terça-feira, 21 de junho de 2016

Densidade demográfica na África Subsaariana

Em artigo anterior, mostrei, com base em paper acadêmico de John Bongaarts (apresentado na PAA, em Washington, em abril de 2016) que a transição demográfica da África Subsaariana, em relação a outros países e regiões, tem acontecido de maneira tardia (later), em ritmo mais lento (slower), teve início em um limiar de desenvolvimento mais baixo (Earlier) e o nível da fecundidade é mais elevado (higher) do que em outras regiões do mundo, assim como é menor o uso de métodos contraceptivos.
Evidentemente, o atraso na transição demográfica implica no atraso no bônus demográfico, o que dificulta as condições para o sucesso da luta pela erradicação da pobreza. Sem a transição demográfica a África Subsaariana pode ficar presa à “armadilha da pobreza”.
Segundo a Divisão de População da ONU, em 1950, a população da Europa era de 549 milhões de habitantes, de 544 milhões na China, 179 milhões na África Subsaariana e 169 milhões na América Latina e Caribe (ALC). A população somada de Europa, China, Índia e ALC era de 1,6 bilhão de habitantes, sendo que a população da África Subsaariana naquela época representava cerca de 10% deste total. No final do século XXI, a população deve decrescer na maior parte do mundo, mas vai continuar crescendo na África Subsaariana e deve atingir 4 bilhões de habitantes em 2100. Ou seja, no final do século, a população da África Subsaariana será equivalente à população de Índia, China, Europa e ALC também com 4 bilhões de habitantes.
O aumento da população da África Subsaariana deve passar de 1 bilhão de habitantes atualmente para 4 bilhões em 2100. Isto vai provocar um grande aumento do número de habitantes por km2. A densidade demográfica de um país não é um bom indicador de desenvolvimento humano e econômico. Podemos encontrar países altamente desenvolvidos com baixa e alta densidade e países muito pobres com baixa e alta densidade demográfica.
Alguns países com alta densidade demográfica (como Japão, Coréia do Sul, Singapura, Holanda, etc.) possuem alto índice de desenvolvimento humano (IDH). Mas também há aqueles com alto nível de IDH e baixíssima densidade demográfica (como Canadá, Austrália, etc.). De outro lado, existem países com baixa densidade demográfica e baixo IDH (como Angola, Gabão, Mauritânia, etc.), assim como países com alta densidade demográfica e baixo IDH (Bangladesh, Índia, Ruanda, etc.). A seguir vamos verificar o comportamento da densidade demográfica na África Subsaariana, no mundo, algumas regiões e países.
O primeiro gráfico mostra que a densidade demográfica do mundo era de 57 habitantes por km2, em 2015. Abaixo deste valor estavam a África Subsaariana (44 hab/km2), Europa (33 hab/km2) e ALC – América Latina e Caribe (32 hab/km2). Acima da média, estavam a Ásia (142 hab/km2), e a China (147 hab/km2). No final do século, a África Subsaariana poderá ter uma densidade de 180 hab/km2. A Europa (29 hab/km2) e a ALC (36 hab/km2) terão poucas modificações. A China terá uma grande queda da densidade (107 hab/km2) até 2100. A Ásia terá aumento da densidade até meados do século e depois queda até 2100, com 156 hab/km2.
Considerando alguns países com alta densidade, destacamos a Índia que é o segundo país mais populoso do mundo, mas assumirá o primeiro lugar até 2030. A Nigéria é o sexto país mais populoso do mundo, mas assumirá o terceiro lugar até meados do século. Em 2015, a densidade demográfica da Índia era de 441 habitantes por km2, subirá para cerca de 600 hab/km2, em 2060, e cairá para 558 hab/km2, em 2100. Já a Nigéria tinha uma densidade demográfica de 200 hab/km2 (menos da metade da Índia), crescerá continuamente e poderá chegar a 826 hab/km2, em 2100.
Dois exemplos de países com altas densidades demográficas são Bangladesh e Burundi. Enquanto o mundo tinha uma densidade de 57 habitantes por km2, em 2015, a densidade de Bangladesh era de 1.237 hab/km2 e a de Burundi era de 435 hab/km2. Mas em 2100 vai haver uma inversão, pois a densidade demográfica de Bangladesh irá subir e depois voltar para aproximadamente o mesmo patamar, chegando a 1303 hab/km2, em 2100. Já Burundi poderá ter uma densidade de 2.440 hab/km2 no final do século.
Enquanto as atividades antrópicas se espalham, a vida selvagem está diminuindo e inúmeras espécies estão desaparecendo. Em termos ambientais, a alta densidade da população humana tem impactos muito negativos para os ecossistemas e a biodiversidade. Em artigo anterior (Alves, 11/06/2014) mostrei que existe uma relação crescente entre a densidade demográfica e o déficit ambiental.
Evidentemente, não se pode culpar simplesmente as populações pobres pelo desastre ecológico. A concentração de renda e o consumo conspícuo tem papel central na degradação do meio ambiente. Mas não se deve ignorar que o crescimento populacional mundial serve de estímulo para a crescente produção de bens e serviços e tem ocorrido em detrimento da biodiversidade. Crescimento muito rápido da população e da densidade demográfica em países com baixo IDH, em geral, dificulta o processo de redução da pobreza e de melhoria das condições de vida.
Segundo Costa Azariadis, no artigo “The theory of poverty traps: What have we learned?” (2004), um país encontra-se em círculo vicioso quando a situação de pobreza convive com baixos níveis de investimento em educação e saúde pública, quando existem altas taxas de mortalidade infantil, grande insegurança pública, baixa esperança de vida, reduzido tempo de vida dedicado ao trabalho produtivo, baixo investimento em infraestrutura e baixos investimentos em setores produtivos, ciência e tecnologia, etc. A armadilha da pobreza seria uma situação em que o alto crescimento do número de pessoas pobres e um crescente densidade demográfica dificultariam a redução da percentagem da população pobre do país.
Azariadis considera que para sair da armadilha da pobreza é preciso garantir uma boa governança, manter a estabilidade institucional, combater os governos cleptomaníacos, aumentar os investimentos em políticas públicas de educação, saúde e habitação, reduzir as taxas de mortalidade infantil e de fecundidade, aumentar o percentual da população em idade ativa, aumentar a esperança de vida, aumentar as taxas de poupança e investimentos, aprofundar a base técnica para a produção de bens e serviços e para a maior geração de empregos e proteção social, etc. Somente com mudanças sociais, econômicas, políticas e culturais se podem passar do círculo vicioso para o círculo virtuoso do desenvolvimento humano e ambientalmente sustentável.
Mapa da África destacando a região subsaariana (verde).
A revista F&D, do FMI, de junho de 2016, discute a tendência atual de interrupção do crescimento econômico da África após o superciclo das commodities. Artigo de Steven Radelet mostra que o crescimento econômico da África foi diferenciado entre os países e que “Over the next few years, growth will probably remain moderate across the region, and the pace of overall development progress is likely to slow. In some countries, especially those reliant on a few commodity exports, the slowdown could be quite significant”.
Ou seja, a perspectiva é que o crescimento econômico da África desacelere, enquanto o crescimento demográfico vai continuar durante todo o século. A disjunção entre os ritmos de crescimento econômico e populacional pode gerar muitos problemas no futuro e acirrar a crise emigratória e os conflitos ambientais. E se o IDH dos países pobres sobe quem sofre é o meio ambiente.
Em artigo sobre o “dividendo demográfico” na África, publicado no site da União Internacional de Estudos de População (IUSSP), Jane O’Sullivan e Roger Martin falam sobre a necessidade da queda da fecundidade para a redução da pobreza. Eles dizem: “High population growth is the main engine of impoverishment in Africa, and ending population growth is an absolute requirement for sustainable prosperity. Why must these simple facts be mired in such subterfuge?”.
Assim, a transição demográfica e a janela de oportunidade são fatores que ajudam na saída da armadilha da pobreza e a melhorar os índices de sustentabilidade ambiental, evitando o aumento exagerado da densidade populacional. Para o avanço econômico, social e ecológico seria preciso romper com as “estacas culturais pronatalistas” que dificultam a universalização dos direitos sexuais e reprodutivos. Condição para que as taxas de fecundidade fiquem abaixo do nível de reposição, sinalizando para uma redução na densidade demográfica futura. (ecodebate)

Governos reverterão a degeneração acelerada do meio ambiente

Ações de governo podem reverter a degeneração acelerada do meio ambiente, diz ONU
Meio ambiente está se deteriorando mais rapidamente do que se esperava, tornando-se imperativo que os governos ajam o quanto antes para reverter danos piores. Documento do PNUMA é o maior já publicado até então sobre o estado de saúde do planeta e inclui recomendações do caminho a tomar.
Degradação do meio ambiente e poluição estão associadas a um número cada vez maior de problemas de saúde, segundo o PNUMA.
O meio ambiente está se deteriorando mais rapidamente do que se esperava, tornando-se imperativo que os governos ajam o quanto antes para reverter os piores danos, advertiu o estudo “Perspectivas do Meio Ambiente Mundial: Avaliações Regionais”. O documento é o maior já publicado até então sobre o estado de saúde do planeta.
O estudo, uma compilação de seis relatórios, permite análises altamente detalhadas das questões ambientais que afetam cada uma das seis regiões do mundo, informou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante o lançamento, em maio deste ano.
“Agora, graças a este relatório, conhecemos o estado global do meio ambiente mais do que nunca. E é essencial que compreendamos o ritmo da mudança ambiental que está sobre nós”, disse o diretor-executivo do PNUMA, Achim Steiner.
De acordo com o estudo, embora questões como as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a degradação do solo e a escassez da água estejam se intensificando, ainda há tempo para se resolver muitos dos piores impactos das mudanças ambientais.

No entanto, para o mundo atingir as metas estabelecidas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, é necessário mudança.
As recomendações do relatório incluem, entre outras coisas, o aumento da produção e do consumo sustentável; o investimento em planejamento urbano, através de uma melhor utilização da infraestrutura ambientalmente saudável e da implementação de transportes não poluentes; e a redução da dependência de combustíveis fósseis e a diversificação das fontes de energia, entre outros.
O estudo foi publicado pouco antes da segunda Assembleia Ambiental das Nações Unidas (UNEA-2), que ocorreu na semana passada em Nairóbi, no Quênia, e envolveu a participação de mais de 1,2 mil cientistas, centenas de instituições científicas e mais de 160 governos.
Áreas afetadas
Como uma das primeiras áreas do mundo a experimentar os impactos da mudança climática, a região do Ártico serve como um indicativo para a mudança no resto do mundo. O aquecimento por lá tem aumentado em duas vezes a média global desde 1980.
As geleiras no Alasca, do Ártico canadense, e a camada de gelo da Groenlândia, bem como a região dos Andes do sul e as montanhas da Ásia representam juntas mais de 80% da perda total do gelo global.
Para o mundo atingir as metas estabelecidas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, é necessário mudança.
A região Ásia-Pacífico, por sua vez, se configura como a área mais propensa a desastres no mundo. Cerca de 41% de todos os desastres naturais relatados ao longo das últimas duas décadas ocorreram na região, que também foi responsável por 91% das mortes do mundo atribuídas a desastres naturais no século passado.
Na África, o continente mais precioso para a produção de alimentos, saúde nutricional e para o desenvolvimento econômico, 500 mil metros quadrados de terra estão se degradando devido à erosão do solo, salinização, poluição e desmatamento.
Essa degradação prejudica a produtividade agrícola, bem como a nutrição e saúde humana.
Aumento da população e a crise dos refugiados afetam o meio ambiente
A expansão da população em todo o mundo, assim como a rápida urbanização e o aumento do nível do consumo, são alguns dos principais fatores para o crescimento dos danos ambientais.
Calcula-se que o tamanho da classe média global aumente de 1,8 bilhão em 2009 para 4,9 bilhões em 2030, com a maior parte desse crescimento vindo da Ásia.
Na região da América Latina e do Caribe, a população urbana da região aumentou em mais de 35 milhões entre 2010 e 2015. Espera-se que esse número suba para um total de 567 milhões de pessoas em 2025.
O conflito contínuo e o deslocamento em massa de pessoas em toda a região da Ásia Ocidental também estão provocando impactos ambientais graves, que põem em perigo a saúde das pessoas.
Os 2,97 milhões de refugiados no Líbano, Jordânia, Iêmen e Iraque, por exemplo, estão colocando uma sobrecarga ambiental imensa para a região. Em 2015, eles foram responsáveis por produzir cerca de 1.440 toneladas de resíduos por dia em 2015, aumentando o risco de surtos de doenças. (ecodebate)

domingo, 19 de junho de 2016

Preservar oceanos é fundamental para a manutenção da vida

ONU: Preservar oceanos é fundamental para a manutenção da vida em todo o planeta.
Em 08/06//16, as Nações Unidas celebraram o Dia Mundial dos Oceanos e chamaram atenção para os perigos enfrentados pela vida marinha. Cerca de 20 milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos mares, ameaçando animais aquáticos e também humanos que se alimentam de frutos do mar.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou em 08/06/16 – Dia Mundial dos Oceanos – que a preservação dos mares é fundamental para a manutenção da vida na Terra. O chefe da ONU destacou que os oceanos contribuem para a regulação do clima, além de oferecerem recursos naturais e alimentos para bilhões de pessoas.
“Embora os oceanos pareçam infinitos, sua capacidade de resistir às atividades humanas é limitada, particularmente porque eles também enfrentam as ameaças colocadas pelas mudanças climáticas”, destacou Ban Ki-moon.
Em 2016, as celebrações do Dia Mundial contam com o tema “Oceanos saudáveis, planeta saudável”. Atividades na sede das Nações Unidas em Nova York e em outras partes do mundo vão chamar atenção para os riscos associados ao despejo de cerca 20 milhões toneladas de plástico nos mares por ano.
A poluição provocada por esse tipo material ameaça não apenas os animais aquáticos – que confundem as micropartículas de plástico com alimento –, mas também as pessoas que comem essas espécies e podem acabar ingerindo o poluente.
Ban Ki-moon também destacou a importância da pesquisa científica, que fornece informações importantes sobre os perigos enfrentados pela vida marítima. O secretário-geral lembrou que, em dezembro do ano passado, a Assembleia Geral da ONU recebeu a primeira Avaliação Mundial do Oceano – relatório que foi publicado em janeiro de 2016 contendo um panorama sobre o atual estado dos mares.
‘Oceano é chave para nova Agenda Global’
Também por ocasião do Dia Mundial, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, ressaltou que os oceanos “são parte integral de nosso planeta e um componente absolutamente essencial das vidas humanas, dos meios de subsistência e do meio ambiente que nos sustenta”.
“Da pesca e do turismo ao transporte e à regulação climática, o oceano é chave para implementar a nova Agenda Global”, enfatizou a dirigente, que lembrou que um dos novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é dedicado à conservação da vida na água.
“Seja no litoral ou no alto-mar longe de todos, a salvaguarda de sítios marinhos ricos em biodiversidade é essencial para se garantir o uso sustentável e de longo prazo de recursos naturais preciosos.”
Bokova lembrou ainda que a UNESCO possui uma Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI), responsável por apoiar os Estados-membros na implementação das metas relativas à vida marinha da Agenda 2030. “A COI está comprometida com o incentivo ao desenvolvimento de políticas nacionais que promovam o crescimento sustentável ambientalmente consciente.” (ecodebate)

Desenvolvimento humano e o aumento da Pegada Ecológica

A Pegada Ecológica mede a quantidade de recursos naturais necessários para manter o padrão de consumo dos seres humanos. Tudo o que usamos e o ar que respiramos vêm da natureza e jamais deixará de pertencer à natureza. Em geral, a civilização produz luxo e descarta lixo. O avanço humano tem ocorrido em detrimento da saúde do Planeta.
O desenvolvimento humano está altamente correlacionado com o aumento da pegada ecológica. Países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) possuem pegada ecológica elevada e países com baixo IDH possuem pegada ecológica baixa. Isto quer dizer que o estilo de desenvolvimento adotado tem ocorrido às custas da degradação ambiental e em prejuízo da biocapacidade.
No quadrante superior direito da figura acima estão principalmente os países da América do Norte, da Europa e do Oriente Médio produtores de petróleo. Ou seja, são países que possuem alto IDH e também alta pegada ecológica. A grande maioria dos países da África possuem baixo IDH e baixa pegada ecológica.
Estes dados são da rede “Global Footprint Network” que trabalha com duas medidas para se avaliar o déficit ambiental. A Pegada Ecológica serve para avaliar o impacto humano sobre a biosfera. A Biocapacidade avalia o montante de terra e água – o saldo biologicamente produtivo – para prover bens e serviços ecossistêmicos. A unidade de medida é o hectare global (gha).
Nos últimos 45 anos a Pegada Ecológica mundial ultrapassou a biocapacidade do Planeta. Desde o início dos anos 1970, o déficit ambiental vem subindo constantemente. Em 2012, o mundo tinha uma população 7,1 bilhões de pessoas, com uma pegada ecológica per capita de 2,84 hectares globais (gha) e uma biocapacidade per capita de 1,73 gha, conforme anunciou a Global Footprint Network, em março de 2016.
O mundo tinha em 2012 uma biocapacidade total de 12,2 bilhões de hectares globais, mas tinha uma pegada ecológica de 20,1 bilhões de hectares globais. Portanto, a pegada ecológica ultrapassava a biocapacidade em 64%. Ou dito de outra maneira, o mundo estava consumindo o equivalente a 1,64 planetas. Portanto, a população mundial vive no vermelho e provoca um déficit ambiental que cresce a cada ano.
Evidentemente, este caminho é insustentável. A humanidade só consegue manter seu modelo de produção e consumo devido à herança acumulada no passado. Por exemplo, ao avançar com as atividades antrópicas e utilizar montantes crescentes de energia, o ser humano está esgotando as reservas de combustíveis fósseis. A queima desta herança fóssil reduz os estoques de hidrocarbonetos do subsolo e aumenta a emissão de gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global.
A perda da biocapacidade ocorre devido ao desmatamento, à degradação dos solos, à sobreutilização das nascentes, rios, lagos e aquíferos, à redução do montante de peixe, à acidificação dos mares, à poluição generalizada, à degradação das riquezas naturais, etc. O progresso do ser humano está ocorrendo em função do regresso do meio ambiente e da redução da biodiversidade. Tudo isto contribui para o déficit ambiental.
Óbvio, são as parcelas mais ricas da população que mais contribuem para o aumento da pegada ecológica, como mostra o gráfico do IDH. Porém, mesmo que houvesse uma justa distribuição da riqueza dentro dos países e entre os países, a pegada ecológica média superaria ainda assim a biocapacidade média global. Existe um conflito social internacional e nacional, pois alguns países possuem alto IDH e a maioria possui baixo IDH, assim como no plano nacional uma parcela da população possui alto IDH e outra parcela excluída ou parcialmente incluída possui baixo IDH.
Além disto, o desenvolvimento da base material do progresso humano (aumento do IDH) tem gerado grandes déficits ambientais. A escala da presença humana no mundo ultrapassou os limites da sustentabilidade. Quanto maior for o IDH mundial, menor será a base ecológica que sustenta a vida na Terra. O tripé inclusão econômica justiça social e sustentabilidade ambiental virou trilema.
Sem dúvida, para evitar o colapso ambiental é preciso reduzir a pegada ecológica e para evitar as injustiças sociais é preciso reduzir os níveis de desigualdade. A solução não pode ser o crescimento econômico ilimitado. Ao contrário, será necessário não só o decrescimento da população mundial, mas também o decrescimento do padrão de consumo médio das pessoas, com equidade social. Acima de tudo, a humanidade precisa sair do déficit ecológico e voltar para o superávit ambiental, resgatando as reservas naturais, para o bem de todos os seres vivos da Terra. (ecodebate)

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Poluição atmosférica, equilíbrio do clima e ecossistemas amazônicos

Poluição atmosférica de Manaus interfere no equilíbrio do clima e ecossistemas amazônicos.
Poluição influencia a química de isopreno lançado pela vegetação da Amazônia na atmosfera, alterando a formação de nuvens e a ocorrência de chuvas.
O impacto da urbanização de Manaus na floresta amazônica é muito significativo, pois altera os mecanismos de formação e desenvolvimento de nuvens. E as chuvas constituem um dos ingredientes mais importante para o funcionamento do ecossistema amazônico. O alerta é do professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, um dos autores do artigo Isoprene photochemistry over the Amazon rainforest, publicado em 16/05/16 na revista científica PNAS. “Várias cidades da região amazônica como Santarém (Pará) e Porto Velho (Rondônia) também estão sofrendo um processo de crescimento acelerado. É preciso pensar quais consequências essa urbanização vai trazer para a floresta nas próximas décadas”, adverte.
Artaxo explica que o isopreno é o gás emitido para a atmosfera pelas plantas em maior quantidade entre todas as emissões da vegetação da floresta. Ele se transforma nas partículas que formam os núcleos de condensação de nuvens, e são estes núcleos que auxiliam na formação das chuvas da região.
O estudo avaliou quais são as razões de emissão de isopreno para a atmosfera; o quanto desse gás se transforma em núcleo de condensação de nuvens; e como a poluição de Manaus afeta o funcionamento natural da floresta ao alterar os mecanismos de oxidação do isopreno.
Conclusões
O estudo faz parte do experimento GoAmazon e envolveu, além da USP, cientistas de diversos polos de pesquisa do mundo: Universidade de Harvard, Brookhaven National Laboratory, Universidade de Wisconsin-Madison, Universidade da Califórnia, Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Pacific Northwest National Laboratory, todas do Estados Unidos; e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade do Estado do Amazonas, no Brasil.
Graças aos equipamentos sofisticados e às medições feitas em solo e com auxílio de avião do Departamento de Energia dos Estados Unidos, foi possível quantificar, com muita precisão, o fluxo de emissão de isopreno. ”Nós observamos que as razões de emissão são mais elevadas que os valores medidos anteriormente. Esses resultados alteram a importância da vegetação amazônica e seu impacto no clima da região”, esclarece Artaxo. O principal equipamento utilizado é o PTR-MS (sigla em inglês para Proton Transfer Reaction Mass Spectrometry), específico para medir a concentração de compostos orgânicos voláteis como o isopreno.
O estudo também obteve dados sobre a fração de isopreno que se transforma em partículas e qual o efeito delas para nuclear as gotas de nuvens. Para formar uma nuvem, explica Artaxo, é necessário vapor de água, e uma minúscula partícula que atue como semente dessas gotas de nuvens para que o vapor possa se condensar na superfície das partículas. “Sem elas, não se formam gotas de nuvem e, portanto, nem nuvens ou chuvas”, diz.
Controle climático da Amazônia
De acordo com Artaxo, até recentemente não se tinha uma ideia exata da fração que vem da oxidação de isopreno, pois havia somente medições pontuais em algumas torres do experimento LBA (Experimento de Grande Escala da Biosfera e Atmosfera da Amazônia). “O avião fez essa medição em uma escala muito grande, em um raio de 200 a 300 quilômetros de Manaus”, relata. Os dados obtidos reforçam a evidência do controle climático da Amazônia pela própria floresta. “A floresta controla a quantidade de núcleo de condensação de nuvens na atmosfera. Era uma suspeita que tínhamos há alguns anos. Este estudo confirmou e quantificou esse impacto.”
A pesquisa traz ainda dados sobre como a poluição de Manaus influencia a região. “Descobrimos que determinados compostos, como os óxidos de nitrogênio, expelidos por automóveis e indústrias, alteram os mecanismos de oxidação de isopreno. Essa oxidação é crítica para fazer esse isopreno formar novas partículas”, adverte o pesquisador.
Para efeitos comparativos, São Paulo tem 7 milhões de automóveis, 10 vezes mais que Manaus. Mas a capital amazonense está localizada em uma região muito isolada, no meio da floresta. “Trata-se de uma configuração muito especial. É uma fonte de poluição pontual completamente distinta do restante do planeta, pois está isolada por 1.500 quilômetros de florestas em todas as direções. Isso nos permitiu desenhar o experimento GoAmazon e analisar o impacto dos poluentes atmosféricos emitidos por automóveis nas emissões naturais da floresta”, conclui.
(ecodebate)

Mais de 80% da população em centros urbanos vive com ar poluído

Mais de 80% da população em centros urbanos vive com ar poluído, diz OMS
Relatório da agência da ONU analisou a qualidade do ar em 3 mil cidades de 103 países; Curitiba é citada como modelo com várias ações e medidas verdes; nível de poluição está aumentando nas regiões mais pobres.
O estudo da OMS foi feito em 3 mil cidades em 103 países.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, alertou que mais de 80% da população urbana mundial vive em áreas com alta taxa de poluição do ar.
A informação consta do 3º Relatório Global sobre o assunto, lançado esta quinta-feira pela agência da ONU. Segundo os especialistas, a poluição do ar representa o maior risco ambiental à saúde. Ela é responsável por mais de 3 milhões de mortes prematuras no mundo todos os anos.
Piorar
Segundo o documento, 98% das cidades dos países de baixa e média rendas, com mais de 100 mil habitantes, apresentam índices de qualidade do ar piores do que o estipulado pela OMS. No caso dos países ricos, a taxa das cidades que registram ar poluído caiu para 56%.
De Genebra, em entrevista à Rádio ONU, Carlos Dora, epidemiologista da agência falou sobre as conclusões do relatório.
“Nas cidades dos países em desenvolvimento, a gente vê que tem uma quantidade maior (de cidades poluídas) e a tendência é piorar. Então isso é, obviamente preocupante. Uma parte dos dados, mostra exatamente essa tendência temporária. A piora no geral é de 8%.”
O estudo da OMS foi feito em 3 mil cidades em 103 países. No Brasil, os especialistas analisaram 45 cidades do nordeste ao sul do país, entre elas, Curitiba, Campinas, São Paulo, Campos, no Estado do Rio de Janeiro e Malembá e Madre de Deus, na região metropolitana de Salvador.
“Tem, por exemplo, cidades como Curitiba, que tinha um nível que antes era acima do preconizado pela OMS e que agora tem o ar limpo de acordo com a qualidade de ar da agência da ONU. É uma coisa muito positiva porque Curitiba também tem um dos melhores exemplos de políticas públicas que levam a limpar a qualidade do ar. Gestão dos resíduos para não queimar o lixo, (a cidade) faz uma gestão ecológica dos resíduos, deixa fermentar e colhe o metano para usar como biogás. Então tem uma série de soluções na gestão de resíduos que eles estão implementando.”
Trânsito caótico e poluído em Nova Délhi, na Índia.
Rodízio de Carros
Dora falou ainda que o rodízio de carros implementado em várias cidades mundiais, como por exemplo em São Paulo e na Cidade do México, funciona para reduzir a poluição em situação aguda.
Mas ele disse que em longo prazo, as cidades devem analisar a situação detalhadamente e buscar a causa da poluição.
O representante da OMS citou que Nova York, na época do prefeito Michael Bloomberg, fez um estudo que concluiu que metade da poluição do ar vinha do combustível “sujo” usado nos equipamentos de aquecimento e refrigeração dos prédios da cidade e não dos carros.
Cidades como Copenhague e Bogotá melhoraram qualidade do ar incentivando uso da bicicleta.
Poluição e Saúde
Dora fez uma comparação dizendo que as medidas adotadas para combater a poluição do ar podem ajudar na área de saúde. Segundo ele, as pessoas que têm doenças vasculares recebem recomendações para fazer exercício físico, não fumar e ter uma dieta saudável.
Mas o epidemiologista da OMS declarou que não há uma recomendação especial para que essas pessoas evitem ambientes poluídos.
Para ele, “é crucial que os governos e cidades façam da qualidade do ar em regiões urbanas uma prioridade de saúde e desenvolvimento”.
Dora afirmou que “quando a qualidade do ar melhora, diminuem os gastos de saúde relativos a doenças como alergias e infecções pulmonares, aumenta a produtividade dos trabalhadores e também a expectativa de vida da população”. (ecodebate)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Desenvolvimento sustentável, Parte II

GUEDES (2015) traz um comentário que endossa a visão de uma completa reformulação do “modus operandi” atual em busca da sustentabilidade:
Desenvolvimento é uma palavra que, no conceito acima, está inscrita na ideia da produção e lucro, dos meios de produção, do contínuo progresso. Sendo assim inscrita, ela compactua e mantém o alicerce da estrutura hegemônica do pensamento capitalista, colocando um teor “sustentável” para poder dar conta da pressão global junto a degradação desenfreada que a humanidade sofre em todo o meio-ambiente. Sustentabilidade remete a uma nova maneira de pensar, fomenta uma racionalidade agregadora do sentido primordial do equilíbrio e respeito à natureza, a geração de uma nova mentalidade e percepção que possa abranger os campos do sensível e do inteligível, tendo como princípio a valorização das subjetividades culturais e regionais. Esta forma de pensamento ambiental rompe a ideia de totalidade, globalização, recursos naturais, conceitos inscritos no cerne da concepção de desenvolvimento sustentável.
Mais do que diferentes visões a respeito da questão do meio ambiente, há nas diferenças entre uma expressão e a outra, necessário observar o “porquê” das diferenças. A discussão é político-econômica, não apenas ambiental. Neste sentido, a educação ambiental para a sustentabilidade, precisa ser muito bem embasada e as pessoas seriamente comprometidas com as realidades. “Senão, os caminhos epistemológicos que sugerem a manutenção da realidade através da disseminação da ideia do desenvolvimento sustentável, como sendo a mesma de sustentabilidade, vão se tornar hegemônicos”.
Isto se deve ao fato de que a questão ambiental representa uma síntese dos impasses que o modelo atual de civilização acarreta, chamada “crise civilizatória”.
Por isso se sabe que leis e normas não vão resolver os problemas. Mas são muito relevantes numa sociedade criada pela civilização humana que vive de direito positivado.
A civilização humana vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, na acepção livre das concepções de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio.
Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.
Outro mundo é possível, mesmo dentro da livre iniciativa. Ocorre enfatizar que nada é contra a livre-iniciativa. Que sem dúvida sempre foi e parece que sempre será o sistema que melhor recepciona a liberdade e a democracia. Mas uma nova autopoise sistêmica para o arranjo social, é urgente e precisa ser desenvolvida pela civilização humana.
Esta mudança deve começar logo, juntando as lutas singulares, os esforços diários, os processos de auto-organização e as reformas para retardar a crise, com uma visão centrada numa mudança de civilização e uma nova sociedade em harmonia com a natureza.
Não é preciso esperar catástrofe ecológica ou hecatombe civilizatória para determinar nova autopoiese sistêmica.
Neste contexto, a superação dos problemas acarretados exigirá mudanças profundas na concepção de mundo, de natureza, de poder e de bem-estar, tendo por base novos valores individuais e sociais. Faz parte desta nova visão de mundo, a percepção de que o homem não é o centro da natureza (BRASIL, 1996, p. 179). Tal situação é apresentada depois de PORTO-GONÇALVES (2013, p. 15) da seguinte forma:
com a questão ambiental estamos diante de questões de claro sentido ético, filosófico e político. O que fazer com o nosso antropocentrismo quando olhamos do espaço nosso planeta e vemos o quão pequeno ele é e quando passamos a saber que, enquanto espécie humana, somos apenas uma entre tantas espécies vivas de que nossas vidas dependem?
Dizer que a problemática ambiental é, sobretudo, uma questão de ordem ética, filosófica e política é se desviar de um caminho fácil que nos tem sido oferecido: o de que devemos nos debruçar sobre soluções práticas, técnicas, para resolver os graves problemas de poluição, desmatamento, de erosão. Esse caminho nos torna prisioneiros de um pensamento herdado que é parte do problema a ser analisado. Existe uma crença não-crítica, de que sempre existe uma solução técnica isenta e desvinculada.”
Obviamente isto não é verdadeiro. Se poderia acrescentar o uso do enganador apanágio tecnológico, mas não interessa perder a continuidade da reflexão.
Melhorias duradouras nas condições de vida, baseadas na visão de sustentabilidade, focadas na busca de formas mais sustentáveis para a produção industrial e agropecuária, ações que incentivem a justiça social, uso racional dos recursos naturais e o combate ao consumo exagerado são os grandes desafios neste momento de crise civilizatória.
Um ponto importante nesta discussão é a disputa pela hegemonia teórica. Para HOEFFEL e REIS (2011, p. 126):
a dimensão política da questão ambiental é dada justamente pela disputa entre os diferentes atores na busca de uma hegemonia teórica sobre a problemática do meio ambiente, base para a legitimação das práticas de apropriação dos recursos naturais pelos diferentes interesses em disputa.”
As contribuições de dois críticos ao conceito de desenvolvimento sustentável, que preferem a expressão “Sociedade Sustentável” é destacada:
“vejo a questão exatamente como você”. Belo resumo do assunto. Estava aqui pesquisando e encontrei um artigo da Revista Plural, do Programa de Pós Graduação em Sociologia da USP que desenvolve a temática e nos coloca mais uma expressão para pensar (e eventualmente usar) “sociedade sustentável” (KANASHIRO, 2009).
Nessa concepção, segundo Lima (2003), prefere-se utilizar a expressão sociedade sustentável, salientando a autonomia política, a diversidade cultural e os valores éticos de respeito a vida. Na definição de DIEGUES (1992, p. 28): O conceito de “sociedades sustentáveis” parece ser mais adequado que o de “desenvolvimento sustentável”, na medida em que possibilita a cada uma das sociedades definir seus padrões de produção e consumo, bem como o de bem-estar a partir de sua cultura, de seu desenvolvimento histórico e de seu ambiente natural.”
O comentário do economista Ladislaw Dowbor ajuda-nos a compreender a relevância de ir além do “triple bottom line”:
Um ponto de partida básico que nos ajuda a definir os rumos da gestão, é a visão que está se tornando aceita no planeta de que temos de assegurar um desenvolvimento que seja economicamente viável, socialmente justo, e ambientalmente sustentável. Ou seja, não se trata mais das empresas fazerem dinheiro, o Estado trazer o curativo, e os verdes protegerem as baleias. Toda empresa, qualquer projeto do Estado, e qualquer iniciativa das organizações da sociedade civil têm de buscar simultaneamente a articulação do econômico, do social e do ambiental. Esta visão do “triple bottom line”, na medida em que se popularizou, ajuda bastante. Mas na realidade, é insuficiente (DOWBOR, 2012, p. 1080).
É preciso fazer um resgate do conceito de Desenvolvimento Sustentável que foi deturpado. Isto faz sentido se retomarmos o comentário de VEIGA (2013, p. 108) de que, em 1992, na época da Rio 92, essa “bizarra parábola dos ‘três pilares’ nem sequer havia sido inventada. Ela só começou a ser difundida a partir de 1997, e no contexto das empresas, não das nações”. Conhecer o histórico deste termo é essencial para um entendimento dos usos e deturpações nos discursos ambientais:
Nas tentativas de encontrar uma definição de sustentabilidade condizente, ocorre se deparar com a afirmação de que a aplicabilidade da sustentabilidade pressupõe mudanças” (DOBSON, 1999, p. 12). “Relacionando a sustentabilidade com a noção de sociedade sustentável “a sociedade sustentável é uma sociedade utópica no sentido estrito do termo” (DOBSON, 1999 p. 13). “A utopia da sociedade sustentável é uma perspectiva política e a principal de suas definições possíveis é aquela que vive e se desenvolve integrada à natureza”. Respeita a diversidade biológica e sociocultural da vida e está centrado no pleno exercício responsável da cidadania, com a distribuição equitativa da riqueza. Não utiliza mais recursos naturais do que pode ser renovado e favorece condições dignas de vida para as gerações atuais e futuras (RODRIGUES, 1997, p. 159)”.
Segundo HOEFFEL e REIS (2011, p. 125), “a julgar pelas controvérsias que a definição de sustentabilidade coloca é de se esperar que diferentes posições tenham surgido nos últimos anos. O conceito de sustentabilidade vem sendo amplamente utilizado dentro de diferentes abordagens teóricas, muitas vezes contraditórias”.
Para DRYZEK (2005) “existem modelos híbridos nestas tipologias, mas enfatiza que existem diversos discursos ambientais que em alguns casos se completam, mas que em geral competem entre si e por uma hegemonia na solução de questões ambientais e que a cada discurso é possível vincular distintas perspectivas para o termo sustentabilidade” (2006 apud HOEFFEL e REIS, 2011, p. 127).
O último comentário que se apresenta traz uma visão importante, que vai além das disputas sobre os significados dos conceitos, focando na inevitável situação “sine qua non” de mudança no modelo atual civilizatório, que nada mais é que nova autopoise, já que o socialismo foi um desastre ambiental:
Sem chegar a uma conclusão fechada, cita-se a frase de Antoine Laurent de Lavoisier (Paris, 26 de agosto de 1743), que diz que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, então, independente de se fazer conta, usando apenas esse raciocínio, se gastarmos mais do que o planeta tem como reserva, em certo momento as mesmas se esgotarão, seja energética, minerais, vegetais, animais, gases, enfim tudo. Uma coisa é garantida, sem água, calor, oxigênio e comida a vida humana na Terra terá fim. Equilibrar a balança entre o que temos e o que podemos gastar é o grande dilema. Temos que diminuir as desigualdades sociais, não apenas elevando as condições dos menos favorecidos, mas diminuindo o consumo e o desperdício desenfreado pelos mais abastados.”
A proposta é construir uma visão que demonstre a heterogeneidade nos discursos sobre os conceitos de Desenvolvimento Sustentável e Sustentabilidade, como destacado pelo SAUVÉ (2005):
Quando se aborda o campo da educação ambiental, podemos nos dar conta de que apesar de sua preocupação comum com o meio ambiente e do reconhecimento do papel central da educação para a melhoria da relação com este último, os diferentes atores (pesquisadores, professores, pedagogos, animadores, associações e organismos), propõem diversas maneiras de conceber e de praticar a ação educativa neste campo. Cada um predica sua própria visão e inclusive, formam-se “igrejinhas” pedagógicas que propõem a maneira “correta” de influenciar, “o melhor” programa e o método mais “adequado” (SAUVÉ, 2005, p. 17).” (ecodebate)

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