sábado, 3 de julho de 2021

A devastação da Amazônia e a seca no sul e no sudeste

Por que a velha mídia e os cientistas se mostram surpresos com o vazio de nossos reservatórios e com a maior seca dos últimos 91 anos?
Seca no sudeste tem a ver com desmatamento na Floresta Amazônica.

Chuvas que carregam os reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. Árvores é o “toque final” da máquina biológica que produz chuvas.

Quando cheguei pela primeira vez no município de SINOP, Mato Grosso, me perguntei o que isso significava. Então, me disseram que era uma sigla: Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná. O próprio site da prefeitura diz que a cidade se originou na década de 70 do século passado, pela política de ocupação da Amazônia Legal pelo Regime Militar.

Quando estive lá, a cidade era uma serraria atrás da outra, mas também me disseram que já tinha diminuído o número, já que a madeira estava acabando. Então, viria a soja para ocupar os espaços desmatados. Depois viria o gado. Por fim, terras abandonadas, imprestáveis para qualquer uso. Números dizem que o agronegócio deixou para trás cerca de 80 milhões de hectares de terras imprestáveis no território brasileiro.

Mas, o que o pessoal do Paraná foi fazer em SINOP? Foi levar o modelo de desenvolvimento que eles aplicaram no próprio estado décadas atrás. E o modelo, que sempre foi predador, continua predador. É o modelo que sulistas e sudestinos espalham também no Oeste Baiano.

Agora, com o licenciamento ambiental pornograficamente liberado, a grilagem das terras públicas liberada, então o avanço sobre a Amazônia tende a se acelerar e devastar o bioma como nunca na história desse país. No último mês de abril o desmatamento foi de 810 km2, o maior da série dos últimos dez anos (Imazon).

Então, acontece uma seca nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Aí vem a mídia, a Agência Nacional de Águas etc., para dizerem que passamos pela maior seca dos últimos “91 anos”.

Se você destrói a floresta amazônica, fundamental no ciclo das águas que abastece o Brasil pelos Rios Voadores, como você vai querer que continue chovendo no Sul e no Sudeste? É como matar as árvores dos ovos de ouro. E matam.

Os cientistas já alertaram que, nessa latitude, no Chile há o deserto do Atacama, na África o deserto da Namíbia e na Austrália o deserto Australiano. Mas, mistério, chove aos cântaros no Centro-Oeste brasileiro, nas regiões Sul e Sudeste, chegando até Uruguai, Paraguai e Argentina. Hoje se fala que a Amazônia chega até à Patagônia.

Então, matemática simples, como ligar lâmpada e interruptor, se o agronegócio continuar destruindo a Amazônia como está fazendo, a região Sul do Brasil, incluindo o norte da Argentina, viram deserto como o é em outras latitudes da Terra.

É uma escolha. E esses homens que dominam o Brasil escolheram o pior cenário. Novas secas virão, sempre mais terríveis e o deserto aguarda a todos ali na frente.

O caminho dos rios voadores. Fonte: Projeto Rios Voadores. (ecodebate)

Tribunal de Haia considerou a Shell responsável direta por causar

Crise climática bate à porta das grandes petroleiras – Em dia histórico, Shell é condenada em Haia, diretoria da ExxonMobil é derrotada por acionista ativista, e investidores obrigam Chevron a prestar contas de suas emissões.

Pela primeira vez na história, o Tribunal Distrital localizado em Haia, na Holanda, considerou uma corporação – a Royal Dutch Shell – responsável direta por causar mudanças climáticas perigosas para a vida humana.

A decisão divulgada em 26/05/21 é resultado de uma ação judicial movida pela organização Friends of the Earth Netherlands (Milieudefensie) junto com 17 mil cidadãos holandeses, além de outras 6 organizações.

Na decisão, a Corte de Haia determina que a Shell reduza suas emissões de CO2 em 45% até 2030 levando em conta os níveis de 2019, em alinhamento com as metas do Acordo de Paris. A empresa é obrigada a cumprir a decisão imediatamente porque a política climática da Shell apresentada ao tribunal não foi considerada suficientemente concreta.

O veredito reconhece que a falta de compromissos climáticos da empresa viola direitos humanos, e que a companhia é responsável também pelas emissões de seus clientes e fornecedores.

“Esta é uma vitória monumental para nosso planeta, para nossos filhos e é uma parada rumo a um futuro habitável para todos”, comemora Donald Pols, diretor da Friends of the Earth Holanda. “O juiz não deixou margem para dúvidas: a Shell está causando uma perigosa mudança climática e deve parar seu comportamento destrutivo agora”.

Roger Cox, advogado da Friends of the Earth Holanda, também está encantado: “Este é um ponto de inflexão na história. Este caso é único porque é a primeira vez que um juiz ordenou a uma grande empresa poluidora o cumprimento do Acordo Climático de Paris. Esta decisão também pode ter grandes consequências para outros grandes poluidores”.

“Nossa esperança é que este veredicto desencadeie uma onda de litígio climático contra os grandes poluidores, para forçá-los a parar de extrair e queimar combustíveis fósseis”, afirma Sara Shaw da Friends of the Earth International. Para ela esta também é uma vitória para os países pobres, que têm pouca participação no volume total de emissões mundiais, mas já enfrentam impactos climáticos devastadores.

Acionista ativista

Também em 26/05/21 uma tentativa ousada de alterar radicalmente a diretoria da ExxonMobil teve sucesso, com a eleição de pelo menos dois novos diretores: Gregory Goff e Kaisa Hietala. Os dois têm experiência em transição energética e conhecem a discussão sobre mudança climática.

Um pequeno investidor ativista chamado Engine Nº 1 solicitou à petroleira a substituição de quatro de seus diretores por profissionais experientes em energia renovável ou em sintonia com a crise climática. Os outros dois nomes apoiados pelo Engine Nº 1 ainda têm chances de serem eleitos porque seus votos estão atualmente muito próximos do necessário. Estes resultados vieram após um dramático recesso de uma hora durante a reunião anual da empresa para contar o enorme número de votos de última hora.

A ExxonMobil havia anteriormente tentado apaziguar os investidores adicionando Jeffrey Ubben e Michael Angelakis à diretoria, sendo que Ubben tem alguma experiência em energia limpa, mas não foi o suficiente. No início deste mês, o tradicional e um tanto conservador Institutional Shareholder Service (ISS), que fornece conselhos aos acionistas sobre como votar, recomendou o voto a favor da chapa de diretores alternativos do Engine N° 1.

Os maiores gestores de ativos do mundo, incluindo BlackRock e Vanguard, que detêm participações significativas na Exxon e em outras petrolíferas, expressaram publicamente sua preocupação com o risco que uma transição para energia limpa terá para as empresas de combustíveis fósseis. Ontem, com ativistas protestando na porta de seus escritórios, a BlackRock revelou que havia votado em três dos quatro candidatos apoiados pelo Engenheiro Nº 1 para ingressar na diretoria da Exxon.

Também hoje mais de 60% dos acionistas da Chevron votaram para forçar a empresa a prestar contas das emissões causadas pela queima do petróleo que ela vende. De acordo com uma contagem preliminar, 61% dos acionistas apoiaram a proposta na reunião anual de investidores da empresa, repudiando a diretoria da empresa, que havia estimulado a participação acionária.

Sobre os acontecimentos desta quarta-feira, Charles Penner, do Engine No.1, declarou: “a mudança está chegando. Para a empresa e para a indústria. Parece que a mudança está chegando”.

A decisão do tribunal distrital de Haia é inédita e aumenta a pressão sobre as empresas de petróleo e gás; a companhia pode recorrer.

Nota: As 6 outras organizações que processaram a Shell em Haia são: Action Aid Netherlands, Both ENDS, Fossil Free Netherlands, Greenpeace Netherlands, Young Friends of The Earth Netherlands and the Wadden Sea Association (Waddenvereniging). (ecodebate)

Aquecimento enfraquece atividade global de tempestade de poeira

Tempestades de poeira são frequentemente definidas como eventos climáticos catastróficos onde grandes quantidades de partículas de poeira são levantadas e transportadas por ventos fortes, caracterizados por visibilidade horizontal fraca (<1 km), rapidez, curta duração e destruição severa.

Nas últimas décadas, as tempestades de poeira observadas no norte da China mostraram tendências geralmente decrescentes, o que poderia ter feito as tempestades de poeira “fora da vista” do público gradualmente.

No entanto, o evento mais recente de forte tempestade de poeira originado na Mongólia desde meados de março deste ano exerceu sérios impactos na maioria das áreas no norte da China e, assim, despertou novamente grandes preocupações sobre as ocorrências de tempestades de poeira e suas causas.

A ocorrência de tempestades de poeira é geralmente uma função de fatores climáticos naturais (temperatura, precipitação e velocidade do vento de superfície) e da atividade humana, embora ainda não esteja claro qual deles é o fator dominante no controle da frequência, magnitude e extensão da tempestade de poeira. Os registros instrumentais disponíveis são curtos demais para desvendar essas questões.

Tempestades de poeira registradas nos arquivos geológicos naturais podem estender os registros de poeira eólica além do intervalo temporal limitado de observações meteorológicas e, portanto, podem ser usadas para reconstruir a história de tempestades de poeira de longo prazo.

Registros geológicos extraídos de arquivos naturais, como sedimentos de lagos e registros de núcleos de gelo, também apoiam que as tempestades de poeira estavam intimamente relacionadas a fatores climáticos (Wang et al., 2006; Chen et al., 2013) e à atividade humana (Neff et al. , 2008; Chen et al., 2020). No entanto, há um enigma se e quando as atividades humanas ultrapassaram as forças climáticas naturais. Um exemplo é um estudo recente de Chen et al. (2020) em que os autores argumentaram que pelo menos 2.000 anos atrás, a atividade humana pode ter excedido as mudanças climáticas naturais para controlar a atividade de tempestades de poeira no leste da China. Portanto, registros confiáveis ​​de tempestades de poeira de longo prazo são necessários para aprofundar esses problemas.

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Tianjin e seus colegas reconstruíram a história de tempestades de poeira com base em registros de tamanho de grãos de sedimentos de lagos bem datados no norte da China, a saber, Lago Karakul (Zhang et al., 2020) e Lago Daihai (Zhang et al., 2021). Eles descobriram que a fração arenosa sedimentar (> 63 μm) no norte da China era um indicador robusto das tempestades de poeira anteriores, e as tempestades de poeira reconstruídas se correlacionam bem com aquelas registradas em observações modernas, literaturas históricas e outros arquivos geológicos robustos (Fig. 3).

As tempestades de poeira reconstruídas geralmente ocorreram durante intervalos frios em escalas anuais / decadais ao longo dos últimos séculos, e esses padrões de poeira e frio também podem ser observados em arquivos geológicos em escalas de tempo ainda mais longas, por exemplo, os fluxos de poeira em centro da China loess (Sun e An, 2005),sedimentos marinhos (Rea, 1994) e núcleos de gelo da Antártica (Lambert et al., 2008) foram consideravelmente maiores durante os estágios glaciais do que interglaciais. O prof. Hai Xu e colegas argumentaram que as mudanças nas intensidades do alto da Sibéria e a modulação do oeste pelas variações de temperatura podem ser os responsáveis ​​pelos padrões de tempestade de poeira observados.

Uma característica marcante nas reconstruções são as atividades de tempestade de poeira substancialmente intensificadas após ~ 1870 DC, aproximadamente coincidindo com o início da Revolução Industrial. O aumento do suprimento de partículas de poeira induzido por atividades humanas significativamente intensificadas pode ser responsável por este aumento abrupto nas atividades de tempestades de poeira.

Outra característica interessante é que, embora as tempestades de poeira tenham sido sistematicamente ativadas durante o aquecimento recente mais um século, uma tendência obviamente decrescente pode ser vista dentro deste intervalo.

Os autores propuseram que a tendência de enfraquecimento foi provavelmente devida à diminuição na velocidade média do vento em resposta ao aquecimento global recente.

“Em contraste com o aquecimento forçado solar natural, o aquecimento provocado pelos gases de efeito estufa pode levar a uma diminuição no gradiente de temperatura zonal global e, em seguida, a um aumento geral na estabilidade atmosférica estática, o que é potencialmente propício à diminuição da velocidade do vento global e da frequência/intensidade da tempestade de poeira”, disse o Prof. Xu.
Relação causal entre o aquecimento recente e a diminuição da velocidade do vento, o Prof. Hai Xu e seus colegas inferem que “a atividade da tempestade de poeira no norte da China deverá enfraquecer ainda mais ou permanecer em seu nível atual baixo em um futuro próximo”. (ecodebate)

Ilhas de calor urbano aumentam o estresse térmico nas árvores

Superfícies duras como tijolo, asfalto ou concreto, o tipo de cobertura do solo e o número e tamanho dos corpos d’água próximos, chamados de espaços azuis, afetam as temperaturas da copa e a saúde das árvores em microclimas urbanos, concluiu a pesquisa.

Os dosséis das árvores urbanas saudáveis fornecem sombra e a transpiração da água que pode mitigar os efeitos do aquecimento das ilhas de calor urbanas (UHIs), e uma nova pesquisa publicada recentemente no Scientific Reports sobre as temperaturas das copas das árvores na cidade de Nova York por um doutorado da Universidade do Alabama em Huntsville (UAH) aluno oferece novos insights para o manejo florestal urbano.

Trang Thuy Vo da cidade de Ho Chi Minh, Vietnã, está estudando os efeitos urbanos na climatologia e como mitigar o efeito da ilha de calor otimizando efetivamente a silvicultura urbana em megacidades para seu doutorado no Departamento de Ciências Atmosféricas e da Terra (ATS) na UAH, a parte do Sistema da Universidade do Alabama. Ela é aconselhada pelo Dr. Leiqiu Hu, um professor assistente de ciência atmosférica que é coautor do artigo de pesquisa.

“Esta é sua primeira publicação em seu programa de Ph.D. em ATS, que demonstrou a capacidade crescente de sensores espaciais de nova geração para lidar com questões ambientais urbanas complexas em altas resoluções espaciais e temporais”, disse o Dr. Hu. “A pesquisa destaca interações espacialmente diversas e temporalmente diferentes entre as copas das árvores, a atmosfera e o ambiente construído em uma cidade.”

A pesquisa de Vo usou dados do instrumento ECOSTRESS montado na Estação Espacial Internacional (ISS). Foi parcialmente apoiado pelo projeto de Ciências Aplicadas de Saúde e Qualidade do Ar da NASA em infraestrutura de resfriamento urbano em colaboração com a Florida State University e o Programa de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências da Terra da NASA sobre o ciclo hidrometeorológico urbano em colaboração com a Cornell University, a Texas A&M University e a Arizona State University.

Interpretar esses dados pode ajudar a identificar a saúde das árvores em ambientes urbanos complexos usando observações de sensoriamento remoto, diz Vo, e pode influenciar as espécies usadas e os padrões de plantio de árvores em paisagens urbanas.

“Nossa abordagem é primeiro reduzir o trabalho necessário para coletar manualmente a integridade dos dados da árvore”, diz ela. “Ao investigar como as árvores urbanas interagem com três fatores ambientais – quantidade de vegetação, distância aos corpos d’água e altura do edifício -, a colocação das árvores e os requisitos suplementares para suas condições de cultivo, como irrigação, podem ser melhorados no projeto urbano”.

Superfícies duras como tijolo, asfalto ou concreto, o tipo de cobertura do solo e o número e tamanho dos corpos d’água próximos, chamados de espaços azuis, afetam as temperaturas da copa das árvores e a saúde das árvores em microclimas urbanos, concluiu a pesquisa.

Isso, por sua vez, afeta a capacidade das árvores de combater o efeito UHI, um fenômeno bem conhecido no qual uma diferença significativa de temperatura ocorre entre as áreas urbanas e rurais circundantes.

“Descobrimos que a temperatura das árvores varia significativamente entre os bairros de Nova York. Por exemplo, as temperaturas das árvores em Staten Island – o bairro mais verde – são muito mais baixas e mais homogêneas em comparação com as de Manhattan, que tem a morfologia de construção mais complexa”, disse Vo. “Isso indica uma interação entre morfologia urbana e árvores urbanas.”

As descobertas oferecem novos insights para gestores de florestas urbanas sobre como reduzir o estresse térmico nas árvores para melhorar suas taxas de sobrevivência, diz seu conselheiro, Dr. Hu.

“Resultados são importantes para apoiar nossa pesquisa futura sobre a capacidade de resfriamento de árvores urbanas em cidades, já que a temperatura do dossel é uma variável chave que influencia o resfriamento evaporativo e transpirativo”, disse o Dr. Hu.
Estudo propõe algumas abordagens práticas para a mitigação do calor em áreas densamente povoadas, como reforma de edifícios com fachadas verdes e telhados verdes, e fornecimento de irrigação necessária para as condições mais secas presentes nas ilhas de calor.

“Para cidades do interior com falta de benefícios de resfriamento de espaços azuis, é melhor reunir as árvores em vez de isolá-las como pequenos fragmentos e fornecer irrigação suficiente. Quanto maior a cobertura do espaço verde, mais baixa a temperatura das árvores”. Vo diz.

“É interessante que a temperatura da superfície das árvores urbanas varie diurna e espacialmente na megacidade, o que enfatiza as influências dos efeitos urbanos neste componente vital da vegetação”, diz ela. “Ao compreender este comportamento dinâmico, acredito fortemente que a saúde das árvores urbanas pode ser melhorada.”

Um conjunto de dados disponível gratuitamente do ECOSTRESS, o instrumento sensor baseado em ISS, foi usado na pesquisa com imagens de temperatura da superfície terrestre (LST) de resolução espacial moderada de cerca de 70 metros. Doze imagens LST de céu claro foram escolhidas e reduzidas para construir um ciclo diurno completo da temperatura das árvores urbanas. Vo usou uma abordagem estatística para extrair a temperatura da árvore e então aplicou esse algoritmo a toda a cidade de Nova York.

Ela usou um procedimento de programação paralela para processamento e cálculo de imagens a fim de reduzir o tempo de processamento.

“Como resultado, poderíamos ter um mapa de temperatura das árvores para toda a cidade de Nova York em menos de uma hora”, disse Vo. “Espero que, no futuro, nosso esquema reduzido seja aplicado em uma escala muito maior, por exemplo, para os Estados Unidos contíguos, para que tenhamos uma imagem melhor de como as árvores são saudáveis em todo o país, dadas as diferentes regiões climáticas”. (ecodebate)

Cai a fecundidade na China durante a pandemia

Cinco anos depois do fim da lei que limitava o número de herdeiros por casal, ter irmão ainda é raro na China.

China: Taxa de natalidade cai em 2020 e envelhecimento populacional preocupa.

Número de recém-nascidos caiu 15% pelo 4º ano consecutivo no país asiático, que passou da lei do filho único para o incentivo à gravidez.

O fim da “Política de filho único” não significa que a China terá um aumento significativo da taxa de fecundidade e nem evitará um declínio da população ao longo do atual século.

“A população mundial precisa ser estabilizada e, idealmente, reduzida gradualmente”.

Alerta dos cientistas mundiais sobre a emergência climática (05/11/2019).

A China realizou o seu 7º recenseamento geral em 2020 e a pandemia não foi desculpa para ficar procrastinando o censo demográfico, como ocorreu no Brasil. A população chinesa era de 582,6 milhões de habitantes no censo de 1953, pulou para 1,34 bilhão em 2010 e chegou a 1,41 bilhão de habitantes em 2020, segundo o gráfico abaixo do jornal Global Times.

Na época do 1º censo, o número de nascimentos anuais na China estava em torno de 20 milhões. Na época do “Grande Salto para Frente” (1958 e 1961) houve uma grande crise de mortalidade (cerca de 30 milhões de óbitos) e uma redução momentânea no número de nascimentos. Mas logo em seguida houve uma recuperação da taxa de natalidade e o número de nascimentos chegou a 30 milhões. No resto da década de 1960, durante a Revolução Cultural, o número anual de nascimentos ficou acima de 25 milhões. Mao Tsé-tung achava que uma população grande era mais impactante do que uma bomba atômica e dizia: “quanto mais chineses, mais fortes seremos”.

Contudo, com a população chinesa chegando a 1 bilhão, o presidente Mao se convenceu que algo deveria ser feito para evitar a continuidade da explosão demográfica. Assim, foi lançada a política “Mais Tarde, Mais Tempo e em Menor Número” (em chinês: “Wan, Xi, Shao” e em inglês: “later, longer, fewer”) que incentivava as mulheres a terem o primeiro filho em idades mais avançadas, que mantivessem um espaçamento maior entre os filhos e que limitasse o tamanho da prole, adotando um tamanho pequeno de família.

A política “Wan, Xi, Shao” foi um sucesso e, em pouco tempo, o número anual de nascimentos ficou abaixo de 20 milhões. Porém, no bojo das reformas implementadas por Deng Xiaoping em dezembro de 1978, foi instituída a “Política de filho único”, a iniciativa controlista mais draconiana da história da humanidade. Entre 1980 e 2000, o número anual de nascimentos ficou acima de 20 milhões devido à alta proporção de mulheres em período reprodutivo. A taxa de fecundidade estava caindo, mas o número de nascimentos permanecia alto, pois, embora as mulheres estivessem tendo menos filhos em média, havia mais mulheres tendo filho.

Passado o efeito da estrutura etária (que tinha alta proporção de mulheres em período reprodutivo), o número anual de nascimentos começou a cair e ficou em torno de 16 milhões de bebês, espantando de vez a possibilidade de um crescimento desregrado da população. Neste novo contexto, o governo chinês colocou fim à política de filho único. Em outubro de 2015, foi permitido a todos os casais terem o segundo filho e, em 2018, foram eliminadas as restrições ao controle dos nascimentos. O que o censo 2020 revelou foi a continuidade da queda das taxas de fecundidade e um rápido processo de envelhecimento, conforme as pirâmides abaixo.

O número de crianças nascidas no gigante asiático caiu para 12 milhões no ano passado, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas, menos do que os 14,7 milhões registrados em 2019. A população chinesa cresceu 0,57% ao ano no período 2000-2010 e 0,53% ao ano no período 2010-2020. Mas os dias de crescimento estão com data marcada para encerrar, pois a partir de 2023 a população chinesa começará um longo processo de declínio demográfico.

O demógrafo He Yafu, disse ao Global Times que não há dúvida de que a China levantará totalmente as restrições à natalidade em um futuro próximo para lidar com o declínio da taxa de fecundidade e a China provavelmente removerá sua política de planejamento familiar já neste outono, durante a sexta sessão plenária do 19º Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC). Porém, a suspensão total das restrições à natalidade não será suficiente para evitar uma queda na população total da China. O resultado do número de pessoas em diferentes grupos etários revelou que o número da força de trabalho da China encolheu mais rapidamente na última década, enquanto o envelhecimento da população continuou a se aprofundar.

Indubitavelmente, existem muitas forças populacionistas que tentam espalhar o pânico sobre o decrescimento demográfico da China. Contudo, a despeito das preocupações pronatalistas, o governo chinês está mais interessado em avançar na implementação da 4ª Revolução Industrial e nas tecnologias poupadoras de mão-de-obra. Com a automação e a robotização da economia a China pretende manter a produção em alta, mesmo com menor oferta de força de trabalho. O plano “Made in China 2025” visa promover um avanço da estrutura produtiva e a produção de bens de maior valor agregado e menos dependente de uma oferta ilimitada de mão-de-obra. As tecnologias do século XXI serão intensivas em capital, ciência e tecnologia e serão poupadoras de trabalho vivo. População menor mas com maior produtividade.
Governo da China queria boom de nascimentos de bebês na pandemia. Não deu certo.

Autoridades esperavam um aumento na taxa de natalidade

Desta forma, o fim da “Política de filho único” não significa que a China terá um aumento significativo da taxa de fecundidade e nem evitará um declínio da população ao longo do atual século. Pelo contrário, a liberdade de escolha e o respeito aos direitos sexuais e reprodutivos podem conviver com o encolhimento populacional e o aumento da renda per capita. O surto de coronavírus de 2020 não teve um impacto muito grande na dinâmica demográfica chinesa, embora tenha confirmado a continuidade da queda da fecundidade.

O lado positivo é que a queda da fecundidade chinesa e o consequente decrescimento populacional pode contribuir para aumentar a renda per capita do país (melhorando as condições sociais de vida) e, principalmente, pode contribuir para minorar os impactos ambientais, pois a China é o país mais poluidor do mundo. Recentemente o governo chinês se comprometeu em garantir uma economia com neutralidade de carbono até 2060. Sem dúvida, a redução populacional vai ajudar no alcance desta meta tão importante para o meio ambiente. (ecodebate)

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Satélites podem ter subestimado o aquecimento na baixa atmosfera

Uma nova pesquisa feita por cientistas do LLNL mostra que as medições de satélite da temperatura da troposfera (a região mais baixa da atmosfera) podem ter subestimado o aquecimento global nos últimos 40 anos. Um dos processos físicos que eles observaram foi o vapor de água tropical, como mostrado nesta imagem da NASA.

Uma nova pesquisa feita por cientistas e colaboradores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore (LLNL) mostra que as medições de satélite da temperatura da troposfera (a região mais baixa da atmosfera) podem ter subestimado o aquecimento global nos últimos 40 anos.

A equipe estudou quatro propriedades diferentes das mudanças climáticas tropicais. Cada propriedade é uma razão entre as tendências de duas variáveis “complementares”. Espera-se que variáveis complementares – como temperatura e umidade tropicais – mostrem um comportamento correlacionado. Esse comportamento correlacionado é governado por processos físicos básicos e bem compreendidos.

As três primeiras propriedades consideradas pela equipe envolveram relações entre a temperatura tropical e o vapor de água tropical (WV). As tendências de WV foram comparadas com as tendências da temperatura da superfície do mar (SST), temperatura troposférica mais baixa (TLT) e temperatura troposférica média a alta (TMT). A quarta propriedade era a razão entre as tendências de TMT e SST.

Todas as quatro proporções são fortemente restritas nas simulações de modelos climáticos, apesar das diferenças do modelo na sensibilidade climática, forçamentos externos e variabilidade natural. Em contraste, cada razão exibe uma grande variação quando calculada com observações. As razões de tendência do modelo entre WV e temperatura foram as mais próximas das taxas observadas quando as últimas são calculadas com conjuntos de dados exibindo maior aquecimento tropical da superfície do oceano e da troposfera.

Para a razão TMT / SST, a consistência dos dados do modelo dependeu da combinação de observações usadas para estimar as tendências de TMT e SST. Conjuntos de dados observacionais com maior aquecimento da superfície do oceano tropical produziram relações TMT / SST que estavam em melhor acordo com os resultados do modelo.

“Essas comparações entre medições complementares podem lançar luz sobre a credibilidade de diferentes conjuntos de dados”, de acordo com Stephen Po-Chedley do LLNL, que contribuiu para este estudo. “Este trabalho mostra que a intercomparação cuidadosa de diferentes campos geofísicos pode nos ajudar a determinar as mudanças históricas no clima com maior precisão.”

Se as expectativas do modelo climático dessas relações entre a temperatura tropical e a umidade forem realistas, as descobertas refletem um baixo viés sistemático nas tendências de temperatura troposférica dos satélites ou uma superestimativa do sinal de umidade atmosférico observado.

“Atualmente é difícil determinar qual interpretação é mais confiável”, disse o cientista climático do LLNL Ben Santer, principal autor do artigo. “Mas nossa análise revela que vários conjuntos de dados observacionais – particularmente aqueles com os menores valores de aquecimento da superfície do oceano e aquecimento troposférico – parecem estar em desacordo com outras variáveis complementares medidas de forma independente”.
Outros cientistas de Livermore incluem Jeffrey Painter e Mark Zelinka. A equipe LLNL colaborou com Carl Mears e Frank Wentz da Remote Sensing Systems, John Fyfe e Nathan Gillett do Centro Canadense para Modelagem e Análise do Clima, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Qiang Fu da Universidade de Washington, Susan Solomon do Massachusetts Institute of Tecnologia, Andrea Steiner da Universidade de Graz, Áustria, e Cheng-Zhi Zou do Satélite Ambiental Nacional, Serviço de Dados e Informações da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional. O trabalho no LLNL foi financiado pelo Programa de Análise de Modelo Regional e Global do Departamento de Energia – área na Divisão de Ciências da Terra e de Sistemas Ambientais e por vários subsídios do LDRD. (ecodebate)

Infertilidade térmica representa uma ameaça para a biodiversidade

Mudanças Climáticas: Infertilidade térmica representa uma ameaça para a biodiversidade.
Um novo estudo feito por ecologistas da Universidade de Liverpool adverte que a infertilidade masculina induzida pelo calor fará com que algumas espécies sucumbam aos efeitos da mudança climática mais cedo do que se pensava.

Atualmente, os cientistas estão tentando prever onde as espécies serão perdidas devido às mudanças climáticas para que possam planejar estratégias eficazes de conservação. No entanto, a pesquisa sobre tolerância à temperatura geralmente se concentra nas temperaturas que são letais para os organismos, ao invés das temperaturas nas quais os organismos não podem mais se reproduzir.

Publicado na Nature Climate Change, o estudo de 43 espécies de mosca-das-frutas (Drosophila) mostrou que, em quase metade das espécies, os machos se tornaram estéreis em temperaturas mais baixas que as letais. É importante ressaltar que a distribuição mundial dessas espécies poderia ser prevista com muito mais precisão incluindo a temperatura na qual elas se tornam estéreis, em vez de apenas usar sua temperatura letal. Para dar um exemplo, os machos de Drosophila lummei são estéreis quatro graus abaixo de seu limite letal. Para colocar isso em contexto, quatro graus é a diferença de temperatura entre o verão no norte da Inglaterra e no sul da França.

O pesquisador principal, Dr. Steven Parratt, disse: “Nossas descobertas sugerem fortemente que onde as espécies podem sobreviver na natureza é determinado pela temperatura na qual os machos se tornam estéreis, não pela temperatura letal”.

“Infelizmente, não temos como saber quais organismos são férteis até sua temperatura letal e quais serão esterilizados em temperaturas mais baixas. Portanto, muitas espécies podem ter uma vulnerabilidade oculta a altas temperaturas que passou despercebida. Isso tornará a conservação mais difícil, pois podemos estar superestimando o desempenho de muitas espécies à medida que o planeta aquece”.

Efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade.

Os pesquisadores passaram a modelar isso para uma das espécies de Drosophila usando previsões de temperatura para 2060 e descobriram que mais da metade das áreas com temperaturas baixas o suficiente para sobreviver serão muito quentes para os machos permanecerem férteis.

O pesquisador sênior, Dr. Tom Price, comentou: “Nosso trabalho enfatiza que as perdas de fertilidade causadas pela temperatura podem ser uma grande ameaça à biodiversidade durante as mudanças climáticas”. Já tínhamos relatos de perdas de fertilidade em altas temperaturas em tudo, de porcos a avestruzes, peixes, flores, abelhas e até humanos. Infelizmente, nossa pesquisa sugere que eles não são casos isolados, e talvez metade de todas as espécies sejam vulneráveis à infertilidade térmica.

“Agora precisamos entender com urgência a gama de organismos que podem sofrer perdas de fertilidade térmica na natureza e as características que predizem a vulnerabilidade. Devemos compreender a genética e a fisiologia subjacentes, para que possamos prever quais organismos são vulneráveis e, talvez, produzir raças de gado mais robustas a esses desafios”.

O Chefe de Ecossistemas Terrestres do Conselho de Pesquisa do Ambiente Natural, Dr. Simon Kerley, disse: “Este é um trabalho altamente empolgante que muda nossa maneira de pensar e assumir o papel, a taxa e o impacto das mudanças climáticas”. Isso realmente começa a lançar luz sobre o impacto oculto e sutil das mudanças nas condições sobre a miríade de animais que talvez consideremos óbvios e que não consideramos “em risco” devido às mudanças climáticas. É importante ressaltar que ele nos alerta para o entendimento de que esse risco pode ocorrer mais cedo do que pensávamos.

“Este trabalho pega a biologia, em seu nível mais fundamental, e a explora em um animal de laboratório bem conhecido e compreendido, mas depois dá aquele passo extra crucial de relacioná-la com o mundo real e o impacto potencial que pode ter no global biodiversidade”.

“Com as conferências COP15 e COP26 ocorrendo este ano, este estudo serve como um lembrete oportuno da necessidade de pesquisar e entender melhor a relação entre as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade. O Natural Environmental Research Council continuará a financiar essa pesquisa vital, e o UKRI como um todo trabalhará como parte do esforço global para proteger o ambiente natural para as gerações futuras”.
Mudança climática e infertilidade - uma bomba-relógio?

O estudo envolveu colaboradores da University of Leeds, University of Melbourne, University of Zürich e Stockholm University e foi financiado pelo UK Natural Environment Research Council (NERC). (ecodebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...