terça-feira, 9 de julho de 2013

Modelo de tratamento de resíduos sólidos

Usina Verde é modelo de tratamento de resíduos sólidos
Além de ser autossustentável, estação ainda aproveita o lixo para produção de energia.
Mulheres realizam coleta na esteira: cerca de 90% dos resíduos sólidos que chegam à Usina são reaproveitados, tanto para a reciclagem quanto para produção de energia.
Desde que o termo “sustentabilidade” entrou na roda de assuntos de extrema importância, muitos debates foram suscitados a respeito do tema. O Brasil ainda caminha a passos lentos neste sentido, mas algumas iniciativas já começam a se destacar. Na Ilha, a Usina Verde funciona como um modelo de reaproveitamento de resíduos sólidos que segue os mais rigorosos padrões internacionais de sustentabilidade. Pensada e desenvolvida por parceiros e professores da UFRJ, ela tem capacidade para tratar até oito toneladas de lixo por dia. Segundo dados da Comlurb, no Rio são gerados, em média, nove mil toneladas de lixo por dia, um montante mais de mil vezes maior do que a capacidade da usina.
Segundo o presidente da Usina Verde, Mario Amato Netto, o modelo ideal para o tratamento do lixo da cidade seria um equipamento igual ao da UFRJ para cada região de 200 mil habitantes.
— Se a destinação do lixo não fosse para um único aterro sanitário, além de ser mais econômico, asseguraríamos um direcionamento correto para os resíduos. Assim, o lixo não seria tão poluente quanto no modelo existente.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos, implementada em 2010, prevê a prevenção e a redução da geração de resíduos; o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. A Usina Verde é a pioneira como alternativa aos lixões e aterros sanitários.
— Nós tratamos os resíduos que tenham ou não sido separados no momento da coleta. Deste montante, 90% é aproveitado pela Usina Verde, tanto para gerar energia quanto para reciclagem — explica Netto.
O tratamento do material envolve diversas etapas: coleta do lixo, separação do material reciclável, incineração dos não recicláveis e separação dos resíduos do forno, entre outras. Hoje, o lixo que chega à Usina Verde vem de duas empresas, que pagam para ter seus resíduos recolhidos e tratados, a Caixa Econômica Federal e a Estação de Transbordo e Tratamento do Caju. Todo o processo é programado para extrair e aproveitar o máximo da matéria-prima. Tem sido tão eficiente, que, além da usina ser autossustentável, ainda sobra energia — e o impacto para o meio ambiente é zero.
Ex- trabalhadores de lixões
Cerca de 50 funcionários, entre engenheiros, técnicos, ambientalistas, administradores e cooperativados, trabalham no local. Estes últimos, em sua maioria, trabalhavam em lixões e adquiriram melhores condições laborais na separação dos resíduos.
Uma mudança significativa destacada por Netto é na qualidade do lixo da cidade. De acordo com ele, devido ao aumento do poder aquisitivo das pessoas, o consumo de produtos industrializados tem crescido bastante.
— É curioso, mas podemos medir o nível de riqueza de uma sociedade pelo lixo que ela produz. Infelizmente, ainda não temos políticas eficientes para tratar todo este material, mas estamos buscando este tipo de mobilização — explica ele.
A Usina Verde é aberta a visitação. Os interessados devem enviar um e-mail para contato@usinaverde.com.br e agendar uma visita. (globo)

Cidades se reúnem para tratar de resíduos sólidos

Eles são a terceira maior fonte de emissão de metano.
Dez grandes cidades de cada região do mundo, incluindo Rio de Janeiro, Nova York e Ho Chi Minh City se reuniram em Vancouver, Canadá, para tratar de uma redução significativa de poluentes do ambiente originados de lixo sólido.
Os resíduos sólidos municipais são a terceira maior fonte de emissões de metano causadas pelo homem, e o gás é 20 vezes mais potente que o CO2. O metano vem da decomposição dos resíduos em lixões, e a queima de lixo não coletado a céu aberto causa emissões de carbono negro, contribuindo com a qualidade pobre do ar e com doenças em muitas cidades.
Este setor é um desafio crescente. O Banco Mundial estima que a quantidade de resíduos sólidos municipais quase dobrará, das 1.3 bilhão de toneladas por ano de hoje para 2.2 bilhões em 2025.
Enquanto isso, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, anunciou planos de fazer o quinto encontro bienal de cúpula de prefeitos (C40) em fevereiro, em Joanesburgo. Bloomberg é no momento presidente do Grupo de Liderança do Clima das Cidades C40.
“Cidades em todo o mundo, particularmente as do C40, estão tomando medidas significativas, com resultados quantificáveis. Por isso, como mostram nossas pesquisas, estamos tendo um impacto real no combate aos efeitos da mudança do clima. Enquanto nações e entidades internacionais se reúnem para falar sobre estas questões, as cidades do C40 estão tomando medidas concretas para proteger nosso planeta e fazer as cidades crescerem,” disse o prefeito.
O C40 nota que, embora ocupem apenas 2% de toda a massa de terra do planeta, elas contêm mais de 50% de sua população. As cidades usam também dois terços da geração de energia e geram mais de 70% das emissões de carbono. Trabalhando juntas, as cidades podem cortar emissões futuras de gases estufa em 1.3 bilhão de toneladas, afirma o grupo, segundo a CBS News. (abril)

domingo, 7 de julho de 2013

UTI ambiental: diagnóstico da água III

Depois de, nesta UTI ambiental, termos analisado o ciclo hidrológico (diagnóstico da água I) e a bacia hidrográfica (diagnóstico da água II), vamos ver o que acontece quando os dois se encontram. Vamos ver como a bacia hidrográfica se comporta em relação a algumas fases do ciclo hidrológico e discutir algumas interações importantes para a produção de água.
Começamos por estudar o fluxograma da Figura 1. Nele temos a bacia hidrográfica recebendo volumes de água por precipitações (chuvas) e processando tais volumes em seu ecossistema. Vemos que parte é devolvido à atmosfera pela evapotranspiração, outra se escoa sobre a superfície, em forma de enxurrada, atingindo cursos d’água, e outra se infiltra no solo. Do volume infiltrado, parte fica retido nas primeiras camadas de solo e é retirado pelas raízes das plantas e transpirado para compor aquela parte devolvida à atmosfera por evapotranspiração; a outra parte desce ao longo do perfil do solo e se acumula sobre obstáculos impermeáveis (camadas rochosas ou de argilas
adensadas), ou em fendas e interstícios de rochas, formando os aquíferos subterrâneos, também conhecidos como lençóis subterrâneos. Tais aquíferos poderão abastecer nascentes e cursos d’água ou serem explorados por meio de poços de diversas naturezas.
Figura 1
A primeira observação importante sobre o fluxograma é o fato de os cursos d’água serem formados por volumes de água provenientes dos lençóis subterrâneos (através das nascentes) e das enxurradas. Se o ecossistema da bacia hidrográfica privilegia a formação de enxurradas, temos o aumento rápido de vazão dos cursos d’água logo após chuvas fortes, por exemplo, o que pode provocar cheias e inundações, e diminuição dos volumes que irão ter aos lençóis subterrâneos. Os lençóis funcionam como grandes reservatórios: se com pouca água, não têm como abastecer as nascentes, que são as torneiras mantenedoras das vazões, mesmo que não haja chuvas no momento; se com pouca água, também não têm como resistir por muito tempo e os cursos d’água viram intermitentes, ou seja , não conseguem resistir a períodos de secas mais prolongados.
A Figura 2, que mostra um corte no perfil de uma encosta em bacia hidrográfica, pode ajudar no entendimento do fluxograma. O escoamento superficial é a enxurrada e o subsuperficial é uma enxurrada oculta logo abaixo da superfície e que apenas demora um pouco mais para chegar diretamente ao curso d’água.
Figura 2
Vamos explorar mais um pouco as duas Figuras, assinalando, em primeiro lugar, que ainda não é possível controlarmos a quantidade de chuva que atinge determinada bacia hidrográfica. Temos que trabalhar, portanto, com os valores medidos, quer momentâneos, quer médios de dias meses ou anos, encontrados em organizações especializadas como o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Quando a chuva atinge a superfície de uma bacia, podemos ter comportamentos variados de componentes do ciclo hidrológico, tais como: a) Dependendo da permeabilidade da superfície, o volume de enxurrada pode variar, alterando, concomitantemente, o volume infiltrado; b) Mesmo que a baixa permeabilidade seja uma condição intrínseca do solo, o volume infiltrado pode ser aumentado com obstáculos que diminuem a velocidade da enxurrada, ou seja, é possível colocar mais água no interior do solo se ela tiver dificuldade de se movimentar pela superfície; c) No total de água perdido por evapotranspiração, em torno de 70% do recebido por chuvas, em média, há um domínio altíssimo da transpiração, o que pode ser alterado com o uso de vegetação de menor poder evaporativo.
Vimos, portanto, que a interação de componentes do ciclo hidrológico com a bacia hidrográfica pode variar muito de uma situação para outra, permitindo, assim, a possibilidade de se fazer um planejamento de uso que privilegie o processamento da água de chuva, atendendo aos interesses da produção de água.
No próximo artigo desta série de ‘UTI ambiental’, daqui a uns quinze dias, vamos usar números e fazer uma contabilidade de água na bacia hidrográfica, para melhor entendermos o funcionamento dessa fábrica natural de água. (EcoDebate)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Obama, mudança climática e carvão

O presidente americano Barack Obama anunciou em 25/06/13, um conjunto de iniciativas para combater o aquecimento global, com medidas para reduzir as emissões de carbono, preparar os Estados Unidos para os impactos das alterações climáticas e fortalecer a cooperação internacional para lidar com o problema.
O anúncio representa o movimento político mais importante do atual governo desde a ampla reforma energética proposta em 2009, aprovada inicialmente na Câmara e posteriormente derrotada no Senado.
Nessa nova tentativa de fixar o legado de sua presidência no combate à mudança climática e no apoio às energia limpas, Obama privilegiou as ações no âmbito do próprio Executivo. Dessa forma, procurou evitar o enfrentamento legislativo que marcou o seu primeiro mandato. Contudo, se, por um lado, o presidente se livrou dos desgastes e das derrotas desse tipo de enfrentamento, por outro, sem o recurso a mudanças regulatórias significativas, suas opções se tornaram mais limitadas. Assim como mais sujeitas a questionamentos legais.
Entre as medidas anunciadas, sem dúvida, a de maior impacto ambiental, econômico e político é a proposta de definição de padrões de emissão de CO2 para as plantas de geração de eletricidade, tanto para as novas quanto para as já existentes; lembrando que a geração de eletricidade é responsável por um terço das emissões americanas de gases de efeito estufa.
Obama considera que tem o mandato legal para agir na redução das emissões de carbono a partir da determinação da Suprema Corte de que o CO2 é um poluente. Nesse sentido, o presidente estabeleceu que a agência federal do meio ambiente (Environmental Protection Agency – EPA) trabalhe em conjunto com os estados, a indústria e outras partes envolvidas com o problema, na determinação de novos padrões de poluição do carbono, similares àqueles que já existem para outros poluentes tóxicos como o mercúrio e o arsênico. Essas novas regras deverão estar definidas e prontas para serem aplicadas dentro de dois anos.
Embora essa medida tenha sido bem recebida pelos ambientalistas, que consideram que finalmente Obama atacou o problema central das emissões americanas que são as plantas de geração, ela enfrentará uma fortíssima oposição por parte dos Republicanos e da indústria, que consideram que as novas regras irão elevar os custos da energia, destruir empregos e enfraquecer a economia.
No centro do debate encontram-se as plantas de geração a carvão. Maiores emissoras de CO2, não há controvérsia de que o grande foco do plano de Obama é reduzir a sua participação na matriz elétrica americana.
Assim, desacelerar o processo de mudança climática implica em reduzir as emissões de CO2, reduzir essas emissões implica na redução do uso dos combustíveis fósseis, reduzir o uso dos combustíveis fósseis, no caso americano, implica na redução do uso do carvão.
A aplicação das novas regras deverá levar a esse resultado na medida em que a partir delas as empresas elétricas irão gerar mais usando gás natural, nuclear, eólica e solar, que deverão se tornar comparativamente fontes mais baratas e rentáveis em relação ao carvão. De tal modo que haverá uma grande redução, ou mesmo eliminação, de novas plantas que utilizem essa fonte.
Deve-se ter em conta que a significativa redução das emissões de CO2 observada nos EUA nos últimos anos deveu-se principalmente a redução da atividade econômica causada pela crise de 2008 e a substituição do carvão na geração de eletricidade pelo gás natural, extremamente barato em função da imensa disponibilidade do chamado shale gas (gás não convencional); portanto, fatores que não podem ser debitados ao presidente americano. Assim, a definição das novas regras representaria a retomada do protagonismo do governo federal nesse processo de redução de emissões.
Essa retomada, segundo um conjunto de atores políticos e econômicos que se opõem às novas regras – republicanos, empresas elétricas, estados produtores -, teria um sentido político claro: uma declaração de guerra ao carvão por parte do governo Obama. Contudo, essa guerra já vem de longe.
Durante a última campanha presidencial, o lobby reunido na American Coalition for Clean Coal Electricity – ACCCE –, a face mais agressiva e pública da indústria do carvão, lançou uma campanha publicitária de 35 milhões de dólares acusando Obama de levar a cabo uma guerra contra o carvão, desligando usinas, destruindo empregos e enfraquecendo a economia do país.
Na verdade, de 2008 a 2012, a indústria quase quadruplicou suas contribuições políticas, direcionando 90% de seu dinheiro para os republicanos.
O esforço para manter Obama fora da Casa Branca foi um fracasso total. Ele venceu a reeleição confortavelmente, levando todos os principais swing states que produzem a maior parte do carvão: Pensilvânia, Ohio, Colorado e Virgínia.
O fato é que o carvão hoje em termos econômicos é bem menor do que era antes. A mensagem central da campanha de 2012 era de que as novas regras do EPA iriam custar milhões de empregos. No entanto, de acordo com o Bureau of Labor Statistics, existem apenas 84 mil empregos nos EUA em mineração de carvão. Na verdade, de 1978 a 2012, o setor perdeu 100.000 postos de trabalho.
Para aquelas famílias que dependem do carvão, historicamente membros e simpatizantes dos sindicatos, historicamente mais democratas do que republicanos, que ficaram nervosos com a crise de 2008 e estão em pânico com o plano de Obama, é difícil entender por que seus empregos estão sendo destruídos, não pela competição estrangeira ou pelo comércio internacional, mas pelo juízo de valor de uma parte da sociedade e pela decisão de políticos distantes.
Certamente, os mineiros irão sofrer se o carvão continuar a diminuir sua participação na matriz energética americana, porém o fato político relevante é que o número de pessoas empregadas na indústria não é suficiente para fazer a diferença em uma eleição nacional.
A indústria do carvão esperava que a redução do uso de carvão nos EUA continuasse sendo compensada pelos mercados internacionais, mediante a exportação para a China e Europa. No entanto, Obama em seu discurso da semana passada pediu que todos os governos do mundo restringissem o financiamento público para as usinas a carvão; enviando um claro sinal de que os EUA não rejeitam o carvão apenas em casa, mas também no mundo.
Imprensada pelo boom do gás natural, pelo rigor das novas regras, e pela redução da influência política dos estados produtores, a indústria do carvão se prepara para uma difícil batalha pela frente.
A questão fundamental para ela é a manutenção ou não do enfrentamento com o governo Obama.
O problema é que a solução que poderia atender aos dois lados repousa em uma ruptura tecnológica: a captura e o armazenamento de carbono (CCS, Carbon Capture Storage).
Infelizmente, o sucesso desta empreitada está longe de estar garantido. O Departamento de Energia tem tentado avançar na captura de carbono desde o governo de George W. Bush, e até agora já gastou mais de 5 bilhões de dólares, mas muitos cientistas duvidam que a tecnologia funcione.
Na medida em que esse tipo de pesquisa é tão caro e o sucesso encontra-se tão distante, apenas uma entidade está investindo significativamente na busca de uma solução para a captura e estocagem de carbono: o governo dos EUA.
Se o governo aponta essa tecnologia como uma saída para o carvão, seus opositores a veem apenas como uma maneira do governo afirmar que está fazendo alguma coisa pelo carvão quando na verdade não está fazendo nada.
Cabe chamar a atenção que a coalizão lobista reunida em torno do carvão é composta por diferentes agentes econômicos – empresas de mineração, empresas elétricas, ferrovias, etc. – que têm visões diferentes sobre carbono, mudança climática e administração Obama. Essa divergência tem dificultado o estabelecimento de consensos dentro da coalizão, abrindo a possibilidade para uma divisão que possibilite a construção de uma saída negociada com o atual governo.
Da evolução dessa possibilidade irá depender o vigor da reação às medidas propostas por Obama na ultima terça-feira. Mantendo-se o atual quadro de resistências, a definição das novas regras e as disputas legais em torno delas provavelmente tomarão um tempo bem maior do que os dois anos esperados pela Casa Branca.
Desse modo, se, por um lado, o anúncio feito por Obama na Universidade de Georgetown na semana passada reforça o compromisso do presidente com o enfrentamento da mudança climática e com as energias limpas, por outro, demonstra de maneira clara as suas enormes limitações na definição de um novo e amplo arranjo institucional e regulatório que viabilize de fato tanto o controle do processo de mudança climática quanto a ampliação acelerada da participação das fontes limpas na matriz energética americana. (ambienteenergia)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

10% da população mundial será afetada por mudanças climáticas

Mais de 10% da população mundial pode ser afetada por mudanças climáticas em 2100
Mais de 10% da população mundial poderá ser seriamente afetada em 2100 pelas consequências das mudanças climáticas, advertiu um estudo internacional [Multisectoral climate impacts in a warming world] publicado em 01/07/13, que identifica os “pontos quentes” mais afetados em todo o mundo.
Esses “pontos quentes” são definidos como aqueles nos quais pelo menos dois dos aspectos-chave para a vida humana – plantações, acesso à água, ecossistemas e saúde – serão afetados pelo aquecimento global, se não forem reduzidas as emissões de gases causadores do efeito estufa e se a temperatura aumentar uma média de 4°C em relação ao período 1980-2010.
Esses locais são especialmente numerosos no sul da Amazônia, com “mudanças importantes” nas condições de acesso à água potável, aos cultivos e aos ecossistemas, destacou o estudo publicado na Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS, na sigla em inglês), uma revista científica americana.
A segunda região mais afetada é o sul da Europa, devido à maior dificuldade de acesso à água e às más colheitas, de acordo com a pesquisa dirigida por Franziska Piontek, do Instituto para a Investigação sobre o Impacto do Clima em Potsdam, na Alemanha.
“As consequências das mudanças climáticas em diferentes aspectos cruciais podem interagir entre si e multiplicar a pressão gerada nos habitats das populações nas regiões afetadas”, explicou Piontek.
Esses efeitos começam a ser observados com um aumento de 3°C da temperatura em comparação à média do intervalo 1980-2010. Com um aumento de 4°C, 11% da população mundial seria gravemente impactada, completou o estudo.
Outros “pontos quentes” do mundo estariam na América Central e nas regiões tropicais da África e as terras altas da Etiópia. Algumas partes do sul da Ásia também sofreriam devido às más colheitas, ao difícil acesso à água e a mudanças nos ecossistemas.
“O que hoje se considera uma situação extrema pode chegar a ser normal”, advertiu Qiuhong Tang, da Academia de Ciências da China.
Porém, nenhuma região do mundo seria afetada ao mesmo tempo nos quatro setores-chave avaliados, em função do modelo usado para este tipo de trabalho.
Segundo esses modelos, grande parte da África não está entre os “pontos quentes” destacados. Os autores do estudo apontam, contudo, que provavelmente essa parte apareceria se as secas, ou as inundações, fossem consideradas entre os parâmetros analisados.
Este estudo utiliza modelos matemáticos para projetar como o aquecimento global vai mudar a vida da população de todo o planeta. Ele contou com a participação de pesquisadores de Estados Unidos, China, Europa e Japão. (EcoDebate)

Transporte e Mudança Climática

As condições do transporte público no Brasil são um grave caso de desrespeito aos direitos humanos e a maioria dos estudantes e trabalhadores do país vive isso diariamente. Paga-se, ainda, um preço abusivo por esse serviço. Essa foi a gota d’água que levou milhares de manifestantes às ruas nos últimos dias, mas as reivindicações vão muito além da questão dos transportes, incluindo, saúde, educação, segurança e combate à corrupção.
Lutar por um sistema de transporte público de qualidade e a preço justo, significa, também, lutar pela redução da emissão de gases do efeito estufa – GEE (mesmo que nem todos os manifestantes tenham se dado conta disso).
Ao subsidiar o transporte individual, dando incentivos fiscais ao comércio de automóveis, o governo acaba por seguir na direção contrária à Política Nacional sobre Mudança Climática – PNMC, na qual o país compromete-se voluntariamente a reduzir suas emissões antrópicas de GEE. No entanto, investir no transporte público significa, além de atender aos clamores da população por melhor qualidade de vida, tomar medidas práticas para alcançar os objetivos da PNMC.
O setor de transportes representa 13% das emissões globais de GEE, segundo o Intergovernmental Panel on Climate Change- IPCC. No Brasil, o setor energia (que inclui os transportes em seu cálculo) teve um aumento de 21,4% no volume de emissões de GEE, de 2005 a 2010, segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT.
O setor tradicionalmente responsável pelo maior volume de emissões de GEE no Brasil é a mudança no uso da terra e florestas (especialmente desflorestamento do bioma Amazônia), mas já há uma tendência de redução do desflorestamento nos últimos oito anos. Isso viabilizou a redução das emissões totais do Brasil de 20,03 bilhões de toneladas de CO2 eq, em 2005 para 1,25 bilhão de toneladas de CO2 eq, em 2010 (uma redução de 38,7%) em cinco anos, de acordo com o MCT. Houve, assim, um rearranjo nas posições dos três setores responsáveis pelos maiores percentuais de emissões de GEE no país passando de: uso da terra, 57%; agricultura, 20% e energia, 16% no ano de 2005, para: agricultura, 35%; energia 32% e uso da terra, 22% no ano de 2010. Ao observar esses dados, fica clara a crescente importância da energia (incluindo os transportes) no contexto das emissões brasileiras de GEE nos últimos anos.
É sempre importante refletir sobre a questão climática, especialmente nesse momento de forte participação popular na política. E também durante essa semana em que jovens ativistas de 135 países estão reunidos na Turquia para debater a mudança climática. Espera-se que toda essa mobilização traga bons frutos. (EcoDebate)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Extração de gás xisto é risco à água potável

Extração de gás xisto oferece risco a reservas de água potável, diz estudo
Fracking (fratura hidráulica)
Nos EUA, água foi contaminada em áreas próximas a jazidas de gás xisto. Pesquisa foi publicada nesta segunda no periódico ‘PNAS’
Grandes reservatórios de água potável que estão próximos de jazidas de exploração de gás xisto, utilizado para a geração de energia nos Estados Unidos, pode causar contaminação dos depósitos subterrâneos, de acordo com um novo estudo [Increased stray gas abundance in a subset of drinking water wells near Marcellus shale gas extraction] publicado em 24/06 na revista da Academia Americana de Ciências, a “PNAS”.
A pesquisa, realizada por cientistas da Universidade Duke, da Carolina do Norte, revelou a informação, que pode reativar o debate sobre o impacto ambiental desta técnica controversa. Estudiosos analisaram amostras de água de 141 poços privados que abastecem as casas situadas na bacia de gás xisto de Marcellus, na Pensilvânia, e no sul do estado de Nova York.
As concentrações de metano na água potável das residências situadas a menos de um quilômetro dos locais de perfuração eram, em média, seis vezes maiores às concentrações detectadas na água das casas que estavam mais distantes. As concentrações de etano, muito utilizado na indústria para conversão em etileno, eram 23 vezes superiores.
De acordo com a pesquisa, a quantidade de metano superava amplamente, na maioria destes poços, os 10 miligramas por litro d’água, o máximo nível aceito pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos. Também foi detectado propano em dez amostras de água dos poços das casas situadas a menos de um quilômetro dos locais de extração.
“Os resultados sobre metano, etano e propano, assim como novos indícios de rastros de isótopos de hidrocarboneto e hélio, nos levam a crer que a extração de gás de xisto afetou as fontes de água potável nos lares” mais próximos, disse Robert Jackson, professor de ciências ambientais da Universidade Duke e autor principal deste trabalho.
Os dados sobre a contaminação de etano e propano “são novos e difíceis de refutar”, insistiu. “Não há nenhuma fonte biológica de etano e propano na região e a bacia de gás de xisto Marcellus é rica nestes dois gases”, reforçou o pesquisador.
Explicação das causas
Os cientistas consideraram todos os fatores que poderiam explicar a contaminação, inclusive a topografia e as características geológicas do local.
“Nossa pesquisa mostra que a distância dos locais de extração, assim como as variações na geologia local e regional, são os principais fatores para determinar o possível risco de contaminação das águas subterrâneas que devem ser considerados antes da perfuração”, explicou Avner Vengosh, professor de geoquímica e de qualidade da água, coautor do trabalho.
Estudos anteriores feitos pelos pesquisadores da mesma universidade tinham encontrado indícios de contaminação de metano em poços de água situados perto das áreas de perfuração no nordeste da Pensilvânia.
No entanto, um terceiro estudo, feito por cientistas do Instituto Nacional de Geofísica dos Estados Unidos, não tinha encontrado evidências de contaminação na água potável por causa da extração de gás de xisto no Arkansas (centro).
Nenhuma destas pesquisas detectou contaminação pelo fluido – uma mistura de água e produtos químicos – injetado com forte pressão para fissurar a rocha e liberar o gás de xisto.
Fonte de energia
Avanços tecnológicos nos últimos anos permitiram a recuperação do óleo e do gás natural das formações rochosas de xisto que anteriormente não podiam ser exploradas.
A exploração desses recursos não convencionais levou a um boom na produção de petróleo nos EUA, atingindo 910 mil barris por dia em janeiro de acordo com as estimativas da Agência de Energia Internacional, o nível mais alto em mais de 30 anos.
A América do Norte tem reservas de gás para um século, enquanto o nível mundial de duração destas reservas é estimado em 250 anos. (EcoDebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...