terça-feira, 1 de novembro de 2011

Derretimento significativo nas geleiras da China

Cientistas chineses alertam sobre derretimento significativo das geleiras do país
Seus dados mostraram que entre 1970 e 2001, as geleiras da bacia de Pengqu perderam juntas uma área de superfície de 131 quilômetros quadrados e 12 quilômetros cúbicos de massa.
As geleiras estão diminuindo no mundo todo – algumas delas rapidamente. Agora pesquisadores chineses soaram o alarme também em seu país, onde disseram que o clima mais quente e o aumento da precipitação estão reduzindo o tamanho das geleiras. As consequências podem ser falta de água e enchentes.
Cientistas chineses não são conhecidos por colocar medo, particularmente no que diz respeito aos perigos que podem afetar grandes quantidades de pessoas. As autoridades costumam evitar dar as notícias que podem perturbar as massas – o que torna a publicação desta semana da Universidade Graduada da Academia Chinesa de Ciências em Pequim muito mais chocante.
De acordo com o artigo publicado nesta semana no jornal científico britânico “Environmental Research Letters”, a mudança climática teve efeitos devastadores sobre as geleiras das montanhas do sudoeste da China. A região inclui os Himalaias e outras cadeias que fazem parte das terras altas tibetanas.
A equipe de pesquisa liderada por Zongxing Li observou tendências de aquecimento anuais e sazonais “significativas”, junto com uma “redução drástica” e “grande perda de massa” das geleiras, o que levou a um aumento do tamanho dos lados glaciais na região, diz o artigo.
Seus dados mostraram que entre 1970 e 2001, as geleiras da bacia de Pengqu perderam juntas uma área de superfície de 131 quilômetros quadrados e 12 quilômetros cúbicos de massa. As Montanhas Gangrigabu também mostraram perdas significativas. Lá, cerca de 102 geleiras desapareceram entre 1915 e 1980, equivalendo a uma perda de mais de uma área de 41 quilômetros quadrados e de uma massa de seis quilômetros cúbicos. A geleira de Yalung sozinha diminuiu mais de 1.500 metros entre 1980 e 2001, resultando num aumento dos lagos glaciais próximos.
Enchentes, desmoronamentos e tempestades
“As implicações dessas mudanças são bem mais graves do que simplesmente a alteração da paisagem”, disseram os pesquisadores numa declaração. “Os glaciares são uma parte integral dos ecossistemas e desempenham um papel crucial na sustentação das populações humanas.”
Estudos futuros focarão em como as mudanças climáticas afetam o desenvolvimento regional, acrescenta o estudo. A água derretida associada com a redução dos glaciares podem levar a enchentes, desmoronamentos de lama e queda de rochas, enquanto as tempestades afetam o tráfego, o turismo e o desenvolvimento econômico, diz o artigo.
“Num período de tempo entre 10 e 20 anos o aumento do degelo das geleiras ameaça causar enchentes”, o glaciologista suíço Wilfried Haeberli disse à Spiegel Online. “Isso também pode levar subsequentemente a períodos de seca na Índia, por exemplo.” Esses riscos não apenas ameaçam a região do Himalaia, disse ele, mas outras regiões ao redor do mundo, inclusive os Alpes na Europa. “O estudo confirma a tendência global de aumento de temperaturas e redução de geleiras”, acrescentou.
Há cerca de 24.448 geleiras espalhadas ao longo das montanhas do sudoeste da China, que incluem os Himalaias e as montanhas Nyainqntanglha, Tanggula e Hengduan. Hoje elas representam uma área de quase 30 mil quilômetros.
Necessidade de observação a longo prazo
“A redução das geleiras é causada principalmente pelos aumentos de temperatura, especialmente nas regiões de alta altitude”, disse o líder da pesquisa, Zongxing Li, no artigo. Cerca de 77% das 111 estações climáticas incluídas no estudo mostraram um aumento de temperatura entre 1961 e 2008. As 14 estações acima dos 4 mil metros mostraram uma temperatura média anual de 1,73 graus Celsius naquela época.
Os dados não são nenhuma surpresa para outros cientistas. As temperaturas nos Alpes também aumentaram mais de 1,5 graus Celsius por ano, e as geleiras estão derretendo no mundo todo. Ainda assim, Andreas Bauder, um glaciologista do Instituto Federal de Tecnologia Zurique, na Suíça, aponta para um conjunto de dados um tanto inconsistentes usados no estudo chinês. “Os intervalos de tempo estudados em cada área de geleira são em parte muito diferentes e isso dificulta as comparações”, disse ele à Spiegel Online.
Em seu artigo, Zongxing Li e seus colegas também disseram que a “observação limitada” nessas regiões descarta a “discussão de uma relação qualitativa entre a mudança climática e o comportamento das geleiras no sudoeste da China”. De fato, “a complexidade da mudança climática e da resposta dinâmica das geleiras a ela requer uma observação a longo prazo”, acrescentaram.
Chegou-se a essa conclusão por causa de duas incoerências. Embora o aumento da temperatura e da precipitação nas Montanhas Hengduan tenha levado à redução das geleiras, eles descobriram que condições semelhantes resultaram no crescimento das geleiras nas Montanhas Gangrigabu.
“Geleiras diferentes se comportam de maneiras diferentes em escalas de tempo diferentes, então é importante monitorar a mudança das geleiras a longo prazo”, escreveram os pesquisadores. (EcoDebate)

Aumento do nível do mar

Aumento do nível do mar, pelo aquecimento global, afetaria reprodução de pássaros estuarinos
Pesquisa vai verificar impacto da mudança do clima nas aves do Brasil. Estudo será realizado na baía de Guaratuba, no litoral do Paraná.
Caso a previsão de aumento do nível do mar em decorrência da mudança climática se confirmar, conforme o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a população de aves que vivem nas regiões úmidas da costa do Brasil, principalmente as áreas de estuário, pode ser afetada, ocasionando, inclusive, a extinção de espécies.
Um estudo realizado por pesquisadores do Paraná vai tentar identificar qual será o impacto desta transformação global no cotidiano de pássaros como o bate-bico (Phleocryptes melanopis) e a saracura (Pardirallus nigricans), que vivem em vegetações herbáceas de regiões estuarinas, ambiente de transição da água doce para a água salgada.
A análise será feita na Área de Proteção Ambiental de Guaratuba, no município de mesmo nome, e no entorno da Lagoa do Parado. Segundo Bianca Reinec, doutora em Biologia e integrante do projeto “Vulnerabilidade de aves estuarinas à mudança climática”, que recebeu financiamento da Fundação Boticário, essas e outras aves que vivem nesses locais úmidos costumam fazer ninhos na vegetação.
“Um pequeno aumento que seja do nível da água pode afetar a reprodução desses animais. Outro exemplo também previsto para a mudança do clima é o aumento da incidência de vendavais e tempestades que deverão atingir esses ambientes, destruindo ninhos e ovos”, disse a pesquisadora.
Evitar a extinção de espécies
Bianca afirma que o bicudinho-do-brejo (Stymphalornis acutirostris), ave endêmica do litoral do Paraná e de Santa Catarina, já foi afetado pelas alterações das marés, segundo especialistas. “A espécie foi descrita em 1995 e desde então houve diversas modificações no seu habitat devido às transformações do ambiente”, explica a bióloga.
Um dos principais objetivos do estudo, que vai começar neste fim de semana, será um censo para identificar quantas espécies de pássaros vivem nestes locais, além de conhecer também quais e quantas são as aves migratórias que dependem deste ambiente para alimentação e reprodução.
“A partir destes dados, vamos planejar formas de realizar futuramente o manejo de animais para outras localidades, etapa considerada a adaptação da mudança do clima. Não podemos evitar essas transformações, mas podemos trabalhar para criar ambientes artificiais para que as espécies continuem existindo”, disse Bianca. (EcoDebate)

Aquecimento global afeta litoral de São Paulo

O aquecimento global já afeta o litoral norte de São Paulo
Mudanças no clima já afetam litoral norte de SP – Além da elevação da maré, inundações e deslizamentos de terra devem ocorrer com maior frequência, aumentando áreas de risco, dizem cientistas.
Além de elevar a maré, o fenômeno torna mais comuns eventos climáticos extremos. Catástrofes como deslizamentos e inundações deverão ocorrer com mais frequência na região. O alerta foi dado pela Rede Litoral, grupo que integra cientistas de diversas instituições no Estado e em Minas.
Paolo Alfredini, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), analisou dados registrados desde 1944 nos marégrafos do litoral norte. Descobriu que a maré baixa tem crescido sete centímetros por década. Ele não tem dúvidas quanto ao papel desempenhado pelo aquecimento global nas transformações. E prevê, para o próximo século, uma taxa de elevação da maré de um centímetro por ano.
A frequência de chuvas torrenciais também preocupa. A pesquisadora Graziela Balda Scofield, do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec-Inpe), reuniu os dados de 1970 a 1999 de sete pluviômetros distribuídos na região costeira do litoral norte.
Graziela criou um modelo computacional para analisar a evolução das chuvas e identificou um provável aumento no número de fenômenos de maior intensidade na região.
A pesquisadora afirma que não é possível atribuir, de forma inequívoca, a mudança ao aquecimento global, embora a hipótese seja plausível.
Há fortes indícios de uma intensificação dos fenômenos climáticos. Em Caraguatatuba, o modelo apontou uma diminuição no número de dias com chuvas no ano, mas a precipitação total permaneceu estável. Na prática, ocorreram mais eventos com chuva intensa no ano. Resultados semelhantes foram obtidos para as demais cidades: São Sebastião, Ubatuba e Ilha Bela.
Desastre. Os municípios do litoral norte estão prensados em uma faixa estreita de terra entre a Serra do Mar e o Oceano Atlântico, descreve Marcos Eduardo Cordeiro Bernardes, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). “A elevação do nível do mar e a intensificação das chuvas, que fazem transbordar os rios que descem a serra, tornam as cidades vulneráveis”, diz.
Ele está estudando o impacto dos eventos climáticos na dinâmica da água e dos sedimentos levados pela correnteza ou pela maré. Sua pesquisa tentará responder, por exemplo, o impacto das mudanças em um possível assoreamento do Rio Juqueriquerê, único navegável na região.
Apenas 5% das regiões costeiras no litoral norte não apresentam risco algum de desastre natural. O porcentual constitui uma primeira aproximação, fruto dos cálculos de estudiosos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O pesquisador do ITA, Wilson Cabral de Souza Junior, pretende agora estimar a vulnerabilidade específica – que pode variar de baixa a alta – nas regiões onde há algum risco (ou seja, 95% do território).
Souza Junior coordena um grupo que tenta estimar os custos financeiros e humanos dos eventos climáticos extremos. Outra equipe do instituto procura identificar como os materiais e estruturas utilizados em obras de engenharia na região reagem às intempéries decorrentes do aquecimento global.
Propostas. “Há também um terceiro grupo que pretende formular propostas e políticas que possam ser aplicadas na região para minimizar o risco”, explica Wilson, que também atua como coordenador geral da rede. “Mas o trabalho ainda é incipiente.”
Bernardes não tem dúvida de que a rede só se justifica se produzir conhecimento capaz de ser traduzido em políticas públicas. “Estamos tentando estabelecer uma colaboração com as prefeituras do local”, afirma.
Emilia Arasaki, da Poli-USP, também considera importante o diálogo com as autoridades locais. “Mas é um enorme desafio para os políticos: algumas decisões necessárias não são populares, como remover moradores de uma área de risco.”
O grupo já realizou três workshops. Dois deles dentro das instituições de pesquisa que apoiam a rede e um, em Caraguatatuba. O próximo, que ocorrerá nos dias 24 e 25 de novembro, será em São Sebastião (SP). A ideia é atrair para o debate gestores públicos e associações da sociedade civil.
‘A questão é quando vai acontecer algo ruim’
A aposentada Maria José da Silva, de 65 anos, mudou-se há 26 anos para Caraguatatuba, no litoral norte paulista. Queria tratar achaques do coração e dos ossos. Seu trabalho é sentar sob um toldo na calçada e vigia carros de médicos, dentistas e enfermeiros no posto de saúde do bairro Casa Branca. Sua casa está no sopé de um morro que técnicos consideram área de risco, mas garante que não tem medo: “Não vai acontecer nada não.”
Emanoel Gomes de Carvalho discorda. Ele já trabalhou na Defesa Civil do município e hoje atua no Grupo de Auxílio Civil (GAC), organização que colabora com as autoridades locais em situações de emergência. Ele acredita que o futuro reserva desastres graves. “Áreas de risco são assim. A questão não é se vai acontecer algo ruim, mas quando algo ruim vai acontecer”, afirma. Emanoel conhece bem a região e guiou cientistas da Rede Litoral que queriam conhecer áreas vulneráveis da cidade.
Ele aponta que quase todas as pessoas que vivem em áreas consideradas de risco convencem-se de que não há problema algum. A emprega doméstica Valdineia Anerth, de 36 anos, é vizinha de Maria José. Quando começa a chover à noite, recebe sempre uma ligação da sogra: “Vem dormir aqui em casa com as crianças. Tenho medo que a casa de vocês caia.” Mas ela nunca vai. “Não tenho medo”, diz.
Mas o pesquisador Paolo Alfredini, da Escola Politécnica da USP (Poli-USP), teme o que pode acontecer. Ele recorda a tragédia de 1967, quando um deslizamento em Caraguatatuba deixou 436 mortos e cerca de 3 mil desabrigados. “Isso ocorreu quando Caraguatatuba tinha 15 mil habitantes”, recorda. “Hoje a cidade tem 100 mil, grande parte vivendo em áreas de risco.”
Ele espera que os estudos da Rede Litoral sirvam para evitar tragédias semelhantes ou de ainda maiores proporções.
Caraguatatuba foi em boa parte destruída por uma catástrofe causada pelas chuvas em 1967. Mais de 40 anos depois, áreas de risco afetadas na época estão novamente ocupadas por invasões. São os casos do Bairro do Rio do Ouro, Caputera e Benfica. (EcoDebate)

Degelo no Ártico é quarto vezes maior

Degelo no Ártico é quarto vezes maior que o previsto em modelo matemático do IPCC
Painel do clima da ONU errou ao prever degelo no Ártico – Um novo estudo de cientistas dos EUA e da França sugere que o IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, errou feio em suas previsões sobre o degelo do Ártico. No caso, errou para baixo: o derretimento observado é quatro vezes maior do que apontam os modelos.
O grupo de pesquisadores liderados por Pierre Rampal, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), publicou seus dados na edição desta semana do periódico “Journal of Geophysical Research”. Eles uniram dados de modelagem com observações de satélites, navios e até submarinos para estimar que o mar congelado que recobre o oceano Ártico está afinando a uma taxa de 16% por década. Os modelos que alimentaram o relatório do IPCC, publicado em 2007, estimam essa taxa em 4%.
Segundo Rampal e seus colegas, os modelos climáticos computacionais que estimaram um polo Norte sem gelo no verão em 2100 estão atrasados 40 anos em relação às observações. Da mesma forma, o papel da chamada “amplificação ártica” –como é conhecido o efeito de aumento da temperatura devido à perda do gelo marinho e à maior absorção de radiação solar pelo oceano– provavelmente foi subestimado.
Isso se deve principalmente ao fato de que os modelos não conseguiram reproduzir o aumento de velocidade que ocorre quando o gelo fica mais fino. O mar congelado do Ártico está em permanente movimento, seguindo as correntes. Todo verão, elas empurram enormes quantidades de gelo para fora do oceano Ártico, pelo chamado estreito de Fram, entre a Groenlândia e o arquipélago norueguês de Svalbard, diminuindo a área do mar congelado.
Acontece que, com a água mais quente, as placas de gelo ficam mais finas (a média entre 1980 e 2008 é de 1,65 metro de afinamento no verão) e se rompem mais. Isso consequentemente aumenta a velocidade de “exportação” do gelo e, por consequência, amplia a redução de área da banquisa.
Em agosto deste ano, a Folha teve oportunidade de experimentar essa alta velocidade do gelo no estreito de Fram a bordo do navio Arctic Sunrise, da ONG Greenpeace. A amarrado a uma placa de gelo de mais de 200 m de comprimento, o navio derivou cerca de 80 km em dois dias.
Rampal afirma que os modelos falham em capturar essa relação entre deformação e velocidade. Aplicando a metodologia usada no novo estudo aos modelos, eles conseguiram resolver quase todas as diferenças entre modelos e observações –o que pode ajudar a estimar com maior precisão o papel do Ártico no clima futuro da Terra. (EcoDebate)

Degelo abre rota marítima no Ártico

Degelo da calota polar abre rota marítima no Ártico
Aquecimento abre rota marítima no Ártico – Em 10 anos, tamanho médio da calota polar diminuiu um terço em relação às duas décadas anteriores, criando novas oportunidades de comércio.
Contornando a ponta mais setentrional da Rússia em seu rebocador oceânico neste verão do Hemisfério Norte, o capitão Vladimir Bozanov avistou muitas morsas, alguns grupos de baleias-beluga e, ao longe, alguns icebergs. Uma coisa que o capitão Bozanov não encontrou enquanto rebocava uma chata industrial por 3,7 mil quilômetros pelo Oceano Ártico foi gelo sólido bloqueando seu caminho em todo o percurso. Dez anos atrás, uma passagem sem gelo, mesmo no auge do verão, era excepcionalmente rara.
Cientistas ambientais dizem que agora não há dúvida de que o aquecimento global está fazendo a calota de gelo ártica encolher, abrindo novos caminhos marítimos e tornando algumas rotas previamente navegáveis perto da costa acessíveis durante um maior número de meses do ano. E sejam quais forem as repercussões ambientais nefastas dos gases do efeito estufa, companhias da Rússia e de outros países em torno do Oceano Ártico estão procurando explorar novas oportunidades de comércio resultantes do aquecimento.
As companhias de petróleo poderão ser as mais prováveis beneficiárias na medida em que o recuo da calota polar abre uma parte maior do leito oceânico à exploração. A gigante de petróleo Exxon Mobil assinou recentemente um acordo abrangente para perfurar no setor russo do Oceano Ártico. Mas empresas de navegação, mineração e pesca também estão lançando olhares cada vez mais ao norte.
“É paradoxal que novas oportunidades estejam se abrindo para nossos países, ao mesmo tempo em que compreendemos que a ameaça das emissões de carbono se tornaram iminentes”, disse o presidente da Islândia, Olafur Ragnar Grimsson.
Neste verão, um dos mais quentes de que se tem registro no Ártico, um petroleiro estabeleceu uma velocidade recorde cruzando o Oceano Ártico em seis dias e meio, carregando uma carga de gás natural liquefeito. O recorde anterior era de oito dias.
Livre de gelo. Cientistas dizem que, nos últimos dez anos, o tamanho médio da calota polar em setembro, a época do ano em que ela é menor, foi de cerca de dois terços da média durante as duas décadas anteriores. O Programa de Monitoramento e Avaliação Ártica, um grupo norueguês que estuda a região, prevê que, dentro de 30 ou 40 anos, todo o Oceano Ártico ficará livre de gelo no verão.
Diante disso, estão sendo traçados planos empresariais para capitalizar as mudanças nessa parte inóspita do mundo.
Os russos, viajando perto da costa, vêm navegando pela Passagem Noroeste há um século. Eles a abriram à navegação internacional em 1991, após os desmanche da União Soviética, mas só recentemente algumas companhias começaram a achar a rota lucrativa. Em 2009, os dois primeiros cargueiros comerciais internacionais viajaram ao norte da Rússia, entre a Europa e a Ásia. Neste ano, 18 navios fizeram a travessia, quase sem enfrentar gelo. As viagens incluíram um cruzeiro turístico pela Passagem Nordeste, partindo de Murmansk e chegando a Anadyr, um porto russo no Oceano Pacífico, de frente para o Alasca.
Para a indústria da pesca internacional, a meta é o chamado buraco da rosca do Oceano Ártico – os milhões de quilômetros quadrados no centro do oceano que ficam além 200 milhas territoriais das nações costeiras.
O espectro de nações famintas do sul pescando no buraco da rosca recentemente aberto à navegação fez com que o Pew Environment Group divulgasse recentemente um relatório advertindo que, se não for instituída uma nova regulamentação para a região, as populações de bacalhau poderão ser dizimadas. (EcoDebate)

Cientistas confirmam aquecimento terrestre

Estudo de cientistas dos Estados Unidos confirma aquecimento da superfície terrestre
Desde 1950, a temperatura média em terra aumentou em um grau centígrado, segundo as descobertas do grupo Berkeley Earth Project.
O Berkeley Earth Project usou novos métodos e novos dados, mas as descobertas do grupo seguem a mesma tendência climática vista pela NASA e pelo Escritório de Meteorologia da Grã-Bretanha, por exemplo.
"Nossa maior surpresa foi que os novos resultados concordam com os valores de aquecimento publicados anteriormente por outras equipes nos Estados Unidos e Grã-Bretanha”, afirmou o professor Richard Muller, que estabeleceu o Berkeley Earth Project na Universidade da Califórnia reunindo dez cientistas renomados.
“Isto confirma que estes estudos foram feitos cuidadosamente e que o potencial de (estudos) tendenciosos, identificados pelos céticos em relação ao aquecimento global, não afetam seriamente as conclusões”, acrescentou.
O grupo de cientistas também relata que, apesar de o efeito de aumento de calor perto de cidades – o chamado efeito de ilha de calor urbana – ser real e já ter sido estabelecido, ele não é o responsável pelo aquecimento registrado pela maioria das estações climáticas no mundo todo.
Ceticismo
O grupo examinou as alegações de blogueiros “céticos” em relação ao fenômeno, que afirmam que os dados de estações meteorológicas não mostram uma tendência verdadeira de aquecimento global.
Eles dizem que muitas estações meteorológicas registraram aquecimento pois estão localizadas perto de cidades e as cidades crescem, aumentando o calor.
No entanto, o grupo de cientistas descobriu cerca de 40 mil estações meteorológicas no mundo todo cujas informações foram gravadas e armazenadas no formato digital.
Os pesquisadores então desenvolveram uma nova forma de analisar os dados para detectar a tendência das temperaturas globais em terra desde 1800.
O resultado foi um gráfico muito parecido com aqueles produzidos pelos grupos mais importantes do mundo, que tiveram seus trabalhos criticados pelos céticos.
Dois destes três registros são mantidos pelos Estados Unidos, na Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) e na NASA. O terceiro é uma colaboração entre o Escritório de Meteorologia da Grã-Bretanha e o Centro de Pesquisa Climática da Universidade de East Anglia (UEA).
O professor Phil Jones, do Centro de Pesquisa Climática da UEA, encarou o trabalho do grupo com cautela e afirmou que espera ler “o relatório final”, quando for publicado.
“Estas descobertas iniciais são muito encorajadoras e ecoam nossos resultados e nossa conclusão de que o impacto das ilhas urbanas de calor na média global de temperatura é mínimo”, disse.
Phil Jones foi um dos cientistas britânicos acusados de manipular dados para exagerar a influência humana no aquecimento global. Os cientistas foram inocentados em 2010.
O caso teve início em 2009, com o vazamento de e-mails de Jones nos quais o cientista parecia sugerir que alguns dados de pesquisas sobre o aquecimento global fossem excluídos de apresentações que seriam realizadas na conferência da ONU sobre mudanças climáticas.
O episódio deu munição aos céticos em relação ao papel dos seres humanos nas alterações climáticas. Mas a sindicância da Universidade de East Anglia concluiu que não havia dúvidas sobre o rigor e a honestidade dos cientistas.
Sem publicação
Bob Ward, diretor de política e comunicações para o Instituto Graham de Mudança Climática e Meio Ambiente, de Londres, afirmou que o aquecimento global é claro.
“Os chamados céticos devem deixar de lado sua alegações de que o aumento na temperatura média global pode ser atribuído ao impacto do crescimento das cidades”, disse.
A equipe do Berkeley Earth Project decidiu divulgar os dados de suas pesquisas inicialmente em seu próprio website, ao invés de fazê-lo em uma publicação especializada.
Os pesquisadores estão pedindo para que os internautas comentem e forneçam suas opiniões antes de preparar os manuscritos para a publicação científica formal.
Richard Muller, que criou o grupo de pesquisa, afirmou que esta livre circulação de informações marca uma volta à forma como a ciência precisa ser feita, ao invés de apenas publicar o estudo em revistas científicas. (EcoDebate)

O desafio diante de 7 bilhões de pessoas

Em 31/10/11, a Terra atingiu a marca notável de 7 bilhões de habitantes. A data e o número ensejam reflexões em diferentes enfoques, segundos as diversas áreas de interesse. O crescimento populacional em ritmo vertiginoso foi propiciado não pela taxa de nascimentos - esta tem até reduzido. O que se viu foi o aumento da expectativa de vida, graças aos avanços do conhecimento humano em áreas como Medicina, do nível educacional e sanitário nas cidades, e pela modernização tecnológica nas atividades agropecuárias e industriais, com maior oferta de alimentos e de melhor qualidade. Os números não deixam dúvidas.
Em 1900, na Europa Ocidental, desenvolvida, as pessoas morriam, em média, aos 40 anos; na Alemanha, a expectativa de vida era de 37,2 anos. Os brasileiros nascidos nesse período tinham, segundo dados do IBGE, a esperança de viver somente até os 32 anos. De acordo com o historiador inglês Thomas Kirkwood, da Universidade de Newcastle, hoje, a cada dia a expectativa de vida aumenta em cinco horas. A média de vida no Canadá e no Japão supera 80 anos. No Brasil, vive-se até os 72,5 anos - as mulheres até os 76,2 anos.
Ou seja, o planeta precisou de quatro bilhões de anos, desde o início da vida no Planeta, para alcançar, no ano da descoberta do Brasil, a população de 400 milhões de habitantes. Pois bem: quem nasceu em 31 de outubro de 1936 - apenas para ficar no ano de estréia do filme de Chaplin -, portanto, hoje com 75 anos de idade, testemunhou a população multiplicar em três vezes e meia, saindo dos então 2 bilhões de pessoas para os 7 bilhões agora reverenciados.
Se tal indicador de qualidade de vida deve ser comemorado, é certo que o cenário em 31 de outubro de 2020 preocupará nossos filhos e netos quando analisarem a população, segundo projeções da ONU, de 8 bilhões de habitantes e, em 2050, quando terá alcançado 9 bilhões. Joel E. Cohen, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, lança a pergunta no título de seu livro How Many People Can the Earth Support? De fato, dois problemas se acentuaram de forma dramática - e devem se constituir o ponto central de reflexão no dia de hoje. Um deles é o atual cenário econômico.
O que assusta o mundo é o fato das atuais crises ter eclodido nos Estados Unidos, em 2008 - o que colocou, de acordo com o historiador Eric Hobsbawn, em xeque o seu papel de líder mundial da economia de mercado - e, este ano, na até então historicamente sólida Europa. Como é freqüente nas crises modernas, é preocupante que essas começam na órbita do mercado financeiro e, logo em seguida, se deslocam para causar estragos na esfera da economia real, isto é, da produção bens e dos serviços: comércio, indústria e agropecuária. Contudo, apesar da dimensão da crise, o tema que tem prevalecido refere-se à agenda ambiental.
Em junho do próximo ano, o Brasil sediará o encontro Rio+20, marcando os vinte anos de realização do Eco 92, no Rio de Janeiro. Todas as preocupações com o meio ambiente mais do que se justificam; os alertas cumprem papel mobilizador; mudam cabeças de pessoas, partidos políticos, empresas, instituições e governos. Mas é preciso notar que o aquecimento global se deve à atividade humana moderna, de acordo com o documento final do Painel sobre Mudanças Climáticas, da ONU, a COP 15, ano passado: o crescimento do PIB per capita e da população foram determinantes do aumento das emissões globais durante as últimas três décadas do século XX. Por isso, insistir no falso dilema 'preservar ou desenvolver' leva a outro equívoco, muito mais grave: o empenho pouco decidido, de governos e sociedades, diante do sofrimento daqueles que não têm o que comer - uma, em cada sete pessoas. Ou, 1 bilhão de famintos, entre os 7 bilhões de habitantes alcançados hoje.
Na verdade, conservar a natureza e o desenvolvimento socioeconômico são rumos urgentes e complementarmente possíveis. A resposta está na agricultura moderna - seja a chamada familiar ou a de grande escala - quando ambas aliam os manejos sustentáveis à imprescindível eficiência tecnológica. Estudo da Universidade da Pensilvânia concluiu que a produtividade do trabalho no Brasil caiu 15% nas três últimas décadas. 'A exceção é a agricultura, cuja produtividade teve grandes avanços no Brasil', destaca José Alexandre Scheinkman, economista de Princeton. É também a conclusão de estudo da Embrapa: entre 1970 e 2010, o preço real dos alimentos caiu pela metade, graças à revolução tecnológica levada ao campo.
São conquistas que tornam estranhas, hoje, manchetes de jornais de algumas décadas atrás. 'Pode faltar pão no estado; farinha só dá até agosto' (Folha de S. Paulo, 04.07.1960). Ou seja, o que avançou extraordinariamente não foram as máquinas sobre áreas nativas, e sim a produtividade de alimentos nas mesas dos brasileiros e do mundo. (noticiasagricolas)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...