sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Clima feroz destruidor

Clima feroz: ONU pede investigação sobre mudança climática e eventos extremos.
Rússia: Pontos de calor e emissão de CO2, pelos incêndios florestais, entre 1 e 8/8/2010, em foto da NASA Cientistas climáticos precisam analisar com urgência as mudanças nas correntes atmosféricas para avaliar sua ligação com as inundações devastadoras no Paquistão e os incêndios florestais na Rússia, alertou a ONU. Ghassem Asrar, diretor do Programa Mundial de Pesquisas sobre o Clima, disse à AFP que estas alterações, denominadas bloqueios atmosféricos, podem impedir a dispersão da umidade ou do calor. Segundo o cientista, com isto, chuvas fortes e ondas de calor se intensificam e ficam aprisionadas em uma área passível de sofrer eventos climáticos extremos que os cientistas afirmam que vão acontecer com maior frequência devido ao aquecimento global. Asrar afirmou que cientistas europeus fizeram um modelo relacionando o bloqueio em correntes atmosféricas e as condições climáticas que resultaram nas chuvas do Paquistão e na onda de calor na Rússia com algumas semanas de antecedência. Eles “claramente demarcaram esta formação e a rastrearam”, explicou Asrar, cujo programa é ligado, em parte, à Organização Meteorológica Mundial (OMM), da ONU. “Sabemos com certeza que os dois eventos no Paquistão e na Rússia estão relacionados”, acrescentou. Asrar e a OMM ressaltaram que as intensas monções no Paquistão e o calor na Rússia, bem como os deslizamentos de terra provocados por temporais na China e o desprendimento de um iceberg gigante na Groenlândia, nas últimas semanas, foram casos excepcionais para os padrões da ocorrência natural de eventos extremos. A OMM considerou os quatro fenômenos como “uma sequência sem precedentes de eventos” que “se comparam ou superam em intensidade, duração ou extensão geográfica, aos maiores eventos históricos previamente registrados”. “Isto traz uma questão urgente para a ciência climática: se a frequência e a duração dos bloqueios atmosféricos vão mudar ou não”, sentenciou a OMM em um comunicado. As evidências por trás do impacto e das mudanças em padrões dos bloqueios nas correntes atmosféricas, bem como a influência modificadora dos fenômenos El Niño e La Niña sobre o Oceano Pacífico, aumentam a necessidade de uma resposta urgente, argumentou Asrar. Os cientistas estão relutantes em vincular abertamente um evento isolado às mudanças climáticas, cujas medições necessitam de alterações em períodos mais longos, de anos ou décadas. Nas últimas seis semanas, Moscou tem sofrido com uma onda de calor sem precedentes, com temperaturas que já chegaram aos 40 graus Celsius e máximas diárias bem acima dos 30 graus, provocando uma crise nacional e destruindo um quarto das plantações do país. Asrar disse que as prioridades para a ciência climática e atmosférica estão “se modificando muito rapidamente”. Enquanto isso, especialistas preveem que o fenômeno La Niña durará pelo menos até o início de 2011. O fenômeno dura “normalmente por volta de 9 a 12 meses”, afirmou Rupa Kumar Kolli, pesquisador da OMM. “Por enquanto, nós não temos indícios realmente confiáveis sobre quanto tempo vai durar – pelo menos até o fim deste ano”, acrescentou. “Espera-se que as condições do La Niña se intensifiquem e durem até o inverno no Hemisfério Norte”, advertiu o Instituto Oceânico e Atmosférico Americano (NOAA) no começo deste mês. O La Niña é o efeito inverso ao El Niño, uma anomalia atmosférica que perdeu força no meio do ano, após ter sido responsabilizada por nevascas nos Estados Unidos, ondas de calor no Brasil, inundações mortais no México e seca na Argentina. O ciclo El Niño/La Niña é causado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico ocidental que se movem para o Pacífico oriental antes de se resfriarem. O La Niña está associado a monções mais intensas que o normal no Sul da Ásia, seca e estresse hídrico na América do Sul e um aumento da atividade ciclônica no Atlântico. O último fenômeno La Niña ocorreu em 2007-2008. (EcoDebate)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Aquecimento Global: Um planeta febril

A série aparentemente interminável de loucuras climáticas no mundo reforça a tese de que o aquecimento global é para valer, e não uma construção equivocada de cientistas sensacionalistas “A Terra está pegando fogo. Então, precisamos agir rapidamente e pensar com cuidado sobre o que estamos fazendo.” O alerta é de Mickey Gjerris, professor da Universidade de Copenhague. Não se trata de uma frase de efeito. Medições meteorológicas realizadas nos mais remotos países mostram que não há um só lugar do planeta em que o clima não esteja mudando em um ritmo inesperado. Boletins, relatórios e informes refletem o que a população vê, todos os dias, nos noticiários: mortes, incêndios e prejuízos econômicos na Rússia por causa de ondas anormais de calor, tempestades e desabamentos com mais de mil vítimas fatais na China, enchentes devastadoras no Paquistão, surpresas climáticas das mais variadas no Brasil. Nem todos os fenômenos que ocorrem na natureza, como furacões, tsunamis, terremotos e mesmo estiagens e tempestades fora de época, estão relacionados à ação do homem. Desde que surgiu, há mais de 4 bilhões de anos, a Terra passa por transformações — já foi uma enorme caldeira, passou por um período de longo resfriamento e, aos poucos, assumiu o clima propício para o desenvolvimento e a manutenção das espécies que habitam o planeta. Mesmo fenômenos como o El Niño e sua “irmã” La Niña, que consistem na elevação periódica da temperatura das águas do Pacífico, podem não estar ligados ao aquecimento global. Muitos cientistas defendem que são ocorrências naturais, como as estações do ano. Ainda assim, especialistas ouvidos pelo Correio garantem que há um consenso de que as mudanças climáticas vêm acontecendo em um ritmo atípico. “Todos nós reconhecemos que o clima da Terra varia naturalmente, e já foi mais quente ou mais frio no passado. Mas também sabemos que as mudanças climáticas pelas quais passamos hoje são altamente resultantes das atividades humanas”, defende Don Wuebbles, professor de ciências atmosféricas da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. No ano passado, ele contribuiu com o National Oceanic and Atmospheric Administration, órgão americano que monitora o clima, na elaboração de um relatório com indicadores climáticos globais. De acordo com o documento, que compila dados meteorológicos oficiais de todo o planeta, a temperatura global aumentou cerca de 0,6 ºC desde o início do século 20. Ao mesmo tempo, o nível do mar cresceu a uma taxa de 1,7mm por ano no último século, mas, desde 1993, o índice acelerou para 3,5mm por ano. Acúmulo de provas Há provas suficientes para concluir que o homem foi primordial para o recente aquecimento do planeta. “Essas provas têm sido acumuladas ao longo de muitas décadas, e provêm de centenas de estudos. A primeira linha de evidência é nosso conhecimento físico básico sobre como os gases de efeito estufa prendem o calor e como o sistema climático responde a isso”, diz o estudo. “A segunda linha de provas vem de estimativas indiretas de mudanças climáticas ao longo dos últimos mil anos. Elas podem ser obtidas de seres vivos e de seus restos, como anéis de árvores e corais, que funcionam como um arquivo natural das variações climáticas. Esses indicadores mostram que o recente aumento da temperatura é claramente incomum.” De acordo com Carlos Rittl, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil, serão necessários mais estudos para determinar se o aquecimento global é o responsável pelos efeitos recentes. Mas, segundo ele, não há dúvidas sobre a relação entre as atividades humanas e as mudanças climáticas. “No último século, aumentou a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, e aumentou a temperatura. O que a gente pode dizer é que o ‘paciente’, ou seja, o planeta, está doente. O que não se sabe é se a ‘febre’ está ligada ao aquecimento global”, diz. “Temos que transformar a maneira como a gente produz e consome. Não são transformações fáceis e não acontecem em um curto prazo.”Na avaliação de Rittl, um acordo deve ocorrer até 2012. Embora as expectativas em torno da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de Copenhague, a COP-15, tenham sido frustradas, em dezembro passado, pela falta da assinatura de um documento com metas específicas, o coordenador do WWF acredita que na COP-16, daqui a três meses, os avanços podem ser significativos. “Principalmente em relação ao financiamento para as ações de mitigação”, acredita. Na reunião preparatória do evento, encerrada em 6 de setembro na Alemanha, a secretária-executiva da Convenção do Clima das Nações Unidas, Christina Figueres, afirmou que houve alguns progressos, mas reclamou das divergências que ainda impedem a construção de um texto realmente comprometido com a saúde do planeta: “É difícil preparar um prato sem uma panela. E, na verdade, parece que os governantes ainda estão construindo essa panela”. (EcoDebate)

Cientistas começam a apontam caos climático

Cientistas começam a abandonar a cautela e apontam no caos climático, evidências do aquecimento global.
Paquistão em agosto de 2.010, o país do Sudeste Asiático enfrenta as piores inundações dos últimos 80 anos. Pelos menos 1,4mil pessoas morreram e outras 20 milhões foram afetadas. No caos climático, evidências do aquecimento global, cientistas americanos começam a abandonar a cautela e a apontar o aumento da temperatura causado pelo homem como origem de desastres Inundações causaram danos em diferentes regiões dos Estados Unidos, no atual verão no Hemisfério Norte. Um dilúvio no Paquistão atingiu 20 milhões de pessoas. E ondas de calor cozinharam o leste dos EUA, partes da África, da Ásia Oriental e sobretudo a Rússia, onde milhões de hectares de trigo foram perdidos e milhares de pessoas morreram por causa da pior seca da história do país. Aparentemente sem relação, esses desastres indicam, segundo os cientistas, que o aquecimento global provoca essas mudanças extremas do clima. “Eventos extremos vêm ocorrendo com maior frequência e em muitos casos com maior intensidade”, diz Jay Lawrimore, chefe do departamento de análise climática do Centro Nacional de Dados Climáticos em Asheville, na Carolina do Norte. Em teoria, o mundo aquece por causa dos gases-estufa, o que provoca temporais no verão, nevascas no inverno, seca mais intensa em alguns lugares e ondas de calor em outros. Evidências estatísticas mostram que isso começou a ocorrer. Mas não ficou mais fácil ligar ocorrências climáticas específicas às mudanças climáticas. Muitos climatólogos relutam em ir tão longe, observando que o clima já se caracterizava por uma notável variabilidade muito antes de o homem começar a queimar combustíveis fósseis. “Se alguém me perguntar se, pessoalmente, acho que a intensa onda de calor na Rússia tem a ver com as mudanças climáticas, a resposta é sim”, diz Gavin Schmidt, pesquisador da Nasa. “Mas ao me perguntar se, como cientista, tenho provas disso, a resposta é não – pelo menos até agora”, completa. Na Rússia, essa cautela vem sendo adotada pelos estudiosos. O país sempre assume um papel relutante nas negociações globais para lidar com essas mudanças – talvez em parte porque espera tirar proveito econômico com o aquecimento do seu vasto território siberiano. Mas as ondas de calor, seguidas de seca e incêndios, numa região normalmente fria, parecem estar fazendo os russos mudarem de ideia. Se a Terra não estivesse aquecendo, as variações aleatórias do clima deveriam causar o mesmo número recorde de altas e baixas de temperatura durante um dado período. Mas os climatólogos há muito entendem que, teoricamente, num mundo que vem esquentando, o calor adicional causaria mais recordes de altas de temperatura e menos quedas. As estatísticas sugerem que está acontecendo exatamente isso. Hoje, nos EUA, temos uma queda recorde de temperatura em relação a dois recordes de alta, uma evidência reveladora de que, em meio a todas as variações aleatórias do clima, a tendência é no sentido de um clima mais quente. Tempo inusitado. De acordo com um estudo do governo americano publicado em 2008, “nas últimas décadas, excepcionalmente, grande parte da América do Norte observou mais dias e noites quentes, menos dias e noites frios e menos dias gelados”, o que também é inusitado. Mas as chuvas se tornaram mais frequentes e mais intensas. Pesquisas mostram que o aquecimento global vai agravar essas mudanças extremas em grande parte do planeta. Áreas úmidas ficarão ainda mais úmidas, dizem os cientistas, enquanto que as regiões secas se tornarão mais secas. Mas não são padrões uniformes: as mudanças na circulação dos ventos e dos oceanos podem ter efeitos inesperados, como algumas áreas ficando mais frias num mundo mais aquecido. E padrões climáticos estabelecidos há muito tempo, como as variações periódicas no Oceano Pacífico conhecidas como El Niño, devem contribuir para tais ocorrências excepcionais, como as fortes chuvas e temperaturas frias em partes normalmente áridas da Califórnia. Para os cientistas, vamos observar tempestades mais violentas no inverno e no verão, em grande parte por causa do princípio físico de que o ar mais quente contém mais vapor de água. Vamos esperar de um a dois anos até os climatólogos publicarem suas análises definitivas sobre as ondas de calor na Rússia e as inundações no Paquistão, que poderão esclarecer o papel da mudança climática nesses casos. Alguns estudiosos suspeitam de que esse calor e essa chuva foram causados ou agravados por uma mudança em uma corrente de ar que circula em altas altitudes. Alguns casos recentes foram tão severos que alguns cientistas estão abandonando sua tradicional posição de cautela e atribuindo ao clima a ocorrência de certos desastres. Kevin Trenberth, chefe do departamento de análises climáticas do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, Colorado, sugeriu em um estudo que o furacão Katrina trouxe mais chuvas para a Costa do Golfo porque a tempestade foi intensificada pelo aquecimento global. (EcoDebate)

Plantas crescem menos com aquecimento global

Ao contrário do que se estimava, elevação nas temperaturas reduz crescimento das plantas.
O aquecimento global não tem feito as plantas crescerem mais, como se estimava, mas sim menos. Segundo um estudo publicado na revista Science, a produtividade dos vegetais tem decaído em todo o mundo. Até então, achava-se que as temperaturas constantemente mais elevadas estariam estimulando o crescimento das plantas, mas a nova pesquisa, feita com dados de satélites da Nasa, a agência espacial norte-americana, aponta o contrário. O motivo são as secas regionais, indica o estudo feito por Maosheng Zhao e Steven Running, da Universidade de Montana, segundo o qual a tendência na produtividade já dura uma década. A produtividade é uma medida da taxa do processo de fotossíntese que as plantas verdes usam para converter energia solar, dióxido de carbono e água em açúcar, oxigênio e no próprio tecido vegetal. O declínio observado na última década foi de 1%. Parece pouco, mas, de acordo com os autores da pesquisa, é um sinal alarmante devido ao impacto potencial na produção de alimentos e de biocombustíveis e no ciclo global do carbono. “Os resultados do estudo são, além de surpreendentes, significativos no nível político, uma vez que interpretações anteriores indicaram que o aquecimento global estaria ajudando no crescimento das plantas mundialmente”, disse Running. Em 2003, outro artigo publicado na Science, de Ramakrishna Nemani, do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, e colegas, havia apontado um aumento de 6% na produtividade global de plantas terrestres entre 1982 e 1999. O aumento foi justificado por condições favoráveis na temperatura, radiação solar e disponibilidade de água, influenciados pelo aquecimento global, que seriam favoráveis ao crescimento vegetal. Zhao e Running decidiram fazer novo estudo, a partir de dados da última década reunidos pelo satélite Terra, lançado em 1999. Os cientistas esperavam pela continuidade da tendência anterior, mas verificaram que o impacto negativo das secas regionais superou a influência positiva de uma estação de crescimento mais longa, o que levou ao declínio na produtividade.Segundo o estudo, embora as temperaturas mais elevadas continuem a aumentar a produtividade em algumas áreas e latitudes mais altas, nas florestas tropicais, responsáveis por grande parte da matéria vegetal terrestre, a elevação nas temperaturas tem diminuido a produtividade, devido ao estresse hídrico e à respiração vegetal, que retorna carbono à atmosfera.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

10 - A Antártica está perdendo ou ganhando gelo?

Argumento cético "A quantidade de gelo ao redor da Antártica está no seu maior nível desde que os satélites começaram a monitorá-lo há quase 30 anos. É simplesmente frio demais para chover na Antártica e isso vai continuar assim por muito tempo. O fato é que há mais gelo do que nunca ao redor da Antártica." (Patrick Michaels) O que a ciência diz Enquanto o interior da Antártica Oriental está ganhando gelo continental, a Antártica como um todo está perdendo este gelo continental a uma razão cada vez mais rápida. O gelo oceânico antártico está aumentando apesar do Oceano Antártico estar se aquecendo intensamente. É importante distinguir entre o gelo continental e o gelo oceânico antártico, que são dois fenômenos separados. Notícias sobre o gelo antártico muitas vezes deixa de reconhecer esta diferença entre os dois. Para resumir a situação das tendências do gelo na Antártica: O gelo antártico continental está diminuindo cada vez mais rápido. O gelo antártico oceânico está aumentando apesar do aquecimento do Oceano Antártico. O gelo antártico continental está diminuindo Medir as mudanças no gelo continental antártico tem sido um processo difícil devido à enormidade e complexidade do manto de gelo. Porém, desde 2002 os satélites do Gravity Recovery and Climate Experiment (GRACE) têm sido capazes de cobrir todo o manto de gelo de maneira abrangente. Os satélites medem as mudanças na gravidade para determinar as variações de massa de toda o manto de gelo antártico. Observações iniciais encontraram que a maior parte da perda de massa de gelo nesse continente vem da Antártica Ocidental (Velicogna 2007). Enquanto isso, de 2002 a 2005, a Antártica Oriental esteve aproximadamente em equilíbrio. O gelo ganho no interior é compensado pela perda de gelo nas extremidades. Isso é ilustrado na Figura 1, que contrasta as mudanças de massa de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) com a da Oriental (verde):
Figura 1: mudanças na massa de gelo (linhas contínuas com círculos) e a tendência linear (linhas tracejadas) para o manto de gelo da Antártica Ocidental (vermelho) e da Antártica Oriental (verde) para o período de abril de 2002 a agosto de 2005 (Velicogna 2007). Conforme mais dados do GRACE são disponibilizados, emerge uma compreensão mais clara do manto de gelo Antártico. A Figura 2 mostra a mudança na massa de gelo antártico para o período de abril de 2002 a Fevereiro de 2009 (Velicogna 2009). A linha azul com cruzes mostra os valores mensais, não-filtrados. As cruzes azuis estão com a variabilidade sazonal removida. A linha verde é a tendência linear.
Figura 2: Mudanças na massa de gelo para o manto de gelo antártico de abril de 2002 a fevereiro de 2009. As cruzes azuis são os dados não-filtrados. As cruzes vermelhas são os dados filtrados para excluir a dependência sazonal. A linha verde é a tendência quadrática (Velicogna 2009). Com uma série histórica mais longa, emerge agora uma tendência estatisticamente significativa. Não só a Antártica está perdendo gelo continental, mas essa perda está se acelerando a uma tasa de 26 Gigatoneladas/ano² (em outras palavras, a cada ano, a taxa de perda de gelo fica 26 Gton maior que o ano anterior). Ocorre que desde 2006, a Antártica Oriental não está mais em equilíbrio, mas na verdade está perdendo gelo (Chen 2009). Isso é um resultado surpreendente, pois a Antártica Oriental tem sido considerada estável devido à região ser tão fria. Isso indica que a Antártica Ocidental é mais dinâmica do que se pensava. Isso é significativo porque a Antártica Oriental tem muito mais gelo que a Antártica Ocidental. A Antártica Oriental contém gelo suficiente para elevar o nível dos oceanos em 50 ou 60 metros, enquanto a Antártica Ocidental contribuiria com cerca de 6 ou 7 metros. O manto de gelo Antártico desempenha um papel importante na contribuição total para o nível do mar. Esta contribuição está aumentando contínua e rapidamente. O gelo oceânico antártico está aumentando O gelo oceânico antártico tem mostrado um crescimento e longo prazo desde que os satélites começaram suas medições em 1979. Esta é uma observação que foi freqüentemente citada com prova contra o aquecimento global. Entretanto, raramente é feita a pergunta: por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Implicitamente, toma-se como verdade que deve estar esfriando ao redor da Antártica. Definitivamente, não é este o caso. Na verdade, o Oceano Antártico tem se aquecido mais rápido que o resto dos oceanos do mundo. Globalmente, entre 1955 e 1995, os oceanos têm se aquecido em 0,1ºC por década. Em contraste, o Oceano Antártico tem se aquecido em 0,17ºC por década. Não apenas o Oceano Antártico está se aquecendo, mas isso está acontecendo mais rápido que a média global. Figura 3: Temperatura do ar na superfície sobre as áreas cobertas por gelo no Oceano Antártico (topo). Extensão do gelo oceânico, observado por satélite (em baixo). (Zhang 2007) Se o Oceano Antártico está se aquecendo, por que o gelo oceânico antártico está aumentando? Há vários fatores responsáveis. Um é a menor concentração de ozônio acima da Antártica. O buraco da camada de ozônio acima do Pólo Sul causou o resfriamento da estratosfera (Gillet 2003). Isso reforça os ventos ciclônicos que circundam o continente antártico (Thompson 2002). O vento espalha o gelo oceânico, criando áreas de mar aberto conhecidas como polínias. Mais polínias levam a mais produção de gelo oceânico (Turner 2009). Outro fator responsável é a mudança nas circulações oceânicas. O Oceano Antártico consiste de uma camada de água fria próxima da superfície e uma camada de água mais quente abaixo. Água da camada mais quente sobe à superfície, derretendo o gelo oceânico. Entretanto, conforme a temperatura do ar aumenta, o volume de chuva e neve também aumenta. Isso diminui a salinidade das águas da superfície, levando a uma camada de superfície menos densa que a água mais salgada da camada inferior. As camadas tornam-se mais estratificadas e misturam-se menos. Menos calor é transportado para cima desde a camada mais profunda e mais quente. E assim menos gelo oceânico derrete (Zhang 2007). Em resumo, o gelo oceânico antártico é um fenômeno complexo e único. A interpretação simplista que deve estar esfriando ao redor da Antártica não é o que se observa. O aquecimento está acontecendo - como ele afeta regiões específicas é algo complicado. (skepticalscience.com)

9 - Estamos nos aproximando de uma nova Era Glacial?

Argumento cético "Um dia você vai acordar enterrado embaixo de nove andares de neve. É tudo parte de um ciclo estável, previsível e natural que retorna como um relógio a cada 11.500 anos. E como a última Era Glacial terminou quase que exatamente há 11.500 anos..." (Ice Age Now) O que a ciência diz O efeito de aquecimento de mais CO2 se sobrepõe com folga à influência de mudanças na órbita da Terra ou atividade solar, mesmo que esta caísse para os níveis do Mínimo de Maunder. Há apenas alguns séculos, o planeta experimentou uma leve era glacial, que recebeu o nome pitoresco de Pequena Era do Gelo. Parte da Pequena Era do Gelo coincidiu com um período de baixa de atividade solar chamado Mínimo de Maunder (batizado em homenagem ao astrônomo Edward Maunder). Acredita-se que uma combinação de atividade solar mais baixa e maior atividade vulcânica constituíram na maior causa do fenômeno (Free 1999, Crowley 2001), com mudanças na circulação oceânica que também tiveram efeito nas temperaturas européias (Mann 2002).
Figura 1: Irradiância solar total (TSI, na sigla em inglês). TSI de 1880 até 1978 de Solanki. TSI de 1979 a 2009 do Physikalisches-Meteorologisches Observatorium Davos (PMOD). Será que estamos nos aproximando de outro mínimo de Maunder? A atividade solar está mostrando atualmente uma tendência de resfriamento de longo prazo. 2009 teve a irradiância solar mais baixa em mais de um século. Porém, predizer a atividade solar futura é problemático. A transição de um período de 'grand maxima' (a situação da segunda metado do século XX) para uma 'grand minima' (a condição do Mínimo de Maunder) é um processo caótico e difícil de prever (Usoskin 2007). Digamos, apenas a título de argumento, que o sol entrasse em outro Mínimo de Maunder no século XXI. Que efeito isso teria sobre o clima da Terra? Simulações da resposta climática nesta condição concluem que a diminuição de temperatura devido a isso seria mínima comparada com o aquecimento por gases estufa de origem humana (Feulner 2010). O resfriamento causado por essa hipotética menor atividade solar seria de cerca de 0,1ºC (com um valor máximo estimado de 0,3ºC), enquanto o aquecimento por gases estufa é de 3,7ºC a 4,5ºC, dependendo de quanto CO2 nós emitirmos ao longo do século XXI.
Figura 2: Anomalias médias globais de temperatura de 1900 a 2100 relativo ao período 1961-1990 para os cenários A1B (linhas vermelhas) e A2 (linhas rosa) e para três diferentes forçantes solares correspondendo a um ciclo de 11 anos típico (linha contínua) e para um novo 'grand minimum' com irradiância solar correspondendo a recentes reconstruções da irradiância do Mínimo de Maunder (linha tracejada) e uma irradiância ainda mais baixa (linha pontilhada), respectivamente. As temperaturas observadas pelo NASA GISS até 2009 também são mostradas (linha azul) (Feulner 2010). Entretanto, nosso clima experimentou mudanças muito mais dramáticas que a Pequena Era do Gelo. Ao longo dos últimos 400.000 anos, o planeta experimentou condições de Eras Glaciais, pontuadas por breves intervalos mais quentes a cada cerca de 100.000 anos. Nossa atual interglacial começou há cerca de 11.000 anos atrás. Poderíamos estar à beira do final desta nossa interglacial? Figura 3: Mudanças de temperatura em Vostok, Antártica (Petit 2000). Períodos interglaciais são marcados em verde. Como se iniciam as eras glaciais? As mudanças na órbita da Terra fazem com que menos luz do sol (insolação) atinjam o Hemisfério Norte durante o verão. A calota polar do norte derrete menos durante o verão e gradualmente vai crescendo ao longo de milhares de anos. Isso aumenta o albedo da Terra, o que amplifica o resfriamento, fazendo com que a calota polar aumente ainda mais. Este processo dura por cerca de 10 a 20 mil anos, trazendo o planeta a uma Era Glacial. Nem todas as interglaciais duram o mesmo tempo. Uma perfuração de gelo do Domo C, na Antártica, proporcionou uma visão das temperaturas até 720.000 anos atrás. As condições climáticas de 420.000 anos atrás eram similares às condições atuais. Naquela época, a interglacial durou 28.000 anos, sugerindo que nossa interglacial atual poderia durar por tempo semelhante sem a intervenção humana (Augustin 2004). As condições atuais similares às de 400.000 anos atrás se devem a configurações similares na órbita da Terra. Em ambos os períodos, a forçante das variações orbitais mostraram muito menos mudanças que em outras interglaciais. Simulações com a órbita atual mostram que mesmo sem emissões de CO2, espera-se que a interglacial atual dure pelo menos 15.000 anos (Berger 2002). Evidentemente, a questão de quanto tempo dura a interglacial sem intervenção humana é apenas hipotética. Nos estamos intervindo. Então, que efeito têm nossas emissões de CO2 em uma futura Era Glacial? Esta questão é examinada em um estudo a respeito do "gatilho" da glaciação - a diminuição necessária na insolação do verão do hemisfério norte para iniciar o processo de aumentar a calota polar (Archer 2005). Quanto mais CO2 houver na atmosfera, mais baixo precisa cair a insolação para disparar a glaciação. A Figura 4 examina a resposta do clima a vários cenários de emissões de CO2. O azul representa uma liberação humana de 300 gigatoneladas de carbono - nós já ultrapassamos esta marca. A liberação de 1000 gigatoneladas de carbono (linha laranja) impediria uma Era Glacial por 130.000 anos. Se as emissões de carbono fossem 5000 gigatoneladas ou mais, a glaciação seria evitada por meio milhão de anos. Como as coisas estão hoje, a combinação de uma forçante orbital relativamente fraca com um longo período de permanência atmosférica do CO2 provavelmente gerará uma interglacial mais longa do que a que foi vista nos últimos 2,6 milhões de anos. Figura 4: Efeito do CO2 de combustíveis fósseis na evolução futura da temperatura média global. O verde representa a evolução natural, o azul representa os resultados da liberação antrópica de 300 Gton C, laranja representa 1000 Gton C, e o vermelho 5000 Gton C (Archer 2005). Então podemos ficar seguros de que não há nenhuma Era Glacial à espreita. Para aqueles com dúvidas persistentes de que uma Era Glacial poderia ser iminente, voltem seus olhos para a calota polar do Ártico. Se elas estiverem crescendo, então sim, o processo de 10.000 anos de glaciação pode ter começado. Porém, o permafrost Ártico atual está se degradando, o gelo oceânico Ártico está derretendo e o manto de gelo da Groenlândia está perdendo gelo num ritmo acelerado. Dificilmente isso representaria boas notícias para a Era Glacial iminentes. (skepticalscience.com)

8 - Os cientistas previram uma Era Glacial iminente nos anos 70?

Argumento cético "A mídia tem espalhado alertas de um período de resfriamento desde os anos 50, mas estes alarmes se tornaram mais fortes nos anos 70. Em 1975, o resfriamento, que era 'um dos mais importantes problemas' evoluiu para um empate em primeiro lugar em importância com 'morte e miséria'. As alegações de catástrofe global eram notavelmente parecidas com o que a mídia divulga hoje sobre o aquecimento global" (Fire and Ice) O que a ciência diz As previsões de uma Era Glacial da década de 70 foram baseadas principalmente na mídia. A maioria das pesquisas daquele período, publicadas em periódicos científicos e revisadas por pares, já previam o aquecimento causado pelo aumento de CO2. Qual era o consenso científico nos anos 70 a respeito do clima futuro? O exemplo mais citado das previsões de resfriamento daquela época é um artigo da Newsweek de 1975 "The Cooling World" (O mundo que se resfria), que sugeria que este resfriamento "pode causar um drástico declínio na produção de alimentos": "Meteorologistas divergem sobre a causa e extensão da tendência de resfriamento. Mas eles são quase unânimes no aspecto de que esta tendência reduziria a produtividade agrícola pelo resto deste século." Um artigo similar da revista Time, "Another Ice Age?" (Outra Era do Gelo?) esboçava outro prospecto desolador: "Quando os meteorologistas tomam uma média das temperaturas ao redor do globo, eles percebem que a atmosfera tem se resfriado gradativamente nas últimas três décadas. A tendência não mostra sinais de se reverter. Profetas do apocalipse climatológico estão ficando cada vez mais apreensivos, pois as aberrações meteorológicas que estão estudando podem ser o prenúncio de outra Era Glacial." Entretanto, estes eram artigos da mídia, não estudos científicos. Um levantamento dos artigos científicos revisados por pares publicados de 1965 a 1979 mostra que poucos destes artigos previram um resfriamento global (7 no total). Muito mais artigos (42 no total) previram aquecimento global (Peterson 2008). A grande maioria das pesquisas científicas nos anos 70 previram que a Terra iria se aquecer como conseqüência do CO2. Ao invés dos cientistas da década de 70 prevendo resfriamento, nota-se que a realidade era o oposto.
Figura 1: Quantidade de artigos científicos classificados como prevendo resfriamento (azul) ou aquecimento global (vermelho). Em nenhum ano houve mais artigos de resfriamento que de aquecimento (Peterson 2008). Na década de 70, o estudo mais abrangente sobre mudanças climáticas (e a coisa mais parecida com um consenso científico na época) foi o Relatório da Academia Nacional de Ciências e do Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos, em 1.975. Sua conclusão básica foi que "... nós não temos uma boa compreensão quantitativa do nosso sistema climático e o que determina seu curso. Sem esta compreensão fundamental, não parece possível prever o clima..." Isso contrasta bastante com a posição atual da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos: "... há agora forte evidência de que um aquecimento global significativo está ocorrendo... É provável que a maior parte do aquecimento nas décadas recentes possa ser atribuído a atividades humanas... A compreensão científica das mudanças climáticas é agora suficientemente claro para justificar pronta ação das nações." Esta é uma declaração conjunta com as Academias de Ciências do Brasil, França, Canadá, China, Alemanha, Índia, Itália, Japão, Rússia e o Reino Unido. Em contraste com os anos 70, há agora várias organizações científicas que divulgaram declarações afirmando o aquecimento global antrópico. Mais sobre o consenso científico: National Oceanic and Atmospheric Administration Environmental Protection Agency Goddard Institute of Space Studies (da Nasa) American Geophysical Union American Institute of Physics National Center for Atmopheric Research American Meteorological Society The Royal Society (Reino Unido) Canadian Meteorological and Oceanographic Society American Association for the Advancement of Science Portanto as predições de resfriamento dos anos 70 trataram-se de mídia náo-especializada e um punhado de estudos científicos. O pequeno número de artigos científicos predizendo o resfriamento foram sobrepujados por um número muito maior de artigos predizendo o aquecimento global devido ao efeito do aumento de CO2. Hoje, uma avalanche de estudos revisados por pares e um consenso científico avassalador endossam o aquecimento global antrópico. Comparar as previsões de resfriamento dos anos 70 com a situação atual é tanto inapropriado quanto enganoso. (skepticalscience.com)

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