sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Catástrofes naturais causaram prejuízos recordes

Catástrofes naturais causaram prejuízos recordes no ano passado
Tragédia no Japão foi catástrofe natural mais cara de todos os tempos.
Segundo a maior seguradora mundial, Munich Re, desastres em 2011 levaram a perdas de 380 bilhões de dólares, superando o recorde de 2005. Mais de dois terços dos prejuízos foram causados pela catástrofe no Japão.
Além das irreparáveis perdas humanas, as catástrofes naturais que castigaram o planeta em 2011 causaram um prejuízo recorde em termos financeiros. Segundo a maior seguradora mundial, a alemã Munich Re, os 820 grandes desastres em todo o planeta no ano passado geraram 380 bilhões dólares. Só o terremoto e o tsunami do Japão – considerados a catástrofe natural mais cara de todos os tempos – trouxeram prejuízos avaliados em 210 bilhões de dólares.
A impressionante soma do ano passado ficou bem acima da média dos últimos anos, de cerca de 75 bilhões de dólares. E também bateu os números até então recordes de 2005, por conta do tsunami na Indonésia e do furacão Catrina nos Estados Unidos, quando as perdas alcançaram 220 bilhões de dólares.
Enchentes e deslizamentos de terra no Brasil mataram 1.348
De acordo com a Munich Re, consequentemente as indenizações das seguradoras aos clientes também chegaram a um valor recorde: foram 105 bilhões de dólares, sendo que pouco mais de um terço deste montante – entre 30 e 40 bilhões – foram destinados a vítimas no Japão. O terremoto ocorrido na Nova Zelândia em fevereiro do ano passado ocasionou outros 13 bilhões de dólares em ressarcimentos.
“Felizmente uma série de desastres naturais tão graves acontece apenas raramente, provavelmente uma vez em uma centena de anos”, afirmou Torsten Jeworrek, membro do Conselho Executivo da Munich Re. Ele explica que geralmente os principais causadores de prejuízos para as seguradoras são catástrofes naturais relacionadas ao clima. Por isso as grandes perdas registradas no ano passado com terremotos são consideradas incomuns, já que nos anos anteriores os prejuízos por tremores de terra representaram apenas 10% dos ressarcimentos feitas pelas seguradoras por causa de desastres naturais.
Mesmo assim, o chefe do Departamento de Geologia da Munich Re, Peter Höppe, garante que o risco de terremotos em todo o mundo não aumentou.
Os mortos
A resseguradora alemã destaca que o tremor do Japão foi “o maior desastre de todos os tempos”. Ainda assim, os prejuízos foram considerados “moderados” para a infraestrutura do país por conta dos duros regulamentos para construções impostos pelo governo japonês. O tsunami que veio na sequência, matando 16 mil pessoas, foi muito mais devastador, avalia a empresa.
Segundo cálculos da Munich Re, apesar das grandes perdas financeiras, o número de mortos devido às catástrofes naturais durante todo o ano passado foi considerado baixo: 27 mil. Os deslizamentos de terras e as enchentes do Brasil também contribuíram para a estatística, com 1.348 falecimentos.
A soma, porém, não levam em conta as mortes causadas pela seca no Chifre da África. Já em 2010, o número de mortos chegou a 296 mil – quatro vezes mais do que a média anual dos últimos 30 anos.
Desastre climático
Enchentes na Tailândia: maior desastre climático de 2011
O maior desastre climático registrado no ano passado foram as enchentes na Tailândia, segundo levantamento da seguradora alemã. Foram registradas cerca de 800 mortes e um prejuízo de pelo menos 10 bilhões de dólares, atrapalhando ainda as produções de carros e de manufaturados eletrônicos japoneses no país.
A Munich Re acredita que a tendência é que os danos causados por desastres naturais aumentem nos próximos anos devido às mudanças climáticas e ao fato de nas áreas mais suscetíveis a infraestrutura ser mais cara.
Apesar das perdas com indenizações, a resseguradora contabilizou um ganho de 46 bilhões de euros em 2010, um lucro de 2,4 bilhões euros. (EcoDebate)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Reutilização da água ajuda a evitar o desperdício

Na indústria ou em casa, reutilização da água ajuda a evitar o desperdício
Cisternas são a opção mais sustentável e de baixo custo para o meio urbano e rural
No setor industrial ou no uso doméstico, a reutilização da água e o aproveitamento da água da chuva são recursos cada vez mais populares com as novas tecnologias. Além da economia, também se evita o desperdício de um bem que está cada vez mais caro e escasso. O arquiteto do Instituto Acqua (Ação, Cidadania, Qualidade Urbana e Ambiental), Fábio Vital, ressalta, porém, que o brasileiro não possui a cultura de reuso de água e, além disso, não há políticas de incentivo. Em casa, a água da chuva e o reuso da água da torneira também são possíveis, porém, pouco explorados, de acordo com Vital.
Cisterna
“Na esfera residencial você já tem a possibilidade de armazenamento da água da chuva, para lavar calçadas e ruas, além da irrigação do jardim”, cita. Segundo Vital, as cisternas seriam a opção mais sustentável e de baixo custo para esse reaproveitamento nos centros urbanos. “O ideal seria criar e estruturar a legislação de incentivo ao consumo racional de energia e de criação de cisternas”, diz o arquiteto. Além disso, existem empresas que instalam em casas e prédios sistemas que captam a água da chuva. Por meio de filtros, a água pode voltar mais limpa ao prédio e, então, ser usada na descarga dos banheiros, na limpeza de pisos etc.
Na região semiárido brasileira, o programa Um Milhão de Cisternas (P1MC) e o programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) têm a construção de cisternas como objetivo principal. As ações fazem parte do Programa de Formação e Mobilização Social para a Convivência com o Semiárido, realizadas pela Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O público-alvo dos programas são as famílias de baixa renda da zona rural de municípios do semiárido brasileiro, que não contam com fonte de água ou meio suficientemente adequado de armazená-la. Engrossam a lista também as famílias que possuam renda per capita familiar de até meio salário mínimo ou, no caso dos idosos, renda total da família de até três salários mínimos, devendo ser priorizadas aquelas enquadradas nos critérios de elegibilidade do Programa Bolsa Família (PBF).
“Os programas têm a preocupação de cuidar da água de beber, da água para a produção e para os animais. O P1MC quer levar uma cisterna para cada família, para captar água de chuva através do telhado. A ideia é ensinar às famílias como elas podem aproveitar melhor a terra e se inserirem no programa de reforma agrária, pensando a questão da água. Nesse programa, temos trabalhado, além das cisternas, as barragens subterrâneas, a construção de tanques de pedra e outros”, explica José Camelo da Rocha, assessor técnico e coordenador do Programa de Recursos Hídricos da AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia.
Para construir uma cisterna, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) investe dinheiro, além de materiais de construção. As famílias beneficiadas também recebem capacitação para gerir os recursos hídricos e para conviver com o semiárido.
Tecnologia não falta e cada vez mais, de acordo com Vital, ela está sendo empregada no campo, na produção animal ou na colheita. “Seja para maximizar a produção ou enxugar o uso dos recursos naturais”, diz o arquiteto. O setor agrário é o que mais consome água, cerca de 70% do total utilizado, e para Vital é preciso agregar essa tecnologia para conservar.
Muitas indústrias já adotaram o sistema de reuso da chamada água não nobre, que não é própria para consumo. Para cortar gastos com a conta, muitas implantaram seus próprios sistemas de tratamento. “A indústria, em grande medida, já reaproveita, conserva e reutiliza a água”, explica. O arquiteto destaca que indústrias de papel e de cosméticos são os grandes consumidores e, logo, o reuso é fundamental para tornar viável e econômica a produção.
De acordo com o arquiteto, é importante pensar em reaproveitamento, mas também em como economizar recursos. Segundo Vital, nossa relação cultural com a água é ruim. “Achamos que é um recurso infinito”, diz. Por isso, segundo ele, é importante repensar essa relação e procurar soluções dentro de casa, como descargas que regulem o fluxo de água, torneiras de pressão e, principalmente, não considerar a água da torneira como algo sem valor. “Devemos valorizar a água, mesmo a que não usamos para beber”, afirma. Dessa forma, é possível conservar e manter um uso sustentável.
Montagem de uma cisterna:
O processo de construção da cisterna passa por oito etapas: escavação do buraco; fabricação das placas a partir da lavagem da areia e da mistura com o cimento, sendo que são quatro latas de areia para cada uma de cimento; fabricação dos caibros, feita com massa de concreto com vergalhão retorcido com um gancho na ponta, com duas latas de areia, duas de brita e uma de cimento (areia grossa), além de quatro tábuas de 1,30m comprimento, 6 cm de largura e 2 a 3 cm de espessura, 17 varas de vergalhão de ¼ de polegadas; levantamento das paredes com esse material; encaixe da cobertura; colocação do sistema de captação, ou seja, na entrada da cisterna, deve ser colocado um coador para evitar o ingresso de sujeira em seu interior; retoque e acabamentos, que consistem na construção de uma cinta de argamassa para juntar os caibros à parede da cisterna; e instalação da bomba manual.
Cisterna pronta é hora de tratar a água com hipoclorito de sódio, um composto químico usado como desinfetante e agente alvejante. São duas gotas para cada litro de água. (EcoDebate)

‘Petróleo’ Azul

A cidade de Porto Alegre recentemente anunciou a conclusão da maior obra de saneamento básico de sua história, prevista para o segundo semestre de 2012 – o Projeto Integrado Socioambiental (PISA). Através das obras do PISA, a cidade pretende aumentar a atual capacidade de tratamento de esgotos, de 27% para 77% em 2012. Não faltam motivos para comemorar, eis que água em quantidade e qualidade é essencial para a manutenção da vida e elemento chave no desenvolvimento sustentável.
No ano de 2000, a Organização das Nações Unidas acordou que um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio seria o do desenvolvimento sustentável, tendo por metas a redução pela metade do número de pessoas no mundo sem acesso à água potável e saneamento básico. De fato, acesso à água potável e saneamento básico são metas indissociáveis já que a ausência de coleta ou tratamento de esgoto resulta em contaminação dos recursos hídricos, o que implica na redução da quantidade potável disponível.
Segundo dados da Agência Nacional de Águas – ANA, a maioria dos rios, lagoas e reservatórios com água em condições de qualidade ruim ou péssima, está próxima a regiões metropolitanas, devido principalmente ao lançamento de esgotos domésticos. No Brasil, enquanto 79% dos domicílios urbanos são atendidos por rede coletora ou fossa séptica, apenas 53% do esgoto coletado é tratado, segundo dados de 2008 lançados no sítio no Ministério das Cidades.
Além do problema da contaminação, a disponibilidade de água também é diretamente afetada por um aumento da demanda, superior à capacidade de seus reservatórios, e por eventos extremos associados às mudanças climáticas. O aumento da densidade populacional e o aumento da produção agrícola colocam municipalidades e agricultores em lados opostos na batalha pela captação dos recursos hídricos.
Eventos climáticos extremos tais como maior incidência de furacões e tornados, chuvas ou secas prolongadas, acompanhados de ondas de calor, somente agravam a situação e aumentam a vulnerabilidade dos centros urbanos. Para lidar com este problema, são necessárias tanto medidas que garantam o abastecimento de água em quantidade e qualidade, como também medidas que previnam situações de risco, através de políticas de adaptação. Em todas as partes do mundo, urbanização é sinônimo de superfícies impermeáveis pela existência de prédios, telhados e pavimentos, fazendo com que áreas urbanas apresentem uma maior vazão de inundações.
Como descrito pelo economista Edward Glaeser em seu livro “Triumph of the City: How Our Greatest Invention Makes Us Richer, Smarter, Greener, Healthier and Happier” (Penguin Press), o mundo não é plano, mas pavimentado (numa alusão à obra de Thomas Friedman). Para melhorar a drenagem urbana, as medidas tradicionalmente adotadas têm sido a execução de obras estruturais que buscam dar rápido escoamento à vazão de águas. O aumento da vazão, contudo, sobrecarrega o sistema e transfere o problema para a área jusante, resultando em alagamentos, inundações ou mesmo deslizamentos. Em complemento a tais medidas estruturais, podem ser adotadas medidas que buscam aumentar a infiltração na própria área de precipitação. Exemplos destas medidas são o plantio de vegetação com alto poder de retenção e infiltração das águas pluviais no solo, limitação à utilização de áreas impermeáveis em novas construções ou reformas, através de vedação expressa ou cobrança pela área impermeável, restrições ao corte de vegetação, preservação e recuperação de matas ciliares, bem como, planejamento do uso do solo.
Em tempos de escassez de água e num cenário de riscos e incertezas, políticas que promovam o uso mais racional dos recursos são urgentes e imperativas. Se boa parte das medidas não requer a elaboração de novos instrumentos legais, bastando o simples e efetivo cumprimento da legislação em vigor, boa parte ainda carece dos arranjos institucionais necessários. A catástrofe ocorrida no começo do ano na região serrana do Rio de Janeiro poderia ter sido bastante minimizada não fosse pela ocupação ilegal de Áreas de Preservação Permanente (APPs). A edição do Plano Nacional de Saneamento Básico em 2007 representou o marco regulatório do setor que, em conjunto com a Política Nacional de Recursos Hídricos e de Resíduos Sólidos, disciplinam praticamente todos os aspectos integrantes da questão do saneamento básico. A efetividade deste arsenal, contudo, depende da costura dos arranjos institucionais necessários, da aplicação sistemática, da gestão integrada, e da atuação articulada de todos os atores.
Por fim, a adoção de práticas que buscam aumentar a infiltração de água no solo, conter a erosão e promover a filtragem natural da água, podem ser estimuladas através do emprego de instrumentos de incentivo, como é o caso da nova política de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) em bacias hidrográficas. Tal política, embora já praticada em diversos países, é novidade no Brasil e a Assembleia Legislativa do Estado recentemente instalou uma comissão especial para discutir e formular propostas a um projeto de lei estadual prevendo a utilização deste instrumento.
Ainda que, mundialmente, as reservas de água doce sejam suficientes para abastecer a totalidade da população, as mesmas são distribuídas de forma desigual ao redor do planeta, o que coloca a água como pivô de inúmeras disputas e até mesmo guerras. Se a água é o novo petróleo, como afirmam alguns, nossa riqueza não está no pré-sal, mas saindo por nossas torneiras e o Brasil, como detentor da maior reserva de água doce do planeta, possui enorme responsabilidade por sua adequada gestão e uso. (EcoDebate)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ambientalistas esperam pouco da Rio+20

Ambientalistas esperam pouco da Rio+20, mas defendem mobilização
O ritmo em que os avanços diplomáticos acontecem ainda é considerado muito lento pela maioria dos cientistas e organizações do movimento socioambientalista.
Realizada no fim do ano passado na África do Sul, a mais recente conferência da ONU sobre mudanças climáticas (COP-17) deixou a porta entreaberta para um inédito acordo internacional que abranja todos os países na luta contra o aquecimento global, mas o ritmo em que os avanços diplomáticos acontecem ainda é considerado muito lento pela maioria dos cientistas e organizações do movimento socioambientalista. A necessidade de resolver essa contradição faz com que 2012 seja um ano fundamental para a definição dos rumos da política ambiental internacional, e o ponto alto do calendário de negociações acontecerá na conferência Rio+20, que será realizada em junho no Brasil. Entre o ceticismo e o chamado à mobilização, algumas lideranças socioambientais brasileiras revelam suas expectativas em relação ao evento.
Coordenadora de Políticas Públicas do Greenpeace Brasil, Renata Camargo diz não esperar muito da Rio+20: “Em termos de negociações internacionais, não há expectativa de nenhum novo acordo no que se refere aos temas principais dessa conferência, que são economia verde e governança ambiental para o desenvolvimento sustentável. O que se tem sinalizado é a tentativa de consolidar e reafirmar acordos já existentes para o desenvolvimento sustentável, como cumprir o que diz a Agenda 21, os Objetivos do Milênio, etc”, afirma, ressalvando que são esperados avanços no que diz respeito à proteção dos oceanos: “No encontro prep aratório da Rio +20 em Nova Iorque, vários países sinalizaram vontade política de adotar instrumentos legais que possam garantir mais proteção para as águas profundas”.
Um dos mais experimentados ambientalistas brasileiros, Rubens Born, que é dirigente do Instituto Vitae Civilis e membro da coordenação do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente (FBOMS), também não nutre grandes ilusões com a Rio+20, mas afirma que a mobilização da sociedade civil pode ser determinante para seu sucesso: “Grandes conferências da ONU podem ter resultado de eficácia baixa ou de lento cumprimento quando se consideram também as políti cas domésticas, a assimetria de poder dos interesses em conflito, a fragilidade de mecanismos institucionais de caráter nacional ou internacional, entre outros elementos. É certo também que o contexto atual global não inspira perspectivas de decisões e acordos relevantes na Rio+20. Mas isso não nos permite condutas de ingênua tolerância e omissão”.
A mobilização da sociedade, segundo Born, deve servir como base a um amplo processo de transformação: “O enfrentamento das crises financeira, ambiental e da pobreza requer rupturas com elementos sistêmicos subjacentes ao ideário desenvolvimentista e liberal que orientou o enfraquecimento dos Estados como meio de permitir maior presença global de conglomerados econômicos, por um lado, e a submissão de todos os aspectos da vida aos interesses comerciais e lucrativos, por outro. A gravidade da crise climática também aponta para a necessidade urgente de valorizar outras formas de se viabilizar energia, alimentos, mobilidade, habitação, saneamento, emprego”, enumera.
Um dos principais organizadores dos eventos políticos realizados há 20 anos no Rio de Janeiro pela sociedade civil durante o encontro de cúpula da ONU que passou à história como Rio-92, Rogério Rocco compara os dois momentos: “A Rio-92 trouxe avanços expressivos na configuração das políticas internacionais e na construção de um modelo de sustentabilidade socioambiental. Porém, os encontros que a sucederam tiveram, em geral, resultados decepcionantes. Isso vem acontecendo há duas décadas e aconteceu novamente na COP-17. Isto é, adiaram por mais uma vez a tomada de posições mais firmes quanto à definição de padrões de emissão dos gases-estufa. Com esse histórico, associado às crises econômicas globais, não se pode esperar muito da Rio+20″, diz Rocco, que atualmente é analista ambiental do Instituto Chico Mendes.
“Nova fase”
Especialista em Responsabilidade Social e Sustentabilidade Socioambiental formado pela FGV e com atuação como consultor para diversas organizações do movimento socioambientalista brasileiro, Aron Belinky afirmou em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos que a Rio+20 deve ser vista como o ponto de partida para uma nova fase na construção de uma sociedade sustentável: “O seu grande valor é reunir num mesmo tempo, lugar e agenda as múltiplas frentes e debates que enfrenta a humanidade, incluindo tanto seus movimentos e organizações como os bilhões de pessoas que, simplesmente, se sentem alijados dos processos que decidem os rumos e feitios em que se desenrolam suas vidas individuais e familiares”, analisa.
Belinky é outro que aposta na mobilização social para dar nova dinâmica às negociações diplomáticas: “A Rio+20 foi convocada pela ONU como uma reunião de caráter político, cujo produto final é uma declaração. Não se pode esperar dela, portanto, grandes tratados ou soluções definitivas. Mas podemos, sim, dar início a processos capazes de desencadear transformações que, em prazo relativamente curto, são capazes de fazer a diferença, contribuindo decisivamente para o futuro que desejamos. Identificar e nutrir as sementes desses processos é uma prioridade estratégica, que a sociedade brasileira e mundial precisa se colocar”.
“Definir posições”
Os ambientalistas ressaltam que a Rio+20 é um ótimo momento para o governo brasileiro rever alguns rumos em sua política ambiental: “Uma definição clara de posições por parte do governo brasileiro seria muito bem vinda. Especialmente porque o Brasil, que poderia exercer importante liderança global na construção de um modelo de desenvolvimento com sustentabilidade socioambiental, atualmente implementa políticas que vão de encontro aos conceitos mais básicos de sustentabilidade. A realidade atual nos faz pessimistas, o que demonstra um perigoso quadro para o futuro imediato do planeta, mas tudo ainda pode mudar e o Brasil pode cumprir um papel muito importante”, afirma Rogério Rocco.
Para Renata Camargo, a conferência internacional pode servir para o Brasil definir seu verdadeiro perfil ambiental: “A gente espera que, com a Rio +20, o governo possa internalizar mais concretamente em suas políticas públicas a questão ambiental. Mas, queremos que isso ocorra de forma prática e objetiva, não apenas em discursos e em programas que, muitas vezes, sequer saem do papel. Externamente, o Brasil tem publicizado que o país está fazendo seu dever de casa, especialmente em termos de redução de emissões. Mas, internamente, o que vemos é uma política ambiental fraca, com perdas de antigas conquistas e pouco avanço em termos de políticas ambientais”. (EcoDebate)

Temor de esvaziamento ronda a Rio+20

A seis meses do início da Rio+20, a hipótese de esvaziamento da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável já é comentada abertamente por algumas autoridades. Apesar da expectativa de que o encontro não vá resultar em um documento impactante, a ONU mantém a previsão oficial de que será a maior conferência realizada pela entidade e o Itamaraty informa que pretende receber de 100 a 120 chefes de Estado e de governo no Rio entre os dias 20 e 22 de junho de 2012.
Além da questão do temor de fracasso político da Rio+20, consulados e embaixadas relatam apreensão em relação aos preparativos para o evento. O Manual Operativo da Conferência, por exemplo, prometido pelo governo brasileiro para setembro, ainda não foi apresentado. Numa reunião em agosto, o convite oficial para chefes de Estado e de governo foi anunciado para antes da participação da presidente Dilma Rousseff na Assembleia-Geral da ONU, no fim de setembro, mas ainda não chegou.
O Itamaraty atribui os atrasos à mudança de data da conferência - do período de 28 de maio a 6 de junho para 13 a 22 de junho de 2012. O motivo foi a coincidência com as comemorações dos 60 anos de coroação da rainha Elizabeth II. Com o objetivo de garantir a presença de número significativo de chefes de Estado e de governo, Dilma solicitou a mudança. Apesar de acordada com o secretário-geral da ONU, a decisão necessita de aprovação pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, o que deverá ocorrer até o fim do ano.
Um diplomata de um país europeu no Rio disse ter a impressão de que a ONU entrou tarde no processo. Para ele, a coordenação não funciona plenamente. A ONU informou que a parte logística é de responsabilidade do anfitrião e não comentou.
Apesar de algumas indefinições na parte logística e do sigilo em relação ao orçamento total para a Rio+20 - o Itamaraty não divulgou valores, sob alegação de que isso teria impacto em licitações que estão em curso -, uma coisa é certa: não haverá tanques de guerra voltados para favelas, como ocorreu há duas décadas, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio em 1992, que teve a presença de 109 chefes de Estado.
'Haverá segurança ostensiva onde for necessário, mas não será como na Rio-92. Estamos em outro tempo, com mais segurança', disse o ministro Laudemar Aguiar, secretário nacional do Comitê Nacional de Organização da Rio+20. Estão previstos 50 mil credenciados, entre delegações oficiais, imprensa e representantes da sociedade civil.
Internamente, a questão do transporte é vista como 'grande desafio'. Está em estudo a decretação de feriado escolar na cidade, além da criação de pistas dedicadas aos comboios e ônibus que levarão delegações e participantes credenciados dos hotéis na zona sul para a zona oeste.
Não foi apenas a data da Rio+20 que mudou. O local também. Inicialmente, a prefeitura sugeriu que a conferência fosse realizada no Porto do Rio. Em janeiro de 2010, o prefeito Eduardo Paes disse que o Museu do Amanhã seria um 'ícone da conferência', mas as obras no Píer Mauá atrasaram e o museu projetado pelo espanhol Santiago Calatrava só começou a ser construído no mês passado. A ONU decidiu transferir a Rio+20 para o Riocentro, na Barra da Tijuca, zona oeste.
'Houve ajustes e está tudo sob controle', afirma Aguiar sobre a questão logística. Ele projeta a vinda de 100 a 120 chefes de Estado, diz que o governo está preparado para receber um número ainda maior, mas reconhece que a participação internacional depende das negociações. No entanto, afirma que o Brasil 'está confiante de que será possível chegar a resultados positivos'.
Grande risco. Ex-secretária nacional de Mudanças Climáticas e atual representante do governo do Rio na Comissão Nacional para a Rio+20, a pesquisadora Suzana Kahn é direta ao avaliar possíveis resultados da conferência: 'Tem um grande risco de a Rio+20 ser um evento sem consequência nenhuma', diz ela. Suzana, que integra o Painel do Clima da ONU, participou da Eco-92, da Rio+5, da Rio+10, da Rio+15 e de todas as conferências de clima da ONU desde Kyoto. 'A realidade é completamente diferente da época da Eco-92, quando foram criadas convenções e havia uma série de produtos muito importantes. Agora, não tem nada prático e objetivo que vá sair da Rio+20. Só isso já dá uma sensação de esvaziamento', disse.
Por outro lado, diz ela, isso faz com que os participantes tenham uma responsabilidade maior, de usar o espaço para buscar outros arranjos. 'Precisamos ser criativos para não perder essa oportunidade. A Rio+20 pode resgatar outros pilares, o econômico e o social. Se não é esperado um documento oficial impactante das partes, isso favorece termos um documento em que Estados e regiões concordem em realizar ações.'
Abismo. O economista Sérgio Besserman, presidente do Grupo de Trabalho para a Rio+20 da prefeitura do Rio, avalia que a conferência poderá ser frustrante do ponto de vista da declaração política final, mas também pode ter surpresas. 'O mais importante é o que já está assegurado: vamos ter aqui uma representatividade muito grande da sociedade civil planetária cobrando da ONU posicionamento e, se possível, ações. Isso vai ocorrer na cidade inteira.'
Para ele, o conjunto de eventos e processos relacionados ao tema da Rio+20 terá mais impacto que o resultado oficial. Segundo Besserman, a grande notícia será o abismo entre a demanda que será apresentada pela sociedade civil global e a capacidade da governança de ofertar alguma coisa. Ele avalia que o resultado de Durban traz o tema das mudanças climáticas de volta para a mesa, e a Rio+20 será o momento de a sociedade civil dizer aos governantes que eles 'estão muito aquém não do desejado, mas do indispensável'. 'Resultado efetivo não vai trazer muito não, mas a gente vai esquentar a orelha de muita gente. A imagem que o Rio vai mostrar é a de um Brasil engajado.'
Para o físico José Goldemberg, que foi secretário de Ciência e Meio Ambiente da Presidência da República na época da Eco-92, as perspectivas da Rio+20 não são muito promissoras, a menos que os movimentos sociais e ambientalistas façam pressão.
'O Brasil vai ter de fazer muita força para atrair um número significativo de chefes de Estado para a conferência', avalia. 'Há crise e as pessoas estão menos interessadas em discutir, porque sabem que qualquer coisa que se decida vai custar dinheiro. Por outro lado, há governos realmente preocupados com a questão climática. E há também, a meu ver, uma falta de liderança na própria ONU, que é prejudicial', acrescenta.
Para o ambientalista Carlos Henrique Painel, o governo está prevendo que o encontro oficial 'micou' e por isso decidiu organizar os eventos informais chamados de 'Diálogos da Sustentabilidade', previstos para ocorrer de 16 a 19 de junho, com 'ampla participação da sociedade civil'. 'Ninguém quer o nome do Rio associado a um fracasso. Por isso estão tentando tirar o peso do evento oficial', afirma Painel.
Segundo ele, as ONGs pretendem repetir a localização de 1992 e concentrar a Cúpula dos Povos (correspondente ao Fórum Global da Eco-92) no Aterro do Flamengo, na zona sul. O Itamaraty, no entanto, reservou vários outros espaços para eventos da sociedade civil, espalhados pelas zonas oeste, norte e central. (OESP)

"Rio+20 deverá admitir fracasso histórico"

‘Rio +20 deverá admitir fracasso histórico’
Economista Jeffrey Sachs afirma que países ricos abandonaram liderança na agenda climática e que não há respostas para crise ambiental.
Enquanto governos e autoridades tentam convencer o mundo de que a reunião no Brasil em 2012 sobre o clima (Rio+20) terá um papel fundamental para encontrar uma solução para os problemas do planeta, o economista Jeffrey Sachs abandona a diplomacia e faz uma dura constatação: o encontro no Rio de Janeiro deve servir para admitir duas décadas de fracassos no campo ambiental e deve ser a oportunidade para o mundo reconhecer que não tem uma resposta para a crise.
O alerta do professor da Universidade Columbia, considerado pela revista Time Magazine uma das pessoas mais influentes do mundo, foi feito durante um debate da ONU comum grupo restrito de negociadores, ONGs e diplomatas.
O Estado foi o único jornal presente.
O que esperar de Rio+20. “A conferência deve deixar claro que perdemos 20 anos na agenda climática mundial. Hoje, as emissões de gases de efeito estufa são maiores, há uma aceleração da perda da biodiversidade e da desertificação. A reunião, portanto, não será para marcar um sucesso, mas reconhecer um fracasso histórico”, disse o acadêmico.
“Todos queremos que essas cúpulas terminem em um grande sucesso, com progressos e com governos dizendo que fizemos a agenda avançar. Todos querem tirar a foto de família entre os líderes. Mas não querem enfrentar a realidade”, disse. “Gostamos mais das ilusões. Mas chegou o momento de falar a verdade.
Temos de entender que o processo negociador fracassou, que não há uma agenda.” Sachs faz uma comparação com a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.
“Há onze anos líderes ficam dizendo que a Rodada Doha precisa ser concluída. Mas temos de chamar as coisas da forma que são. Doha morreu.” Papel de Obama. Sachs não disfarça sua frustração total com a política ambiental de Barack Obama. “Os Estados Unidos entraram em colapso como líder mundial e se transformaram em um obstáculo para qualquer acordo na área ambiental.” O motivo, para ele, é o lobby da indústria de energia nos Estados Unidos. “Essa é a maior crise de governança do mundo. O lobby da indústria venceu Obama. As empresas de petróleo financiamos políticos republicanos no Congresso.
Os democratas são financiados pelo lobby do carvão. Em 20 anos, os Estados Unidos não fizeram nada na agenda climática e os interesses das empresas acabaram dominando. “O lobby que custa por ano US$ 50 bilhões financiou estudos fraudulentos, versões anticientíficas e de extrema-direita no Congresso americano. Hoje, temos um sistema corrupto e o Congresso está nas mãos dos maiores poluidores do mundo. Por isso, na avaliação de Sachs, Washington vai barrar qualquer acordo que preveja mecanismos para o financiamento do combate ao clima. “Não há condições de pedir que os Estados Unidos liderem o processo de negociação.” Europa em crise. O problema, segundo ele, é que a ausência dos Estados Unidos como líder não deu lugar a um outro grupo de países. A Europa, em crise, tenta resgatar sua economia primeiro.
“Já a China não vai assumir esse papel, já que estima que são os americanos, com um PIB per capta bem superior a de um chinês, quem deve fazer os maiores esforços. Não há ninguém preenchendo o vácuo. Não existem mais líderes globais.”
Economia verde. Sachs estima que o mundo precisa insistir em ampliar o debate técnico sobre a questão climática, e deixar nesse momento as barganhas políticas de lado. “Precisamos de novas tecnologias e para muitos casos ainda não temos respostas.” Sachs aponta que a expansão do etanol de milho “não faz qualquer sentido” e que outras tecnologias renováveis ainda não são economicamente viáveis. Ele defende que debate nuclear precisa se tornar mais estruturado.
Outro problema é a questão do financiamento da transição para uma economia verde. “Em 2009, os países ricos prometeram que destinariam US$ 100 bilhões para lutar contra as mudanças climáticas. Até hoje, nenhum um só centavo foi depositado e duvido que veremos esse dinheiro no curto prazo. Isso foi só um show para chamar a atenção do mundo e mostrar que algo estava sendo feito”, apontou.
“Temos de entender e falar a verdade sobre o tamanho do desafio que o planeta enfrenta. O maior perigo é acharmos que existem respostas fáceis. Não, elas não existem”, defendeu.
“Hoje, as emissões de CO2 são duas vezes maiores que o ideal. Até 2050, se nada for feito, vão se multiplicar por quatro. Isso exigirá reconfigurar todo o sistema energético do planeta.” (EcoDebate)

Rio+20: para alinhar participação

A sociedade organizada brasileira acredita que o País deve exercer papel de protagonista na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), marcada para junho de 2012 na cidade do Rio de Janeiro. A conclusão faz parte do Relatório Final de uma consulta pública promovida pelo Ministério do Meio Ambiente para coletar subsídios à elaboração do documento que o Brasil submeterá à ONU em 1º de novembro, contendo suas propostas e visões para a Rio+20.
A consulta foi realizada entre os dias 5 e 25 de setembro, por meio de questionário online disponibilizado no endereço http://hotsite.mma.gov.br/rio20. As 11 questões trataram do progresso da agenda do desenvolvimento sustentável nas últimas décadas, no Brasil e no mundo, e sobre os temas da conferência: (1) economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e do combate à pobreza e (2) estrutura de governança institucional para o desenvolvimento sustentável.
No total, o ministério recebeu 139 questionários, de todas as cinco regiões do Brasil, sendo 103 da sociedade civil, 16 de empresas, 9 da comunidade acadêmica e 11 de governos locais. As respostas foram compiladas pela equipe da Assessoria Extraordinária do MMA para a Rio+20 (ASRIO). O resultado (Relatório Final) será levado à Comissão Nacional Organizadora da Rio+20 em reunião.
“Tendo em vista o pouco tempo que a consulta ficou aberta, o resultado superou nossas expectativas – tanto em termos de quantidade quanto de qualidade das propostas”, diz Yana Dumaresq Sobral, assessora extraordinária adjunta da ASRIO. Além disso, segundo ela, foi possível notar uma série de convergências em relação ao posicionamento que o Brasil deve apresentar à ONU. “A maior parte dos temas levantados pelos participantes já vêm sendo discutidas pelo Governo, como os que envolvem segurança alimentar e nutricional, ‘empregos verdes’ e energia”, conta.
Liderança – Todos os setores que participaram da consulta pública requerem um papel de liderança do Brasil na Rio+20, quer seja por sua riqueza natural e cultural, quer seja pelos êxitos alcançados, desde 1992, nos três pilares do desenvolvimento sustentável: econômico, social e ambiental.
“Há um forte alinhamento de todos os setores ouvidos no sentido de que o Brasil proponha um novo modelo de desenvolvimento global, monitorado por meio de indicadores de sustentabilidade”, informa o Relatório Final da consulta pública. Ainda de acordo com o documento, um grande número de participantes sugeriu que a liderança internacional do Brasil seja acompanhada de coerência no trato das questões socioambientais internas.
Com relação ao legado da conferência para o Brasil, os participantes da consulta pública acreditam que a Rio+20 deve criar uma plataforma de diálogo permanente entre governos, sociedade e setor privado que perdure após 2012. Os setores também apontaram a criação de indicadores mensuráveis como forma de renovar o compromisso internacional com o desenvolvimento sustentável.
Avanços e lacunas – Quando questionados sobre os avanços e lacunas na implementação de documentos resultantes de conferências anteriores sobre desenvolvimento sustentável (Rio de Janeiro em 1992 e Joanesburgo em 2002), os participantes da consulta pública destacaram, como avanços, a maior conscientização entre os diversos setores da sociedade sobre os temas de sustentabilidade, a participação da sociedade civil nos processos decisórios e a inclusão de novos temas na agenda global de sustentabilidade. Entre as principais lacunas, os setores apontaram o déficit de implementação da Agenda 21. “Outra lacuna apontada foi a questão do financiamento para o desenvolvimento sustentável: como mobilizar os recursos e como fazê-los fluir de forma eficiente”, conta a assessora extraordinária adjunta da ASRIO.
Economia verde - No quesito ‘economia verde’, uma dos temas da Rio+20, os participantes acreditam que ela pode ser compatível com as estratégias de crescimento econômico e de combate à pobreza, e deve integrar as estratégias governamentais. O tema das compras públicas (estatais) sustentáveis como vetor de mudança nos padrões de produção e consumo foi citado por número relevante de consultados.
Todos os setores consultados se sentem parte da mudança pretendida rumo à sustentabilidade, articulando-se entre si em torno de temas como segurança alimentar, ‘empregos verdes’, energias renováveis, educação ambiental, planejamento urbano, novas métricas de riqueza, recursos hídricos etc. “A consulta revelou que a sociedade acredita ser possível a integração dos três pilares da sustentabilidade. Ou seja, que é possível se ter uma estratégia de crescimento econômico calcada na inclusão social e no uso racional dos ativos ambientais”, comenta Yana.
Em relação ao modelo de governança internacional para o desenvolvimento sustentável, outro tema a ser debatido durante a conferência, a consulta pública registrou percepções diversas. Os participantes apontaram, porém, que a estrutura das Nações Unidas, em especial o PNUMA [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], não corresponde ao nível de efetividade esperado. “As propostas apresentadas transitaram desde uma reestruturação do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) até a criação de organismo com poderes equiparados aos do Conselho de Segurança”, informa o Relatório.
“Uma importante mensagem que a consulta pública deixa é que a sociedade organizada brasileira, de forma geral, espera que os ganhos oriundos da Rio+20 não se restrinjam aos avanços internacionais, mas, principalmente, sejam traduzidas na construção de um legado nacional espelhado em melhores práticas públicas e privadas”, conclui Yana Dumaresq Sobral. (ambienteenergia)

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