Ainda é cedo para comemorar queda de desmatamento.
Os dados preliminares sobre o desmatamento da Amazônia são bastante positivos. É alta a probabilidade de que a área de floresta derrubada entre agosto de 2009 e julho de 2010 (período pelo qual são calculadas as taxas anuais de desmate) tenha sido menor que a registrada no mesmo período anterior. Mas isso não é uma certeza. Os números divulgados ontem pelo Inpe são do sistema rápido Deter, que utiliza imagens de satélite de baixa resolução. Não enxerga nada menor que 25 hectares, ou seja, 25 campos de futebol.
Cientes dessa limitação, os desmatadores mudaram seu modus operandi nos últimos anos. Em 2002, os desmates menores que 25 hectares eram cerca de 20% da área total derrubada. Em 2009, essa parcela chegou a quase 60%. "A proporção do que a gente enxerga com o Deter está caindo", observa o diretor do INPE, Gilberto Câmara. A área real desmatada só será conhecida mesmo no fim do ano, quando forem consolidados os dados de outro programa, chamado Prodes, que utiliza imagens de satélite de alta resolução.
Se houver, de fato, uma redução, mesmo que não tão alta quanto a sugerida pelo Deter (de 47,5%), será uma conquista importantíssima para a Amazônia. As taxas anuais de devastação vêm caindo desde 2005, e a discussão que antes imperava sobre quem merecia mais crédito pela queda (se ações do governo ou flutuações do mercado) parece estar perdendo importância, à medida que as indústrias de carne, grãos e madeira buscam limpar sua imagem e trabalhar cada vez mais na legalidade. Se fazem isso por consciência ambiental, pressão de mercado ou por força da lei não importa tanto, desde que o resultado prático seja a conservação da floresta e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. (OESP)
O entendimento vem de acordo com o nível cultural e intelectual de cada pessoa. A aprendizagem, o conhecimento e a sabedoria surgem da necessidade, da vontade e da perseverança de agregar novos valores aos antigos já existentes.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Desmate caiu quase à metade na Amazônia
Dados preliminares divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam uma forte tendência de queda no desmatamento da Amazônia este ano. A área devastada detectada pelo sistema Deter (de baixa resolução) entre agosto de 2009 e julho de 2010 foi 47,5% menor que no mesmo período anterior: 2.296 km², versus 4.375 km² no calendário 2008-2009.
É o menor índice acumulado desde que o sistema começou a funcionar, em 2004. Ainda assim, uma área equivalente a uma vez e meia a da cidade de São Paulo foi devastada.
O Estado que mais desmatou nesses 12 meses foi o Pará, com cerca de 1 mil km², seguido de Mato Grosso, com 700 km².
Entre os municípios, o que mais desmatou no período foi Apuí, no Amazonas, que poderá entrar para a 'lista negra' de localidades que sofrem restrições de crédito do governo por causa das atividades ilegais.
O Amazonas foi o único Estado que registrou aumento do abate de árvores em relação ao ano anterior. 'Ainda vamos verificar quais são as causas', disse a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
Segundo o Imazon, ONG que também monitora o desmatamento, usando técnicas diferentes das do Inpe, a redução da área desmatada no período (2009-2010) foi de 16% em relação ao ano anterior. (OESP)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Homem transforma riscos naturais em catástrofes
Incêndio florestal na Rússia.
Cidades e vilarejos se esvaziam no vale do Indo. Centenas de milhares de paquistaneses continuam a fugir das inundações que já causaram 1.500 mortes em um mês. Tanto no Paquistão quanto na Rússia, na China e na Índia, as catástrofes naturais fizeram deste um verão trágico. Mas seriam elas tão naturais assim?
Mais do que o clima ou o meio ambiente, “é a intervenção do homem que cria a catástrofe”, acredita o venezuelano Salvano Briceno, que dirige em Genebra a Estratégia Internacional de Redução de Desastres das Nações Unidas [United Nations International Strategy for Disaster Reduction - ISDR].
Há dez anos, essa agência faz parcerias com as agências da ONU, o Banco Mundial e organizações humanitárias, para que as estratégias de adaptação à mudança climática e de combate contra a pobreza integrem a prevenção das catástrofes. Com progressos muito lentos.Le Monde: Que lição o sr. aprendeu com a situação no Paquistão?
Salvano Briceno: Tanto lá como em outros lugares, não são levados em conta os riscos naturais, vistos erroneamente como inevitáveis. Permitiram que as pessoas se instalassem às margens dos rios, nas planícies de inundação. Lugares onde os riscos eram bem conhecidos. É a principal causa da catástrofe. Não são os riscos naturais que matam as pessoas. Se a maior parte das vítimas morreu no norte, foi porque a guerra tornou a região vulnerável e fez muitos desabrigados.
Le Monde: Para o senhor, as catástrofes se devem antes de tudo a fatores humanos?
Briceno: O planejamento rural e a política de construção têm uma responsabilidade essencial na construção das catástrofes. Elas não são naturais. É a ação do homem que transforma o risco natural em desastre.
Na Rússia, a má gestão das florestas foi uma das principais causas dos incêndios que destruíram o país. Na China, o crescimento urbano descontrolado e o desmatamento favorecem os deslizamentos de terra. No Haiti, no dia 12 de janeiro, os habitantes de Porto Príncipe foram mortos por sua pobreza, não pelo terremoto. Um mês mais tarde, um terremoto semelhante atingiu o Chile, com muito menos mortos. A diferença foi a miséria, a urbanização dos terrenos de risco, a falta de normas de construção. Todos os anos, um mesmo furacão faz devastações mortais no Haiti, mas nenhuma vítima em Cuba ou na República Dominicana.
Le Monde: Como inverter a tendência?
Briceno: É preciso parar de considerar a catástrofe como um evento implacável, entender que são as condições de desenvolvimento econômico, social, urbano que criam o risco ou o reduzem. Como nem sempre se podem evitar os riscos naturais, isso significa que é preciso implantar uma estratégia de redução do risco, hoje amplamente inexistente, que substitua a atual política de gestão dos desastres. Por enquanto, só se sabe responder à crise: é muito mais simples. A resposta das equipes de resgate chinesas frente aos deslizamentos de terra mostra que a China é bem melhor para administrar as catástrofes do que para gerir os riscos.
O crescimento urbano deve ainda levar em conta o papel dos espaços naturais. É preciso reforçar os ecossistemas não somente para manter a biodiversidade, mas também por sua função de redução dos riscos, que ainda não é reconhecida. E se o crescimento das favelas ainda é inevitável em muitos países, os governos podem guiar os pobres para zonas menos vulneráveis.
Le Monde: Estamos na metade do percurso da década de ações para a prevenção dos desastres naturais adotada pela ONU em Hyogo, no Japão, em 2005. Houve progressos concretos?
Briceno: Estamos no meio do caminho da conscientização, mas bem no comecinho da implantação. Alguns países, como Bangladesh, fizeram coisas incríveis para diminuir a mortalidade durante os ciclones. Grupos de países como os da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) se comprometeram a incluir o Marco de Ação de Hyogo em sua legislação.
Existe uma conscientização do lado das grandes agências internacionais e dos financiadores, mas esses atores não enxergam com facilidade a longo prazo. Toda ajuda internacional é centrada no curto prazo. Ora, a educação, os sistemas de alerta, as regras de construção, isso se constrói a longo prazo.
Le Monde: A negociação sobre o clima pode mudar a situação?
Briceno: Sim. A questão da redução dos riscos de catástrofe foi incluída na negociação sobre o clima em 2007, no plano de ação de Bali. Ainda é uma das bases da negociação para a adaptação dos países pobres à mudança climática.
Quando finalmente chegarmos a um acordo internacional, será um grande avanço: o financiamento pelos países ricos dessas estratégias de adaptação liberará muitos recursos.
E para se adaptarem à mudança climática, os países vulneráveis deverão começar reduzindo os riscos associados às imprevisibilidades naturais. (EcoDebate)
Excesso de CO2 pode inibir crescimento de árvores
Excesso de CO2 atmosférico pode reduzir o crescimento das árvores.
Correlações entre o CO2 atmosférico e incremento média da área basal (BAI) e eficiência do uso da água (EUA) para as árvores mais novas (círculos brancos) e as mais antigas (círculos pretos), árvores de todas as espécies e locais.
Um estudo [Recent widespread tree growth decline despite increasing atmospheric CO2] publicado na PLoS ONE da semana passada indica que, em vez de crescer mais rapidamente e absorver mais dióxido de carbono, na medida em que o planeta se aquece, as árvores da floresta pode crescer mais lentamente. Mais dióxido de carbono na atmosfera geralmente deve aumentar as taxas de crescimento das plantas, uma vez que o dióxido de carbono é a matéria-prima para a fotossíntese. Pelo menos em tese.
Por outro lado, a elevação das temperaturas pode colocar as plantas sob estresse, o que pode compensar os benefícios de mais dióxido de carbono.
Os pesquisadores examinaram amostras de núcleo de quatro espécies de árvore [abeto-negro, pinheiro vermelho, carvalho vermelho e bordo], cujo crescimento, nas florestas de Ontário, é bem documentado. A partir dos exames, os pesquisadores descobriram que os anéis de crescimento das árvores foram mais estreitos nos anos mais recentes, com o dióxido de carbono atmosférico aumentado.
A comparação dos anéis de crescimento com as taxas de isótopos de carbono (que captam a resposta de uma árvore ao estresse de temperatura) sugeriram que o declínio do crescimento foi devido a temperaturas menos ‘hospitaleiras’. O aumento da temperatura, portanto, foi mais do que suficiente para compensar o aumento do dióxido de carbono, reduzindo a taxa de crescimento. (EcoDebate)
Correlações entre o CO2 atmosférico e incremento média da área basal (BAI) e eficiência do uso da água (EUA) para as árvores mais novas (círculos brancos) e as mais antigas (círculos pretos), árvores de todas as espécies e locais.
Um estudo [Recent widespread tree growth decline despite increasing atmospheric CO2] publicado na PLoS ONE da semana passada indica que, em vez de crescer mais rapidamente e absorver mais dióxido de carbono, na medida em que o planeta se aquece, as árvores da floresta pode crescer mais lentamente. Mais dióxido de carbono na atmosfera geralmente deve aumentar as taxas de crescimento das plantas, uma vez que o dióxido de carbono é a matéria-prima para a fotossíntese. Pelo menos em tese.
Por outro lado, a elevação das temperaturas pode colocar as plantas sob estresse, o que pode compensar os benefícios de mais dióxido de carbono.
Os pesquisadores examinaram amostras de núcleo de quatro espécies de árvore [abeto-negro, pinheiro vermelho, carvalho vermelho e bordo], cujo crescimento, nas florestas de Ontário, é bem documentado. A partir dos exames, os pesquisadores descobriram que os anéis de crescimento das árvores foram mais estreitos nos anos mais recentes, com o dióxido de carbono atmosférico aumentado.
A comparação dos anéis de crescimento com as taxas de isótopos de carbono (que captam a resposta de uma árvore ao estresse de temperatura) sugeriram que o declínio do crescimento foi devido a temperaturas menos ‘hospitaleiras’. O aumento da temperatura, portanto, foi mais do que suficiente para compensar o aumento do dióxido de carbono, reduzindo a taxa de crescimento. (EcoDebate)Florestas plantadas sequestram menos carbono
"Florestas plantadas"sequestram menos carbono que as florestas naturais.
Plantações de sequestram menos carbono que as florestas naturais, de acordo com um novo estudo Ecosystem Carbon Stock Influenced by Plantation Practice: Implications for Planting Forests as a Measure of Climate Change Mitigation] publicado recentemente na revista científica de acesso aberto PLoS ONE.
Sintetizando 86 estudos experimentais entre as plantações e os seus homólogos da floresta natural, pesquisadores da University of Oklahoma e da Fudan University, em Xangai, concluíram que a plantações de árvores podem reduzir substancialmente o estoque de carbono nos ecossistemas, em comparação com florestas naturais.
Eles descobriram que o estoque total de carbono do ecossistema de plantas e solos foi de 28% menor nas plantações. Enquanto não se sabe exatamente porque, as plantações de árvores para seqüestrar carbono devem ser avaliadas com mais rigor.
As florestas naturais tiveram maior produção primária líquida, maior taxa de respiração do solo, melhor absorção de água e de nutrientes do solo.
Este estudo desafia a ideia de que as plantações de espécies de crescimento rápido, de origem exótica ou nativa melhorada, em áreas historicamente florestais teriam rendimentos maiores em termos de taxas de acúmulo de carbono.
A partir das conclusões do estudo, os pesquisadores argumentam contra a substituição das florestas naturais por reflorestamento comercial, também conhecido como ‘florestas plantadas, como compensação de emissões de CO2, visando ajudar a conter as mudanças climáticas.
Estes resultados têm implicações importantes para estratégias globais para reduzir as mudanças climáticas através do aumento do sequestro vegetal de carbono. Programas internacionais estão sendo desenvolvido com este objetivo, inclusive propondo recompensar os países para o estabelecimento de plantações para neutralizar/compensar as emissões de CO2.
No entanto, como esses resultados do estudo indicam, a substituição das florestas naturais por plantações resultariam na redução do sequestro de carbono. Além disso, estabelecer plantações em terras agrícolas pode ter um impacto menor sobre o sequestro de carbono do que a restauração de florestas naturais.
Naturalmente, as plantações plantadas podem oferecem produtos florestais para a sociedade e os benefícios também precisam ser levados em consideração. Mas, em termos de sequestro de CO2, não substituem a florestas naturais.
O estudo “Ecosystem Carbon Stock Influenced by Plantation Practice: Implications for Planting Forests as a Measure of Climate Change Mitigation” está disponível para acesso integral, no formato HTML. (EcoDebate)
Plantações de sequestram menos carbono que as florestas naturais, de acordo com um novo estudo Ecosystem Carbon Stock Influenced by Plantation Practice: Implications for Planting Forests as a Measure of Climate Change Mitigation] publicado recentemente na revista científica de acesso aberto PLoS ONE.
Sintetizando 86 estudos experimentais entre as plantações e os seus homólogos da floresta natural, pesquisadores da University of Oklahoma e da Fudan University, em Xangai, concluíram que a plantações de árvores podem reduzir substancialmente o estoque de carbono nos ecossistemas, em comparação com florestas naturais.
Eles descobriram que o estoque total de carbono do ecossistema de plantas e solos foi de 28% menor nas plantações. Enquanto não se sabe exatamente porque, as plantações de árvores para seqüestrar carbono devem ser avaliadas com mais rigor.
As florestas naturais tiveram maior produção primária líquida, maior taxa de respiração do solo, melhor absorção de água e de nutrientes do solo.
Este estudo desafia a ideia de que as plantações de espécies de crescimento rápido, de origem exótica ou nativa melhorada, em áreas historicamente florestais teriam rendimentos maiores em termos de taxas de acúmulo de carbono.
A partir das conclusões do estudo, os pesquisadores argumentam contra a substituição das florestas naturais por reflorestamento comercial, também conhecido como ‘florestas plantadas, como compensação de emissões de CO2, visando ajudar a conter as mudanças climáticas.
Estes resultados têm implicações importantes para estratégias globais para reduzir as mudanças climáticas através do aumento do sequestro vegetal de carbono. Programas internacionais estão sendo desenvolvido com este objetivo, inclusive propondo recompensar os países para o estabelecimento de plantações para neutralizar/compensar as emissões de CO2.
No entanto, como esses resultados do estudo indicam, a substituição das florestas naturais por plantações resultariam na redução do sequestro de carbono. Além disso, estabelecer plantações em terras agrícolas pode ter um impacto menor sobre o sequestro de carbono do que a restauração de florestas naturais.
Naturalmente, as plantações plantadas podem oferecem produtos florestais para a sociedade e os benefícios também precisam ser levados em consideração. Mas, em termos de sequestro de CO2, não substituem a florestas naturais.
O estudo “Ecosystem Carbon Stock Influenced by Plantation Practice: Implications for Planting Forests as a Measure of Climate Change Mitigation” está disponível para acesso integral, no formato HTML. (EcoDebate)Mudança climática modifica padrão de florestas
Mudanças climáticas modificam padrão de crescimento das florestas.
As mudanças climáticas já estão causando alterações no padrão de crescimento das florestas - tanto das tropicais quanto das temperadas -, mostram dois estudos realizados pelo Smithsonian Institution, dos Estados Unidos, obtidos pelo Estado.
As alterações no clima têm feito com que as florestas tropicais cresçam em um ritmo mais lento do que o habitual, ao passo que o inverso ocorre nas florestas temperadas, onde as árvores se desenvolvem a taxas mais aceleradas. Em ambos os casos, o fenômeno pode ser explicado pelo aumento nas concentrações de CO2 na atmosfera.
"Nos últimos 40 anos verificamos um aumento de 15% nas emissões de CO2 na atmosfera. Era esperado que isso afetasse os padrões de crescimento das florestas, mas só agora estamos tendo as primeiras pistas de como isso está acontecendo na prática", afirma o pesquisador Stuart James Davies, diretor científico do Smithsonian Tropical Research Institute, considerada uma das principais instituições mundiais de estudos na área de ecologia tropical, com atuação em 40 países.
Após realizar estudos de campo em florestas de área superior a 50 hectares (o equivalente a 50 campos de futebol), localizadas na Ilha Barro Colorado, no Panamá, e em Pasoh, na Malásia, Davies e sua equipe concluíram que as florestas tropicais estão registrando as menores taxas de crescimento dos últimos 21 anos. Foram analisadas mais de 400 mil árvores e arbustos, marcados e catalogados ao longo de 30 anos.
Segundo a pesquisa, as taxas de crescimento dos troncos caíram significativamente nas duas florestas. No Panamá, várias amostras foram analisadas. Em um grupo de 242 espécies, os padrões de crescimento se alteraram em 95% delas, sendo que em 71% as mudanças foram bastante significativas. Na Malásia, de um grupo de 775 espécies de árvores, 95% apresentaram taxas de crescimento inferior às verificadas nos últimos 20 anos.
Nos dois casos, explica Davies, as alterações no padrão de crescimento estão associadas a mudanças nos regimes climáticos locais. Entre elas, a redução da média anual de temperaturas mínimas e aos níveis de chuvas.
"As causas dessa redução no crescimento das árvores ainda precisam ser mais bem compreendidas. Mas há uma nova dinâmica em curso, claramente um sinal das mudanças climáticas." O estudo faz parte do projeto HSBC Climate Partnership, criado pelo grupo financeiro britânico com o objetivo de conduzir experiências de campo sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas e, em longo prazo, também na economia.
Florestas temperadas.
As florestas localizadas em regiões de clima temperado - como nos Estados Unidos e Europa - também estão tendo seus padrões de crescimento alterados, mas no sentido contrário.
Essas florestas crescem a taxas aceleradas, nunca vistas nos últimos 225 anos, aponta outro estudo, realizado pelo Smithsonian Environmental Research Center, que também faz parte do Smithsonian Institution. Experimento desenvolvido em florestas do Estado americano de Maryland pelo ecólogo Geoffrey Parker foi publicado em fevereiro pela Proceedings of The National Academy of Sciences (PNAS), a publicação da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Parker rastreou as taxas de crescimento das árvores com idades entre 5 anos e 225 anos e as incluiu em um modelo matemático. Mais de 90% das amostras cresceram entre duas a quatro vezes mais rápido que o padrão delimitado pelo modelo matemático. Na floresta que serviu de base para o estudo, as taxas de CO2 na atmosfera cresceram 12% nos últimos 22 anos e a estação mais quente, onde ocorre majoritariamente o crescimento das árvores, se prolongou por mais sete a oito dias por ano.
"Se olharmos para os resultados dos dois estudos é possível concluir que a resposta das florestas às mudanças climáticas é rápida", diz Davies. O pesquisador explica que essas mudanças, associadas às alterações drásticas nas paisagens causadas pela ocupação humana - como desmatamentos e queimadas - podem trazer impactos importantes na regulação do clima e do regime de chuvas, especialmente nas regiões tropicais.
Amazônia.
No Brasil, o Experimento de Grande Escala da Interação Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA), iniciativa que soma mais de 150 projetos de pesquisas, ainda não possibilitou aferir conclusões sobre como o bioma é afetado pelo aquecimento global.
"Ainda não temos dados suficientes para afirmar que a floresta tropical brasileira teve seus padrões de crescimento alterados em razão das mudanças climáticas", afirma Luiz Antonio Martinelli, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Ele explica que as florestas tropicais têm maior variabilidade genética e possibilidade de adaptação a mudanças do que as florestas de clima temperado. "Mas já temos um banco de dados consistente para investigações futuras."
Florestas tropicais
Existem em três regiões da Terra: na América do Sul, África e Ásia. No Brasil, os biomas da Mata Atlântica e Amazônia são representantes das florestas tropicais. Localiza-se na faixa entre os trópicos e é caracterizada por rica biodiversidade e altos índices de chuvas.
Florestas temperadas
Localizada nas regiões de clima temperado: América do Norte, Europa, oeste da Ásia (em países como Turquia e Irã) e leste da Ásia (Japão, Coréia e parte da China). Existe também no sul do Chile. Bia parte das espécies de árvores perde suas folhas durante o outono e o inverno. A floresta temperada foi bastante devastada em razão das atividades humanas, especialmente a agricultura. (OESP)
Expansão de árvores prejudica a humanidade
''Menor expansão das árvores é negativa para a humanidade''.
O pesquisador Stuart James Davies, diretor científico do Smithsonian Tropical Research Institute e Ph.D. pelo Departamento de Biologia Evolucionária pela Universidade de Harvard, esteve no Brasil este mês para apresentar seu estudo sobre biomassa florestal em um evento em Manaus. Após a apresentação de seus estudos, ele falou ao Estado. O que está acontecendo com as florestas tropicais? Venho estudando a variação geográfica, a sazonalidade das chuvas, a disponibilidade de recursos de solo e as mudanças nos padrões climáticos. É preciso compreender como os fatores ambientais influenciam as taxas de crescimento e de mortalidade de algumas espécies. Isso é fundamental para prever os possíveis impactos das mudanças no uso do solo e as condições globais das florestas tropicais. Pelos estudos de campo realizados no Panamá e na Malásia, podemos concluir que já existe uma resposta das espécies tropicais às mudanças climáticas. Que reflexos essa tendência pode trazer para questões como regulação do clima e o regime de chuvas? Ainda é cedo para dizer quais são as alterações que essa mudança no padrão de crescimento das florestas trará no longo prazo. Isso precisa ser melhor estudado. Mas o que ocorre é que, em paralelo a essas alterações biológicas, existem as mudanças no uso da terra, causadas pelo homem. Estamos vendo uma perda de espécies provocada pelo desmatamento e a conversão de terras em agricultura. As duas coisas, somadas, terão influência significativa na regulação do clima nas áreas tropicais, especialmente no regime de chuvas. A tendência é irreversível? Não, as tendências de crescimento das florestas podem variar, dependendo das condições ambientais. Se as concentrações de CO2 na atmosfera continuarem a aumentar, então as árvores podem começar a consumir mais carbono e crescer mais rapidamente. Mas, se a temperatura se elevar conforme preveem os cientistas do clima, esse crescimento poderá não acontecer. O que mais entra nessa equação? No futuro, o efeito do CO2 adicional dependerá do que acontecer com as temperaturas e as chuvas. Se houver mais secas, por exemplo, as árvores tenderão a desacelerar ainda mais seu crescimento ou a ter taxas maiores de mortalidade. Isso seria péssimo porque essas florestas perderiam parte de seu potencial de absorver o carbono lançado na atmosfera pela queima dos combustíveis fósseis e outras atividades humanas. Se as árvores crescem a taxas menores, a concentração de CO2 na atmosfera pode aumentar. Isso é negativo para a humanidade. Mais CO2 significa mais aquecimento global. (OESP)
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