etária mais jovem em relação a regiões tradicionais.

Enquanto Sul e Sudeste lideram o envelhecimento, o Centro-Oeste atua como uma região de transição, com estrutura intermediária, mas ainda com rejuvenescimento considerável.

A região Centro-Oeste, embora ainda apresente a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já iniciou a fase de declínio da população em idade ativa.

O Brasil está passando por uma rápida e profunda mudança da sua estrutura etária. No século XXI, pela primeira vez na história, haverá mais idosos (60 anos e +) do que crianças e adolescentes (0-14 anos). O envelhecimento populacional será a principal tendência demográfica dos anos 2000. Mas o ritmo de avanço tem sido diferenciado para as Grandes Regiões do país.

O gráfico abaixo, com dados dos Censos Demográficos de 1970 a 2022, do IBGE, mostra o Índice de Envelhecimento (IE) para o Brasil e as Grandes Regiões. O Brasil tinha um IE de 12 idosos de 60 anos e mais para cada 100 crianças e adolescentes de 0-14 anos, passando para 16 idosos para cada 100 jovens em 1980, para 29 em 2000, 45 em 2010 e 80 idosos 60+ para cada 100 jovens de 0-14 anos em 2022.

As regiões Sul e Sudeste possuem IE acima da média nacional e as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste possuem IE abaixo da média nacional. A região Norte apresenta a estrutura etária mais jovem, com um IE que passou de 8 idosos para cada 100 jovens em 1970 para 41 idosos para cada 100 jovens em 2022. A região Sudeste tem o maior Índice de Envelhecimento, passando de 15 idosos por 100 jovens em 1970 para 98 idosos de 60+ por 100 jovens de 0-14 anos em 2022. Portanto, até 2022, havia mais jovens do que idosos em todas as regiões, embora haja quase um empate na região Sudeste.

O gráfico abaixo, com dados dos censos demográficos do IBGE, mostra a evolução das percentagens de alguns grupos etários selecionados entre 1970 e 2022. O grupo etário de jovens 0-14 anos era de 42% da população brasileira em 1970 e caiu para menos da metade (19,8%) em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 52,7% em 1970 para 65,1% em 2010, significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas entre 15-59 anos diminuiu para 64,4% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população 50+ era de 10,7% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos por volta de 2012 e chegou a 27,7% em 2022. A população 60+ era de 5,1% em 1970 e chegou a 15,8% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população 70+ era de 1,8% em 1970 e chegou a 7% da população total do Brasil em 2022.

O gráfico abaixo, com dados da região Centro-Oeste permite comparar com a média nacional do gráfico anterior. A proporção de jovens de 0-14 anos no Centro-Oeste é maior do que a proporção brasileira. Era de 45,1% da população do Centro-Oeste em 1970 e caiu para 20,9% em 2022. O grupo etário de 15-59, que corresponde grosso modo à população em idade economicamente ativa, subiu de 51,3% em 1970 para 66,7% em 2010, proporção maior do que a média nacional e também significando que a janela de oportunidade demográfica estava se abrindo.

Porém, o percentual de pessoas 15-59 anos diminuiu para 65,9% em 2022, significando que a janela de oportunidade começou a se fechar. Não é o fim absoluto do 1º bônus demográfico, mas significa que o Brasil precisa investir nas outras janelas de oportunidade, ou seja, no 2º bônus (da produtividade) e o 3º bônus (da longevidade).

A população do Centro-Oeste de 50+ era de 7,9% em 1970, ultrapassou os jovens de 0-14 anos em 2019 e chegou a 24,7% em 2022. A população 60+ era de 3,4% em 1970 e chegou a 13,2% em 2022, se aproximando do percentual da população jovem. A população do Centro-Oeste de 70+ era de 1,1% em 1970 e chegou a 5,6% da população em 2022.

A região Centro-Oeste ocupa uma posição singular na dinâmica demográfica brasileira. Embora ainda apresente a segunda estrutura etária mais rejuvenescida do país, já iniciou a fase de declínio da população em idade ativa, sinalizando o avanço da transição demográfica. Ao mesmo tempo, por ser o principal polo produtor de commodities agropecuárias e minerais, continua atraindo imigrantes jovens de outras regiões. Essa combinação de envelhecimento incipiente com forte migração seletiva cria um quadro híbrido, repleto de desafios estruturais e oportunidades estratégicas.

Os principais desafios são:

Esgotamento gradual do bônus demográfico. A queda da população em idade ativa indica que o bônus demográfico está se aproximando do fim. Se a produtividade não crescer suficientemente, o dinamismo econômico pode desacelerar nas próximas décadas.

Dependência de setores intensivos em capital e pouco intensivos em trabalho. A produção de commodities, especialmente no agronegócio moderno, é altamente mecanizada. Isso limita a absorção de mão de obra e pode gerar um descompasso entre o volume de migrantes jovens e as oportunidades de emprego de qualidade.

Urbanização acelerada e pressão sobre cidades médias. O fluxo migratório pressiona infraestrutura urbana, habitação, saneamento, mobilidade e serviços públicos, especialmente em cidades médias que crescem rapidamente, muitas vezes sem planejamento adequado.

Desigualdades sociais e territoriais. O crescimento econômico baseado em commodities não garante, automaticamente, distribuição de renda. Persistem bolsões de informalidade, trabalho precário e exclusão social, sobretudo entre migrantes recentes.

Vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional. A forte especialização produtiva torna a região sensível a choques externos, variações de preços e mudanças climáticas, o que pode afetar emprego e arrecadação.
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As principais oportunidades são:

Renovação demográfica via migração interna. A atração contínua de jovens atenua os efeitos do envelhecimento e do declínio da população ativa, funcionando como um “amortecedor demográfico” frente à transição em curso.

Aumento da produtividade e inovação no agronegócio. A presença de trabalhadores jovens pode impulsionar a adoção de tecnologias digitais, agricultura de precisão, biotecnologia e práticas sustentáveis, elevando a produtividade total dos fatores.

Diversificação da base econômica. O dinamismo do setor primário cria encadeamentos produtivos em logística, agroindústria, serviços avançados, pesquisa e desenvolvimento, abrindo espaço para maior geração de empregos urbanos.

Consolidação de cidades médias como polos regionais. O crescimento populacional e econômico fortalece cidades médias, que podem se tornar centros de inovação, educação superior e serviços especializados, reduzindo a dependência das metrópoles tradicionais.

Preparação antecipada para o envelhecimento. Por ainda contar com população relativamente jovem, o Centro-Oeste tem uma janela de oportunidade para estruturar políticas de previdência, saúde e cuidados de longo prazo antes que o envelhecimento se intensifique.

A dinâmica demográfica do Centro-Oeste reflete uma transição intermediária: o bônus demográfico já não cresce, mas a migração jovem ainda sustenta o dinamismo regional. O grande desafio é converter crescimento econômico baseado em commodities em desenvolvimento sustentável, diversificado e inclusivo. Se bem administrada, essa fase pode permitir ao Centro-Oeste manter sua vitalidade econômica, reduzir desigualdades e se preparar de forma mais equilibrada para o inevitável envelhecimento populacional nas próximas décadas. (ecodebate)

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