domingo, 9 de janeiro de 2011

Invernos mais rigorosos no Hemisfério Norte

Invernos rigorosos no Hemisfério Norte estão diretamente ligados a mudanças climáticas
O aquecimento por trás do frio – O que as nevascas que assolam o Hemisfério Norte têm a ver com o aquecimento global? Tudo, de acordo com estudo publicado na “Journal of Geophysical Research”, da União Geofísica Americana.
De acordo com pesquisadores do Instituto Potsdam, da Alemanha, invernos rigorosos (e eventos extremos relacionados a eles) podem ter a frequência triplicada na Europa e no norte da Ásia. O estudo foi focado nesta região, mas seus resultados podem ser extrapolados para os EUA, que também enfrentam uma forte onda de frio.
A conclusão do estudo parece estranha, dada a projeção de que a temperatura global pode subir quase 6 graus Celsius até o fim do século.
Mas, ao percorrer regiões livres de gelo do Oceano Ártico, cientistas descobriram que o calor causado pelo aquecimento global, responsável pelo degelo de calotas polares, paradoxalmente, aumenta a ocorrência de invernos severos na Europa e nos EUA.
O aumento da temperatura global reduziu a cobertura de gelo do Ártico em 20% nos últimos 30 anos. Existe o risco de que ela desapareça totalmente ainda este século, nos períodos de verão. Sem a cobertura de gelo, o calor deixa de ser refletido para a atmosfera, e a água, mais escura, passa a absorver o calor, ficando mais quente que o normal.
A água relativamente quente escapa para a atmosfera, cuja temperatura chega a 30 graus Celsius negativos.
- O oceano está muito mais quente que o ar ambiente nesta zona polar no inverno – explica Stefan Rahmstorf, pesquisador do Instituto Potsdam.
- Um fluxo quente, então, sobe para a atmosfera, o que não acontece quando tudo está coberto de gelo. É uma mudança extraordinária.
Forma-se, assim, um sistema de alta pressão. Os ventos gelados dali são empurrados da região polar para a Europa – que antes era contemplada apenas por leves correntes de ar oriundas do oeste.
- Isso não é algo que se esperava – admite Vladimir Petoukhov, outro pesquisador envolvido no estudo. – Quem pensava que o encolhimento da capa de gelo a uma longa distância não nos incomodaria está errado. Há conexões complexas no sistema climático.
Os pesquisadores usaram modelos de computador para mensurar o impacto do desaparecimento do gelo do Ártico, particularmente na região escandinava e na Rússia, que experimentaram perdas recordes de gelo durante o verão.
De acordo com o físico Vladimir Petujov, coordenador do estudo, o fim das calotas polares provocaria estragos generalizados e imprevisíveis no clima do Hemisfério Norte.
- Estas anomalias podem triplicar a probabilidade de haver invernos extremos na Europa e no norte da Ásia – alerta.
No artigo em que detalhou seu levantamento, Petoukhov concluiu: “Nossos resultados sugerem que vários episódios recentes de inverno rigoroso não conflitam com uma situação de aquecimento global, e, sim, complementam esta ideia.”
O artigo também menciona outras explicações que costumam ser dadas aos invernos atípicos, como a baixa da atividade solar e as mudanças na Corrente do Golfo. O papel atribuído a estes fatores, porém, é considerado “exagerado” pelos pesquisadores.
O gelo ártico está em processo de encolhimento nas últimas décadas, registrando perdas recordes em setembro de 2007. Sua recuperação natural durante o inverno também foi afetada, o que provocou perdas significativas das calotas polares durante a década passada. (EcoDebate)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Lula deixa Brasil com menos desmatamento

Lula deixa Brasil com menos desmatamento, mas legislação ambiental corre risco
O grande trunfo da área ambiental nos oito anos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a queda do desmatamento na Amazônia Legal. Em 2010, o bioma perdeu 6.451 quilômetros quadrados (km²) de floresta, chegando à menor taxa em 23 anos de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em 2003, primeiro ano do governo Lula, o desmate atingiu 25,3 mil km².
Por trás da redução do desmatamento estão as políticas adotadas pelos ex-ministros do Meio Ambiente, Marina Silva e Carlos Minc, principalmente a ampliação de operações de fiscalização, a criação de áreas protegidas em regiões críticas e as medidas de restrição ao crédito para os desmatadores.
Além da Amazônia, na gestão de Lula o governo passou a monitorar outros biomas e a partir de 2011 deve ter dados comparativos anuais para direcionar e avaliar as estratégias de combate ao desmatamento em todas as regiões do país.
Na conta ambiental do governo Lula também entram o aumento da produção e uso de biocombustíveis – principalmente o etanol – e a criação de áreas protegidas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), cerca de 75% dos 700 mil km2 de áreas protegidas criadas em todo o mundo desde 2003 estão localizados em território brasileiro.
Para o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, a posição do Brasil na negociação internacional sobre mudanças climáticas também avançou durante o governo Lula, em especial no segundo mandato. O país reviu posições conservadoras, assumiu compromisso internacional de reduzir as emissões de gases de efeito estufa até 2020 e criou uma legislação nacional para o setor.
“No início do governo Lula havia muita resistência do Brasil em tratar da questão da mudança do clima de forma mais proativa, era um discurso na defensiva. Passamos de uma posição extremamente conservadora e cautelosa para outra de liderança”, disse.
Apesar dos números positivos, a política ambiental dos últimos anos foi marcada pela ambiguidade, na avaliação de ambientalistas. No centro da contradição está o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), criado para espalhar grandes obras de infraestrutura pelo país, muitas vezes à revelia da conservação ambiental e do interesse de populações tradicionais.
O licenciamento ambiental foi palco de disputa entre técnicos e políticos e motivou seguidas ações do Ministério Público Federal (MPF) questionando a legitimidade das autorizações concedidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
Em oito anos, o embate entre a área desenvolvimentista e o Ministério do Meio Ambiente veio a público em episódios como os impasses para o licenciamento ambiental das hidrelétricas do Rio Madeira, em Rondônia, e mais recentemente da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará.
Na avaliação do assessor de Políticas Indigenista e Socioambiental do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Ricardo Verdum, os conflitos socioambientais por causa de grandes obras são o maior passivo ambiental do governo Lula. “Nesses anos se observou um relativo desrespeito às populações atingidas. As comunidades têm sido desconsideradas, desrespeitadas e manipuladas no processo”, afirmou.
Ao fim do governo Lula, outra ameaça para as conquistas ambientais dos últimos anos ganhou força com a tentativa de aprovação da flexibilização do Código Florestal. A base governista nunca se posicionou diretamente contra as mudanças na lei e no apagar das luzes do ano legislativo, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), tentou negociar a votação do projeto para agradar a bancada ruralista. (EcoDebate)

Desmatamento entre agosto e novembro de 2010

Amazônia: O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a novembro de 2010 somou 598 Km2
Boletim Transparência Florestal da Amazônia Legal Novembro de 2010 – Hayash, S., Souza Jr., C., Sales, M. & Veríssimo, A. Imazon. 2010.
Em novembro de 2010, o SAD detectou 65 Km2 de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou uma redução de 13% em relação a novembro de 2009 quando o desmatamento somou 75 Km2.
O desmatamento acumulado no período de agosto de 2010 a novembro de 2010 somou 598 Km2. Em comparação com o período anterior (agosto 2009-novembro 2009), quando o desmatamento somou 757 Km2, houve redução de 21%.
Em novembro de 2010 os estados com maior área desmatada foram Mato Grosso (38%) seguido do Pará (29%) e Rondônia (20%). O restante do desmatamento ocorreu em Roraima (5%), Amazonas (5%) e Acre (3%).
As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 188 Km2 em novembro de 2010. Em comparação novembro de 2009, quando a degradação somou 29 Km2, houve um aumento extremamente expressivo de 548%. A maioria (51%) da degradação florestal ocorreu no Pará seguido por Mato Grosso (39%).
A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2010 a novembro de 2010 totalizou 2.805 Km2. Isso representou um aumento expressivo (256%) em relação ao período anterior (agosto de 2009 a novembro de 2009) quando a degradação florestal somou 789 Km2.
Em novembro de 2010, o desmatamento detectado pelo SAD comprometeram 4 milhões de toneladas de CO2 equivalente o que representa uma queda de 21% em relação a novembro de 2009. No acumulado do período (agosto – novembro 2010) o desmatamento comprometeu 36 milhões de toneladas de CO2 equivalentes. Isso representa uma redução de 23% em relação ao período anterior (agosto de 2009 a novembro de 2009) quando o carbono florestal afetado pelo desmatamento foi cerca de 47 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
Foi possível monitorar com o SAD somente 30% da área florestal na Amazônia Legal em novembro de 2010. Os outros 70% estavam cobertos por nuvem o que dificultou o monitoramento na região principalmente no Amapá, Rondônia, Pará e Mato Grosso, os quais tiveram mais de 70% da área florestal coberto por nuvens. Em virtude disso, os dados de desmatamento e degradação em novembro podem estar subestimados. (EcoDebate)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Casas eficientes

A Eletrobras e o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançaram em 29 de novembro de 2010, em São Paulo, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia para residências e edifícios multifamiliares. A etiqueta, assim com as voltadas para edifícios comerciais, de serviços e públicos e para eletrodomésticos, será concedida dentro do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE).
“A necessidade da redução do consumo de energia nas edificações é um aspecto presente tanto nos projetos de novos edifícios como também na discussão de políticas públicas”, afirma Solange Nogueira, gerente da Divisão de Eficiência Energética em Edificações da Eletrobras/Procel Edifica. No Brasil, a energia elétrica dos edifícios corresponde a cerca de 45% do consumo, sendo que as residências são responsáveis por mais de 22% desse total.
No lançamento, serão entregues as primeiras etiquetas. Uma delas será para a Casa Eficiente da Eletrobras Eletrosul, em Florianópolis (SC). “A avaliação das edificações residenciais baseia-se, principalmente, em aspectos que apresentam consumo significativo de energia elétrica numa residência, ou seja, o desempenho térmico da envoltória – as fachadas e coberturas –, com ênfase na iluminação e ventilação naturais, e na eficiência do sistema de aquecimento de água”, explica Solange.
Desde julho de 2009, quando foi lançada, já foram emitidas 14 etiquetas de eficiência para edifícios comerciais, de serviços e públicos. “A etiquetagem está se tornando cada vez mais conhecida na cadeia produtiva da construção civil, ainda que em estágio voluntário”, avalia Solange. Na ocasião, uma agência da Caixa Econômica Federal em Curitiba (PR) e mais quatro projetos de prédios receberam a etiqueta com nível “A” de economia de energia, depois de avaliados em três níveis de eficiência: envoltória, sistema de iluminação e sistema de condicionamento de ar. (ambienteenergia)

Selo para edifícios residenciais

Por Alana Gandra, da Agência Brasil – A criação de uma cultura no Brasil que privilegie a eficiência energética nas residências é o objetivo que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) pretende alcançar em médio e longo prazo, a partir de regras para etiquetagem dessas construções.
A informação foi dada em 3 de novembro de 2010, à Agência Brasil pelo coordenador do Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE), Marcos Borges. Até o dia 13 de novembro, o Inmetro lançará em consulta pública os Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) em edificações residenciais. Esse tipo de construção responde por 22,1% de toda a energia consumida no país, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.
Borges explicou que o programa de etiquetagem de prédios comerciais, públicos e de serviços foi criado há pouco mais de um ano e já envolve cerca de 30 edifícios, dos quais 14 apresentam projetos etiquetados. “Agora, nós queremos ampliar essa filosofia de etiquetagem para o âmbito residencial”.
O resultado almejado, acrescentou, é influenciar o mercado imobiliário. Um comprador, ao pesquisar as qualidades de um imóvel, poderá levar em consideração o consumo eficiente de energia.
Além de valorizar economicamente o imóvel, Borges acrescentou que o programa do Inmetro vai “colocar o Brasil no rol dos países que se preocupam com a eficiência energética nas edificações. Isso é importante porque metade da energia gasta no país é para manter as nossas edificações públicas, comerciais, residenciais e de serviços iluminadas e refrigeradas”. Segundo ele, o programa alinhará o Brasil aos principais países da Europa, além de Estados Unidos e Austrália, que já adotam esse procedimento há muitos anos.
A partir do selo de eficiência energética, o coordenador do PBE estimou que a economia de energia nos edifícios que adotarem produtos etiquetados pode variar entre 30% e 50%.
O selo de eficiência energética vai beneficiar também o construtor, na medida em que facilitará o acesso a financiamentos públicos e privados. Borges citou o Programa Procopa Turismo, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), voltado à construção de hotéis para a Copa do Mundo de 2014. O Procopa Turismo oferece melhores condições de crédito e prazo de pagamento para projetos classificados com a etiqueta de nível A, que corresponde ao menor consumo de energia.
Nos edifícios comerciais, Borges estimou que o custo da avaliação de eficiência energética de um projeto varia de R$ 15 mil a R$ 20 mil. Para edificações residenciais, ainda não há um padrão definido. A etiquetagem poderá ser feita, inclusive, em prédios já existentes. Nessa condição, porém, dificilmente seria concedida etiqueta de nível A, porque os edifícios não foram projetados com esse objetivo. “Mas, nada impede que [o edifício] faça melhorias do ponto de vista do isolamento, por exemplo, para subir na classificação”.
O regulamento final do Inmetro sobre a questão será publicado até dezembro. As construtoras já poderão, a partir daí, elaborar projetos e fazer adequações de acordo com o regulamento.
No começo, a etiquetagem será voluntária. Marcos Borges esclareceu, contudo, que alguns dos 30 programas do PBE começaram como voluntários e terminaram obrigatórios, em função da demanda da própria sociedade. “Se a sociedade entender que esse programa deve ser compulsório no futuro, ele será compulsório”, afirmou. (ambienteenergia)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A maior fortuna do Cerrado leste maranhense

A expectativa quanto ao dia seguinte se desforrara sobre boa parte daquele dia, e, especialmente, sobre a dormida na casa do seu Lourival, na comunidade de São Raimundo, município de Brejo, Baixo Parnaíba maranhense, o qual se eternizou como o seu Loura – a chegada em São Raimundo e as providências para que as dramatizações ensaiadas pelas comunidades de São Raimundo, Santa Teresa, Pacoti, Crioulis e Vila das Almas saíssem dentro dos conformes.
A comunidade de Santa Teresa, recém-criado assentamento pelo INCRA, sediaria o desfecho da pesquisa da doutoranda Silvane Magali na qual ela compassa os impactos da monocultura da soja sobre a vida das mulheres dessas comunidades.
As dramatizações ficaram sob a guarda das mulheres das comunidades e discorreriam sobre o antes e o depois da vinda da soja para aquele pedaço de Cerrado no município de Brejo, mas intervalando parte da Chapada com o município de Buriti de Inácia Vaz. Pagar-se-ia uma fortuna pelo resgate do “antes do boom da soja” no Baixo Parnaíba maranhense e essa fortuna quase todas as comunidades a deixaram escapulir como se fosse um mero devaneio.
O discurso da Embrapa, dos órgãos fundiários e das elites políticas maranhenses categorizou a monocultura da soja como a mais auspiciosa promessa para o Cerrado leste-maranhense e essa promessa valia para todos os municípios do Baixo Parnaíba.
Mais incrível que a “conclusão cientifica” disparada pelos pesquisadores da Embrapa é o que a monocultura da soja acarretou e acarreta para o meio econômico, para o meio social e para o meio ambiente, sobretudo, naqueles municípios onde ela colecionou milhares e milhares de hectares como são os casos de Brejo e de Buriti de Inácia Vaz, municípios pertencentes à bacia do rio Buriti.
Nesses dois municípios, a monocultura da soja amordaçou os últimos dez anos de existência na cumplicidade de elites políticas, órgãos fundiários e Embrapa que, anteriormente, armaram o circo das invencionices e das esquisitices para o e sobre o Baixo Parnaíba.
Eles se fanfarronavam da Chapada, que antes não prestava para nada, como espaço indispensável e insuperável para o plantio de soja e eles desengonçavam o extrativismo de frutas e a criação de animais soltos como práticas de sociedades arcaicas e miseráveis.
Toda e qualquer atividade humana no e toda e qualquer comunidade do Baixo Parnaíba maranhense se sujeitariam ao conhecimento técnico – cientifico para que os moradores da região fossem devidamente recompensados pelos anos que dedicaram à preservação da Chapada.
O conhecimento técnico – cientifico laureou as comunidades tradicionais e agroextrativistas do Baixo Parnaíba com hectares e mais hectares de Chapadas desmatados sem se importar com os bacurizeiros e os pequizeiros arrebentados pelos correntões.
Os anfitriões das comunidades de São Raimundo, Santa Tereza, Pacoti, Crioulis e Vila das Almas em suas dramatizações e em suas redações portavam uma importância para com os bacurizeiros, os pequizeiros e outras espécies da fauna e da flora que se dobram, desdobram-se e se redobram sobre as Chapadas.
Eles reprovaram o “boom da soja”, que data a partir de 2002, ao se parodiarem em seus jeitos de falar, de vestir e de comer tão recônditos que devem ferir os olhos e ouvidos de muita gente que aporta do sul, sudeste e centro-oeste do Brasil na região do Baixo Parnaíba maranhense.
Em São Raimundo, Santa Tereza, Pacoti, Crioulis e Vila das Almas, o “boom da soja” completou em menos da metade a sua pretensão de modernização econômico-ambiental das comunidades tradicionais e extrativistas do município de Brejo. Apreende-se isso pelo simples fato de ouvir o filho do seu Loura pronunciar “posta” em vez porta e comunidade “Boi Mosto” em vez de Boi Morto.
A palavra errada e o trilhar pelas Chapadas em São Raimundo e Santa Tereza, município de Brejo, Baixo Parnaíba maranhense, resgataram a maior fortuna do Cerrado leste maranhense que é a sócio – biodiversidade. (EcoDebate)

Expansão da cana-de-açúcar ameaça Cerrado

Migração do cultivo e crescimento do número de usinas, especialmente em Goiás considerado o coração do cerrado, coloca em risco preservação da metade que resta do Bioma
No encerramento do 5º Fórum de Ciência e Tecnologia no Cerrado, realizado pela SBPC/GO em Anápolis (GO) de 18 a 21 de outubro, foram discutidas as formas como o processo de invasão do Cerrado pela produção de cana-de-açúcar vem interferindo na preservação da biodiversidade e na forma como a população vem sendo tratada.
Com cerca de metade da sua área já extinta, o Cerrado sofre atualmente com a proliferação de novas indústrias para o processamento da cana e plantações. A expansão sucroalcooleira, que começou efetivamente com o Pró-álcool (iniciativa do governo federal) em 1970, hoje já transforma a região sudoeste de Goiás na nova Ribeirão Preto (SP) – região que mais se desenvolveu no setor -, devido a sua alta produção.
Nesta primeira iniciativa, na década de 70, somente áreas próprias eram usadas para o plantio. Antes, o solo era restrito, mas agora, com avanços tecnológicos, é possível que indústrias e plantações cheguem a qualquer lugar. A estimativa é de que, se todos os projetos de construção de novas usinas forem aprovados, o número subirá de 36 para 74, e Goiás vai gerar cerca de 33% da produção nacional.
Segundo estudos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 64% das áreas próprias para a expansão da cana estão no Cerrado, o que equivale a cerca de 18 milhões de hectares, mais da metade de toda a área do Estado de Goiás. A tendência para 2018 é de que a agricultura avance sobre as pastagens e outras culturas de passando de 12 para 38% de ocupação.
“Estamos vivendo uma reorganização socioeconômica e do uso do solo no Bioma Cerrado”, afirma Selma Simões de Castro, professora do Instituto de Estudos Sócio-ambientais da Universidade Federal de Goiás (UFG), especialista em análise de solo e estudiosa dos processos migratórios da cana-de-açúcar pelo país.
Segundo ela, a mão de obra especializada da cana vem de fora para dentro e pouco auxilia na evolução dos empregos e na circulação da renda na região produtora. “A riqueza fica concentra nas mãos de poucos”, lamenta.
Impactos
Dentre os impactos diretos onde a cana está sendo plantada estão as queimadas, falta de rotatividade das culturas – o que prejudica a vida útil do solo -, emissões de gases poluentes e contaminação de água – como no Aquífero Guarani, que é um dos mais importantes do país e fica na região onde a produção de cana mais cresce.
Com isso, também não há controle sobre os problemas sociais gerados, como violência, prostituição, falta de moradias e superlotação de pequenas cidades que não tinham estrutura para abrigar as centenas de pessoas que são levadas juntamente com as plantações e as usinas.
Etanol
Mesmo com todos os fatores contrários, a cana ainda é menos poluidora que a soja, pois sua adubação se dá de forma mais natural, com os próprios dejetos do processamento nas indústrias. Sobre a grande produção atual e a projeção para o futuro, o uso do etanol não deve sofrer crise pelos próximos 50 anos, explica Paulo Pietrafesa, professor do programa de Pós-graduação em Ecologia e Produção Sustentável da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás).
Diferentemente do que é divulgado de maneira genérica, as áreas agrícolas, especialmente de cultivo da soja, são substituídas em primeiro lugar pela cana, sendo que as pastagens ficam em segundo lugar, de acordo com uma análise mais aprofundada dos dados fornecidos por pesquisadores da área. A lógica era de acreditar-se que como a cana está em franco crescimento, e as pastagens em decadência, uma estaria interferindo na outra, mas a produção de grãos tem sido mais atingida.
A forma como a agricultura, especialmente da cana, vem sendo desenvolvida tem sido uma das principais causas do aumento do preço dos alimentos. Esse movimento mexe com a safra de grãos e também com a paisagem. Outro fator preocupante são as condições humanitárias. Foi registrado pelo Ministério do Trabalho que Goiás é o Estado com maior número de pessoas em condições análogas às de escravo nos canaviais e só perde para o Pará no total de trabalhadores escravizados.
Com a invasão da cana, onde foi parar o gado e a soja? Segundo Pietrafesa, o gado foi para pequenos confinamentos e a soja já pode ser vista em grandes áreas da floresta Amazônica, especialmente no Estado do Pará. São Paulo ainda lidera com quase 10 milhões de cabeças de gado, mas já estima-se que o Brasil tenha o mesmo número de bois e habitantes, cerca de 200 milhões.
As culturas estão variando para dar lugar à cana, com isso produz-se menos arroz, feijão, milho e os preços vão subindo sem controle. O leite também é diretamente afetado. E a monocultura mexe com toda a biodiversidade ao redor. Um exemplo claro da tomada do Cerrado pela indústria sucroalcooleira é que o Estado de Goiás (onde está a maior parte do bioma) já ultrapassou o Paraná, e agora ocupa o segundo lugar, atrás somente de São Paulo, que tem mais de 200 usinas em funcionamento.
O Sul e Sudeste do país estão estagnados na expansão da cana. O Centro-Oeste é que vai receber efetivamente as novas empresas e plantações. Mas há críticas dos pesquisadores quanto a internacionalização das indústrias.
“É uma questão de segurança nacional manter o controle nas mãos dos brasileiros”, defende Paulo Pietrafesa. O país já é dependente do álcool, e se forças de fora tomarem conta das nossas produções, poderemos ficar sem capacidade de suprir o mercado interno e focar somente na exportação, explica o professor. (EcoDebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...