segunda-feira, 3 de julho de 2023

Desmatamento ameaça os remanescentes florestais da Mata Atlântica

A Mata Atlântica é lar de quase 70% da população e responde por cerca de 80% da economia do Brasil, além de produzir 50% dos alimentos consumidos no país.

A Mata Atlântica sofreu a derrubada de 20.075 hectares (ha) de floresta no período de um ano, entre outubro/2021 e de 2022, o correspondente a mais de 20 mil campos de futebol. Os dados são do Atlas da Mata Atlântica, pesquisa realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Embora o número represente queda de 7% em relação ao detectado em 2020-2021 (21.642 hectares), a SOS Mata Atlântica avalia que o desmatamento está ainda em um patamar elevado. A área desmatada no último ano é a segunda maior dos últimos seis anos e está 76% acima do valor mais baixo já registrado na série histórica, que foi de 11.399 hectares entre 2017 e 2018.

“Houve uma pequena queda de 7%, mas a gente considera que é uma situação de estabilidade, é uma variação muito pequena em um patamar alto, acima de 20 mil hectares, que é um valor para a Mata Atlântica muito alta se a gente entender que é um processo cumulativo de 500 anos de desmatamento. É um dado muito preocupante. São 55 hectares perdidos por dia”, disse o diretor executivo da Fundação SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto.

Dados da entidade apontam que o bioma é lar de quase 70% da população e responde por cerca de 80% da economia do Brasil, além de produzir 50% dos alimentos consumidos no país.

Estados mais desmatados

O levantamento aponta que o desmatamento está concentrado em cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nos três primeiros, Guedes revela que o desmatamento é resultado da expansão – em grande escala – da agricultura e da pecuária. Ressalta que são regiões de fronteira agrícola ainda em abertura.

“No Paraná e em Santa Catarina [tem-se] uma região de fronteira agrícola que a gente considera consolidada, mas que persiste com desmatamento comendo as bordas das matas. Um aumento da área cultivada ali sempre comendo pela borda um pedacinho em cada lugar é muitos desmatamentos pequenos, mas ainda muito relevantes que acumulam milhares de hectares”, indicou.

Cinco estados acumulam 91% do desmatamento: Minas Gerais (7.456 ha), Bahia (5.719 ha), Paraná (2.883 ha), Mato Grosso do Sul (1.115 ha) e Santa Catarina (1.041 ha).

Oito estados registraram aumento no desmatamento (Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Sergipe) e nove mostraram redução (Ceará, Goiás, Mato Grosso, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo).

Em relação aos municípios, dez concentram 30% do desmatamento total no período. Desses, cinco estão situados em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e quatro na Bahia.

Apenas 0,9% das perdas deu-se em áreas protegidas, enquanto 73% ocorreram em terras privadas, o que, segundo a entidade, reforça que as florestas vêm sendo destruídas, sobretudo para dar lugar a pastagens e culturas agrícolas, além da especulação imobiliária – nas proximidades das grandes cidades e no litoral – que também é apontada como outra das causas principais. Guedes citou, também, “uma nuvem de pequenos desmatamentos” espalhados pela expansão urbana e crescimento de infraestrutura e de turismo ao redor das grandes cidades da Mata Atlântica e no litoral.

Para ele, esse quadro de desmatamento é inaceitável para um bioma tão ameaçado e que é fundamental para garantir serviços ecossistêmicos, como a conservação da água, além de evitar tragédias como a ocorrida no litoral norte de São Paulo, em que houve deslizamento de terras e enxurradas.

Combate

A principal medida para combater o desmatamento na Mata Atlântica é uma fiscalização mais rigorosa, sugeriu Guedes, com respeito à Lei da Mata Atlântica e ao Código Florestal. “Porque a maior parte dessas áreas desmatadas [é de] desmatamentos ilegais. Se a gente tem a ilegalidade, quais são os caminhos? O aumento da fiscalização e os órgãos ambientais tanto federais quanto estaduais e municipais atuando de maneira mais rigorosa”, acentuou.

Na área rural, outras ações consideradas importantes incluem o embargo de áreas desmatadas, que os créditos públicos e privados parem de financiar fazendas que estão desmatando e a interrupção das vendas do que é produzido nessas áreas de desmatamento ilegal.

“Tem um papel para o setor privado que é não comprar matéria-prima proveniente de área desmatada. Então, a gente tem produção de soja, de cana-de-açúcar, de carne de gado em áreas desmatadas e a gente precisa que as empresas cumpram as suas metas de desmatamento zero e parem de comprar”, afirmou. No entorno urbano, ele aponta que os planos diretores das cidades podem colocar limites para expansão, além de criar áreas protegidas, parques e reservas.

Ele avalia que os mecanismos legais estão em risco, a exemplo da Medida Provisória (MP) 1.150, aprovada pela Câmara dos Deputados, que pode contribuir com a destruição do bioma.

“A essência da MP é adiar as etapas para implementação do Código Florestal, então ela adia os prazos, retira as penalidades dos produtores que não se registraram no CAR (Cadastro Ambiental Rural). Na prática, o que significa é que o Código Florestal não é implementado e a gente não começa a restauração das florestas desmatadas ilegalmente. Isso já tem uma consequência para a Mata Atlântica e para todos os biomas brasileiros, que é atrasar a restauração”, analisou o especialista.

Biomas

O Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), do MapBiomas e que complementa os dados do Atlas da SOS Mata Atlântica, teve o primeiro dado de um ano completo e mostrou que o desmatamento total pode ser quase quatro vezes maior que o documentado até o momento. A base de dados do SAD é mais ampla, o que permite observação mais detalhada.

O Atlas, que considera desmatamentos a partir de três hectares e avalia a conservação dos maiores remanescentes de matas maduras, revela que há 12,4% da área original do bioma. Já o SAD, que abrange remanescentes acima de 0,5 hectare, incluindo florestas maduras e matas jovens em regeneração, mostrou cobertura florestal do bioma de 24%.

Alertas

O levantamento dos desmatamentos identificados entre janeiro e dezembro de 2022 – realizado a partir do Sistema de Alertas de Desmatamento – registrou 9.982 alertas no ano, somando 75.163 hectares perdidos entre florestas maduras e jovens. A área total perdida, portanto, seria quase quatro vezes maior do que a contabilizada pelo Atlas, o que demonstra ameaça tanto às matas jovens quanto às maduras do bioma.

Sobre essa diferença, a fundação explicou que, enquanto o Atlas oferece uma “fotografia” anual do estado de conservação dos grandes fragmentos florestais, que são de maior importância para a biodiversidade, e pretende embasar políticas de longo prazo para a conservação do bioma, os dados do SAD são divulgados semanalmente visando gerar uma documentação completa para cada alerta de desmatamento, buscando maior celeridade e eficácia nas ações dos órgãos responsáveis por combater e fiscalizar o desmatamento. (ecodebate)

Efeitos do desmatamento e das mudanças climáticas na Mata Atlântica

A Mata Atlântica possui grande importância para a biodiversidade, a saúde e a produção de alimentos e água no Brasil e nos países vizinhos.

O artigo discute a importância da Mata Atlântica para a biodiversidade, a saúde e a produção de alimentos e água no Brasil e nos países vizinhos. Também apresenta os dados sobre o desmatamento e a fragmentação do bioma, e as iniciativas internacionais para a sua restauração até 2050. O artigo destaca o papel da Mata Atlântica como uma referência e um compromisso mundial para a conservação global.

O Dia da Mata Atlântica é celebrado no dia 27 de maio em todo o território nacional. Este dia foi instituído pela Lei nº 12.795 de 2008, dada a importância do bioma para o território brasileiro; que abrange uma área de 1,1 milhões de km², sendo dividido entre 17 estados, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sendo assim, a Mata Atlântica está presente em cerca de 15% do país, de modo que mais de 70% da população habita as áreas cercadas pelo bioma.

Apesar de toda a importância concedida à mata, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a ONG ‘SOS Mata Atlântica’ revelam, por meio de pesquisas e estudos realizados, que apenas 12,4% de seu florestamento original vem sendo mantido em decorrência do desmatamento, o qual tem aumentado de modo abrupto durante os últimos anos.

Nesse sentido, diversas são as mudanças discutidas e que preocupam os cientistas e a sociedade quanto a preservação da mata atlântica e de sua biodiversidade. Essas mudanças, por sua vez, demonstram o impacto do sistema climático global no bioma, isto é, na biodiversidade, saúde e produção de alimentos e água. Quanto ao tema em destaque, o último Painel do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU) definiu que a restauração da Mata Atlântica deve ser reconhecida como uma referência e um compromisso mundial, sendo o anúncio oferecido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) durante a COP15 da Biodiversidade, devendo ter uma iniciativa “trinacional” entre Brasil, Argentina e Paraguai para que ocorra uma restauração até 2050.

Anteriormente, a Mata Atlântica já havia sido considerada como uma das regiões prioritárias para a conservação global, bem como apontada como “Reserva da Biosfera” pela UNESCO, uma vez que é reconhecida como uma área de alta concentração de diversidade biológica e de espécies endêmicas, estas associadas à extinção em larga escala. Não obstante, o bioma é responsável, segundo análise oferecida pela ‘SOS Mata Atlântica’, pela produção de 50% dos alimentos consumidos atualmente pela população brasileira; sendo inquestionável a pertinência e a necessidade de restauração e proteção de suas áreas.

No entanto, ainda que tenha sido registrado um declínio gradual nas taxas de desmatamento na Mata Atlântica nos últimos anos, a grande fragmentação das áreas de vegetação nativa remanescente continua ameaçando a conservação da biodiversidade. E a crise climática apresenta uma ameaça adicional a esse bioma, provocando danos socioeconômicos consideráveis e contribuindo com a vulnerabilidade dos ecossistemas altamente fragmentados. Neste sentido, uma pesquisa com participação do Instituto de Biociências (IB) da USP estimou que a atividade humana nas áreas da Mata Atlântica aumenta em até 15,24% a perda de carbono florestal na região, acarretando o crescimento das emissões na atmosfera e, consequentemente, as mudanças no clima e elevação de temperatura. Assim, o estudo demonstra como a conservação dos estoques de carbono neste bioma sofre influências da degradação florestal, gerando perdas maiores do que qualquer futura mudança climática.

À vista de todo o exposto, pode-se observar que não é sem razão que a Mata Atlântica brasileira é tida como um dos lugares com a maior diversidade biológica do planeta, servindo de habitat para aproximadamente uma em cada 50 espécies de plantas e animais terrestres vertebrados. Sendo assim, a melhoria da conservação da biodiversidade e a recuperação das áreas florestais nativas contribuem para a mitigação das mudanças climáticas e para a adaptação às suas consequências nesse bioma. Ainda, o estudo feito com participação do IB – USB revela que as medidas de proteção ambiental devem levar em conta a biodiversidade da região e o seu potencial para aumentar o estoque de carbono florestal em 17,44%, reduzindo, desta maneira, as emissões e os efeitos das mudanças climáticas. (ecodebate)

Limitar o aquecimento salvaria bilhões de pessoas de temperaturas extremas

Estudo conclui que, para cada aumento de 0,1°C na temperatura acima dos níveis atuais, cerca de 140 milhões de pessoas estarão expostas a condições climáticas perigosas.

O estudo demonstra que aproximadamente 60 milhões de pessoas já estão vivendo em áreas com temperaturas médias de 29°C ou superiores, consideradas perigosas. Com um aquecimento global de 2,7°C, esse número aumentaria para dois bilhões de pessoas, o que corresponde a 22% da população projetada para o final do século. Se o aquecimento global for limitado a 1,5°C, apenas 5% da população mundial estaria exposta a condições climáticas perigosas, o que salvaria um sexto da humanidade em comparação com um aquecimento de 2,7°C. Em cenários extremos de aquecimento global de 3,6°C ou até mesmo 4,4°C, metade da população mundial poderia viver em áreas fora de seu nicho climático, o que representa um risco existencial. O estudo conclui que, para cada aumento de 0,1°C na temperatura acima dos níveis atuais, cerca de 140 milhões de pessoas estarão expostas a condições climáticas perigosas.

As atuais políticas climáticas deixarão mais de um quinto da humanidade exposta a temperaturas perigosamente altas até 2100, sugere uma nova pesquisa.

Apesar da promessa do Acordo de Paris de manter o aquecimento global bem abaixo de 2°C (em comparação com os níveis pré-industriais), as políticas atuais são projetadas para resultar em um aquecimento de 2,7°C até o final do século.

O novo estudo, liderado por pesquisadores do Global Systems Institute, da Universidade de Exeter, associado à Comissão da Terra, e da Universidade de Nanjing, avaliou o que isso significaria para o número de pessoas que vivem fora do “nicho climático” no qual nossa espécie prosperou.

Ele diz que cerca de 60 milhões de pessoas já estão expostas ao calor perigoso (temperatura média de 29°C ou superior).

E dois bilhões – 22% da população projetada para o final do século – estariam expostos a isso com 2,7°C de aquecimento global.

O documento destaca o “enorme potencial” para uma política climática decisiva para limitar os custos humanos e as desigualdades das mudanças climáticas.

Limitar o aquecimento a 1,5°C deixaria 5% expostos – salvando um sexto da humanidade do calor perigoso em comparação com 2,7°C de aquecimento.

O estudo também descobriu que as emissões ao longo da vida de 3,5 cidadãos globais médios hoje – ou apenas 1,2 cidadãos dos EUA – expõem uma futura pessoa a um calor perigoso. Isso destaca a desigualdade da crise climática, pois essas futuras pessoas expostas ao calor viverão em lugares onde as emissões atuais são cerca de metade da média global.

Nos “piores cenários” de aquecimento global de 3,6°C ou mesmo de 4,4°C, metade da população mundial poderia ficar fora do nicho climático, representando o que os pesquisadores chamam de “risco existencial”.

“Os custos do aquecimento global são frequentemente expressos em termos financeiros, mas nosso estudo destaca o custo humano fenomenal de não enfrentar a emergência climática”, disse o professor Tim Lenton, diretor do Instituto de Sistemas Globais da Universidade de Exeter.

Limitar aquecimento global a 1,5ºC reduz riscos à humanidade em até 85%.

“Para cada 0,1°C de aquecimento acima dos níveis atuais, cerca de 140 milhões de pessoas serão expostas a um calor perigoso”.

“Isso revela tanto a escala do problema quanto a importância de uma ação decisiva para reduzir as emissões de carbono”.

“Limitar o aquecimento global a 1,5°C em vez de 2,7°C significaria cinco vezes menos pessoas em 2100 expostas a calor perigoso”.

Definindo o nicho

Historicamente, a densidade populacional humana atingiu um pico em locais com temperatura média de cerca de 13°C, com um pico secundário de cerca de 27°C (climas de monção, especialmente no sul da Ásia).

A densidade de colheitas e gado segue padrões semelhantes, e a riqueza (medida pelo PIB) atinge o pico em cerca de 13°C.

A mortalidade aumenta em temperaturas mais altas e mais baixas, apoiando a ideia de um “nicho” humano.

Embora menos de 1% da humanidade viva atualmente em locais de exposição perigosa ao calor, o estudo mostra que a mudança climática já colocou 9% da população global (mais de 600 milhões de pessoas) fora do nicho.

“A maioria dessas pessoas vivia perto do pico mais frio de 13°C do nicho e agora está no ‘meio termo’ entre os dois picos. Embora não sejam perigosamente quentes, essas condições tendem a ser muito mais secas e historicamente não sustentam populações humanas densas”, disse o professor Chi Xu, da Universidade de Nanjing.

“Enquanto isso, a grande maioria das pessoas que serão deixadas de fora do nicho devido ao aquecimento futuro serão expostas a um calor perigoso.

“Tais altas temperaturas têm sido associadas a problemas como aumento da mortalidade, diminuição da produtividade do trabalho, diminuição do desempenho cognitivo, aprendizado prejudicado, resultados adversos da gravidez, diminuição do rendimento das colheitas, aumento de conflitos e disseminação de doenças infecciosas”.

Internacionalmente limitar aquecimento global a 1,5°C reduzirá significativamente riscos para humanos.

Limitar o aquecimento global a um aumento de 1,5°C acima dos valores pré-industriais reduziria riscos para os seres humanos em até 85%.

Embora alguns lugares mais frios possam se tornar mais habitáveis devido às mudanças climáticas, o crescimento populacional é projetado para ser maior em lugares com risco de calor perigoso, especialmente na Índia e na Nigéria.

O estudo também descobriu:

 A exposição ao calor perigoso começa a aumentar dramaticamente em 1,2°C (logo acima do aquecimento global atual) e aumenta em cerca de 140 milhões para cada 0,1°C de aquecimento adicional.

 Assumindo uma população futura de 9,5 bilhões de pessoas, a Índia teria a maior população exposta a um aquecimento global de 2,7°C – mais de 600 milhões. A 1,5°C, esse número seria muito menor, em cerca de 90 milhões.

 A Nigéria teria a segunda maior população exposta ao calor com um aquecimento global de 2,7°C, mais de 300 milhões. Com um aquecimento de 1,5°C, isso seria inferior a 40 milhões.

 A Índia e a Nigéria já apresentam “pontos críticos” de temperaturas perigosas.

 A 2,7°C, quase 100% de alguns países, incluindo Burkina Faso e Mali, estarão perigosamente quentes para os humanos.

Brasil teria a maior área terrestre exposta ao calor perigoso, apesar de quase nenhuma área exposta a 1,5°C. A Austrália e a Índia também experimentariam aumentos maciços na área exposta.

A equipe de pesquisa – que incluiu o Potsdam Institute for Climate Impact Research, o International Institute for Applied Systems Analysis e as Universidades de Washington, Carolina do Norte, Aarhus e Wageningen – enfatiza que o pior desses impactos pode ser evitado por uma ação rápida para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Falando sobre a concepção de sua ideia, o professor Marten Scheffer, da Universidade de Wageningen, disse: “Fomos acionados pelo fato de que os custos econômicos das emissões de carbono dificilmente refletem o impacto no bem-estar humano”.

“Nossos cálculos agora ajudam a preencher essa lacuna e devem estimular novas perguntas não ortodoxas sobre justiça”.

Calor extremo pode afetar mais de 1 bilhão de pessoas se temperatura subir 2°C.

Ashish Ghadiali, do Instituto de Sistemas Globais de Exeter, disse: “Essas novas descobertas da vanguarda da ciência dos sistemas terrestres sublinham a natureza profundamente racializada dos impactos climáticos projetados e devem inspirar uma mudança política radical ao pensar sobre a urgência dos esforços de descarbonização, bem como como no valor de aumentar maciçamente o investimento global nas linhas de frente da vulnerabilidade climática”.

Deslocamento dos nichos de temperatura e precipitação de temperatura sob diferentes níveis de aquecimento global.

2,7°C aquecimento global devido às políticas atuais, c, d . 1,5°C de aquecimento global de acordo com o Acordo de Paris. Vermelho indica uma diminuição na adequação, verde um aumento. Observe que as mudanças menos extensas no nicho de precipitação de temperatura são porque já restringe a densidade populacional mais nas regiões mais secas e mais úmidas. In “Quantifying the human cost of global warming”. (ecodebate)

sábado, 1 de julho de 2023

Entenda a influência humana no sistema climático global

Indicadores de grande escala de mudanças climáticas na atmosfera, oceano, criosfera e na superfície terrestre mostram respostas claras à influência humana consistentes com as esperadas com base em simulações de modelos e compreensão física.

A evidência da influência humana nas mudanças climáticas recentes foi fortalecida desde o Segundo Relatório de Avaliação do IPCC até o Quinto Relatório de Avaliação do IPCC, e agora é ainda mais forte nesta avaliação. O Segundo Relatório de Avaliação do IPCC (SAR, 1995) concluiu que ‘o equilíbrio das evidências sugere que há uma influência humana perceptível no clima global’. Em avaliações subsequentes (TAR, 2001; AR4, 2007; e AR5, 2013), verificou-se que as evidências da influência humana no sistema climático se fortaleceram progressivamente. O AR5 concluiu que a influência humana no sistema climático é clara, evidente pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, forçamento radiativo positivo, aquecimento observado e compreensão física do sistema climático. Este capítulo atualiza a avaliação da influência humana no sistema climático para indicadores de mudança climática em larga escala, sintetizando informações de registros paleo, observações e modelos climáticos. Ele também fornece a avaliação primária de indicadores de mudança climática em grande escala neste Relatório, complementada pela avaliação da adequação ao propósito nos capítulos subsequentes.

Síntese em todo o sistema climático

É inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra desde os tempos pré-industriais. Combinar as evidências de todo o sistema climático aumenta o nível de confiança na atribuição das mudanças climáticas observadas à influência humana e reduz as incertezas associadas a avaliações baseadas em variáveis únicas. Indicadores de grande escala de mudanças climáticas na atmosfera, oceano, criosfera e na superfície terrestre mostram respostas claras à influência humana consistentes com as esperadas com base em simulações de modelos e compreensão física.

Para a maioria dos indicadores de mudança climática de grande escala, o clima médio recente simulado dos modelos climáticos de última geração do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados Fase 6 (CMIP6) que sustentam esta avaliação melhorou em comparação com os modelos de Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados Fase 5 (CMIP5) avaliados em AR5 ( alta confiança ). Algumas diferenças das observações permanecem, por exemplo, nos padrões regionais de precipitação. Os modelos de alta resolução exibem vieses reduzidos em alguns, mas não em todos os aspectos da superfície e do clima oceânico (confiança média), e a maioria dos modelos do sistema terrestre, que incluem feedbacks biogeoquímicos, funcionam tão bem quanto suas contrapartes de menor complexidade (confiança média). A média multimodelo captura bem a maioria dos aspectos das mudanças climáticas observadas ( alta confiança). A média multimodelo captura a mudança da temperatura média global do ar da superfície (GSAT) reconstruída durante climas passados de alto e baixo CO2 (alta confiança) e o sinal correto da mudança de temperatura e precipitação na maioria das regiões avaliadas no Holoceno médio (confiança média). A simulação de paleoclimas em escalas continentais melhorou em comparação com AR5 (confiança média), mas os modelos muitas vezes subestimam grandes diferenças de temperatura e precipitação em relação aos dias atuais (confiança alta).

Influência humana na atmosfera e na superfície

A faixa provável de aquecimento induzido pelo homem na temperatura global do ar na superfície (GSAT) em 2010 – 2019 em relação a 1850 – 1900 é de 0,8°C–1,3°C, abrangendo o aquecimento observado de 0,9°C – 1,2°C, enquanto a mudança atribuível às forçantes naturais é de apenas -0,1°C a + 0,1°C. A melhor estimativa do aquecimento induzido pelo homem é de 1,07°C. O aquecimento agora pode ser atribuído desde 1850-1900, em vez de desde 1951 como feito no AR5, graças a uma melhor compreensão das incertezas e porque o aquecimento observado é maior. Os intervalos prováveis para o GSAT induzido pelo homem e o aquecimento da temperatura média global da superfície (GMST) são iguais ( confiança média). Atribuir o aquecimento observado a forçantes antropogênicos específicos permanece mais incerto. Durante o mesmo período, forçando de gases de efeito estufa1 provavelmente aumentou o GSAT em 1°C–2°C, enquanto outras forçantes antropogênicas, incluindo aerossóis, provavelmente diminuíram o GSAT em 0°C–0,8°C. É muito provável que os aumentos de gases de efeito estufa induzidos pelo homem tenham sido o principal fator do aquecimento troposférico desde que as observações abrangentes por satélite começaram em 1979, e é extremamente provável que o esgotamento do ozônio estratosférico induzido pelo homem tenha sido o principal fator de resfriamento na baixa estratosfera entre 1979 e meados da década de 1990.

O conjunto de modelos CMIP6 reproduz a tendência e a variabilidade histórica da temperatura da superfície global observada com vieses pequenos o suficiente para suportar a detecção e atribuição de aquecimento induzido pelo homem (confiança muito alta). As simulações históricas do CMIP6 avaliadas neste relatório têm uma mudança de temperatura global média da superfície dentro de 0,2°C das observações durante a maior parte do período histórico, e o aquecimento observado está dentro da faixa de 5 a 95% do conjunto CMIP6. No entanto, alguns modelos CMIP6 simulam um aquecimento que está acima ou abaixo da faixa avaliada de 5 a 95% do aquecimento observado. Os modelos CMIP6 reproduzem amplamente as variações de temperatura da superfície ao longo do último milênio, incluindo o resfriamento que segue os períodos de intenso vulcanismo (confiança média). Para a temperatura do ar superior, há confiança média de que a maioria dos modelos CMIP5 e CMIP6 superestimam o aquecimento observado na troposfera tropical superior em pelo menos 0,1°C por década durante o período de 1979 a 2014. As atualizações mais recentes das estimativas de temperatura estratosférica derivadas de satélites resultou em diferenças diminuídas entre as mudanças simuladas e observadas da temperatura média global através da profundidade da estratosfera (confiança média).

A taxa mais lenta de aumento de GMST observada em 1998–2012 em comparação com 1951–2012 foi um evento temporário seguido por um forte aumento de GMST (confiança muito alta). Conjuntos de dados observacionais aprimorados desde o AR5 mostram uma tendência GMST maior ao longo de 1998–2012 do que as estimativas anteriores. Todas as estimativas observadas da tendência do GMST de 1998–2012 estão dentro da faixa de percentil 10–90 das tendências simuladas do CMIP6 (alta confiança). A variabilidade interna, particularmente a variabilidade decadal do Pacífico, e as variações nas forçantes solares e vulcânicas compensam parcialmente a tendência antropogênica de aquecimento da superfície durante o período de 1998-2012 (alta confiança). O conteúdo global de calor oceânico continuou a aumentar durante esse período, indicando um aquecimento contínuo de todo o sistema climático (confiança muito alta). Desde 2012, o GMST aqueceu fortemente, com os últimos cinco anos (2016–2020) sendo o período de cinco anos mais quente no registro instrumental desde pelo menos 1850 (alta confiança).

É provável que a influência humana tenha contribuído para umidificação na alta troposfera desde 1979. Além disso, há uma confiança média de que a influência humana contribuiu para um aumento global na umidade específica anual da superfície e uma confiança média de que contribuiu para uma diminuição da umidade relativa da superfície nos continentes de latitude média do Hemisfério Norte durante o verão.

É provável que a influência humana tenha contribuído para as mudanças observadas na precipitação em grande escala desde meados do século XX. Novos estudos de atribuição fortalecem as descobertas anteriores de um aumento detectável na precipitação em latitudes médias e altas do Hemisfério Norte (alta confiança). A influência humana contribuiu para fortalecer o contraste de precipitação média zonal entre os trópicos úmidos e os subtrópicos secos (confiança média). No entanto, os aerossóis antropogênicos contribuíram para diminuir a precipitação global das monções de verão da década de 1950 a 1980 (confiança média). Há também confiança média que a influência humana tem contribuído para aumentos de latitudes altas e reduções de latitudes médias na precipitação de verão do Hemisfério Sul desde 1979, associada à tendência do Modo Anular Sul em direção à sua fase positiva. Apesar das melhorias, os modelos ainda apresentam deficiências na simulação dos padrões de precipitação, principalmente sobre o oceano tropical (alta confiança).

O forçamento de gases de efeito estufa induzido pelo homem é o principal fator das mudanças observadas nos extremos de calor e frio na escala global (praticamente certo) e na maioria dos continentes (muito provável). É provável que a influência humana, em particular devido à forçante de gases de efeito estufa, seja o principal fator da intensificação observada de fortes precipitações em regiões terrestres globais durante as últimas décadas. Há alta confiança na capacidade dos modelos de capturar a distribuição espacial em larga escala dos extremos de precipitação sobre a terra. A magnitude e a frequência das precipitações extremas simuladas pelos modelos CMIP6 são semelhantes às simuladas pelos modelos CMIP5 (alta confiança).

É provável que a influência humana tenha contribuído para a expansão em direção aos polos da célula de Hadley média zonal no Hemisfério Sul desde a década de 1980. Há confiança média de que a expansão polar observada da célula de Hadley média zonal no Hemisfério Norte está dentro da faixa de variabilidade interna. As causas do fortalecimento observado da circulação de Pacific Walker desde a década de 1980 não são bem compreendidas, e a tendência de fortalecimento observada está fora da faixa de tendências simuladas nos modelos acoplados (confiança média). Enquanto os modelos CMIP6 capturam as características gerais da circulação troposférica em larga escala (alta confiança), existem vieses sistemáticos na frequência média dos eventos de bloqueio atmosférico, especialmente no setor euro-atlântico, alguns dos quais reduzem com o aumento da resolução do modelo (confiança média).

Influência humana na criosfera

É muito provável que o forçamento antropogênico, principalmente devido ao aumento dos gases de efeito estufa, tenha sido o principal fator de perda de gelo marinho do Ártico desde o final dos anos 1970. Há novas evidências de que o aumento de aerossóis antropogênicos compensou parte da perda de gelo marinho do Ártico induzida por gases de efeito estufa desde a década de 1950 (confiança média). No Ártico, apesar das grandes diferenças no estado médio do gelo marinho, a perda de extensão e espessura do gelo marinho durante as últimas décadas é reproduzida em todos os modelos CMIP5 e CMIP6 (alta confiança). Por outro lado, os modelos climáticos globais geralmente não capturam o pequeno aumento observado na extensão do gelo do mar Antártico durante a era dos satélites, e há baixa confiança em atribuir as causas dessa mudança.

É provável que a influência humana tenha contribuído para as reduções observadas na cobertura de neve na primavera do Hemisfério Norte desde 1950. O ciclo sazonal na cobertura de neve do Hemisfério Norte é melhor reproduzido pelos modelos CMIP6 do que pelos modelos CMIP5 (alta confiança). A influência humana provavelmente foi o principal fator do recente recuo global e quase universal das geleiras. É muito provável que a influência humana tenha contribuído para o derretimento observado da superfície do manto de gelo da Groenlândia nas últimas duas décadas, e há uma confiança média em uma contribuição antropogênica para a recente perda geral de massa do manto de gelo da Groenlândia. No entanto, há apenas evidências limitadas, com acordo médio, da influência humana no balanço de massa do manto de gelo antártico através de mudanças na descarga de gelo.

Influência humana no oceano

É extremamente provável que a influência humana tenha sido o principal impulsionador do aumento do conteúdo de calor oceânico observado desde a década de 1970, que se estende até o oceano mais profundo (confiança muito alta). Desde o AR5, há uma consistência aprimorada entre as estimativas observadas recentes e as simulações de modelo de mudanças no conteúdo de calor do oceano superior (<700 m), ao levar em conta as forçantes naturais e antropogênicas. Observações atualizadas e simulações de modelos mostram que o aquecimento se estende por toda a coluna de água (alta confiança), com modelos CMIP6 simulando 58% da absorção de calor da era industrial (1850–2014) na camada superior (0–700 m), 21% em na camada intermediária (700–2.000 m) e 22% na camada profunda (>2.000 m). A estrutura e a magnitude dos vieses da temperatura média do oceano de vários modelos não mudaram substancialmente entre CMIP5 e CMIP6 (confiança média).

É extremamente provável que a influência humana tenha contribuído para as mudanças observadas na salinidade oceânica perto e abaixo da superfície desde meados do século XX. O padrão de mudança associado corresponde a regiões frescas se tornando mais frescas e regiões salgadas se tornando mais salgadas (alta confiança). As mudanças no ciclo atmosférico da água coincidente e nos fluxos oceano-atmosfera (evaporação e precipitação) são os principais impulsionadores das mudanças observadas na salinidade em escala da bacia (alta confiança). As mudanças de salinidade em escala de bacia integradas à profundidade observadas foram atribuídas à influência humana, com modelos CMIP5 e CMIP6 capazes de reproduzir esses padrões apenas em simulações que incluem aumentos de gases de efeito estufa (confiança média). As mudanças na escala da bacia são consistentes entre os modelos e se intensificam ao longo do período histórico (alta confiança). A estrutura dos vieses na média multimodelo não mudou substancialmente entre CMIP5 e CMIP6 (confiança média).

Combinando as contribuições atribuíveis das geleiras, do balanço de massa da superfície do gelo e da expansão térmica, é muito provável que a influência humana tenha sido o principal fator do aumento médio global do nível do mar observado desde pelo menos 1971. Desde AR5, estudos mostraram que as simulações que excluem os gases de efeito estufa antrópicos são incapazes de capturar o aumento do nível do mar devido à expansão térmica (termostérica) durante o período histórico e que as simulações de modelo que incluem todos os forçantes (antrópicos e naturais) correspondem mais de perto às estimativas observadas. É muito provável que a influência humana tenha sido o principal fator do aumento do nível do mar termostérico global observado desde 1970.

Embora as observações mostrem que a Circulação de Revitalização Meridional do Atlântico (AMOC) enfraqueceu de meados dos anos 2000 a meados de 2010 (alta confiança) e a célula de revolvimento superior do Oceano Antártico se fortaleceu desde a década de 1990 (baixa confiança), os registros observacionais são muito curtos determinar as contribuições relativas da variabilidade interna, do forçamento natural e do forçamento antropogênico para essas mudanças (alta confiança). Nenhuma mudança no transporte da Corrente Circumpolar Antártica ou na posição meridional foi observada. As circulações zonais e de revolvimento médias do Oceano Antártico e as circulações de revolvimentos médios do Atlântico Norte (Atlantic Meridional Overturning Circulation, AMOC) são amplamente reproduzidas pelos modelos CMIP5 e CMIP6. No entanto, vieses são aparentes nas forças de circulação modeladas (confiança alta) e sua variabilidade (confiança média).

Influência Humana na Biosfera

O principal impulsionador do aumento observado na amplitude do ciclo sazonal do CO2 atmosférico é a fertilização aprimorada do crescimento das plantas pelo aumento da concentração de CO2 atmosférico (confiança média). No entanto, há pouca confiança de que essa fertilização com CO2 também tenha sido o principal fator do esverdeamento observado, porque o manejo da terra é o fator dominante em algumas regiões. Os modelos do sistema terrestre simulam sumidouros de carbono terrestres com média global dentro da faixa de estimativas baseadas em observação (alta confiança), mas a concordância em escala global mascara grandes divergências regionais.

É praticamente certo que a absorção de CO2 antropogênico foi o principal impulsionador da acidificação observada da superfície global do oceano aberto. O aumento observado na concentração de CO2 no Atlântico Norte subtropical e equatorial desde 2000 provavelmente está associado em parte a um aumento na temperatura do oceano, uma resposta que é consistente com o enfraquecimento esperado do sumidouro de carbono do oceano com o aquecimento. Consistente com o AR5, há confiança média de que a desoxigenação na parte superior do oceano se deve em parte à influência humana. Há uma alta confiança de que os modelos do sistema terrestre simulam uma evolução temporal realista do sumidouro médio global de carbono nos oceanos.

Influência humana nos modos de variabilidade climática

É muito provável que a influência humana tenha contribuído para a tendência observada em direção à fase positiva do Modo Anular Sul (SAM) desde a década de 1970 e para o fortalecimento associado e deslocamento para o sul do jato extratropical do Hemisfério Sul no verão austral. A influência da forçante de ozônio na tendência de SAM tem sido pequena desde o início dos anos 2000 em comparação com as décadas anteriores, contribuindo para uma tendência de SAM mais fraca observada entre 2000 e 2019 (confiança média). Os modelos climáticos reproduzem bem a tendência do SAM no verão, com os modelos CMIP6 superando os modelos CMIP5 (confiança média). Por outro lado, a causa da tendência do Modo Anular do Norte (NAM) em direção à sua fase positiva desde a década de 1960 e os deslocamentos associados para o norte do jato extratropical do Hemisfério Norte e da trilha de tempestades no inverno boreal não são bem compreendidos. Os modelos reproduzem muito bem as características espaciais observadas e a variação do SAM e NAM (alta confiança).

A influência humana não afetou os principais modos tropicais de variabilidade climática interanual ou suas teleconexões regionais associadas além da faixa de variabilidade interna (alta confiança). Uma avaliação mais aprofundada desde o AR5 confirma que os modelos climáticos e do sistema terrestre são capazes de reproduzir a maioria dos aspectos da estrutura espacial e da variação do El Niño–Oscilação Sul e da Bacia do Oceano Índico e dos modos Dipolo (confiança média). No entanto, apesar de uma ligeira melhoria no CMIP6, alguns processos subjacentes ainda estão mal representados. Na bacia do Atlântico Tropical, que contém os modos Zonal e Meridional do Atlântico, persistem grandes vieses no estado médio modelado e na variabilidade.

Existe uma confiança média de que os aerossóis antropogênicos e vulcânicos contribuíram para as alterações observadas no índice de Variabilidade Multidecenal do Atlântico (AMV) e nas teleconexões regionais associadas desde a década de 1960, mas há uma confiança baixa na magnitude desta influência. Há uma alta confiança de que a variabilidade interna é o principal condutor da Variabilidade Decadal do Pacífico (PDV) observada desde os tempos pré-industriais, apesar de algumas evidências de modelagem para potencial influência humana. As incertezas permanecem na quantificação da influência humana no AMV e PDV devido à brevidade dos registros observacionais, desempenho limitado do modelo na reprodução de anomalias relacionadas à temperatura da superfície do mar (SST), apesar das melhorias do CMIP5 para o CMIP6 (confiança média) e compreensão limitada do processo de seus principais impulsionadores.

O aquecimento observado (1850–2019) só é reproduzido em simulações que incluem a influência humana. Mudanças na temperatura da superfície global em observações, em comparação com simulações de modelos climáticos da resposta a todos os forçantes humanos e naturais (faixa cinza), gases de efeito estufa apenas (faixa vermelha), aerossóis e outros fatores humanos apenas (faixa azul) e forçantes naturais apenas (verde banda). As linhas coloridas sólidas mostram a média multimodelo e as faixas coloridas mostram a faixa de 5 a 95% das simulações individuais. (ecodebate)

Impactos dos eventos climáticos extremos na biodiversidade

Mudanças climáticas extinguirão principalmente espécies endêmicas.

Os eventos climáticos extremos estão impactando a biodiversidade e os ecossistemas em todo o mundo, com consequências que afetam tanto a natureza quanto os seres humanos.

Aquecimento global está intensificando os eventos climáticos extremos, colocando em risco a vida de muitas espécies e ecossistemas, além de afetar a prestação de serviços ambientais que beneficiam a humanidade. É urgente a necessidade de os países reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e investirem em ações de conservação e restauração de ecossistemas para evitar uma crise ambiental ainda maior.

Os eventos climáticos extremos, como secas, enchentes, ondas de calor e furacões, estão se tornando cada vez mais frequentes e intensos devido ao aquecimento global causado pelas emissões de gases de efeito estufa. Esses eventos têm consequências devastadoras para a vida na Terra, afetando tanto os seres humanos quanto a biodiversidade.

A biodiversidade é a variedade de formas de vida que existe no planeta, desde as espécies mais conhecidas até as ainda não descobertas pela ciência. A biodiversidade é essencial para o equilíbrio dos ecossistemas e para a prestação de serviços ambientais que beneficiam a humanidade, como a produção de alimentos, água, oxigênio, medicamentos e regulação do clima.

No entanto, a biodiversidade está ameaçada pela crise climática, que amplia outros fatores de estresse provocados pela ação humana, como o desmatamento, a poluição, a invasão de espécies exóticas e a exploração excessiva dos recursos naturais. Segundo o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), os impactos das mudanças climáticas na natureza são maiores do que o avaliado anteriormente e podem levar à extinção de muitas espécies e à perda irreversível de ecossistemas.

De acordo com o relatório, um nível de aquecimento global de 2°C até 2100 coloca até 18% de todas as espécies em terra sob alto risco de extinção. Além disso, os ecossistemas marinhos também sofrem com o aumento da temperatura da água, a acidificação dos oceanos e a redução do oxigênio dissolvido. Os recifes de coral, por exemplo, que abrigam cerca de 25% de toda a vida marinha, podem desaparecer quase completamente se o aquecimento global ultrapassar 1,5°C.

Os eventos climáticos extremos também podem provocar mudanças abruptas e irreversíveis nos ecossistemas, chamadas de pontos de inflexão. Por exemplo, uma seca prolongada pode transformar uma floresta tropical em uma savana ou um deserto. Essas mudanças podem comprometer a capacidade dos ecossistemas de se adaptarem às alterações climáticas e de fornecerem os serviços ambientais que sustentam a vida.

Um relatório da ONG Christian Aid, publicado em dezembro de 2021, identificou 10 eventos extremos que ocorreram no ano passado e que provocaram mortes, deslocamentos e prejuízos bilionários em diferentes regiões do planeta. Entre eles, estão o furacão Ida, que atingiu os Estados Unidos em agosto, as enchentes na Europa em julho, o ciclone Yaas, que devastou a Índia e Bangladesh em maio, e a seca do Rio Paraná, que afetou Argentina, Brasil e Paraguai.

Esses eventos têm impactos diretos e indiretos nos ecossistemas, alterando o equilíbrio ecológico, reduzindo a capacidade de adaptação das espécies, aumentando o risco de extinção e invasão biológica, afetando a produtividade primária e secundária, modificando os ciclos biogeoquímicos e alterando as interações entre os organismos.

Por exemplo, as ondas de calor podem causar estresse térmico nas plantas e nos animais, levando à redução do crescimento, da reprodução e da sobrevivência. As secas podem reduzir a disponibilidade de água e nutrientes para os organismos terrestres e aquáticos, afetando sua fisiologia, metabolismo e comportamento. As inundações podem provocar erosão do solo, perda de habitat, alteração da qualidade da água e aumento da transmissão de doenças. Os furacões podem destruir a vegetação, os recifes de coral, as zonas úmidas e outros ecossistemas costeiros, que são importantes para a proteção da linha de costa, a regulação do clima e o abrigo da biodiversidade.

Os ecossistemas são essenciais para o bem-estar humano, pois fornecem serviços como regulação do clima, purificação da água, polinização, controle de pragas, produção de alimentos, fibras e medicamentos, recreação e cultura. A perda ou degradação dos ecossistemas pode comprometer esses serviços e gerar consequências socioeconômicas negativas para as populações que dependem deles.

Diante desse cenário alarmante, é urgente que os países tomem medidas efetivas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e limitar o aquecimento global a 1,5°C, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris. Além disso, é preciso investir em ações de conservação e restauração da biodiversidade, aumentando a resiliência dos ecossistemas e das espécies aos eventos climáticos extremos.

A biodiversidade é um patrimônio da humanidade e um recurso vital para o nosso bem-estar e desenvolvimento sustentável. (ecodebate)

Aquecimento global causará aumento da temperatura no Brasil

Aquecimento global deve causar aumento da temperatura no Brasil, indica IPCC.

Se não forem limitadas, as emissões de gases de efeito estufa levarão a secas mais longas na Amazônia e no Nordeste e a tempestades mais intensas no Centro-Sul.
Se não forem limitadas, as emissões de gases de efeito estufa (GEE) nos próximos anos, o aquecimento global, que pode atingir ou exceder 1,5ºC até 2040, deverá causar o aumento generalizado da temperatura em todo o Brasil, além de diferentes impactos regionais.

Algumas partes do território, como o Centro-Oeste, deverão registrar maior aumento na temperatura e elevação da frequência e da intensidade das ondas de calor, além de períodos secos mais prolongados, a exemplo do leste da Amazônia e da região Nordeste. Já no Centro-Sul do país devem ocorrer mais chuvas fortes e com grandes volumes de água, concentradas em até 5 dias.

As projeções constam no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Globais (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Algumas estimativas regionais contidas na publicação foram apresentadas em um webinário realizado por cientistas ligados ao Programa FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) no mesmo dia do lançamento do relatório, com o objetivo de discutir as implicações do informe para o Brasil.

“A temperatura média global é distribuída geograficamente. Por isso, não é sentida da mesma forma em diferentes regiões do planeta”, disse Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e membro da coordenação do PFPMCG.

Em um cenário de aquecimento de 2ºC, a temperatura no Brasil pode aumentar entre 3ºC e 3,5ºC. Já se a média global aumentar em 4ºC, a do país pode subir entre 5ºC e 5,5ºC, principalmente na porção central, apontou Artaxo. “Isso desencadearia impactos importantes, inclusive para a economia brasileira, baseada no agronegócio”, afirmou o pesquisador, que é autor-líder do capítulo 6 do relatório.

Segundo os autores da publicação, em razão do aumento das emissões de GEE, nos últimos 50 anos, a temperatura da superfície global se elevou a uma taxa sem precedentes e é muito provável que a década mais recente tenha sido a mais quente desde o pico do último período interglacial, há 125 mil anos.

A temperatura da superfície global foi 1,1ºC mais alta entre 2011 e 2020 do que entre 1850 e 1900, com aquecimento mais forte sobre a terra do que sobre os oceanos. A temperatura média nos continentes, contudo, já aumentou 1,6ºC, uma vez que eles aquecem muito mais do que o planeta como um todo porque os oceanos absorvem gigantescas quantidades de calor. “Nos continentes, já ultrapassamos o limiar de aquecimento de 1,5ºC”, afirmou Artaxo.

De acordo com o relatório, é provável que as emissões de gases de efeito estufa – principalmente gás carbônico (CO2) e metano – tenham contribuído para esse aquecimento de 1,1ºC da temperatura da superfície global. Em contrapartida, as partículas de aerossóis atmosféricos gerados pela poluição podem estar contribuindo com um resfriamento de 0,5ºC da temperatura do planeta. “Os aerossóis estão mascarando cerca de um terço do aquecimento atual”, afirmou Artaxo.

Se essas partículas, que espalham radiação de volta para o espaço ajudando a resfriar o planeta, forem retiradas da atmosfera por meio da interrupção da queima de carvão para geração de energia pelas usinas termelétricas e da eletrificação do setor de transporte – o que já está ocorrendo em países como a China e Índia –, esse mascaramento deixará de existir, indicou o pesquisador.

“Só com isso a temperatura do planeta vai aquecer meio grau nas próximas décadas”, explicou Artaxo, que é um dos maiores especialistas mundiais no estudo de aerossóis.

Efeitos nos padrões de chuva

Secas e inundações: mudanças climáticas estão distorcendo padrões de chuva em todo o planeta.

Relatório inédito da Organização Meteorológica Mundial usa dados de satélites da NASA para analisar corpos de água doce ao redor do mundo e mostrar como geleiras e rios estão desaparecendo.

De acordo com o relatório, a chuva nos continentes aumentou globalmente desde 1950, mas algumas regiões registraram – e devem sofrer ainda mais – uma significativa redução de precipitação. Os cenários regionais indicam que acontecerão no Brasil alterações no padrão das chuvas, essenciais para a agricultura e para geração de energia hidrelétrica.

“Todos os cenários indicam que principalmente a região central do Brasil e a parte leste da Amazônia se tornarão mais secas, com queda de 10% a 20% na precipitação. Isso acontecerá tanto em um cenário de aquecimento global de 2ºC como de 4ºC”, disse Artaxo. Outras regiões do país, como a Sul, podem registrar maior intensidade de chuvas.

Em escala global, os eventos de chuva forte se intensificarão em cerca de 7% para cada grau adicional de aquecimento, uma vez que uma atmosfera mais quente é capaz de reter mais umidade, estimam os cientistas.

“Na região mais ao sul do Brasil já tem se observado um aumento das precipitações e se projeta que elas se elevarão em diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa”, afirmou Lincoln Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e autor-líder do capítulo do Atlas de Mudanças Climáticas, que integra o relatório.

Cada 0,5°C adicional de aquecimento global também causará aumentos estatisticamente significativos nos extremos de temperatura, na intensidade de chuvas fortes e na gravidade de secas em algumas regiões, como no Nordeste do Brasil e no leste da Amazônia.

Webinário que contou com a participação dos pesquisadores da FAPESP.

Em um cenário de aquecimento global de 2ºC, as ondas de calor e secas devem ocorrer com maior frequência e simultaneamente, causando graves prejuízos à saúde, aos ecossistemas e à produção agrícola, estimam os cientistas.

“Não é só o clima médio que está mudando, mas também as características dos extremos climáticos, como ondas de calor, de frio, enchentes, secas e ciclones. O número desses eventos está aumentando e se projeta uma elevação significativa em sua ocorrência em todas as regiões do globo, incluindo o Brasil”, afirmou Alves.

“Teremos cada vez mais eventos climáticos extremos simultâneos que tendem a intensificar os impactos, como ondas de calor combinadas com secas que, em regiões propícias a queimadas, os efeitos são exacerbados”, exemplificou.

Chamamento para ação

Na avaliação de Thelma Krug, pesquisadora aposentada do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e vice-presidente do IPCC, as mensagens do novo relatório do órgão são bastante incisivas.

Os autores se empenharam para que a publicação tivesse uma linguagem muito clara para alertar os governos e a sociedade sobre a emergência do problema, contou a pesquisadora. “O sumário para formuladores de políticas [que compila as principais informações do relatório] é um dos mais claros que já vi desde 2002, quando comecei a contribuir com o IPCC”, afirmou.

Outras novidades do relatório foram os materiais e métodos empregados para fundamentar as observações e projeções. Além de 14 mil artigos publicados nos últimos anos, revisados por 241 autores do relatório, foram usados novos modelos climáticos mais sofisticados. Dessa forma, foi possível preencher algumas lacunas de dados e promover uma maior integração das evidências, avaliou Krug. “Isso permitiu que o IPCC fizesse nesse relatório projeções mais apuradas do impacto das emissões de gases de efeito estufa no sistema climático”, afirmou.

O novo ciclo de avaliação do IPCC deve ser concluído no início de 2022, quando será publicado o relatório com as contribuições do Grupo de Trabalho 2, com foco em impactos, adaptação e vulnerabilidade às mudanças climáticas, e do Grupo de Trabalho 3, com enfoque em mitigação. A expectativa é que os relatórios embasem as negociações climáticas dos países nas próximas conferências da Organização das Nações Unidas sobre o clima (COPs).

“Os eventos climáticos extremos que temos visto nos últimos anos e a mensagem do novo relatório do IPCC, de que isso tem uma grande contribuição humana, podem dar uma nova direção para as negociações, que é o que autores esperam”, avaliou Krug. “As informações do novo relatório são extremamente fortes e esperamos que tenham uma reação correspondente, porque a ciência está aí e esperamos que ela cumpra seu papel, que é o de ajudar os governos na tomada de decisão”.

Na avaliação de Jean Ometto, pesquisador do INPE, o Brasil tem uma grande oportunidade para reduzir suas emissões de GEE, muito associadas às mudanças no uso e cobertura do solo para conversão de áreas de floresta em lavouras ou pastagens agrícolas.

Aquecimento global deve causar aumento generalizado da temperatura no Brasil

Relatório divulgado pelo IPCC aponta que o país poderá sofrer diferentes impactos regionais, com secas mais longas na Amazônia e no Nordeste e tempestades mais intensas no Centro-Sul.

“Estamos passando por um momento de seca extrema em uma parte importante do Brasil, que afeta a produção de alimentos e de energia e reflete as mudanças nos padrões climáticos. A maneira como o país pode atuar [para diminuir a frequência desses eventos] é reduzindo e mudando seu portfólio de emissões de gases de efeito estufa”, afirmou. (revistagalileu.globo)

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Aumento da temperatura média deve ser maior no Brasil

Aumento da temperatura média deve ser maior no Brasil, alerta estudo.
Segundo publicações da Coalização Energia Limpa, país deverá ver o aumento médio de 4°C e ter forte impacto no setor elétrico. Um estudo da Coalização Energia Limpa aponta que o Brasil poderá sentir de forma mais intensa os efeitos da crise climática. O aumento médio da maioria das regiões do País, que é calculado em pelo menos 4°C na temperatura média e isso poderá trazer grandes impactos no setor elétrico brasileiro dado a renovabilidade da matriz elétrica/ energética Nacional.

Entre as formas de se alcançar essa resiliência cita a adoção de uma nova forma de planejar, operar e governar o sistema elétrico. Para a Coalizão, a solução deve ser multifacetada, o que exigirá maior diversificação da Matriz Energética para desenvolver um sistema que possa suportar essas mudanças climáticas.

Aquecimento global: A chance de que o limite de 1,5°C, considerado essencial para evitar um cataclismo, seja rompido entre 2023 e 2027, é de dois terços.

Aumento da temperatura global deve superar limite de 1,5°C até 2027, alerta ONU.

Segundo especialistas, patamar é considerado limítrofe para evitar um cataclismo; cenário pode ser mitigado até o fim de século, mas janela de tempo é curta.

Em decorrência da redução de vazões, logo no início a entidade desaconselha a implantação de IHEs a fio d’água no Norte como é o caso da UHE Tapajós. A solar deverá ser predominante no Nordeste, concomitante com a eólica a GD combinadas com baterias em residências devem auxiliar no enfrentamento da mudança do clima, ao mesmo tempo em que se implanta projetos de UHEs reversíveis, armazenamento em baterias e amplia-se o uso de hidrogênio verde. (canalenergia)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...