domingo, 21 de junho de 2026

Poluição plástica reduz a absorção de CO2 pelo fitoplâncton

Pescador navega no “oceano de plástico”. Imagem ilustrativa.

A poluição plástica interfere diretamente na capacidade do oceano de absorver e estocar dióxido de carbono CO2. O fitoplâncton, responsável por cerca de metade de toda a fotossíntese da Terra, tem sua eficiência reduzida pelas partículas de plástico nos oceanos.

Essa redução na absorção de CO2 acontece por meio de três fatores principais:

• Sombra e bloqueio de luz: Os microplásticos que flutuam na superfície reduzem a transmissão de luz solar na água, dificultando a fotossíntese realizada pelo fitoplâncton.

• Danos celulares: Partículas plásticas podem se fixar na membrana desses microrganismos e até mesmo romper suas paredes celulares, diminuindo sua capacidade de transformar CO2 em oxigênio e energia.

• Prejuízo à "bomba biológica": O carbono absorvido pelo fitoplâncton é naturalmente transportado para as profundezas do oceano quando ele é consumido pelo zooplâncton. A ingestão de plástico altera o processo digestivo desses animais, impedindo que o carbono seja armazenado no fundo do mar.

Estudos indicam que esse bloqueio prejudica um dos maiores mecanismos naturais de regulação climática do planeta, o que acelera o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.

Para entender mais sobre o impacto dos resíduos na regulação do clima, consulte o documento oficial sobre oceano e clima do Ministério do Meio Ambiente.

Além de poluir praias e oceanos, partículas microscópicas de plástico ameaçam a capacidade das algas de absorver o CO2 e combater o aquecimento global.

Você já parou para pensar que cada segundo respiro que você dá vem do oceano? Embora as florestas tropicais recebam toda a fama como os “pulmões do mundo”, mais de 70% do nosso planeta é coberto por águas que abrigam um exército silencioso de trabalhadores: o microplâncton. Essas minúsculas plantas unicelulares realizam quase metade de toda a fotossíntese da Terra, convertendo luz solar e dióxido de carbono (CO2) no oxigênio que respiramos.

No entanto, um novo e indesejado vizinho está ameaçando esse equilíbrio vital. Os microplásticos, minúsculas partículas de poluição que já alcançaram desde as costas populosas até os remotos mares do Ártico, estão interferindo na capacidade básica dessas algas de sobreviver e nos proteger.

Poluição por plástico pode afetar retirada de CO2 da atmosfera.

O pulmão azul sob ataque

O oceano é o nosso maior aliado contra as mudanças climáticas, absorvendo entre 25% e 30% de todo o CO2 gerado pelas atividades humanas. O fitoplâncton é a peça-chave desse processo, transformando o carbono em energia para construir suas células.

O problema, como explica a pesquisadora Francesca Verones, da NTNU, é que os microplásticos não são apenas uma poluição visual. Eles afetam o crescimento das algas de formas cruéis: bloqueiam a luz solar necessária para a fotossíntese, causam danos físicos diretos e podem até liberar substâncias tóxicas, como o PVC.

Onde o impacto é maior?

Através de modelos computacionais e dados de laboratório, pesquisadores descobriram que o impacto não é igual em todo o globo. As regiões áridas e tropicais são as mais vulneráveis. Nessas zonas, estima-se que a presença de plástico reduza a absorção de carbono entre 25.000 e 48.000 toneladas por ano.

Pode parecer pouco perto das duas bilhões de toneladas que o oceano absorve anualmente, mas há um alerta importante: “Devemos ter em mente que a quantidade de microplásticos no oceano está aumentando constantemente”, adverte Verones. Todo o plástico descartado hoje, um dia, chegará ao mar.

Mundo pode reduzir poluição plástica em 80% até 2040

Além do carbono: A Tripla Crise Planetária

A ameaça aos microplânctons não é um evento isolado. Ela faz parte do que a ONU classifica como a “tripla crise planetária”:

As alterações climáticas;

A poluição desenfreada;

A perda de biodiversidade.

Esses três desafios estão interconectados. Quando o plástico prejudica as algas, ele acelera o aquecimento global (crise climática) e destrói a base da cadeia alimentar marinha (perda de biodiversidade).

Para encontrar uma saída, precisamos parar de olhar para os problemas de forma isolada. Entender como o plástico que usamos no dia a dia afeta seres microscópicos no meio do oceano é o primeiro passo para garantir um futuro viável para o nosso planeta.

Afinal, ao proteger o fitoplâncton, estamos, literalmente, protegendo o nosso próximo respiro. (ecodebate)

Nenhum comentário:

Poluição plástica reduz a absorção de CO2 pelo fitoplâncton

Pescador navega no “oceano de plástico”. Imagem ilustrativa. A poluição plástica interfere diretamente na capacidade do oceano de absorver...