quarta-feira, 17 de setembro de 2014

As lágrimas de nossos rios

Contemplando a situação terminal de tantos rios brasileiros – só no Norte de Minas se fala na extinção de aproximadamente 1200 rios e riachos -, parece que a gente tem que chorar a última lágrima sobre seus leitos secos. Aquele verso de Guimarães Rosa, retomado por D. Luís Cappio em seu baião – “Meu Rio de São Francisco, nessa longa turvação, vim te dar um gole d’água e pedir tua benção” – contem mesmo algo de profético.
Então, quando os discursos acabam diante dos fatos, a gente muitas vezes recorre à poesia, à música, mais para consolar a própria alma que para tentar modificar a realidade.
Nesse sentido, envio minha música “Rios” – letra e áudio – feita há mais de dez anos, onde a gente sonhava com nossos rios vivos e revitalizados.
Para alguns a esperança é a última que morre. Para Casaldáliga a esperança não morre jamais.
Rios
Autor: Roberto Malvezzi (Gogó)
Interpretação: Coral Proestudio (Paulo Afonso-Ba)
Arranjos: Luciel Rodrigues
Que rolam suas águas da nascente até a foz
Deságuem suas águas e batizem todos nós.
Todos os rios mirins
Todos os Mearins
Em cada Pindaré, em cada Subaé
Existe um rio correndo em nós
Os rios do Pantanal,
Araguaia, Tocantins
Os rios de toda a Terra
Nilo, Tejo,
Mississipi, Ganges, Volga
Dançam a valsa do
Danúbio Azul
Águas negras do Negro
Em todos corações
Existe um Solimões
Em cada rio nascente
Em todo afluente
Rola uma gota d’água
Tem uma ponta d’água
Existe um fio de água
Apontando o oceano azul.
Em cada rio bendito
Existe um São Francisco
Existe um Parnaíba, Paraíba,
E nas Águas Emendadas
Nas Águas Espalhadas
Um Rio Grande, um Paraná, um Prata.
Rio Branco, Rio das Velhas, Madeira
Riozinho de esperança, os rios de nossa infância
Potirendaba, Barra Grande, Borá.
Rio secos do sertão,
Rasgando os corações
Que brotem as nascentes
Que jorrem os afluentes
Que a chuva molhe a terra
E fecunde o chão
E a vida se refaça
Nos mistérios da ressurreição
Somos todos água
Todos somos rios
Em cada rio que morre,
Morremos todos nós
Em cada rio que vive,
É o Amazonas desaguando em nós. (ecodebate)

Falta d’água em São Paulo muda cotidiano de famílias afetadas

O governo do estado não descartou o rodízio para abastecimento de água.
A população reclama da falta d’água, mas o governo do Estado de São Paulo nega que exista racionamento. Entre a estiagem recorde e a falta de planejamento público para evitar o problema, a crise no abastecimento de água assusta quem mora na cidade e também quem pretendia se instalar na capital paulista.
Desde o ano passado não chove o suficiente em São Paulo para repor o nível da água dos mananciais que abastecem a população. O sistema Cantareira, formado por 5 reservatórios, mais perece um deserto nos últimos dias. Ele garantia água para cerca de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo e em 28/07/14 o volume útil não ultrapassava a marca dos 8%. A SABESP, fornecedora de água do estado, recorre ao volume morto, uma reserva técnica de água que é acionada em casos de urgência. A companhia também foi obrigada a buscar água em outros sistemas como o Alto Tietê e o Guarapiranga.
A população convive há mais de um mês com racionamentos que chegam a até 21 horas de corte. Na casa da diarista Rosa Cardoso, em Diadema, ABC Paulista, não tem água nos fins de semana. “Eles cortam a água na sexta-feira e voltam a ligar na madrugada de segunda. Na casa da minha filha é ainda pior, porque falta água durante a semana também”, conta ela. Para garantir o abastecimento, a Sabesp conta atualmente com outros sistemas de captação de água e espera as chuvas anunciadas pelo fenômeno climático El Niño.
Crise da água altera projetos de vida
O administrador de empresas Raymundo de Freitas Junior conta que o prédio onde mora já é ambientalmente responsável, e eles aproveitam, por exemplo, a água da chuva. Mas mesmo assim, se a crise no abastecimento de água se agravar, Raymundo considera a possibilidade de mudar de cidade.
“Pessoalmente eu fico chateado porque estamos nos sacrificando cada vez mais na utilização consciente da água tratada, mas 40% da água é desperdiçada em encanamentos. Para apurar uma denúncia de vazamento, por exemplo, a empresa demora de 20 a 22 horas. Então, em último caso eu me mudaria de São Paulo, porque não dá para viver sem água”, desabafa Freitas.
A fotógrafa Isabelli Neri e o artista plástico Ari Vicentini tinham planos de mudar de Curitiba para morar em São Paulo até o final desse ano. Lá, eles têm perspectivas profissionais mais interessantes por conta da região ser um centro cultural efervescente. Mas o casal decidiu adiar a mudança por medo de ter que enfrentar racionamentos com o filho pequeno. “Não posso dizer que vou mudar para São Paulo nessa semana ou no próximo mês, sabendo que logo posso passar por uma situação extremamente ruim. Eu não quero passar por situações assim com meu filho de dois anos. É preciso pensar na questão ambiental em São Paulo para resguardar a qualidade de vida do paulista”, afirma ela, temerosa.
Sabesp nega crise no abastecimento de água
A assessoria de imprensa da Sabesp enviou uma nota a Rádio França Internacional em que afirma não existir rodízio, racionamento ou restrição de consumo de água em nenhum dos 364 municípios operados pela empresa no Estado de São Paulo. Ainda segundo a nota, a Sabesp vai garantir o abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo até meados de março de 2015. A empresa acredita que, com a volta do período chuvoso na região, que inicia em outubro, os níveis de armazenamento dos sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo devem voltar à normalidade. (ecodebate)

Chuva mais generalizada retorna com a primavera

Chuva mais generalizada retorna ao Sudeste e Centro-Oeste com a chegada da primavera
Chuva no Cantareira: As precipitações mais regulares vão começar a cair a partir de meados de outubro.
Que o tempo está muito seco e quente sobre o interior do Brasil não é novidade. A população da cidade de São Paulo já sofre as consequências da falta de chuva (baixo nível de reservatórios). O inverno está chegando ao fim e como típico da estação, o tempo está firme e sem precipitações significativas sobre o Centro-Oeste e Sudeste do país.
As condições do tempo começam a mudar já nos próximos dias com o início da primavera. Antes ainda da entrada da nova estação, a chuva retorna ao Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. De acordo com a previsão da Somar Meteorologia, vai chover fraco sobre todos os Estados destas duas regiões do país a partir do dia 20 de setembro (sábado). “As precipitações ainda não serão intensas para alcançar a média climatológica, porém já corta o período de estiagem” - comenta o meteorologista Celso Oliveira. A chuva começa a se regularizar sobre o Centro-Oeste no fim do mês para o alívio dos produtores da região.
Cantareira chega ao 114° de queda em 15/09/14, desde maio o Sistema não tem recuperação.
A chuva que vai cair a partir do dia 20 no Sudeste será fraca e não serve para encher reservatório. É baixo o volume previsto para o sul de Minas Gerais e norte de São Paulo, onde fica localizado o Sistema Cantareira, que hoje está com 9,1% de sua capacidade. O volume de chuva que vai cair na região não vai elevar o nível, irá apenas estabilizar.
De acordo com os meteorologistas da Somar, as chuvas mais regulares vão começar a cair a partir de meados de outubro sobre o Cantareira, assim, a queda no nível do reservatório vai ser menor ou estável. E a possibilidade de as chuvas atrasarem não está descartada. (jornaldotempo)

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Aquífero Amazônia

Aquífero Amazônia: um oceano subterrâneo e desconhecido
Apesar do grande volume de água, qualidade dessas reservas ainda precisa ser testada
Mais de 162 quilômetros cúbicos de água estão no subterrâneo da Amazônia. Esse é o tamanho do Sistema Aquífero Grande Amazônia – SAGA, que, segundo pesquisadores, é um conjunto de camadas geológicas com reservas expressivas de água subterrânea.
A quantidade surpreendeu o geólogo Francisco de Assis Matos de Abreu, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que participou da mesa redonda sobre o tema, durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). “O aquífero é maior do que imaginávamos”, declarou.
De acordo com Abreu, o estudo sobre o SAGA tem quase dez anos e envolve quatro bacias hidrográficas: Acre, Solimões, Amazonas e Marajó, que totalizam, pelo lado brasileiro, 1.300 mil km2 de área. “Esse sistema é transfronteiriço, pois atinge outros países, mas o Brasil representa cerca de 67% do sistema”, explicou.
Apesar do gigantismo do sistema e do grande potencial das reservas, o professor Abreu é cauteloso em relação à qualidade dessa água. “As bases de dados são precárias, não são confiáveis. A qualidade de uso é algo que ainda estamos engatinhando, sabemos muito pouco. Precisamos fazer algo para acelerar esse processo, pois com certeza ainda teremos muitas surpresas”, relatou.
Equilíbrio hídrico
O geólogo da UFPA disse que não há necessidade do uso dessa água em médio prazo e revelou que sua real importância está na manutenção do sensível equilíbrio entre a floresta e os recursos hídricos. “Esse equilíbrio é responsável por importantes parâmetros climáticos, sobretudo o regime de chuvas. O SAGA é sem dúvida uma reserva aquífera estratégica para o Brasil, na medida em que representa 80% da água que faz funcionar o ciclo hidrológico na Amazônia”, disse Abreu.
O ciclo hidrológico é o caminho que a água percorre depois que evapora do oceano Atlântico, cai em forma de chuva, volta para a atmosfera pela transpiração da floresta e segue nesse esquema até bater nos Andes. Boa parte volta para o oceano, seja pelos rios ou pelo sistema de águas subterrâneas, para o reinício do ciclo. “O SAGA precisa ser estudado e compreendido como parte do ciclo hidrológico da Amazônia como um todo”, ponderou o geólogo.
De acordo com Abreu, 70% da água que movimenta as hidrelétricas estão ligadas aos recursos hídricos da Amazônia, e 23% do PIB brasileiro depende desse sistema hídrico. “Sem falar na água virtual que está embutida nos produtos exportados pelo País, como soja, café, carne bovina e laranja, por exemplo. Isso só é possível porque temos a floresta. Essa reciclagem é um colossal serviço ambiental que a Amazônia presta para o Brasil”, argumentou. (ecodebate)

domingo, 31 de agosto de 2014

Sistema Cantareira já abastecimento de Campinas

Apesar de estar com apenas 12,6% da capacidade, incluída a reserva técnica conhecida como volume morto, o Sistema Cantareira está bancando quase que integralmente o abastecimento de Campinas, no interior do Estado.
Dos 4 m³ por segundo liberados para manter o nível do Rio Atibaia, que abastece cinco cidades da região, 3,7 m³/s são captados para atender 1,1 milhão de habitantes de Campinas. O restante da água é disputado pelos municípios de Paulínia, Atibaia, Itatiba e Valinhos. O Cantareira também abastece a Grande São Paulo.
Na passagem por Campinas, o Atibaia tinha vazão total de 4,93 m³/s em 20/08/14. O nível baixa drasticamente após a captação feita pela empresa Sanasa, responsável pelo abastecimento de Campinas, na altura do Distrito de Souzas.
Em Paulínia, próximo da foz, a vazão era de apenas 1,48 m³/s. No início de agosto, o Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), órgão do governo estadual, autorizou um aumento de um metro cúbico - de 3 para 4 m³/s - na vazão do Cantareira para o Rio Atibaia para evitar um colapso no abastecimento de Campinas.
Com os rios da bacia fortemente afetados pela seca, os afluentes chegam ao Atibaia com pouca água. Neste mesmo período, no ano passado, a vazão do rio era de 13,85 m³/s, quase três vezes a atual. O Atibaia responde por 95% do abastecimento de Campinas e, apesar do rio estar operando no limite, a Sanasa garante que não haverá falta de água.
De acordo com a empresa, o DAEE assumiu compromisso de manter vazão suficiente para garantir o abastecimento nas cidades da região. Ainda segundo a empresa, campanhas de uso racional resultaram numa economia de 20% no consumo de água em julho. (yahoo)

Sabesp terá de retirar menos água do Sistema Cantareira

Sabesp terá de retirar menos água do Sistema Cantareira
Após cerca de 45 dias de impasse, os órgãos gestores do Sistema Cantareira chegaram a um acordo e decidiram reduzir em 13,2% o volume médio de água que pode ser retirado do manancial pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para abastecer a Grande São Paulo. A medida, porém, ocorrerá em duas etapas e a estatal paulista terá um mês para fazer a primeira redução.
Desde o início de julho, a vazão liberada do Cantareira para a Sabesp é de 19,7 mil litros por segundo. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal, e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), do governo paulista, um acordo definiu que a partir do dia 30 de setembro a Sabesp poderá retirar do Cantareira 18,1 mil litros por segundo em média. A partir do dia 31 de outubro, o índice cai para 17,1 mil litros por segundo.
Isso significa que, em novembro, a Sabesp terá disponível para captação praticamente metade (55%) do volume de água estabelecido na outorga de uso do manancial assinada em 2004, de 31 mil litros por segundo. Em janeiro deste ano, por exemplo, a concessionária retirou em média 29,9 mil litros por segundo, cerca de 10 mil litros a mais do que tem retirado neste mês de agosto: 19,3 mil litros por segundo.
Apesar da redução, o nível do Cantareira só caiu neste período. Nesta sexta-feira, 29, o manancial está com 11,3% da capacidade, operando exclusivamente com água do chamado "volume morto", reserva profunda das represas. Desde o início da crise, a Sabesp deixou de abastecer cerca de 2,3 milhões de pessoas com água do Cantareira. Hoje, cerca de 6,5 milhões de pessoas ainda recebem em suas casas água do manancial em crise.
A nova redução determinada pelo órgãos gestores até outubro, de 2,6 mil litros por segundo, é o suficiente para abastecer cerca de 500 mil pessoas, mesmo contingente que a Sabesp pretende tirar da área de influência do Cantareira até o final deste ano. Para a região de Campinas, onde cerca de 5 milhões de pessoas recebem água do Cantareira, os órgãos gestores mantiveram a vazão de 3 mil litros por segundo, com possibilidade de aumentar para 4 mil caso haja necessidade. (yahoo)

Seca no Cantareira é a pior dos últimos 8 meses

Seca no Cantareira é a pior da série pelo 8° mês seguido
Desde janeiro as represas têm quebrado recordes negativos de seca em 84 anos de medições.
Cálculos revelam que volume morto deve acabar em novembro.
Desde janeiro, quando a crise de estiagem no maior manancial paulista foi declarada, as represas têm quebrado mensalmente recordes negativos de seca em 84 anos de medições. O cenário fez que somente em agosto o Cantareira perdesse 43,3 bilhões de litros, ou 4,4% de sua capacidade.
O déficit é resultado de uma conta que não fecha desde maio de 2013, quando o sistema passou a liberar mais água do que recebeu. Neste mês, enquanto cedeu 22,49 mil litros por segundo para abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo e 5 milhões na região de Campinas, o sistema recebeu 6,32 mil litros por segundo de água da chuva ou de seus rios afluentes. Até então, o pior agosto desde 1930 havia registrado uma vazão afluente de 10,7 mil litros por segundo.
Embora a situação só tenha se agravado neste mês, no qual o nível do Cantareira caiu de 15,3% da capacidade no dia 1.º para 11,1% ontem, os números mostram uma ligeira melhora em relação a julho, que foi o mês mais seco da história do manancial, com entrada de apenas 4,17 mil litros por segundo. No fim, o déficit de água no mês passado foi de 50 bilhões de litros.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) já havia retirado 93,5 bilhões de litros do volume morto do manancial, ou seja, mais da metade dos 182,5 bilhões da primeira cota da reserva profunda das represas Jaguari-Jacareí, na região de Bragança Paulista, e Atibainha, em Nazaré Paulista.
Cálculos feitos por especialistas que monitoram a crise apontam que a reserva deve acabar no início de novembro. Diante desse cenário, a Sabesp iniciou na semana passada as obras para poder retirar mais 106 bilhões de litros do volume morto do manancial, o que ainda precisa ser aprovado pela Agência Nacional das Águas (ANA) e Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo (DAEE), órgãos gestores do sistema.
Segundo a Sabesp, o volume disponível hoje nas represas é suficiente para garantir o abastecimento da Grande São Paulo até março sem adoção de racionamento oficial de água. Apenas na compra das bombas flutuantes e na manutenção de um canal para que a água que resta nas represas chegue até o túnel de captação, a Sabesp vai gastar mais de R$ 13 milhões.
Recuperação
Historicamente, o volume de água que costuma chegar ao manancial sobe ligeiramente em setembro e só tem salto a partir de outubro, quando começa a temporada de chuvas. Para este verão, contudo, as previsões ainda apontam um cenário incerto, com uma probabilidade maior de chuva abaixo da média histórica.
Com o uso da segunda cota do volume morto, o Cantareira pode entrar em 2015 negativo em quase 30% e as estimativas da própria Sabesp indicam que o manancial leve ao menos três anos para se recuperar. (yahoo)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...