quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Esgoto tratado pode ajudar muito em tudo

Reúso da água: Esgoto tratado pode ajudar a agricultura, o meio ambiente e a economia
Crescimento do agronegócio brasileiro amplia o potencial para utilização dos efluentes gerados nas estações de tratamento de esgotos na irrigação. Preservada, a água potável terá uso nobre.
O esgoto urbano não precisa ser o eterno vilão, que polui rios e solo. Tratado, ele pode ser reutilizado na agricultura, economizando água potável, recurso raro em várias regiões do planeta. Há cerca de dez anos, uma ampla pesquisa sobre o reúso da água de esgoto tratado, na agricultura, vem sendo realizada na cidade paulista de Lins.
Lá, foi montado um campo experimental, com sete hectares, na estação de tratamento de esgoto da cidade, numa parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Universidade de São Paulo (USP). Há ainda um campo, menor, de 1,7 hectare, em Piracicaba, que começou a funcionar em 2004.
A coordenação do trabalho é de Célia Regina Montes, professora do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo. “O projeto começou em 2000 com o objetivo de melhorar a qualidade dos rios, pois o esgoto tratado quando chega aos mananciais ainda tem muitos nutrientes, que provocam a proliferação de algas, que retiram o oxigênio da água, causando, inclusive, a mortandade de peixes”, explica a pesquisadora.
Entre as atividades desenvolvidas pelo homem, a agricultura é um dos setores que mais consome água, por meio da irrigação das plantações. “O crescimento do agronegócio no Brasil, em especial no Estado de São Paulo, aliado ao fato de que sistemas de tratamento de esgoto geram grandes quantidades de águas residuais, mostrou a existência de um grande potencial para a utilização dos efluentes gerados nas REÚSO DA ÁGUA Crescimento do agronegócio brasileiro amplia o potencial para utilização dos efluentes gerados nas Estações de Tratamento de Esgotos na irrigação.
Com isso, utiliza-se menos água própria para outros consumos humanos.” No caso da agricultura, os nutrientes como fósforo, nitrogênio e potássio, que permanecem nos efluentes de esgoto tratado, serão benéficos às plantações, gerando economia para os agricultores, pois eles terão de colocar menores quantidades desses elementos químicos para adubar o solo.
Célia esclarece que o reúso de efluentes de esgoto tratado não deve ser aproveitado em qualquer plantação. “Só utilizamos esses efluentes para irrigar culturas que serão processadas industrialmente após a colheita, como é o caso da cana-de-açúcar, que se transforma em etanol e açúcar, e de milho, café, girassol, soja e capim Tifton, a ser transformado em feno.” O processo industrial, com altas temperaturas, elimina bactérias como os coliformesfecais e totais, não acarretando riscos à saúde do homem. E para ter certeza de que o efluente não está causando prejuízos ambientais nem sanitários, as plantas, o solo e a água do lençol freático, que está abaixo dele, são analisados periodicamente.
A pesquisadora destaca mais uma vantagem do reúso dos efluentes de esgoto tratado na agricultura: “É uma água que tem produção estável o ano todo, não depende de chuva.” Ela esclarece que os esgotos industriais não entraram no projeto porque eles têm características diferentes, compostos indesejáveis que devem ser tratados separadamente. “Além disso e talvez o mais relevante é que as regiões agrícolas são menos industrializadas e, portanto, o importante do ponto de vista de quantidade e qualidade é o esgoto doméstico”, completa Célia.
COMO FUNCIONA
O sistema é simples. “Captamos o efluente diretamente da lagoa de estabilização, um tratamento secundário, quando já se retiraram 100% dos germes.
Ele vai para um reservatório e depois é bombeado como um sistema de irrigação normal”, afirma Célia.
Na experiência feita com o capim Tifton, foram plantadas diversas parcelas, cada uma delas recebeu percentuais diferentes de adubo químico e de efluente do esgoto tratado. A eficiência do sistema também dependedo clima.”Quando chove mais, eu irrigo menos. Então, vai entrar menos nitrogênio que vem do efluente.
Houve, em um ano, economia de fertilizante nitrogenado mineral da ordem de 30%.No ano seguinte, 80%”, diz Célia.
BARREIRAS AO REÚSO
Luiz Paulo de Almeida Neto, superintendente regional da Sabesp, explica que o tratamento dos efluentes do esgoto urbano retira entre 80% e 90% da carga residual.
Ao invés de despejar efluentes nos rios, com 10% a 20% de resíduos, a ideia é aproveitá-lo para irrigar lavouras, uma tecnologia usada em Israel, Austrália, Estados Unidos, Egito, Arábia Saudita, Tunísia e Chile. Nesses países, o reúso obedece a padrões de qualidade, definidos por organismos ambientais e pela Organização Mundial de Saúde, que asseguram a proteção tanto do meio ambiente, como da saúde humana.
“Em Israel, local muito seco, todo o esgoto tratado é aproveitado na agricultura.
Aqui no Brasil isso ainda não é possível, pois a coleta de esgoto em todo o País é de, em média, 50%. A região Nordeste tem poucos sistemas de coleta e tratamento de esgoto.Aregião Sudeste é onde esse trabalho é mais bem realizado. Só em São Paulo, 80%do esgoto é coletado e tratado.” Almeida Neto lembra ainda que para a irrigação da lavoura ser feita com esgoto tratado, é preciso que as Estações de Tratamento estejam próximas às áreas de plantio. Quando isso não é possível, o transporte terá de ser equacionado, sendo um item adicional de custo.
Almeida Neto diz que os métodos utilizados em outros países nem sempre servem para a nossa realidade, pois há diferenças climáticas, de solo, lençol freático.
“Na Austrália, por exemplo, se utiliza o esgoto in natura em pastos, nos quais o gado é suspenso por um tempo, enquanto a luz solar e o clima seco exercem o papel germicida.
Outra barreira à utilização dos efluentes de esgoto tratado é a falta de legislação específica.
O tema vem sendo discutido no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que em 2005 aprovou a resolução nº 54 que estabelece modalidades, diretrizes e critérios gerais para a prática de reúso direto não potável de água. Nessa resolução são estabelecidas cinco modalidades e, entre elas, está o reúso para fins agrícolas e florestais.
Mas para entrar em prática cada modalidade precisa de uma resolução específica.
“Em Israel, país muito seco, todo o esgoto tratado é aproveitado na agricultura. Aqui, a coleta atinge só 50% Luiz Paulo Almeida Neto, Superintendente regional da Sabesp em Lins
O reúso de esgoto tratado vem sendo discutido no Conselho Nacional de Recursos Hídricos, que em 2005 aprovou a resolução nº 54, estabelecendo cinco modalidades de reúso direto não potável de água,um dos quais de finalidade agrícola e florestal (EcoDebate)

As águas do Baixo Parnaíba Maranhense

As fontes, as nascentes e as cacimbas no Baixo Parnaíba Maranhense
A busca pela eterna juventude parece um assunto morto e enterrado para a sociedade moderna e prova-se esse destempero com as inúmeras fontes, nascentes ou cacimbas que secaram, aterrou-se ou cercou-se por obra e graça das monoculturas de soja, eucalipto ou cana-de-açúcar e dos criadores de gado.
Afinal por que acreditar em fontes miraculosas que ao menor gole e fontes de sorte que ao menor pedido satisfazem seus anseios se o mundo receita, imediatamente, para saciar a sede que o individuo compre uma garrafa de água mineral ou uma garrafa de refrigerante e que, para recair a riqueza sobre si, compre cartões de jogos?
Não é que um produto industrializado substitua a contento um produto natural ou que um jogo eletrônico enriqueça alguém mais do que faria o seu trabalho de todo santo dia. Diferente de outras épocas, o ser humano se envaidece mais e mais de suas saídas do seu para que outros mundos o atraiam e fica enfurecido porque essa atração o ilude sem que ele se banhe com o luxo que sustenta a armação.
O ser humano que luxa sem as devidas posses bate de frente com a sua realidade e com a realidade dos outros e por isso o luxo assume um caráter despótico sobre as demais formas de despender recursos.
Essas formas se reportam ao luxo como se este governasse as vontades e os sentidos de cada um numa forma de governo do bom-gosto e do bom viver. Quando se refere a algo ou alguém como bom, todos saem convencidos e com a esperança rejuvenescida. Tanto se convenceram que as formas foram recolhidas e expediu-se um alvará de funcionamento para o luxo. Nos seus primórdios, as pessoas encontravam no luxo uma sugestão de paz involuntária do tipo você não precisa mais lutar diariamente como um louco para viver bem.
Mesmo que seja apenas uma sugestão, as pessoas caem nessa lorota sem notar que o luxo envelhece numa rapidez estonteante e aquele que caiu na lorota perde sua juventude fazendo de tudo para que esse envelhecimento material não o alveje também. A sociedade moderna se propôs um paradoxo delicado: suprir a sua volúpia por matérias-primas novas enquanto seus artefatos industriais caem no esquecimento devido a sua duração de menos de dois anos no mercado ou até sete anos como no caso dos plantios de eucalipto.
Ponderar sobre o envelhecimento rápido na sociedade moderna remete um pouco ao filme Blade Runner, do cineasta inglês Ridley Scott. Nesse filme, o personagem de Rutger Hauer visita seu pai esperando respostas para o seu infortúnio que é a morte. Ele teria que se sujeitar à morte, respondeu o pai. Dessa mesma forma, muitos engrenam suas máquinas em vários recantos acalentando uma resposta sincera de um conhecido para este mundo que o aborrece. Seria mais fácil viver longe dali e de todos? Com quanta indiferença ele absorve aquilo que o remenda.
O envelhecimento das forças da natureza e da humanidade no Baixo Parnaíba maranhense desintegra uma série de experiências coletivas e individuais que reclamavam de cada topada que seus pés davam nos caminhos de piçarra e que riam por se banharem várias vezes ao dia nos riachos que desgovernam esses mesmos caminhos quando as chuvas os enchem. Um córrego escurece pelo seu afundar vindo desde a nascente espichando-se até o rio principal. (EcoDebate)

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Plástico ''verde''

Solvay retoma plano para fábrica de plástico ''verde''
Grupo belga havia previsto em 2007 uma nova unidade de produção de PVC no Brasil, mas projeto acabou sendo suspenso.
O grupo belga Solvay retomou o projeto de construção no Brasil de uma fábrica de PVC, com uso de cana de açúcar como matéria-prima. Em análise neste momento pela direção do grupo, o empreendimento poderá mudar o ambiente de negócios do setor no Brasil em 2012, ano em que a Braskem também iniciará as operações de uma nova fábrica da resina.
Caso o projeto da Solvay - que tem no Brasil uma fábrica em Santo André (SP) - receba a aprovação até o início do próximo ano, é possível que as duas empresas disputem para definir qual unidade entrará em operação antes da concorrente. Quando foi originalmente anunciado, em 2007, o plano da Solvay era investir US$ 135 milhões.
Apesar de o projeto da empresa ainda estar sujeito a alterações, ele poderia estar concluído entre 12 e 18 meses depois de sua aprovação. Ou seja, a unidade poderá entrar em operação nos primeiros meses de 2012, mesmo prazo dado pela Braskem para iniciar a produção na fábrica a ser instalada em Alagoas.
Juntos, os dois projetos devem representar uma expansão de aproximadamente 260 mil toneladas anuais de PVC - um plástico de larga utilização na indústria de consumo -, o equivalente a mais de um quarto da atual capacidade instalada do setor no Brasil, de aproximadamente 800 mil toneladas.
De acordo com o diretor comercial da Solvay Indupa para o Mercosul, Carlos Alberto Tieghi, o projeto inicial da companhia prevê que a nova linha de produção terá capacidade de 60 mil toneladas anuais de eteno verde, a partir de cana de açúcar, e capacidade praticamente idêntica de PVC -. "Existe o interesse de clientes específicos pelo PVC verde. Esses clientes aceitam pagar mais por um produto diferenciado", disse.
O desenvolvimento de resinas termoplásticas a partir da cana-de-açúcar não é novidade no Brasil. Desde setembro passado, a Braskem já opera uma fábrica de eteno verde, produzido a partir da cana de açúcar, que posteriormente é convertido em polietileno (PE). A mesma tecnologia pode ser utilizada na produção de PVC, resina cujas matérias-primas são o eteno e o cloro.
Licenças. Tieghi revelou que a Solvay já possui acordos acerca de equipamentos que serão utilizados na unidade, assim como de licenças para a instalação e operação da nova fábrica. Esses acertos podem acelerar o projeto, caso o aporte seja aprovado. "O investimento será feito somente pela Solvay", destacou o executivo, que evitou dar maiores detalhes sobre o projeto em análise.
Ao iniciar a produção de PVC a partir de fontes renováveis, a Solvay deve reduzir a dependência do eteno fornecido pela Quattor, empresa adquirida pela concorrente Braskem.
A possibilidade de os dois projetos entrarem em operação no começo de 2012 resultará em um salto na produção doméstica, o que poderia prejudicar as margens das fabricantes. Tieghi, entretanto, faz questão de minimizar possíveis preocupações. "Temos uma perspectiva de que o mercado crescerá pelo menos 5% ao ano nos próximos cinco anos. E falamos de um mercado que já supera 1 milhão de toneladas anuais", ressaltou.
Caso as projeções da Solvay se confirmem, o consumo aparente de PVC deverá saltar para pouco mais de 1 milhão de toneladas neste ano e subir, até 2012, para mais de 1,1 milhão de toneladas. A produção doméstica cresceria no mesmo período para pouco mais de 1 milhão de toneladas anuais. (OESP)

Braskem anuncia nova fábrica de "plástico verde"

A Braskem, maior fabricante de resinas da América Latina e que no mês passado inaugurou uma fábrica para produzir eteno a partir da cana-de-açúcar, anunciou hoje uma nova unidade de fabricação de plástico verde.
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A Braskem informou em comunicado que concluiu a etapa conceitual do projeto para construir uma fábrica com capacidade para produzir 30 mil toneladas anuais de propeno verde e na qual investirá US$ 100 milhões.
"Em 2011 serão concluídos os estudos de engenharia básica (da nova fábrica) e, após a obtenção da aprovação final, o projeto começará a ser implantado para que possa começar a operar no segundo semestre de 2013", segundo o comunicado da empresa.
A nova fábrica também utilizará como matéria-prima etanol de cana-de-açúcar em vez de petróleo. A primeira produz eteno e a segunda fabricará propeno, dois dos plásticos de maior demanda no mundo.
A fábrica de eteno verde, com capacidade para produzir 200 mil toneladas de resinas plásticas, começou a funcionar no mês passado em Triunfo, no Rio Grande do Sul.
A Braskem informou que o propeno verde será fabricado graças a uma tecnologia já testada industrialmente e que permite obter um produto com as mesmas propriedades técnicas e o mesmo desempenho do plástico produzido a partir de petróleo.
A companhia acrescentou que os estudos preliminares de eficiência ecológica foram bem-sucedidos e mostraram que cada tonelada de propeno verde produzido permite capturar e fixar 2,3 toneladas de dióxido de carbono.
"A Braskem considera esta fábrica parte de sua estratégia de desenvolvimento de biopolímeros e se compromete a expandir sua capacidade produtiva para que o plástico verde possa ser utilizado por um maior número de clientes", acrescenta a nota.
Antes da inauguração da fábrica de eteno verde, a empresa já tinha assinado 20 contratos com multinacionais que compram plásticos, como Johnson & Johnson e Procter & Gamble, para oferecer a elas o plástico ecológico.
A Braskem produz anualmente cerca de 15 milhões de toneladas de resinas e outros produtos petroquímicas nas 31 fábricas que opera no Brasil e nos Estados Unidos. (br.noticias)

As bactérias que produzem plástico

Vivemos cercados de material plástico por todos os lados. Eles fazem parte do nosso cotidiano e representam componente importante da atividade industrial, sobretudo na área da petroquímica. A produção mundial é da ordem de 150 milhões de toneladas por ano, sendo que cerca de 95% do total terminam criando problemas ambientais, já que são lançados em aterros.
A matéria prima para produção de plásticos é, sobretudo, o etileno e o eteno, provenientes do petróleo e do gás natural. Entre os principais plásticos temos, hoje, o polietileno (usado na produção de frascos e sacos plásticos), o polipropileno (frascos e tampas), PET (garrafas para refrigerantes), PVC (tubos e conexões) e o poliestireno (copos de plástico, isopor).
Consciente da importância do plástico no mundo moderno, várias tentativas vêm sendo feitas no sentido de produzi-lo a partir de fontes renováveis e torná-lo biodegradável, minimizando assim os problemas ambientais. Entre estas tentativas, merece destaque a produção a partir de etanol.
Neste campo, é importante mencionar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela área tecnológica da Braskem, empresa localizada em Triunfo, Rio Grande do Sul, que já está produzindo cerca de 200 mil toneladas por ano de material plástico derivado de etileno formado a partir de um processo de desidratação do etanol oriundo da cana-de-açúcar, na presença de catalisadores.
Outras iniciativas importantes têm surgido com a obtenção de plásticos a partir do amido de mandioca, da soja e da celulose vegetal de um modo geral. Surge assim o chamado bioplástico, que pode ser puro ou misturado com plástico de origem petroquímica.
Uma das características da moderna biotecnologia é procurar os microorganismos abundantes na natureza para, de forma espontânea, ou com a ajuda de métodos modernos oferecidos pela chamada engenharia genética, produzir metabólitos que possam vir a ser utilizados em processos industriais na fabricação de produtos de interesse.
Vários microorganismos de natureza bacteriana, sobretudo os que vivem no solo, desenvolveram a capacidade de sintetizar e acumular dentro da célula reservas de carbono para utilização futura, quando em condições adversas. Afinal, sendo o carbono um elemento básico para a formação de milhares de compostos fundamentais à sobrevivência, bem como à multiplicação microbiana, nada mais inteligente do que desenvolver um meio de produzi-lo e estocá-lo em grandes quantidades e utilizá-los quando necessário.
Este é apenas mais um exemplo de processos bioquímicos básicos que explicam o êxito do processo evolutivo ao longo de milhões de anos. Em certas condições experimentais, as bactérias podem sintetizar e armazenar polihidroxialconoatos (PHA) em quantidades que correspondem à cerca de 90% do peso seco da célula. Ao se visualizar estas bactérias com o microscópio eletrônico, têm-se a impressão de que representam um saco de material polimérico.
Cabe esclarecer que o PHA é um polímero do ácido hidroxilalconeico e que pode ser utilizado para a produção de vários produtos, alguns de grande interesse na área médica. Cito apenas a produção de cápsulas para veiculação de medicamentos, implantes ortopédicos, stents, entre outros. O PHA já é também utilizado por algumas empresas na fabricação de embalagens para xampu.
Levando em consideração, (a) o potencial representado pelas bactérias na produção de bioplástico, (b) a crescente necessidade do uso de material plástico produzido a partir de material renovável e biodegradável, e (c) a significativa biodiversidade brasileira aliada à existência de grupos de pesquisa atuantes em microbiologia do solo, é fundamental o estímulo à atividade de pesquisa científica, tecnológica e de inovação neste campo.
Wanderley de Souza é professor titular da UFRJ, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina. Ex-secretário executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia e ex-secretário de estado de Ciência e Tecnologia do RJ. (EcoDebate)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Cientistas preveem consequências devastadoras

Cientistas preveem consequências devastadoras das mudanças climáticas se ação humana não mudar
Copenhague e Cancun já são passado na história das mudanças climáticas. Depois de duas conferências das Nações Unidas marcadas por excesso de discussões diplomáticas e poucos avanços práticos, chegou a hora de pensar em Durban, cidade da África do Sul que vai sediar, daqui a um ano, a COP-17. Às vésperas do fim da primeira fase do Protocolo de Kyoto, o momento será decisivo. Se não houver acordo, o mundo poderá ficar sem um documento vinculante, com força de lei, para nortear as políticas de contenção das emissões de CO2 na atmosfera.
Enquanto negociadores de todo o globo se digladiam devido às questões econômicas inerentes às mudanças climáticas, a ciência é pouco ouvida nas reuniões preparatórias e nas conferências da ONU. Diversos estudos, porém, alertam que, sem um acordo realmente ambicioso, pode-se esperar um futuro marcado por catástrofes naturais, provocadas pela intervenção humana no ecossistema. Reportagem no Correio Braziliense.
Na edição desta semana da revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos, um grupo de pesquisadores mostra as consequências devastadoras das mudanças climáticas justamente no país que se recusou a ratificar Kyoto. “Se as projeções sobre o clima se confirmarem, as florestas do sudeste dos EUA vão enfrentar um futuro sombrio, com mais severos — e mais frequentes — incêndios florestais, mais infestações de insetos e maior taxa de morte de árvores”, disse ao Correio o pesquisador Park Williams, do Departamento de Geografia da Universidade de Califórnia de Santa Bárbara. “Nessa parte do país, as florestas são mais sensíveis ao aumento de temperatura durante a primavera e o verão. Justamente nesses períodos, está ficando cada vez mais quente”, constata.
O estudo, realizado a partir de medições de anéis das árvores, mostra que a devastação florestal traz consequências graves aos norte-americanos. “Mudanças grandes e rápidas na vegetação podem ter diversos significados: desde o fornecimento de água ao aumento das erosões, passando por enchentes e inundações”, lembra Williams. “A intensidade e a frequência dos incêndios também vai aumentar. Uma mudança na paisagem da região também seria catastrófico para o turismo, que depende basicamente da natureza no local.”
Alerta
Na semana passada, um dos maiores especialistas em mudanças climáticas, Lonnie Thompson, da Faculdade de Ciências da Terra da Universidade de Ohio, lançou um alerta sobre o uso desenfreado dos combustíveis fósseis. Segundo ele, se não forem exploradas imediatamente novas formas de energia, as consequências ambientais, sociais e econômicas pegarão a humanidade de surpresa: “Antes que pudermos nos adaptar, elas estarão aí”, disse Thompson, na revista especializada The Behavior Analyst.
Para o especialista, não há dúvidas sobre a ação antropogênica no ritmo das mudanças climáticas. Nas últimas três décadas, Thompson liderou 57 expedições a alguns dos mais remotos lugares do mundo, para verificar os estragos humanos no ecossistema, como a deglaciação das geleiras. “Minhas opiniões não são uma hipérbole, mas estão baseadas em evidências científicas que documentam o quanto a Terra está aquecendo, e que esse aquecimento é fundamentalmente devido à atividade humana”, disse ao Correio. O especialista diz que não há mais espaço para ceticismo. “A não ser que um grande número de pessoas tomem as iniciativas certas, incluindo regulações governamentais com objetivo de reduzir as emissões de gás de efeito estufa, nossas únicas opções serão adaptação e sofrimento”, escreveu Thompson, no artigo da The Behavior Analyst.
Para quem não acredita na ação antropogênica sobre as mudanças climáticas, o especialista fornece algumas evidências: desde 1912, o Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, perdeu 85% da cobertura nevada; a calota de gelo de Quelccaya, no Peru, a maior área glaciar dos trópicos, retraiu 25% desde 1978; 98% das geleiras no sudeste do Alasca encolheram, e, no Polo Norte, o nível do mar tem aumentado à medida que a cobertura de gelo diminui anualmente. “Claramente, a mitigação é nossa melhor opção, mas até agora, as maior parte das sociedades ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos e outros grandes emissores de gases de efeito estufa, fizeram pouco mais do que falar sobre a importância da mitigação”, critica.
Para o professor de Biologia da Universidade de Penn State Eric Posto, não apenas os formuladores de políticas públicas, mas todas as pessoas, precisam tomar atitudes em relação às mudanças climáticas. Autor de um recente artigo publicado sobre o assunto na revista especializada Nature, Posto diz que o aumento da temperatura e a alteração nas precipitações são questões importantes, mas a forma como os homens respondem a essas condições pode piorar ainda mais uma situação já crítica. Segundo ele, muitas árvores tropicais são resistentes ao aumento dos termômetros e mesmo à seca.
“Mas não há como resistir às queimadas feitas pelo homem. Então, atividades como essa podem ser muito mais perigosas para a biodiversidade tropical do que apenas um crescimento da temperatura”, argumenta. Posto explicou ao Correio que, com as condições climáticas alteradas, o acesso do homem às florestas aumenta. Sem chuvas e com clareiras, é mais fácil adentrar as áreas antes quase intocadas. “O aumento do acesso leva a mais queimadas, caçadas e incêndios, um ciclo potencialmente destrutivo”, diz.
O pesquisador israelense Guy Pe’er, um dos primeiros do país a estudar os efeitos das mudanças climáticas, há 10 anos, diz que é hora de parar com o ceticismo. Autor de um relatório sobre a situação do clima em Israel, endereçado ao Ministério do Meio Ambiente do país, ele alertou, ainda em 2000, que haveria queda nas precipitações, seca e aumento da temperatura, o que poderia aumentar o risco de incêndios. De acordo com Pe’er, um crescimento de 1,5 grau em 2100, cenário considerado bastante moderado agora, fará com que o deserto se alastre por 500km, alterando gravemente o ecossistema do Mediterrâneo.
As predições do especialista já começaram a se tornar realidade. Neste ano, um incêndio próximo a Haifa, no Monte Carmelo, matou 42 pessoas e incendiou 250 casas, provocando danos de mais de US$ 55 milhões. Foi o pior incêndio florestal da história de Israel, com uma área total devastada de 5 mil hectares. De acordo com Pe’er, a tragédia suscitou um debate no país: qual a responsabilidade do governo e das brigadas de incêndio no fato? Para o especialista, a resposta não está aí, mas tem um nome bem conhecido: mudança climática. “É uma questão do jeito como consumimos, dos hábitos da nossa sociedade. Nós consumimos mais do que precisamos e mais do que a Terra pode aguentar, e dessa forma estamos arriscando nosso próprio futuro. Será que podemos nos comportar como seres humanos e mudar nossos hábitos?”, convida.
Planeta em transe
Veja algumas mudanças já provocadas pelo aquecimento global:
Estados Unidos
» 2009 foi o segundo ano consecutivo com maior temperatura registrada. Nos últimos 30 anos, o aumento médio por década foi de 0,4ºC. Nevou menos no inverno, sendo que em Washington o nível registrado de neve ficou 50% abaixo do esperado. Ao mesmo tempo, as tempestades de neve ficaram mais severas no Texas, em Oklahoma e no Kansas, que chegou a acumular 76 cm de neve no solo em apenas um dia, no mês de março.
Caribe
» Dezesseis massas de ar frio atingiram a Costa Rica, e outras 12 chegaram a todo o mar do Caribe em 2009. A média por ano era de 12 eventos. Em El Salvador, enchentes e desabamentos, associados em parte ao furacão Ida, mataram 192 pessoas. Em Cuba, agosto e setembro e outubro foram os meses mais quentes desde 1970.
Brasil
» No ano passado, a temperatura sofreu oscilações inesperadas: até 4ºC mais quente e 4ºC mais fria do que o esperado. Em 24 de julho, a cidade catarinense de São Joaquim registrou 6,2ºC. O país sofreu com secas e enchentes. Na região amazônica, a precipitação ficou 200 mm acima do normal. O Rio Negro, em Manaus, atingiu seu maior nível em 107 anos de medições em julho. No nordeste amazônico, 49 pessoas morreram e mais de 400 mil ficaram desabrigadas por causa das chuvas. Já na região nordeste do país, oito pessoas morreram por causa da queda de uma barragem no Piauí e 600 famílias tiveram de abandonar suas casas.
Sudeste da África (África do Sul e Zimbábue)
» Na África do Sul, 27 estações climatológicas registraram um aumento de 0,4ºC na temperatura, em relação ao período de 1961-1990. Isso fez de 2009 o 15º ano mais quente desde 1961. Em algumas regiões sul-africanas, as precipitações ficaram até 150% mais altas, comparando-se à década de 1990. Em Cape Town, uma enchente desabrigou 1,7 mil pessoas em 17 de maio. Na região costeira, os fortes ventos criaram ondas de 9 m.
Península ibérica (Portugal e Espanha)
» Os países ibéricos vivenciaram um clima atípico em 2009. O ano começou com uma temperatura anormal, de -0,7°C, seguido por uma primavera mais quente que o usual (1,57°C a mais que a média). Foi o terceiro ano mais quente na Espanha desde 1961. Em 24 de janeiro, o norte da Espanha foi atingido por um forte tornado a 190 km por hora. Foi o pior na região nos últimos dez anos. Em setembro, fortes chuvas quebraram recordes no sudeste da península. Em Alicante, o nível de água chegou a 309 mm. (EcoDebate)

Desastres naturais mataram 260 mil pessoas

2010, o ano selvagem: Desastres naturais mataram 260 mil pessoas
Este foi o ano em que a Terra deu o troco. Terremotos, ondas de calor e frio extremos, enchentes, vulcões, supertufões, desmoronamentos e secas mataram pelo menos 260 mil pessoas em 2010 – ano mais letal em uma geração, mostra levantamento da AP. Os desastres naturais mataram mais em 2010 do que os ataques terroristas dos últimos 40 anos combinados.
- A expressão “o desastre do século” perdeu o sentido em 2010, pois houve muitos desastres assim – disse Craig Fugate, diretor da Agência de Gerenciamento de Desastres dos EUA. Reportagem de Seth Borenstein e Julie Reed Bell, da Associated Press, em O Globo.
Segundo cientistas e especialistas em desastres naturais, o ser humano deve culpar a si mesmo, e não a natureza, na maioria dos casos. Construções precárias conspiraram para tornar terremotos mais letais do que deveriam. Mais pessoas vivem hoje na pobreza em construções vulneráveis de cidades superpovoadas. Isso significa que, quando a terra treme, um rio transborda ou uma grande tempestade acontece, mais gente morre.
- Desastres geológicos, como terremotos, são fenômenos regulares. Todas as mudanças são causadas pelo homem – disse Andreas Schraft, vicepresidente de análise de risco de catástrofes da seguradora Swiss Re.
O terremoto que em janeiro matou mais de 220 mil pessoas no Haiti é o exemplo perfeito. Port-au-Prince tinha três vezes mais habitantes – quase todos pobres – do que há 25 anos. Se o mesmo sismo tivesse ocorrido em 1985 em vez de 2010, o número de mortos provavelmente teria sido cerca de 80 mil, disse Richard Olson, diretor do Departamento de Redução de Riscos em Desastres da Universidade Internacional da Flórida.
Em fevereiro, um terremoto 500 vezes mais forte do que o do Haiti atingiu uma área bem menos pobre e povoada do Chile e menos de mil pessoas morreram.
Calor opressivo e frio polar
Cientistas destacam que o clima também está em transformação devido ao aquecimento global. O resultado são mais fenômenos extremos, como ondas de frio e calor.
No verão passado do Hemisfério Norte, um sistema climático poderoso causou uma onda de calor escorchante na Rússia e enchentes devastadoras no Paquistão, que cobriram mais de 160 mil quilômetros quadrados, ou mais de três vezes a área do estado do Rio de Janeiro. Só esse sistema de calor e tempestades matou 17 mil pessoas, mais do que a soma de todos acidentes aéreos do mundo nos últimos 15 anos.
- É um tipo de suicídio. Construímos casas que nos matam (em terremotos), erguemos habitações em áreas de inundações e depois nos afogamos – argumenta Roger Bilham, professor de Geologia da Universidade do Colorado. – É nossa culpa não prever tais coisas, que são a Terra fazendo o que ela faz.
E ninguém pode classificar melhor a situação do que Vera Savinova, administradora de uma clínica odontológica, que em agosto usava uma máscara para se proteger da fumaça causada pelos incêndios florestais em uma Moscou calorenta:
- Nosso planeta está nos alertando sobre o que pode acontecer se não tomarmos conta da natureza.
O grande número de fenômenos climáticos extremos em 2010 é um sinal clássico do aquecimento global causado pelo homem sobre o qual os cientistas tanto avisaram. Eles calculam que a onda de calor russa – que estabeleceu novo recorde nacional de 43,88 graus Celsius – aconteceria apenas uma vez a cada 100 mil anos se não fosse o aquecimento global. Dados preliminares mostram ainda que outros 18 países registraram os dias mais quentes de sua história.
- Esses fenômenos não aconteceriam sem o aquecimento global – diz Kevin Trenberth, do Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos EUA.
É por isso que muitos dos que estudam desastres naturais para ganhar a vida dizem que é um erro classificar 2010 só como um ano ruim qualquer.
- A Terra se vinga associada às más decisões do homem – diz Debarati Guha Sapir, diretor do Centro de Pesquisas Epidemiológicas em Desastres da Organização Mundial da Saúde. – É como se todas as políticas governamentais ou para o desenvolvimento estivessem ajudando a Terra a se vingar ao invés de nos protegerem dela. Criamos as condições para que qualquer pequena coisa que a Terra faça tenha um impacto desproporcional.
Doze meses de fúria da Terra
Veja porque 2010 está sendo apontado como o ano em que a Terra decidiu se vingar da Humanidade.
* MORTES: Segundo a empresa de seguros Swiss Re, até 30 de novembro os desastres naturais mataram mais de 260 mil pessoas este ano, contra 15 mil em 2009. O número é um pouco maior do que o contabilizado pela Organização Mundial da Saúde, que calcula cerca de 250 mil mortes mas não atualiza seus dados desde 30 de setembro. Já a organização não-governamental Oxfam afirma que pelo menos 21 mil mortes foram causadas pelo clima este ano. A título de comparação, as mortes por ataques terroristas totalizaram menos de 115 mil entre 1968 e 2009, segundo o Departamento de Estado dos EUA e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore. O último ano em que desastres naturais mataram tanta gente foi 1983, quando uma grande seca atingiu a Etiópia e matou de fome centenas de milhares de pessoas.
* TERREMOTOS: Além do Haiti e Chile, grandes tremores atingiram Turquia, China e Indonésia, fazendo deste um dos anos de maior atividade sísmica nas últimas décadas. Até meados de dezembro, foram registrados 20 terremotos de grande magnitude, contra uma média anual de 16, fazendo de 2010 o ano com maior número de tremores devastadores desde 1970.
* INUNDAÇÕES: Até setembro, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, enchentes mataram mais de 6,3 mil pessoas em 59 países. As nações inundadas incluem Paquistão, China, Itália, Índia, Colômbia e Chade. Com ventos de mais de 320 quilômetros por hora, o supertufão Megi devastou as Filipinas e parte da China.
* EXTREMOS: No começo de 2010, fortes nevascas paralisaram os EUA e causaram precipitações recordes de neve na Rússia e na China. Depois disso, porém, a temperatura começou a ferver. Este ano deverá terminar como o mais quente já registrado na História ou pelo menos um dos três mais quentes, ao lado de 1998 e 2005, afirma a Organização Meteorológica Mundial. A temperatura média global estava em 14,74 graus Celsius no somatório realizado até o fim de outubro, um pouco acima do recorde anterior de 2005, informou o Centro Nacional de Dados Climáticos dos EUA. Lá, a cidade de Los Angeles registrou o dia mais quente de sua história em 27 de setembro: 45 graus Celsius. Já em maio os termômetros atingiram quase 54 graus Celsius no Paquistão, a temperatura mais alta já registrada em uma região habitada. De volta aos EUA, o ano começou com geadas na Flórida que fez iguanas entrarem em coma e caírem de árvores. Assim como no resto do país, após isso as temperaturas não pararam de subir e o estado americano teve o verão mais quente de sua história. E agora, no fim do ano, o frio está de volta com toda força. O norte da Austrália, por sua vez, teve o período de maio a outubro mais úmido já registrado, enquanto o sudoeste do país enfrentou uma seca recorde. A falta de chuvas também provocou um cenário pouco comum na bacia do Rio Amazonas, com as águas atingindo o nível mais baixo da história em algumas regiões.
* CUSTOS: Os desastres naturais causaram prejuízos de US$ 222 bilhões em 2010, contabiliza a Swiss Re. É um pouco mais que o normal mas ainda assim não é um recorde porque muitos deles atingiram regiões pobres, como o Haiti.
* BIZARRO: A erupção de um vulcão sob uma geleira na Islândia paralisou o tráfego aéreo da Europa durante vários dias. Já Nova York registrou um raro tornado, enquanto uma pedra de granizo de quase um quilo e 20 centímetros de diâmetro despencou do céu no estado de Dakota do Sul. Em um período de apenas 24 horas em outubro a Indonésia foi atingida por três grandes desastres: um terremoto de magnitude 7,7; um tsunami que matou mais de 500 pessoas; e a erupção de um vulcão que provocou a fuga de outras 390 mil. (EcoDebate)

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