domingo, 1 de março de 2015

Balanço hídrico no Cerrado afetará economia brasileira

Alterações do balanço hídrico no Cerrado podem afetar importantes setores da economia brasileira
“É evidente que as alterações de uso e cobertura do solo promovida pela expansão agrícola na região de Cerrado têm potencial para afetar os serviços ecossistêmicos e vários importantes setores da economia do Brasil, tais como agricultura, produção de energia e disponibilidade hídrica”, alerta o pesquisador em hidrologia.
A substituição da vegetação nativa do Cerrado por áreas destinadas às atividades agrícolas “tem causado intensas mudanças nos processos hidrológicos” e acelerado a erosão do solo do segundo maior bioma da América do Sul, afirma Paulo Tarso Sanches Oliveira, doutor em Engenharia Hidráulica e Saneamento e autor da tese Water balance and soil erosion in the Brazilian Cerrado. Nos últimos anos o pesquisador tem estudado as mudanças ocasionadas no solo e no ciclo hidrológico do bioma, que abrange 10 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras, e contribui para a formação de importantes bacias hidrográficas, como a dos Rios Tocantins/Araguaia, São Francisco, Paraguai, Paraná e Parnaíba. “Essas mudanças no balanço hídrico e erosão do solo são ainda pouco entendidas, apesar de fundamentais na tomada de decisão de uso e manejo do solo nesta região. Portanto, torna-se necessário compreender a magnitude das mudanças nos processos hidrológicos e de erosão do solo, em escalas locais, regionais e continentais, e as consequências dessas mudanças”, pontua.
Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail, Oliveira informa que o desflorestamento do Cerrado está ocorrendo mais rapidamente do que na área de floresta amazônica e “considerando a taxa atual de desflorestamento, estima-se que o ecossistema pode desaparecer nos próximos anos”. Segundo ele, “o uso do solo é considerado um dos principais fatores que controlam o processo de erosão hídrica. Nossos resultados sugerem que mudanças no uso do solo (como, por exemplo, a substituição do Cerrado para cultivo agrícola) têm o potencial de intensificar a erosão do solo de 10 a 100 vezes”. Entre as consequências previstas caso a atual situação se mantenha, o pesquisador menciona a possibilidade de haver alterações no balanço hídrico, intensificação dos processos erosivos, perda de biodiversidade, desequilíbrios no ciclo do carbono, poluição hídrica, mudanças no regime de queimadas e alteração do clima regional.
Oliveira lembra ainda que “além de ser uma importante região ecológica e agrícola para o Brasil, a região de Cerrado é crucial para a dinâmica de recursos hídricos, pois (…) as maiores usinas hidrelétricas do país (~80% da energia produzida no Brasil) possuem rios que se iniciam em regiões de Cerrado”.
Paulo Tarso Sanches Oliveira é doutor em Ciências – Engenharia Hidráulica e Saneamento pela Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (EESC-USP). Trabalhou como pesquisador visitante na United States Department of Agriculture (USDA-ARS), é mestre em Tecnologias Ambientais – Recursos Hídricos e é graduado em Engenharia Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em que contexto foi realizada a sua pesquisa sobre a dinâmica de balanço hídrico e dos processos erosivos decorrentes da substituição da cobertura do solo por áreas agrícolas no Cerrado? 
Paulo Tarso Sanches Oliveira - O desmatamento nas regiões de Cerrado tem causado intensas mudanças nos processos hidrológicos. Essas mudanças no balanço hídrico e erosão do solo são ainda pouco entendidas, apesar de fundamentais na tomada de decisão de uso e manejo do solo nesta região. Portanto, torna-se necessário compreender a magnitude das mudanças nos processos hidrológicos e de erosão do solo, em escalas locais, regionais e continentais, e as consequências dessas mudanças.
O principal objetivo do estudo apresentado nesta tese de doutorado foi de melhor entender os mecanismos dos processos hidrológicos e de erosão do solo no Cerrado Brasileiro. Assim, foi estudado cada componente do balanço hídrico, tais como: a precipitação; precipitação interna (parte da precipitação que passa pela vegetação e atinge o solo); escoamento pelo tronco das árvores; interceptação da chuva; evapotranspiração (parcela da água que evapora mais o uso da água pela vegetação denominado de transpiração); infiltração; água armazenada no solo; água que recarrega o aquífero subterrâneo; e o escoamento superficial. A figura abaixo ilustra cada um desses componentes.
No desenvolvimento da pesquisa foram utilizadas diferentes escalas de trabalho (vertentes, bacias hidrográficas e continentais) e usando dados experimentais in situ, de laboratório e a partir de sensoriamento remoto. Deste modo, a tese de doutorado foi dividida em cinco artigos científicos (três publicados e dois em revisão, todos em periódicos conceito A1 da CAPES) que contemplam estudos sobre o balanço hídrico e erosão do solo no Cerrado em diferentes escalas espaciais e temporais. Além disso, os resultados provenientes deste projeto foram apresentados e discutidos nas duas principais reuniões científicas em que o projeto se enquadra  AGU Fall Meeting, 2013 (San Francisco, The U.S.) e EGU General Assembly, 2014 (Vienna, Áustria).
Além disso, é importante ressaltar que os artigos desenvolvidos na tese de doutorado envolveram a parceria com diversos pesquisadores em diferentes universidades além do Departamento de Engenharia Hidráulica e Saneamento da EESC-USP, tais como: USDA-ARS, Southwest Watershed Research Center, Tucson, Arizona, USA; Department of Hydrology and Water Resources, University of Arizona, Tucson, Arizona, USA; Queens School of Engineering, University of Bristol, Bristol, UK; Departamento de Ciências Atmosféricas, IAG, University of São Paulo, São Paulo, Brasil; e o Departamento de Agronomia, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Aquidauana, Brasil.
IHU On-Line – Quais foram as áreas estudadas e quais suas constatações acerca da atual situação delas?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – Duas áreas foram estudadas, as quais apresento abaixo.
Área 1: área do Cerrado Brasileiro
O bioma Cerrado, segundo maior bioma da América do Sul, ocupa uma área de aproximadamente 2 milhões de km2 (correspondente a ~22% do território nacional) e está localizado na porção central do Brasil. O Cerrado abrange 10 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras, contribuindo para formação de importantes bacias hidrográficas, tais como as dos Rios Tocantins/Araguaia, São Francisco, Paraguai, Paraná e Parnaíba. Segue o percentual de área ocupada pelo Bioma Cerrado em cada uma das 10 regiões hidrográficas brasileiras: Tocantins (65%), São Francisco (57%), Paraguai (50%), Paraná (49%), Parnaíba (46%), Occidental Atlantic Northeast (46%), Atlantic East (8%), Amazon (4%), Southeast Atlantic (1%) and Oriental Atlantic Northeast (<1 1a="" igura="" o:p="" regions="">
A água proveniente dessas bacias hidrográficas é crucial para o abastecimento humano e dessedentação animal, manutenção de funções eco hidrológicas de sistemas no Cerrado e outros biomas como o Pantanal e a Caatinga, e para o fornecimento de água para a indústria, agricultura, navegação e turismo. Além disso, é importante ressaltar que várias usinas hidrelétricas do Brasil usam águas provenientes da região de Cerrado, tais como: Itaipu, Tucuruí, Iha Solteira, Xingó e Paulo Afonso. Os aquíferos de água subterrânea do Bambuí, Urucuia e Guarani também se encontram em áreas de Cerrado, destacando que boa parte das áreas de aforamento do Aquífero Guarani encontra-se nesta região. Isso ressalta a importância estratégica do Cerrado em diversos setores do Brasil.
Em contrapartida, nas últimas décadas houve intensa substituição da vegetação natural do Cerrado por áreas destinadas às atividades agrícolas. Deste modo, verifica-se que o desflorestamento do Cerrado ocorre mais rapidamente do que na área de floresta amazônica e, considerando a taxa atual de desflorestamento, estima-se que o ecossistema pode desaparecer nos próximos anos. Neste sentido, existe um grande desafio, pois a transformação de ecossistemas ocasiona alterações no balanço hídrico e intensificam os processos erosiva, além de provocar a perda de biodiversidade, desequilíbrios no ciclo do carbono, poluição hídricas, mudanças no regime de queimadas e alteração do clima regional.
Figura da área do Bioma Cerrado, bacias hidrográficas estudadas (Tocantins/Araguaia, Tocantins, São Francisco e Paraná) e os estados brasileiros localizados na área de Cerrado.
Figura 1a. Mapa das bacias hidrográficas e estações fluviométricas representadas por círculos. Bacias: 1. Amazônica; 2. Tocantins; 3. Oc. A. Northeast; 4. Parnaíba; 5. Ori. A. Northeast; 6. São Francisco; 7. East Atlantic; 8. Southeast Atlantic; 9. Paraná; 10. Paraguai; 11. Uruguai; 12. South Atlantic. b. Bioma Cerrado e as fronteiras com outros Biomas Brasileiros. The Cerrado biome and its borders with other Brazilian biomes. Estados: Bahia – BA; Maranhão – MA; Tocantins – TO; Piaui – PI; Mato Grosso do Sul – MS; Mato Grosso – MT; Goiás – GO; Distrito Federal -DF; Minas Gerais – MG; São Paulo – SP and Paraná – PR. Fonte: doi: 10.1002/2013WR015202
Neste estudo publicado na revista Water Resources Research, nós avaliamos o uso de dados de sensoriamento remoto na estimativa dos principais componentes do balanço hídrico, além de realizar uma análise de incerteza e de tendência dos dados.
Área 2: Fragmento de Cerrado no município de Itirapina
Outro estudo foi conduzido em um fragmento de Cerrado, na Fazenda São José, pertencente ao Instituto Arruda Botelho, situada à Rodovia Municipal Ayrton Senna Km 08, município de Itirapina-SP (latitude 22°10′ S, longitude 47°52′ W e altitude média de 760 m). Na área de Cerrado foi instalada uma estação meteorológica automática, em uma torre de 11 m de altura, que realiza medidas automáticas de variáveis climáticas e do solo. Além disso, foram instaladas seis parcelas (áreas delimitadas por chapas galvanizadas no total de 100 m2 cada parcela) com o intuito de coletar o escoamento superficial e a erosão do solo; 15 pluviômetros para coletar a parte da chuva que atinge o solo; e 12 coletores de escoamento da água que escoa pelo tronco das árvores.
As coletas foram realizadas após cada chuva erosiva, ou seja, a cada chuva que tem o potencial para promover escoamento superficial e erosão do solo. A estação meteorológica instalada na área experimental envia informações 24 horas de todas as variáveis meteorológicas monitoradas. Assim, é possível saber quando é necessário realizar o monitoramento.
IHU On-Line – Com que magnitude tem ocorrido mudanças nos processos hidrológicos e de erosão do solo no Cerrado e quais são as causas dessa alteração?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – Na área 1, o balanço hídrico foi avaliado primeiramente para toda a região do Cerrado (~ 2 milhões de km2) a partir de dados de sensoriamento remoto no período de 2003 a 2010. Foram utilizados dados da Tropical Rainfall Measuring Mission TRMM para precipitação, Moderate Resolution Imaging Spectroradiameter – MOD16 para obtenção da evapotranspiração e Gravity Recovery and Climate Experiment – GRACE para análise da variação do estoque de água na superfície terrestre (Figura abaixo). Cada um dos dados de entrada foi avaliado com dados medidos a campo e o fechamento do balanço hídrico foi avaliado a partir de dados de vazão para as três maiores bacias hidrográficas localizadas no Cerrado, Paraná, São Francisco e Tocantins. Além disso, foi avaliado se existem tendências significativas em cada componente do balanço hídrico a partir do Mann-Kendall test para α = 95%.
Verificamos que a principal fonte de incerteza na estimativa do escoamento superficial ocorre nos dados de precipitação do TRMM. A variação de água na superfície terrestre calculada como o residual da equação do balanço hídrico usando dados de sensoriamento remoto (TRMM e MOD16) e valores observados de vazão mostram uma correlação significativa com os valores de variação de água na superfície terrestre provenientes dos dados do GRACE. Além disso, concluímos que os dados do GRACE podem representar satisfatoriamente a variação de água na superfície terrestre para extensas regiões do Cerrado. A validação desses dados obtida em nosso estudo na região do Cerrado é fundamental para avaliações futuras de períodos de enchentes e de seca na região. A partir desses dados é possível quantificar o aumento e a diminuição de água na superfície terrestre e visualizar espacialmente as regiões mais afetadas. Por exemplo, no período de estudo (2003-2010) verificou-se, em geral, uma tendência de aumento na média anual de evapotranspiração no Cerrado e a diminuição do escoamento superficial em alguns pontos da região.
Na área 2, os valores médios de evapotranspiração estimada para o Cerrado variou 1,91 a 2,60 mm d-1 para a estação seca e chuvosa, respectivamente. Os valores de interceptação da chuva variam de 4 a 20% e o escoamento pelo tronco das árvores foi de aproximadamente 1% da precipitação total no cerrado. O coeficiente de escoamento superficial (total escoado superficialmente dividido pelo total precipitado) foi menor que 1% nas parcelas de cerrado e o desmatamento tem o potencial de aumentar em até 20 vezes esse valor.
Neste estudo também foi desenvolvido um modelo regional para estimativa da evapotranspiração a partir de dados de sensoriamento remoto. Assim é possível estimar a evapotranspiração de forma satisfatória a cada 16 dias e com uma resolução espacial de 250 m. Esse modelo regional permite a estimativa da evapotranspiração para áreas de cerrado da região com melhor qualidade que outros modelos globais.
IHU On-Line – Como essas mudanças no solo, por conta da agricultura, têm interferido no processo de erosão? As alterações têm acelerado a erosão? Quais as consequências desse processo para o balanço hídrico do bioma?
“Solos descobertos aumentam a perda de solo em até 100 vezes o valor observado do cerrado nativo”
Paulo Tarso Sanches Oliveira – A média anual de perda de solo nas parcelas mantidas com solo exposto e cerrado nativo foi de 12.2 t ha-1yr-1 e 0.1 t ha-1 yr-1, respectivamente. Ou seja, solos descobertos aumentam a perda de solo em até 100 vezes o valor observado do cerrado nativo. Nós também calculamos o fator uso e manejo do solo (fator C) da Equação Universal de perda do Solo (USLE) para o Cerrado igual a 0.013. Esse fator é usado para estimativa de perda de solo em diversos modelos hidrológicos e de erosão do solo e vem sendo usado no programa de serviços ambientais do Brasil, chamado de Programa Produtor de Águas.
Verificamos ainda que o escoamento superficial, erosão do solo e o fator C na área de Cerradovariam de acordo com as estações do ano. Os maiores valores do fator C foram encontrados no verão e no outono.
Os principais fatores que controlam o processo de erosão do solo são: chuva; características do solo; características topográficas como comprimento da vertente e declividade; uso e manejo do solo; e as práticas de conservacionistas. O uso do solo é considerado um dos principais fatores que controlam o processo de erosão hídrica. Nossos resultados sugerem que mudanças no uso do solo (como, por exemplo, a substituição do Cerrado para cultivo agrícola) têm o potencial de intensificar a erosão do solo de 10 a 100 vezes.
IHU On-Line – Desde quando estão ocorrendo mudanças preocupantes no ciclo hidrológico e no solo do Cerrado? Já se chegou ao ápice do desflorestamento e de alterações hidrológicas na região?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – O Cerrado brasileiro é considerado uma das mais ricas ecorregiões do mundo em termos de biodiversidade, cobrindo uma área de 2 milhões de km² (~22% do território nacional); no entanto, áreas remanescentes de vegetação nativa representam apenas 51% deste total (IBAMA/MMA/UNDP, 2011). Além de ser uma importante região ecológica e agrícola para o Brasil, a região de Cerrado é crucial para a dinâmica de recursos hídricos do país, pois engloba parte de 10 das 12 grandes regiões hidrográficas brasileiras. Essas regiões contribuem para formação de importantes bacias hidrográficas, tais como as dos Rios São Francisco, Paraguai, Tocantins/Araguaia, Parnaíba e Paraná. Além disso, as maiores usinas hidrelétricas do país (~80% da energia produzida no Brasil) possuem rios que se iniciam em regiões de Cerrado.
Como áreas de savanas e florestas têm sido associadas com mudanças de localização, intensidade e duração dos eventos de chuva, aumento e prolongamento das estações de seca e mudanças na vazão dos rios, fica evidente que as alterações de uso e cobertura do solo promovidas pela expansão agrícola na região de Cerrado têm potencial para afetar os serviços ecossistêmicos e vários importantes setores da economia do Brasil, tais como agricultura, produção de energia e disponibilidade hídrica. Apesar da tendência de que a expansão agrícola irá continuar no Cerrado e que as alterações de uso e cobertura do solo promovem mudanças na dinâmica do balanço hídrico, poucos estudos têm sido desenvolvidos visando investigar os processos hidrológicos em escala de campo (parcelas ou vertentes).
IHU On-Line – Que percentual das águas do Cerrado é utilizado pelas usinas hidrelétricas? O uso da água por hidrelétricas também altera o ciclo hídrico do Cerrado?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – Não tenho essa informação sobre o volume total de água proveniente de bacias hidrográficas do Cerrado que são usados para geração de energia. Com relação à alteração do ciclo hidrológico, a construção de reservatórios para geração de energia hidrelétrica provoca a retenção de determinado volume de água a montante da barragem, o que reduz o volume escoado no curso d’água a jusante, bem como o aumento da evaporação de água exposta no espelho d’água do reservatório. Apesar destes e outros aspectos negativos, a construção de reservatórios é benéfica tanto para a regulação do fluxo e inundações a jusante quanto para o aumento do suprimento de água para usos consuntivos e não consuntivos, como abastecimento público, irrigação, navegação, geração de energia, e outros.
IHU On-Line – Alguns ambientalistas estão associando a crise hídrica do país, especialmente a do estado de São Paulo, com a situação das bacias hidrográficas do Cerrado. Concorda com essa análise? Quais bacias estão mais prejudicadas?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – Não tenho dúvidas de que as práticas de conservação das bacias hidrográficas, incluindo a preservação da vegetação nativa, aplicação de técnicas adequadas de manejo do solo e gestão da demanda hídrica, são fundamentais para manutenção da disponibilidade de água superficial e subterrânea em termos de quantidade e qualidade. No entanto, o que está ocorrendo na região sudeste do Brasil é a ocorrência de eventos meteorológicos extremos, valores mínimos de precipitação.
“Esse período de eventos extremos que estamos vivenciando está servindo para nos mostrar o quão frágil é o sistema de gestão e gerenciamento de recursos hídricos no Brasil”
Esse período de eventos extremos que estamos vivenciando está servindo para nos mostrar o quão frágil é o sistema de gestão e gerenciamento de recursos hídricos no Brasil. É preciso avançar muito neste sentido para que possamos garantir água em quantidade e qualidade para os múltiplos usos a todo cidadão brasileiro mesmo em condições de extremos hidrológicos. Em outras palavras, é preciso planejar, executar obras e medidas que garantam isso a curto, médio e longo prazo e considerando cenários de extremos hidrológicos.
IHU On-Line – Quais são as perspectivas para o Cerrado se o cultivo agrícola continuar aumentando nos próximos anos? A partir dos resultados de sua pesquisa, que medidas ambientais devem ser aplicadas no Cerrado para modificar tanto a alteração hidrológica quanto o processo de erosão do solo?
Paulo Tarso Sanches Oliveira – O desmatamento no Cerrado tende a continuar, principalmente porque existe uma demanda global crescente por produção de alimentos e combustíveis; as áreas de Cerrado possuem características adequadas de topografia e solos já conhecidos para mecanização agrícola; e recebe menor pressão contra o desmatamento quando comparado à floresta Amazônica. Assim, após o conhecimento de vários componentes do balanço hídrico e de erosão do solo estudados nesta pesquisa, acredito que seja fundamental o desenvolvimento de um zoneamento desta área. Ou seja, devemos verificar espacialmente quais são as áreas prioritárias de preservação; áreas com melhor/pior potencial agrícola ou de pecuária; principais práticas conservacionistas a serem adotadas por região; áreas degradadas que precisam de recuperação; e as áreas mais vulneráveis à escassez hídrica e de risco à erosão hídrica, por exemplo. Desta forma, é possível uma gestão adequada do solo e da água. Esse seria um processo ideal que pode levar alguns anos, mas acreditamos que a pesquisa realizada pode fornecer alguns subsídios para auxiliar neste processo. (ecodebate)

Destinação incorreta de pneu e óleo pode contaminar água

Saiba o que fazer contra estes possíveis ‘vilões’ ambientais.
Os pneus inservíveis, isto é aqueles que estão “carecas” ou sofreram algum tipo de dano que inviabiliza o uso com segurança, transformaram-se nos últimos anos em um grande passivo ambiental devido à irresponsabilidade de diversos agentes desta cadeia, que deixaram pneus em margens de rios, lagos, estradas, entre outros locais.
De acordo com Bruno Zanatta, especialista em engenharia ambiental da DPaschoal, o pneu é um grande vilão em questões ambientais. Sua queima, quando não controlada, libera diversos poluentes e componentes químicos pesados na atmosfera, sendo que alguns são classificados como os mais tóxicos já produzidos pelo homem. “No local onde foram queimados além das cinzas, vai permanecer uma parte líquida, que pode contaminar águas subterrâneas. Outro ponto que merece destaque na destinação incorreta é o abandono de pneus em lugares públicos, como beira de estradas e terrenos baldios, onde estará sujeito a criação de vetores de doenças, como a dengue”, afirma ele.
Mas além dos pneus, devemos nos preocupar com o descarte incorreto de óleos lubrificantes. Você sabe qual o destino do óleo retirado do seu veículo? Sabe qual o impacto para o meio ambiente? O óleo ao cair no solo pode impactar negativamente ao inutilizar totalmente uma agricultura, pode ainda atingir lençóis freáticos e aquíferos. Apenas uma gota de óleo pode chegar a contaminar até 1.000 litros de água.
O engenheiro ambiental, Bruno Zanatta, dá dicas sobre como o consumidor pode contribuir pelo meio ambiente.
– Tanto para a troca de óleo quanto para os pneus de seus veículos, os consumidores, devem buscar empresas que tenham uma preocupação não só com a venda do produto, mas também com todo o ciclo da logística reversa dos resíduos gerados no processo. A logística reversa é o conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação. O prestador de serviço deve ter como parceiras empresas devidamente homologadas pelos órgãos competentes para a destinação final destes.
-Para a troca de óleo, recomenda-se que os consumidores observem o manual do veículo, onde consta a periodicidade da troca e o lubrificante específico do carro. O acompanhamento do nível do óleo pode ser feito a “olho nu”, com a vareta de óleo, onde a marcação do produto deve estar acima da indicação mínima.
-Em relação aos pneus, a principal recomendação é observar o índice de desgaste do pneu, o TWI. O TWI é como um pequeno degrau entre as ‘faixas de borracha’ e que informa se o pneu está precisando de troca ou não. Se a medição marcar 1,6 mm, é sinal que está na hora de substituí-lo. Outros pontos que podem ser observados para a troca é se as regiões dos ombros dos pneus (regiões laterais) estão desgastadas, provavelmente indicando que o pneu rodou com uma baixa pressão, e também se um lado do pneu está mais desgastado que o outro, apontando um desalinhamento do veículo.
Com o advento de legislações ambientais, a questão tornou-se um pouco mais complexa e controlada. A principal é a CONAMA 416/2009, na qual é exigida a comprovação da destinação ambientalmente correta de 70% dos pneus produzidos ou importados (30% é considerado como um fator de desgaste do pneu), ou seja, se um fabricante produzir ou um importador (adquirir ou comprar) importar 1000 quilos de pneus, ele será obrigado, em um prazo máximo de 3 meses, comprovar a destinação de 700 quilos de pneus.
No Relatório de Pneumáticos 2014, disponibilizado pelo IBAMA e que contempla dados consolidados de 2013, esperava-se a destinação nacional de 535.267.800 quilos, mas os fabricantes e importadores comprovaram a destinação de 491.653.020 quilos, não atingindo a meta. A DPaschoal, maior empresa de varejo e distribuição de produtos automotivos do país, tem um compromisso com a sociedade, mesmo antes da obrigatoriedade da comprovação de destinação há 24 anos, já tendo destinado mais de 3.000.000 de pneus. No ano de 2013, cumpriu 100% de sua meta perante o IBAMA, destinando 2.164.199 quilos.
“O último relatório de pneumáticos disponibilizado pelo IBAMA nos mostra que desde que criado (em 2010), os fabricantes vem cumprindo sua meta, enquanto que os importadores não chegaram a 100% em nenhum destes anos. Ainda podemos observar uma grande queda na destinação nos últimos dois anos dos importadores (de 79,58% para 62,70%), o que provavelmente acarretará em uma fiscalização intensa nestes por parte do IBAMA neste ano de 2015”, completa Bruno.
No Brasil são mais de 40 empresas homologadas pelo IBAMA para realizar diversos tipos de destinação dos pneus. Como tecnologias de destinação ambientalmente adequadas, o IBAMA considera a utilização da borracha como combustível em fornos de cimenteiras (54,40%), granulação da borracha para ser comercializada como matéria-prima (33,68%), laminação dos pneus para utilização com cintas de sofá e outras utilizações (8,92%) e outras como industrialização do xisto, pirólise, regeneração da borracha (3%).
A fiscalização da destinação do óleo também é legalizada pelo CONAMA, artigo 11º nº 363, que obriga o Ministério do Meio Ambiente a manter e coordenar um grupo de monitoramento permanente. Além disso, há o Programa de Monitoramento da Qualidade dos Lubrificantes (PMQL).
O pneu e a Dengue
Segundo dados da Revista Exame, os casos de dengue triplicaram no mês de janeiro em São Paulo. É fundamental que toda a população tome alguns cuidados com relação ao pneu descartado:
* Verifique se no jardim ou quintal de sua casa ou na área comum do prédio há pneus descobertos;
* Procure descobrir se há algum terreno baldio no entorno de sua residência, com pneus abandonados
Em caso positivo é necessário agir
* Fure os pneus para que não acumule água dentro
* Descarte os pneus em locais adequados que se preocupem em dar uma destinação correta ao produto
São medidas simples que vão colaborar para a preservação do meio-ambiente. (ecodebate)

Recuperação reservatórios e a necessidade de economizar água

Recuperação dos reservatórios não reduz necessidade de economizar água
Sistema Cantareira pode secar em quatro meses, caso as chuvas continuem abaixo da média. 
A recente elevação do nível dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul e a saída do Santa Branca do volume morto estão longe de permitir relaxamento nos pedidos por economia de água, defende a vice-presidente do Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Vera Lúcia Teixeira. A orientação de reduzir o consumo, para Vera, deve ser feita “em letras garrafais”.
“Os reservatórios aumentaram em função das chuvas que caíram em fevereiro, mas isso não representa nada se levarmos em consideração 2014. No ano passado, o nível chegou a 35% neste período, e hoje está na faixa de 7,5%. Com 35% no ano passado, entramos no volume morto depois do período seco”, disse a vice-presidente, que vai se reunir amanhã com representantes da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Segundo ela, a meta é que os reservatórios cheguem a 15% em março, mas a situação só poderia ser considerada confortável se os reservatórios atingissem 50%.
Em 24/02 segundo o boletim diário da ANÁguas, o reservatório de Santa Branca, um dos quatro que compõem a bacia do Paraíba do Sul, deixou o volume morto, com elevação de seu nível útil de -0,03% para 0,08%. O nível total dos reservatórios, no entanto, caiu de 7,53% para 7,49%, puxado pelo maior reservatório, o Paraibuna, que caiu de 2,01% para 1,93%. O reservatório de Funil, o único que fica dentro do estado do Rio de Janeiro, teve queda no nível útil de 34,56% para 34,43%. Assim como Santa Branca, Jaguari teve pequeno aumento, de 8,15% para 8,26%.
Como o período seco se inicia após o mês de março, e os reservatórios estão em níveis ainda mais baixos que no ano passado, uma das medidas para economizar água é reduzir a vazão da barragem da Usina Elevatória de Santa Cecília. A estrutura bombeia parte da água do Paraíba do Sul para o Rio Guandu, onde é tratada e captada para a região metropolitana do Rio. A vazão total, que chega a 200 m³/s em períodos de cheia, e hoje está em 140 m³/s, vai cair gradativamente para 110 m³/s entre 1º de março e 30 de junho.
A redução será feita integralmente na água desviada para o Guandu, que vai cair de 100 m³/s para 70 m³/s, pois a água que segue ao longo do Paraíba do Sul não pode ficar abaixo de 40 m³/s. “Essa vazão ecológica não pode baixar de forma alguma”, alertou Vera. Ela prevê problemas ambientais se a vazão dos rios cair e o despejo de esgoto se mantiver. “Se você tem um volume de esgoto, que era jogado numa vazão de 190 m³/s, e esse mesmo volume é lançado em 70 m³/s, tem um impacto que a gente ainda não sabe medir. Isso a gente só vai conseguir fazer a partir de análises”, ressaltou.
O Ministério Público Federal recomendou que o governo do estado do Rio, a ANA, o Cevaip, o ONS e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentem, em cinco dias, uma proposta de plano de contingência para o uso de recursos hídricos. A vice-presidente do Cevaip informou que tomou conhecimento da recomendação pela imprensa, e disse que o comitê trabalha na elaboração do plano recomendado, com base no diagnóstico que já concluído, que indica as ações a serem tomadas. A ANA e a Aneel não se pronunciaram sobre a recomendação até o fechamento desta matéria, e o ONS informou que ainda não foi notificado oficialmente.
De acordo com o governador Luiz Fernando Pezão, é preciso olhar a questão com otimismo e obedecer os acordos com a Justiça e os estados de São Paulo e Minas Gerais para o uso da água do Paraíba do Sul. “A boa notícia é que diversos reservatórios estão se recuperando. A gente tem que olhar com otimismo também. Ontem, recebi uma foto do reservatório de Funil, que chegou a estar com 3% de sua capacidade, e bateu 33%”, disse o governador.
O Cevaip planeja reunião, no próximo dia 11, com prefeitos e vereadores do Médio Paraíba do Sul, para sensibilizá-los sobre a necessidade de resgatar a vegetação ao longo do rio. “Precisamos pensar em um corredor ecológico na região”, defendeu Vera, e destacou que no trajeto do rio foram estabelecidas muitas áreas de pastagem. (ecodebate)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Extremos climáticos serão mais frequentes e intensos em SP

Extremos climáticos devem ocorrer com mais frequência e intensidade em São Paulo
Chuvas pesadas concentradas em poucos dias, espaçadas entre longos períodos secos, podem tornar-se comuns no estado nas próximas décadas, aponta estudo coordenado pelo INPE.
A variação climática observada na Região Metropolitana de São Paulo nos últimos anos – caracterizada por chuvas intensas concentradas em poucos dias, espaçadas entre longos períodos secos e quentes – deve se tornar tendência ou até mesmo agravar nas próximas décadas.
As conclusões são de um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em colaboração com colegas das Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), de Taubaté (Unitau) e dos Institutos Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e de Aeronáutica e Espaço (IAE), entre outras instituições e universidades do Brasil e do exterior, no âmbito do Projeto Temático “Assessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option”, apoiado pela FAPESP.
Resultados do estudo foram descritos em artigos publicados na revista Climate Research e contribuíram para a elaboração do Atlas de Projeções de Temperatura e Precipitação para o Estado de São Paulo, uma publicação interna do Inpe lançada em 2014, também resultado de projeto.
“Estamos observando na Região Metropolitana de São Paulo um aumento na frequência de chuvas intensas, deflagradoras de enchentes e deslizamentos de terra, distribuídas entre períodos secos que podem se estender por meses”, disse José Antônio Marengo Orsini, pesquisador do INPE e atualmente no Cemaden.
“Os modelos climáticos projetam que esses eventos climáticos extremos passarão a ser cada vez mais comuns em São Paulo e em outras cidades do mundo e podem até mesmo se intensificar, se forem mantidos o atual ritmo de urbanização e de emissão de gases de efeito estufa”, disse o pesquisador, que coordenou o estudo.
Os pesquisadores analisaram a variabilidade do clima da região metropolitana nos últimos 80 anos por meio de dados diários de chuva referentes ao período de 1933 a 2011 fornecidos pela estação meteorológica Água Funda, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Do período de 1973-1997, foram utilizados também dados de outras 94 estações meteorológicas espalhadas pela região.
As observações indicaram um aumento significativo, desde 1961, no volume total de chuva durante a estação chuvosa, que pode estar associado à elevação na frequência de dias com chuva pesada e à diminuição de dias com precipitações leves na cidade.
Enquanto os dias com chuva pesada – acima de 50 milímetros (mm) – foram quase nulos nos anos 1950, eles ocorreram entre duas e cinco vezes por ano entre 2000 e 2010 na cidade de São Paulo.
Ilha de calor
De acordo com Marengo, as alterações no regime de chuvas em São Paulo podem ser decorrentes da variabilidade climática natural, mas podem também estar relacionados ao crescimento da urbanização, em especial nos últimos 40 anos, que contribuiu para agravar os efeitos da “ilha de calor” na cidade.
Com o aumento da urbanização, o solo da região – antes exposto e com vegetação remanescente da Mata Atlântica – foi sendo cada vez mais coberto por materiais como asfalto e concreto, que absorvem muito calor e não retêm umidade.
Com isso, durante o dia o clima fica muito quente e, à noite, o calor acumulado é liberado para a atmosfera. A umidade relativa do ar da cidade é reduzida e a evaporação de água do solo para a formação de nuvens é acelerada, segundo explicou Marengo.
“O aumento da taxa de evaporação faz com que mais água do solo seja extraída, deixando-o totalmente seco, como tem acontecido nas regiões dos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo”, disse o pesquisador. “Isso pode contribuir para aumentar o déficit hídrico da cidade”, avaliou.
Projeções climáticas

A fim de avaliar possíveis tendências e alterações no padrão de chuvas extremas até 2100, os pesquisadores fizeram projeções de mudanças climáticas de diferentes regiões do Estado de São Paulo, incluindo a região metropolitana, usando uma técnica chamada downscaling.
A técnica combina o modelo climático regional Eta-CPTEC, desenvolvido pelo Inpe, com os modelos globais HadCM3 e HadGEM2, criados no Reino Unido e usados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), para fazer projeções de curto, médio e longo prazo, com uma resolução espacial de 40 quilômetros.
“Ela permite fazer previsões climáticas mais detalhadas de regiões do Estado de São Paulo, como o Vale do Paraíba ou a Serra do Mar, que não aparecem em um modelo climático global”, explicou Marengo.
O modelo foi rodado pelos pesquisadores com base no cenário 21 SRES A1B de emissões de gases de efeito estufa até 2100, usado pelo IPCC.
Nesse cenário climático, considerado intermediário, as emissões de gases-estufa poderão atingir 450 partes por milhão (ppm) e causar um aumento na temperatura global da ordem de 3ºC até 2100.
Os pesquisadores realizaram simulações para os períodos de 2010 a 2040, 2041 a 2070 e 2071 a 2100, tendo como base o período climatológico de 1961 a 1990, adotado como padrão para projeções climáticas pela Organização Mundial de Meteorologia.
Os resultados das projeções indicaram que aumentará a frequência e a intensidade de chuvas extremas na região metropolitana de São Paulo e nas regiões norte, central e leste do estado nas próximas décadas.
Por outro lado, as projeções também sugeriram um aumento significativo na frequência de veranicos nessas mesmas regiões, sugerindo que as chuvas extremas serão concentradas em alguns dias e ocorrerão entre períodos de seca mais longos, explicou Marengo.
“As projeções mostram que haverá um aumento dos riscos de enchentes, inundações e de deslizamentos de terra na região metropolitana de São Paulo e nas regiões norte, central e leste do estado”, disse o pesquisador.
“As pessoas que moram nessas regiões deverão experimentar um aumento maior de temperatura, assim como mudanças no regime de chuva e secas mais prolongadas”, afirmou.
Vulnerabilidade climática
Segundo Marengo, uma das razões pelas quais essas regiões do estado poderão ser mais atingidas pelas variações climáticas é o fato de terem maior densidade populacional.
Além delas, as regiões do Vale do Paraíba, da Serra do Mar, da Baixada Santista e de Campinas também deverão sentir mais os efeitos das variações climáticas, indicou Marengo.
“Os impactos sociais e econômicos do aumento da temperatura, secas mais prolongadas e mudanças no regime de chuva nesses locais deverão ser maiores”, estimou.
“No caso da região oeste de São Paulo, por exemplo, onde a densidade populacional é menor, os impactos serão relativamente menores, mas também ocorrerão.”
As projeções de aumento da mancha na região metropolitana de São Paulo até 2030, justamente nas áreas mais vulneráveis às consequências das mudanças climáticas, deverão agravar ainda mais o risco de desastres naturais, avaliou o pesquisador.
“Os deslocamentos populacionais causados pelas mudanças climáticas não serão só rurais, porque há mais pessoas vivendo nas cidades do que no campo hoje”, estimou Marengo.
“Se fenômenos recentes, como a seca em São Paulo, mostram que não estamos preparados para enfrentar os problemas relacionados às mudanças climáticas, os resultados do estudo reforçam que esses problemas só tendem a piorar e que é preciso considerar possíveis estratégias de adaptação”, disse Marengo. (ecodebate)

Aquecimento Global e Mudanças Climáticas

Introdução
Até pouco tempo atrás restrito a círculos científicos, o termo  aquecimento global passou a ser usado por muita gente - mesmo por quem não entende plenamente o que ele significa. O inverno foi quente? Culpa do aquecimento global. Caiu uma tempestade? É o aquecimento global. O calor está de rachar? Aquecimento global. Mas o que é o aquecimento global? É um aumento significativo da temperatura média da Terra em período relativamente curto, em razão da atividade humana.
Uma elevação da temperatura do planeta de 1°C ou mais ao longo de 100 ou 200 anos caracteriza o aquecimento global. Aumento de 0,4°C num século já é algo considerável - e o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas avalia que ao longo do século passado a temperatura média da superfície da Terra tenha subido de 0,4°C a 0,8°C.
Neste artigo, aprenderemos o que é o aquecimento global, o que o causa e quais são seus efeitos.
Para começar, vamos ver a diferença entre tempo e clima.
Tempo e clima
Tempo é local e acontece em curto prazo. Se chover na sua cidade na próxima quinta-feira, isto é o tempo. Clima acontece em longo prazo e não tem relação com uma localidade pequena. O clima de uma área é a média das condições de tempo em uma região ao longo de um grande período. Se onde você vive há ventos frios e garoa, isso faz parte do clima desta região. Os invernos têm sido frios desde quando se começou a registrar o tempo, então geralmente sabemos o que esperar dele.
O longo prazo, em referência ao clima, é um período realmente longo. Centenas de anos é um prazo curto quando se trata de clima. De fato, as mudanças no clima às vezes levam milhares de anos. Isto quer dizer que se por acaso houver um inverno não tão rigoroso quanto o de costume, ou mesmo dois ou três invernos deste tipo em seguida, isto não indica mudança de clima. Isto é apenas uma anomalia, um evento que foge do costumeiro alcance estatístico, mas que não representa nenhuma mudança permanente em longo prazo.
Também é importante entender que mesmo pequenas alterações no clima podem ter efeitos maiores. Quando os cientistas falam sobre "a era glacial", é provável que se visualize o mundo congelado, coberto de neve e sofrendo com temperaturas baixíssimas. Na verdade, durante a era glacial (eras glaciais acontecem aproximadamente a cada 50 mil ou 100 mil anos), a temperatura média da Terra era apenas 5°C mais baixa do que as médias atuais de temperatura.
Alterações naturais do clima
Milhares de anos podem passar até que a Terra esquente ou esfrie apenas um grau. E isso, de fato, acontece de forma natural. Além dos recorrentes ciclos de eras glaciais, o clima da Terra pode se modificar por causa da atividade vulcânica, das diferenças na vida vegetal que cobre a maior parte do planeta, das mudanças na quantidade de radiação que o Sol emite e das mudanças naturais na química da atmosfera.
O efeito estufa
O aquecimento global é causado pelo aumento do chamado efeito estufa. Ele sozinho não é ruim, já que permite que a Terra fique aquecida o suficiente para que a vida continue.
É possível imaginar a Terra como um carro estacionado sob o Sol. O carro fica sempre muito mais quente por dentro do que por fora se permanecer exposto ao Sol por um tempo. Os raios do Sol entram pelas janelas do carro, e uma parte de seu calor é absorvida pelos assentos, painel, carpete e tapetes. Quando esses objetos liberam o calor, ele não sai pelas janelas por completo. Uma parte é refletida de volta para o interior do carro. O calor irradiado pelos assentos é de um comprimento de onda diferente da luz do Sol que entrou pelas janelas. Então, certa quantidade de energia entra, e menos quantidade de energia sai. O resultado é um aumento gradual na temperatura interna do carro.
Quando os raios de Sol chegam à atmosfera e à superfície da Terra, aproximadamente 70% da energia fica no planeta, absorvida pelo solo, pelos oceanos, pelas plantas e outros. Os 30% restantes são refletidos no espaço pelas nuvens e outras superfícies refletivas [inglês]. Mas mesmo os 70% que passam não ficam na Terra para sempre (se isso acontecesse ela se tornaria uma bola de fogo). As coisas em torno do planeta que absorvem o calor do Sol eventualmente irradiam este calor. Um pouco vai para o espaço, e o resto acaba sendo refletido para a Terra ao atingir certas coisas que ficam na atmosfera, tais como dióxido de carbono, gás metano e vapor de água. O calor que não sai pela atmosfera terrestre mantém o planeta mais quente do que o espaço sideral, porque mais energia está entrando pela atmosfera do que saindo. Isso tudo faz parte do efeito estufa que mantém a Terra quente.
A Terra sem o efeito estufa
Como seria a Terra se não houvesse o efeito estufa? Provavelmente ela se pareceria bastante com Marte. Marte não tem uma atmosfera grossa o suficiente para refletir o calor para o planeta, então lá fica muito frio. Alguns cientistas sugeriram a transformação da superfície de Marte enviando "fábricas" que exalariam vapor de água e dióxido de carbono no ar. Se pudéssemos gerar material suficiente, a atmosfera começaria a engrossar a ponto de reter mais calor e permitir a sobrevivência das plantas na superfície. Depois que as plantas se espalhassem por Marte, elas passariam a produzir oxigênio. Depois de algumas centenas ou milhares de anos, Marte poderia realmente vir a ter um meio ambiente em que os humanos pudessem sobreviver graças ao efeito estufa.
O aquecimento global não é resultado de um aumento na atividade solar, mas da ação predatória do homem sobre a natureza e o planeta Terra.
Aquecimento global: o que está havendo?
O aquecimento global está diretamente relacionado ao chamado efeito estufa, que é provocado por alguns gases - os mais importantes são descritos a seguir.
Usinas de energia, gado e automóveis estão entre os elementos que mais liberam gases do efeito estufa, tais como dióxido de carbono e metano.
Dióxido de carbono (CO2)
É um gás incolor, subproduto da combustão de matéria orgânica. Ele representa menos de 0,04% da atmosfera da Terra - a maior parte foi liberada muito cedo na vida do planeta pela atividade vulcânica. Hoje, a atividade humana bombeia enormes quantidades de CO2 na atmosfera, resultando em aumento total na sua concentração [inglês]. O aumento de sua concentração é considerado o fator primário no aquecimento global, porque o CO2 absorve radiação infravermelha. Como a maior parte da energia que escapa da atmosfera da Terra sai na forma de radiação infravermelha, o CO2 extra significa maior absorção de energia e um aumento total na temperatura do planeta.
Concentração de CO2 em Mauna Loa, Havaí.
As queimadas na Amazônia colocam o Brasil como o quarto país mais poluidor do mundo. Sem essas emissões o Brasil estaria em trigésimo lugar.
O Worldwatch Institute relata que as emissões de CO2 em todo o mundo aumentaram de cerca de um bilhão de toneladas em 1900 para cerca de sete bilhões de toneladas em 1995. O Instituto também aponta que a temperatura média da superfície da Terra subiu de 14,5°C, em 1860, para 15,3°C em 1980.
O óxido Nitroso (N2O) é outro importante gás estufa. Embora as quantidades liberadas pela atividade humana não sejam tão grandes quanto as de CO2, o óxido nitroso absorve muito mais energia do que CO2 (cerca de duzentas e setenta vezes mais). Por esse motivo, os esforços para que sejam reduzidas as emissões de gás estufa têm sido direcionados para o NO2 também [inglês]. O uso de muito fertilizante de nitrogênio nas colheitas libera grandes quantidades de N2O, e ele também é um subproduto da combustão.
Metano é um gás combustível e o principal componente do gás natural. O metano ocorre naturalmente, oriundo da decomposição de material orgânico. Frequentemente é encontrado na forma de "gás de pântano". Atividades desenvolvidas pelo homem produzem o metano de várias formas:
- com sua extração do carvão;
- a partir de grandes rebanhos de gado (por exemplo, gases digestivos);
- a partir da bactéria nas cascas do arroz;
- com a decomposição do lixo em aterros.
O metano age de forma semelhante à do CO2 na atmosfera, absorvendo energia infravermelha e mantendo a energia do calor na Terra. Alguns cientistas até especulam que a emissão do metano em larga escala para a atmosfera (como a liberação de grandes pedaços de metano congelado presos no fundo dos oceanos) poderia ter criado curtos períodos de intenso aquecimento global que levaram a algumas das extinções em massa no passado distante do planeta.
Vapor de água, o outro gás estufa
O vapor de água é o “gás estufa” mais abundante, mas é mais frequente não como resultado das mudanças do clima e sim como resultado das emissões causadas pelo homem. Embora o termo gás não se aplique a água em condições normais, a presença de vapor de água na atmosfera e sua participação no efeito estufa dão a ele o status de “gás estufa”. A água ou a umidade na superfície da Terra absorve o calor do sol e de seus arredores. Quando calor suficiente tiver sido absorvido, algumas moléculas podem ter energia para escapar do líquido e começar a subir na atmosfera sob a forma de vapor. Enquanto o vapor sobe cada vez mais alto, a temperatura do ar ao seu redor se torna cada vez mais baixa. Eventualmente, o vapor perde calor para o ar ao seu redor, o que lhe permite voltar sob a forma líquida. A atração gravitacional da Terra faz com que o líquido "caia" de volta para a Terra, completando o ciclo. Este ciclo é chamado de "circuito de retorno positivo". O vapor de água é mais difícil de medir do que outros gases estufa, e os cientistas não têm certeza de qual seria seu papel exato no aquecimento global. Mas o web site da NOAA diz o seguinte:
Enquanto o vapor de água aumentar na atmosfera, maior quantidade dele irá se condensar em nuvens, que são mais capazes de refletir a radiação solar (permitindo que menos energia chegue à superfície da Terra e a esquente).
Efeitos do aquecimento global: nível do mar
Vimos que uma queda média de apenas 5°C ao longo de milhares de anos pode causar uma era glacial; então o que irá acontecer se a temperatura média da Terra aumentar alguns graus em apenas umas centenas de anos? Não há uma resposta clara. Nem mesmo as previsões do tempo em curto prazo são perfeitas porque o tempo é um fenômeno complexo. Quando se trata de previsões climáticas em longo prazo, tudo o que podemos conseguir são adivinhações baseadas em nosso conhecimento dos padrões climáticos ao longo da história.
Geleiras e placas de gelo ao redor do mundo podem começar a derreter. De fato, isto já está acontecendo. A perda de grandes áreas de gelo na superfície pode acelerar o aquecimento global, porque menos energia solar será refletida para longe da Terra. O resultado imediato do derretimento das geleiras seria o aumento do nível do mar. Inicialmente, seriam apenas 2,5 ou 5 cm - no entanto, se a placa de gelo da Antártida Ocidental derretesse e caísse sobre o mar, ela elevaria o seu nível em mais de 10 metros, e muitas áreas costeiras iriam desaparecer completamente sob o oceano. O nível do mar também se elevaria porque as águas do oceano ficariam mais quentes, causando a expansão da água. Mesmo um modesto aumento no nível do mar provocaria enchentes em áreas costeiras baixas. O IPCC estima que o nível do mar tenha subido 17 centímetros durante o século 20. Projeções feitas por cientistas mostram que até 2100 o nível do mar vai subir mais 18 a 55 cm. O Brasil não está entre os 50 países mais ameaçados pela elevação do nível do mar. Com o aumento da temperatura global das águas, seriam mais numerosas e fortes as tempestades formadas no oceano - tais como tempestades tropicais, tsunamis e furacões, que extraem sua energia feroz e destrutiva das águas mornas pelas quais passam.
Alguns dos efeitos possíveis do aquecimento global é a inundação de ilhas baixas devido ao aumento do nível do mar, maior frequência de fortes tempestades e o derretimento das geleiras e calotas polares.
Efeitos do aquecimento global: estações e ecossistema
Em áreas temperadas com quatro estações, a estação de plantio e germinação seria mais longa e com maior incidência de chuvas. Isto seria benéfico de muitas formas para estas áreas. No entanto, partes menos temperadas do mundo provavelmente veriam um aumento de temperatura e uma diminuição brutal no índice de chuvas, causando longos períodos de seca e o surgimento de desertos.
Os efeitos mais devastadores - e também os mais difíceis de ser previstos - seriam os efeitos na biodiversidade. Muitos ecossistemas são delicados, e a mais sutil mudança pode matar várias espécies, assim como quaisquer outras que delas dependam. A maioria dos ecossistemas são interconectados, então a reação em cadeia dos efeitos seria imensurável. Os resultados poderiam ser como uma floresta morrendo gradualmente e se transformando em áreas de pasto ou recifes de corais morrendo. Muitas espécies de plantas e de animais se adaptariam ou mudariam com a alteração do clima, mas muitas se extinguiriam.
A Amazônia pode perder, por culpa do aquecimento global, de 10% a 25% de sua área florestal, substituída por uma espécie de savana.
O custo humano do aquecimento global é difícil de ser calculado. Milhares de vidas seriam perdidas anualmente, já que os idosos ou doentes sofreriam com o excesso de calor e outros traumas relacionados a ele. As pessoas de baixa renda e as nações subdesenvolvidas sofreriam os piores efeitos, já que não teriam recursos financeiros para lidar com os problemas que viriam com o aumento da temperatura. Uma quantidade enorme de pessoas morreria de fome se a diminuição das chuvas limitasse o crescimento das colheitas. Elas morreriam também pelo aumento de doenças, se as enchentes costeiras trouxessem as que são originadas na água e se difundem rapidamente.
Podemos evitar o aquecimento global?
Há muitas coisas que podemos fazer para tentar deter o aquecimento global. Basicamente, todas sugerem a redução na emissão de gases estufa. Podemos ajudar gastando menos energia. Estas são algumas formas de diminuir emissões de gases estufa:
- certifique-se de que seu carro está com o motor regulado - isto permitirá que ele funcione com maior eficiência e gere menos gases nocivos;
- caminhe ou ande de bicicleta quando puder - dirigir o carro gera mais gases estufa do que praticamente qualquer outra coisa que se faça;
- recicle - o lixo que não é reciclado acaba em um aterro, gerando metano; além disso, produtos reciclados requerem menos energia para ser produzidos do que produtos feitos do zero;
- plante árvores e outras plantas onde puder - as plantas tiram o CO2 do ar e liberam oxigênio;
- não queime o lixo - isto lança CO2 e hidrocarbonetos para a atmosfera.
Os carros queimam combustível fóssil, mas os carros com combustível mais eficiente emitem menos CO2, especialmente os carros híbridos. Caminhe ou use sua bicicleta se possível ou dê caronas a caminho do trabalho.
Para deter a emissão dos gases estufa é necessário que se desenvolvam fontes de energia combustível não-fóssil. Energia hidrelétrica, energia solar, motores de hidrogênio, biodiesel e células de combustível poderiam criar grandes cortes nos gases estufa se fossem mais comuns.
O Protocolo de Kyoto  foi criado para reduzir a emissão de CO2 e de outros gases estufa em todo o mundo. Trinta e cinco nações industrializadas se comprometeram a reduzir a emissão destes gases em graus variados. Infelizmente, os Estados Unidos, principais produtores mundiais de gases estufa, não assinaram o protocolo.
Curiosidades sobre o Aquecimento Global: 
- 2 a 4,5°C. De acordo com estimativas feitas pelo painel intergovernamental de mudança climática, essa é a faixa de elevação que deve sofrer a temperatura média global até o final deste século.
- 2.000 km2. Todo ano, áreas desse tamanho se transformam em deserto devido à falta de chuvas.
- 40% das árvores da Amazônia podem desaparecer antes do final do século, caso a temperatura suba de 2° a 3°C.
- 2.000 metros. Foi o comprimento que a geleira Gangotri (que tem agora 25 km), no Himalaia, perdeu em 150 anos. E o ritmo está acelerando.
- 750 bilhões de toneladas. É o total de CO2 na atmosfera hoje.
- 2050. Cientistas calculam que, quando chegarmos a esse ano, milhões de pessoas que vivem em deltas de rios serão removidas, caso seja mantido o ritmo atual de aquecimento.
- a calota polar irá desaparecer por completo dentro de 100 anos, de acordo com estudos publicados pela National Sachetimes de Nova Iorque em julho de 2005, isso irá provocar o fim das correntes marítimas no oceano atlântico, o que fará que o clima fique mais frio, é a grande contradição de aquecendo esfria.
- o clima ficará mais frio apenas no hemisfério norte, quanto ao resto do mundo a temperatura média subirá e os padrões de secas e chuvas serão alterados em todo o planeta.
- o aquecimento da terra e também outros danos ao ambiente está fazendo com que a seleção natural vá num ritmo 50 vezes mais rápido do que o registrado a 100 anos.
- de 9 a 58% das espécies em terra e no mar vão ser extintas nas próximas décadas, segundo diferentes hipóteses. (saberpensar)

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