domingo, 7 de junho de 2020

Discurso Intelectual – Sustentabilidade x Marketing

A sustentabilidade tem sido extensivamente estudada em várias disciplinas de negócios, incluindo a administração, marketing e operações, cobrindo tópicos tais como o chamado Triple Bottom Line, negócios verdes e responsabilidade corporativa.
A teoria da Triple Bottom Line inclui um foco adicional sobre a economia, a fim de enfatizar os benefícios financeiros resultantes da sustentabilidade. Em resposta às necessidades práticas, a Organização Internacional de Padronização desenvolveu a família do ISO 14000, grupo de padrões que proporciona uma orientação em relação à gestão ambiental. ISO 26000 foi introduzida em 2010 com o objetivo de oferecer guias as empresas que desejarem implementar iniciativas de responsabilidade social.
Infelizmente, boa parte da pesquisa e do pensamento acadêmico dominante em marketing está ainda no nível de tratar sustentabilidade como ambientalismo, diante de uma visão conservadora, de orientação gerencial ingênua e neoliberal, que percebe a sustentabilidade como uma questão micro e gerencial e não dentro de uma questão macro (HACKLEY, 2009), sempre pressionada. Isto contribui para diminuir o papel de marketing como uma força positiva na sociedade e fortalecer o papel das corporações para liderar o caminho como provedores de soluções de sustentabilidade.
Apenas uma minoria de pesquisadores de marketing, incluindo os da área do macromarketing, procura entender o poder do marketing fora do ingênuo discurso gerencial. O que os profissionais de marketing – como cidadãos – precisam conhecer sobre marketing, consumo e sociedade? Pode o consumo tornar-se sustentável e o que seria do marketing numa sociedade sustentável?
A metáfora da sustentabilidade advinda das grandes corporações é tão poderosa que hoje essas corporações supõem agirem dentro dos princípios de sustentabilidade. Como pode ser isto, se a natureza está dilapidada e destruída? Onde está a força do marketing? Recente pesquisa abrangendo as 30 maiores corporações do mundo mostrou, de forma surpreendente, que estas corporações não argumentam que estão em busca da sustentabilidade, mas que já alcançaram a sustentabilidade. O estudo mostrou que a agenda de sustentabilidade está presente nestas corporações, que, para manter o status quo, utilizam uma categoria de ecomodernismo, onde a sua sobrevivência tem precedência.
A ambiguidade estratégica de sustentabilidade é tamanha nestas corporações, que o termo sustentabilidade não tem nenhum significado, a não ser assegura boa lucratividade. Enfim, sustentabilidade não se apresenta como um dilema ou um problema para elas, por já ter alcançado, na visão delas, a sustentabilidade (IHLEN; ROPER, 2014).
Acontece, porém, que sustentabilidade e marketing não são tão amigáveis no discurso intelectual, visto que, tradicionalmente, seguem lados opostos no contínuo do consumo. Apesar do avanço rápido da sustentabilidade como uma ideologia viável no âmbito político, econômico, tecnológico e acadêmico, a sua compreensão teórica, empírica ou estratégica está ainda começando, o que dificulta se ter uma compreensão de como e até que ponto a sustentabilidade possa influenciar o desenvolvimento das teorias de marketing.
Os 4P’s e o Marketing de Sustentabilidade
Falando de Marketing e Sustentabilidade a teoria é simples, mas, na prática as coisas não são tão simples assim e isso é visto sem precisar quebrar a cara. Dessa forma, adequar o 4P’s na sua estratégia de Marketing juntando a sustentabilidade pode ser desafiador. (ecodebate)

Pandemia e mudança climática

Este gráfico, com base na comparação de amostras da atmosfera contida em núcleos de gelo e medições diretas mais recentes, fornece evidências de que o CO atmosférico 2 tem aumentado desde a revolução industrial. (Crédito: Luthi, D., et al. 2008; Etheridge, DM, et al. 2010; dados do núcleo de gelo Vostok / JR Petit et al .; registro de CO2 NOAA Mauna Loa)
A estrutura mundial de produção e consumo de bens e serviços entrou em coma, vítima de vírus insidioso, grão de areia que emperrou o funcionamento da sociedade termo industrial.
A Covid-19 gerou uma crise econômica e social sem precedentes em tempos de paz. A vulnerabilidade da globalização ficou escancarada por um organismo vivo infinitamente pequeno e rápido no gatilho.
Sob a orientação da OMS – Organização Mundial da Saúde, os países tomaram medidas sanitárias drásticas para deter a pandemia. O confinamento afetou a economia de metade dos habitantes do planeta. Em que pese a tragédia humana, o tratamento de choque se revelou benéfico para o meio ambiente. Houve imediata e involuntária melhoria da qualidade do ar, graças à paralização das máquinas térmicas movidas a energia fóssil.
Ecologistas e pesquisadores se apressaram para extrair ensinamentos das medidas de contenção da pandemia que eventualmente possam contribuir para circunscrever as mudanças climáticas.
A melhora da qualidade do ar foi o principal benefício ambiental. Verificou-se a redução de dois tipos de danos à atmosfera. O primeiro foi a baixa das emissões do dióxido de carbono – CO2, principal gás de efeito estufa – GEE, substância não tóxica, cujo impacto na natureza é de caráter global. O segundo diz respeito à diminuição da concentração de poluentes tóxicos no ar das aglomerações urbanas submetidas ao confinamento e cujo impacto é local e regional. Trata-se de um conjunto de poluentes composto de SO2, NOx, PM2.5, COV, CH4, CO, Pb, Hg…
A melhora do ar permitiu aos habitantes do Punjab ver novamente a cordilheira do Himalaia que havia desaparecido no horizonte. A redução do ruído e da circulação nas cidades fez com que os citadinos ouvissem o canto esquecido dos pássaros e presenciassem animais antes arredios ocuparem o espaço urbano – ninhadas de marrecos do Sena passeando alegremente pelo Quartier Latin, em Paris.
Os efeitos benéficos ao meio ambiente foram estimados. A poluição tóxica do ar reduziu-se de 25% a até 40%, conforme a aglomeração urbana estudada o que evitou cerca de 60 mil mortes na China e 11 mil na Europa. Sabe-se que a poluição mata 8,8 milhões de pessoas no planeta por ano – 1,1 milhão na China, 45 mil no Brasil. Quanto às emissões mundiais de CO2, elas devem diminuir entre 5% e 6% em 2020. A queda do PIB mundial também é estimada em torno de 5%.
Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, para conter o aquecimento global a um nível administrável, a temperatura média do planeta não poderá ultrapassar 2º C em 2100.
Para alcançar esse objetivo é preciso reduzir as emissões mundiais atuais de GEE por um fator três até 2050 (30 anos). Isso significa reduzi-las até 2050 em torno de 4% ao ano, em relação ao ano anterior.
Ora, a queda dessas emissões, em 2020, será da ordem de 5% em razão da pandemia. Ou seja, uma redução de GEE equivalente aos valores recomendados pelo IPCC. Seria como se tivéssemos interrompido o funcionamento das máquinas térmicas supérfluas do planeta durante dois ou mais meses ao ano, sem necessidade de confinamento e distanciamento social.
Como é possível constar, reduzir as emissões de GEE significa aplicar medidas econômicas regressivas. Também significa que não haverá solução ao colapso ecológico enquanto houver crescimento. Mas, a crise do Covid-19 não nos prepara para enfrentar os desequilíbrios climáticos.
Reduzir emissões em 4% é um desafio gigantesco. O repto climático ultrapassa em muito a crise sanitária atual. Além de exigir uma adaptação controlada e organizada desde agora, implica em alocar vultosos recursos em longo prazo – ações necessárias que, infelizmente, não estão na ordem do dia.
Crise sanitária e adaptação da sociedade às mudanças climáticas têm pouco em comum, exceto o fato de serem um fenômeno mundial.

A pandemia paralisou temporariamente o aparato de produção e consumo, enquanto que a segunda pretende transformá-lo radicalmente. A melhoria da qualidade ambiental temporária foi obra da paralisia econômica mundial e não resultou de uma política ecológica. A estrutura produtiva da sociedade termo industrial resta intacta, não foi destruída por bombas. Está pronta para funcionar ao primeiro sinal.
Políticas de estímulo econômico estão previstas para terem inicio logo após o fim da contenção, através de financiamentos jamais vistos. A queda temporária nos preços do petróleo será um estímulo às energias fósseis. Em nome da recuperação econômica, haverá suspensão e adiamento de regulações restritivas aos danos ambientais. A retomada do crescimento, nesses moldes, poderá nos conduzir a um retrocesso ecológico. Superada a pandemia, os danos à biosfera seguirão a nefasta trajetória anterior.
A questão sanitária pode ser definida como uma crise, pois supõe que a sociedade retornará ao status quo ante.
Este não é o caso das mudanças climáticas: o fenômeno ecológico está presente entre nós e veio para ficar. Ele prospera gradativamente – elevação da temperatura, acidificação dos oceanos, aumento do nível do mar, derretimento de geleiras, perda de biodiversidade e eventos extremos como secas, inundações e ciclones.
Para contrapor esse cenário de desregulação ecológica, necessitamos criar uma nova realidade, a qual terá repercussões em todos os aspectos da vida em sociedade. Ainda não sabemos como fazê-la, da mesma maneira que não sabemos como planejar em um quadro recessivo – afinal, concebemos o crescimento como infinito.
A tarefa é enorme. Descarbonizar a sociedade, substituir as energias fósseis por energias eólica e fotovoltaica é um caminho. Embora não haja clareza se será possível substituir – em parte ou em totalidade, quando, em quais prazos – por energias renováveis os 14,3 bilhões de toneladas de energia fóssil consumidas anualmente no planeta. Nem indicam qual energia será empregada na produção anual e atual de 4,6 e 1,8 bilhões de tonelada de cimento e aço, respectivamente. Nem tampouco se haverá aumento ou redução do PIB. Sem falar de outras medidas necessárias, como reduzir a população das grandes cidades, voltar ao campo, diminuir os deslocamentos, aproximar produção e consumo, preservar a biodiversidade, assegurar a renovabilidade de recursos naturais, diminuir e reciclar o uso de matérias primas… Há quem defenda que basta substituir as energias fósseis por renováveis.
O princípio fundamental do caminho ecológico será distinguir o essencial do supérfluo. Aceitar o crescimento do essencial e restringir o do supérfluo. Construir uma sobriedade compartilhada. Trata-se de um projeto ecológico que preserve a capacidade da natureza de sustentar uma existência coletiva sóbria entre os seres vivos e inanimados e que não seja nem precária, nem perigosa.
Dispomos de pouco tempo para nos adaptar de maneira programada e progressiva. E nos lembrar que a Terra tem apenas 13 mil quilômetros de diâmetro, distância entre São Paulo e Paris, minúsculo planeta que estará do mesmo tamanho em milhares de anos. Enfim, não somos “maîtres et possesseurs de la nature” como cogitou Descartes.

Poluição do ar cai à medida que o coronavírus desacelera as viagens, mas cientistas alertam para ameaça de longo prazo ao progresso das mudanças climáticas. (ecodebate)

Total quer neutralizar emissões até 2050

Para empresa, estratégia fornece vantagem competitiva que cria valor em longo prazo.
A Total anunciou em 05/05/20, o objetivo de ser carbono neutro até 2050 juntamente com a sociedade para seus negócios globais em seus produtos de produção e energia usados por seus clientes. A ação acontece através de uma declaração conjunta desenvolvida entre a Total S.A. e os investidores institucionais – como participantes da iniciativa global de investidores Climate 100 + 1.
De acordo com a empresa, a meta é sustentada pela estratégia de desenvolver a Total como uma empresa de energia ampla, com petróleo e gás, eletricidade de baixo carbono e soluções de neutralidade de carbono como partes integradas de seus negócios. A Total acredita que essa estratégia de baixo carbono fornece uma vantagem competitiva que cria valor a longo prazo para os seus acionistas. Ainda segundo a Total, essa estratégia já está em vigor desde 2015, já que a empresa é líder em termos de redução da intensidade média de carbono, com uma redução de 6% já alcançada desde então.
A neutralidade vai ser obtida nas operações mundiais da Total até 2050 ou mais cedo e em todos os seus produtos de produção e energia usados por seus clientes na Europa até 2050 ou mais cedo. A empresa também quer redução de 60% ou mais na intensidade média de carbono dos produtos energéticos utilizados em todo o mundo pelo total de clientes até 2050.
Para Patrick Pouyanné, presidente do Conselho da empresa, os mercados de energia estão mudando, impulsionados pelas mudanças climáticas, tecnologia e expectativas da sociedade. Segundo ele, a Total está comprometida em ajudar a resolver o duplo desafio de fornecer mais energia com menos emissões. Ele vê a empresa determinada a avançar na transição energética, além de aumentar o valor para os acionistas. Segundo Pouyanné, o conselho acredita que o roteiro, estratégia e ações globais da Total estabelecem um caminho consistente com os objetivos do acordo de Paris.
De acordo com Valentina Kretzschmar, vice-presidente de Pesquisa Corporativa, a Total vem liderando os esforços de transição energética entre os maiores players e é o maior gastador, respondendo por quase 60% dos gastos totais em fusões e aquisições dos maiores players europeus em energias renováveis, ou quase US$ 5 bilhões desde 2016. Segundo ela, o compromisso mais profundo da empresa em cumprir as metas de carbono mostra sua direção estratégica para a diversificação de energias limpas, apesar dos baixos preços do petróleo e da implementação de medidas de redução de custos em seus negócios de petróleo e gás.
Ela considera que a mudança é um desenvolvimento positivo para a transição energética no setor de petróleo e gás. A expectativa e que isso acelere no mundo pós-corona vírus, especialmente na Europa. O Acordo Verde da UE, bem como o objetivo do Reino Unido de alcançar carbono líquido nulo até 2050 continuará a aumentar a pressão sobre as empresas para se comprometerem com energia limpa e desenvolver estratégias de mitigação de carbono. (canalenergia)

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Covid-19 causaria menos impacto no Brasil se Agenda 2030 estivesse ativa

Água e saneamento – Covid-19 teria tido menos impacto no Brasil se a Agenda 2030 tivesse avançado.
O plano de ação da Organização Mundial da Saúde prega a necessidade de assegurar acesso à água limpa e saneamento básico a toda população até 2030.
A disseminação de várias doenças como diarreia, hepatite e verminoses tem relação direta com a falta de serviços de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. O novo coronavírus também está no radar de pesquisadores. Além da associação evidente de falta de água para lavagem das mãos e higiene em geral com a disseminação do vírus, estudos preliminares detectaram vestígios genéticos do vírus em fezes humanas, mesmo depois de ele ter sido eliminado das vias respiratórias – embora não se saiba ainda o peso dessa presença na transmissão. Nessa linha de raciocínio, pesquisadores da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acreditam que a pandemia da covid-19 teria tido menos impacto social se a chamada Agenda 2030  tivesse avançado nos últimos anos. O Norte do Brasil tem maior carência: somente 10% da população tem acesso a tratamento de resíduos sólidos, e pouco mais de 50%, à água potável.
A  Agenda 2030 é um plano de ação para o desenvolvimento sustentável lançado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e acordado por 193 lideranças mundiais em 2015. Propõe encaminhamentos para diversas questões e a meta de número seis é enfática em relação à importância de assegurar acesso à água limpa e saneamento básico a toda a população até 2030.
“A desigualdade social é clara quando o assunto diz respeito à disponibilidade de água potável e tratamento de esgotos no Brasil, e a precariedade dessas condições eleva o índice de doenças”, afirma Ana Luiza Fontanelle, doutoranda em Planejamento de Sistemas Energéticos da Unicamp e pesquisadora colaboradora do Research Centre for Gas Innovation (RCGI) da Escola Politécnica (Poli) da USP. O Norte e o Nordeste do País, que são as regiões mais vulneráveis e sofrem com falta de leitos de UTI e estrutura de saúde para tratar pacientes com covid-19, são também as que têm menores taxas de acesso à água e a saneamento.
Dados do Sistema de Informação sobre Saneamento (SNIS) de 2018 mostra a discrepância entre as regiões brasileiras, inclusive, entre bairros mais ricos e periféricos de algumas cidades: no Sudeste, cerca de 90,3% têm acesso à água e 79,2,%, à coleta de esgoto, sendo a área urbana ainda mais privilegiada, com 97,7% e 72,1%, respectivamente. Já no Norte do Brasil, pouco mais da metade dos brasileiros, 57,6%, conta com recursos hídricos e 10,5%, com tratamento de resíduos.
Ana Luiza vê São Paulo como uma cidade de contrastes. Enquanto os grandes centros urbanos se destacam pela pujança econômica, as comunidades periféricas são as mais afetadas pelas adversidades. As crises hídricas de 2014 e de 2015 e a pandemia trazida pela covid-19 evidenciam este cenário. “Por apresentar maior vulnerabilidade econômica, a falta de água e saneamento aprofunda o problema”, questões que estão relacionadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de números 6 e 11, que tratam de água limpa e saneamento básico e cidades sustentáveis.
Drielli Peyerl, pesquisadora do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e do RCGI da Escola Politécnica (Poli) da USP chama a atenção para a falha brasileira no encaminhamento de ações para alcançar os ODS 3, 4, 10, 11 e 13, que dizem respeito à poluição do ar e mudanças climáticas. Durante a quarentena, com menos carros nas ruas e diminuição das atividades industriais, houve uma queda das emissões de poluentes atmosféricos. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) registrou em algumas regiões metropolitanas concentração máxima de poluentes de 1,0 parte por milhão (ppm) enquanto que o padrão normal em outros dias era de 9,0 partes por milhão (ppm). “Para a retomada econômica pós-pandemia, seria fundamental fazer discussões com diversos autores sociais sobre a geração de emprego e a transição para a produção de energias limpas e renováveis, em detrimento do uso de combustíveis fósseis”.
Segundo Leonardo Yoshiaki Kamigauti, doutorando do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, as incertezas sobre o cenário do petróleo não nos permitem construir uma proposta simples e sólida, pois o uso de energia limpa depende de um custo que seja competitivo com a energia derivada de combustíveis fósseis. O que se espera, após a pandemia, é que haja reforço de projetos ambientais no mundo todo, da escala regional à global, tendo em vista que a poluição (ou a falta dela) seja perceptível pela população.
Ana Luiza lembra da importância de se discutir a aplicabilidade da Agenda 2030 nesse momento de pandemia. Há uma preocupação que a retomada econômica depois da crise aprofunde ainda mais as desigualdades sociais e a volta das atividades industriais ocorra sem critério de sustentabilidade ambiental. Em sua opinião, os avanços da Agenda 2030 serão efetivos se houver sinergia e comprometimento da sociedade, do governo, das indústrias e da academia. (ecodebate)

Estiagem ameaça o abastecimento de água em regiões do Brasil

Com bloqueio atmosférico, há meses as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil amargam a estiagem. Por meio do racionamento, os órgãos de distribuição e tratamento regulam a água. A pergunta é: o que está acontecendo? Para o Paraná, é a pior estiagem dos últimos 40 anos. Quais são consequências disso, em especial para o abastecimento de água e para a produção de alimentos?
De acordo com o INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o bloqueio se deve, além de processos climáticos, à ausência de fenômenos como El Niño e La Niña, ao oceano neutro e às queimadas, muito representativas nesse processo.
O Mato Grosso foi o estado que mais teve queimadas de 2019 para cá, 3.587 focos, entre janeiro e abril. Com um aumento de 18% em relação a 2019, apresenta o maior número de queimadas dos últimos anos. O Mato Grosso do Sul com mais de 1.501 focos, também conta com um número que assusta em relação aos outros anos, ou seja, 43% a mais, dado indicado pela SOMAR Meteorologia.
Barragem de Iraí: Nível de água está muito baixa.
Estiagem eleva desafio em tempos de pandemia: economizar água sem se descuidar.
Com o tempo seco, mapas registram que há menor umidade na Terra nos últimos anos, embora alguns lugares do Brasil apresentem números de umidade maiores, como no Triângulo Mineiro, o norte de São Paulo, Goiás, a Amazônia e o Nordeste.
A menor disponibilidade de umidade faz frente reversa na agricultura: a raiz das pastagens e outras culturas não conseguem atingir a água mais profunda, promovendo a seca e, consequentemente, a perda de produção.
A volta das chuvas, esperança de muitos, deverá acontecer nas primeiras semanas de maio, mas talvez não seja suficiente para regular os estoques muito baixos e evitar ainda o racionamento. Sugerimos evitar o desperdício, tomar banhos mais curtos e fazer o reuso da água, que é um bem universal e essencial para a manutenção da vida.
Umidade superficial do solo; áreas em vermelho representam menor disponibilidade de água superficial. (ecodebate)

Temperaturas em abril/20 são as mais quentes já registradas

Temperaturas no mês de abril são as mais quentes já registradas, mostram satélites.
O serviço de mudança climática Copernicus (C3S) informou em 05/05 que o ano de 2020 teve o mês de abril mais quente já registrado no mundo.  
As temperaturas em abril foram iguais às de abril mais quente anterior, registradas há quatro anos, com temperaturas extremamente altas em algumas partes da Europa, Groenlândia e Antártica.
Temperaturas globais acima da média significavam que abril era apenas 0,01°C mais frio que abril de 2016, uma diferença considerada estatisticamente "insignificante" pelo Serviço de Mudança Climática da Copernicus na Europa. As temperaturas globais foram 0,7°C mais quentes que a média de abril entre 1981 e 2010, informou a agência em seu relatório mensal.
A Suíça registrou uma temperatura média em abril 3°C mais quente que a média entre 1991 e 2020 e quase 5°C que a média entre 1871 e 1900. A França registrou o terceiro mês mais quente do país desde 1900.
O serviço europeu ainda confirmou que abril de 2020 teve uma temperatura média inferior de apenas 0,01°C a 2016, até então o mais quente já registrado. (ANSA)
Antártida bate os 20°C (e outros extremos climáticos dos últimos tempos).
Temperatura dos oceanos, derretimento das geleiras e precipitação acima do normal são só alguns dos (maus) recordes atingidos nos últimos meses. (noticiasagricolas)

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Desmate da Mata Atlântica traz risco ao abastecimento de água em SP

Derrubada criminosa da Mata Atlântica traz risco ao abastecimento de água em SP.
Levantamento indica que 1,2 milhão de árvores foram mortas apenas no Município de São Paulo nos últimos seis anos. Sem a cobertura vegetal nas áreas mais afastadas da Zona Sul, Leste e Norte da Cidade, nascentes são aterradas, cursos de água e córregos deixam de existir, o que compromete os mananciais de água que abastecem principalmente as Represas da Guarapiranga e Billings, responsáveis pelo fornecimento de água a grande parte da população da Região Metropolitana de São Paulo.
Conclusões do dossiê “A Devastação da Mata Atlântica no Município de São Paulo” (2ª Edição, 454 páginas), cujo lançamento foi feito pelo Vereador Gilberto Natalini (PV-SP). O documento traz 160 áreas desmatadas. Ao todo, 7,2 milhões de metros quadrados de florestas paulistanas já foram ao chão. Uma área ainda maior está sob séria ameaça, caso o Poder Público continue omisso.
O dossiê apresenta fotografias de satélite mostrando o “antes” e o “depois” da destruição da Mata Atlântica, além de imagens de drone e fotos obtidas nos próprios locais onde organizações criminosas devastam a cobertura vegetal para implantar aterros e loteamentos clandestinos (ao todo quase 700 fotografias). Estes terrenos são vendidos ilegalmente, na maioria das vezes a pessoas simples que se desfazem de suas posses para comprá-los. Adquirem lotes sem documentação, enquanto o Poder Público assiste a tudo sem tomar providências eficazes.
Natalini pediu a instalação de uma CPI para investigar a devastação sistemática da Mata Atlântica na Cidade. Não foi atendido. O dossiê traz depoimentos de 52 testemunhas sigilosas – homens e mulheres, a maioria moradora das regiões devastadas no extremo da Zona Sul. Juntas, essas pessoas citaram, direta ou indiretamente, 75 suspeitos de cometer crimes ambientais e outras ilegalidades, como crimes de corrupção.
As testemunhas não terão suas identidades reveladas por segurança. Agora cabe ao Ministério Público conduzir as investigações que se fizerem necessárias e tentar acabar de vez com a derrubada avassaladora de árvores na nossa Mata Atlântica e, assim, interromper a grave destruição do meio ambiente que está em curso no Município de São Paulo.
 (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...