quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fome traz lucro para os países desenvolvidos

O ‘mercado’ da fome traz lucro para os países desenvolvidos doadores
Luta contra a fome – uma bandeira que praticamente todos levantam. Mas há acusações de que muitos dos que dizem querer ajudar na verdade se beneficiam da miséria alheia.
O Haiti é o exemplo típico de uma política que traz lucro para os países desenvolvidos e prejudica os pequenos agricultores locais – justamente as vítimas da fome. Essa é a avaliação do diplomata Jean Feyder, de Luxemburgo, presidente da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
Em seu livro Mordshunger (em tradução livre “Fome voraz”), Feyder retrata o drama da ilha caribenha: até 30 anos atrás, os agricultores haitianos produziam arroz suficiente para a população do país. O Haiti foi então obrigado a reduzir suas taxas de importação de 50% para 3%. Alimentos subvencionados importados dos Estados Unidos arruinaram a agricultura local. Os produtores perderam seu meio de subsistência e cada vez mais pessoas começaram a passar fome.
Hoje, o Haiti importa dos Estados Unidos 80% do arroz que consome – e assim está à mercê dos caprichos dos mercados internacionais. Mesmo antes do terremoto que devastou o país em janeiro de 2010, o Haiti já era um dos países mais pobres do planeta. O ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que fez forte pressão pela redução nas tarifas alfandegárias haitianas, arrependeu-se de sua política: “Talvez tenha sido bom para alguns dos meus fazendeiros em Arkansas, mas foi um erro”.
O que aconteceu com o Haiti, diz Jean Feyder à Deutsche Welle, vale para muitos outros países. Também os membros da União Europeia (UE) lucraram com a exportação de grãos, carne de aves, leite em pó ou polpa de tomate a preços que arruinaram produtores rurais nos países em desenvolvimento.
Ajuda que beneficia os países doadores
Assim, o Haiti e outros países tornaram-se dependentes de ajuda humanitária. Só que essa ajuda não é dada sem interesses próprios. “A doação de alimentos não pode continuar servindo como meio de os países doadores se livrarem de seus excedentes agrícolas e explorarem novos mercados”, critica Feyder.
O princípio de ajuda útil para o próprio doador fica evidente no programa Food for Peace, dos Estados Unidos. Como maior país doador, os EUA vinculam quase um terço de sua ajuda econômica ao fornecimento de bens e serviços. Assim, produtos agrários norte-americanos são transportados por longas distâncias sob a bandeira dos Estados Unidos.
Os países que recebem a ajuda precisam comprovar, reprova Feyder, “que podem se tornar mercados consumidores dos produtos agrários norte-americanos”. Lá os alimentos são distribuídos ou vendidos para financiar mais ações humanitárias.
A venda e distribuição garantem lucros a terceiros. Os agricultores locais sofrem. Segundo um representante da organização humanitária Care, no Quênia, se está destruindo o que se quer construir. Onde se tentou desenvolver um meio de subsistência para os agricultores através do cultivo de óleo de girassol, foram despejadas no mercado toneladas de óleo de cozinha subvencionado por programas de ajuda humanitária.
A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) quer reformas. Mas as tentativas de acabar com a monetarização do fornecimento de alimentos fracassou no Congresso. Além de agricultores e empresas de transporte, também organizações de ajuda humanitária protestaram por não abrirem mão do financiamento de seus programas.
Enquanto o governo dos Estados Unidos lutava, em 2010 o Programa Mundial de Alimentação (WFP, do inglês) das Nações Unidas respondeu por “78% dos alimentos comprados em países em desenvolvimento”.
Esforço decepcionante
Organizações humanitárias, países doadores e em desenvolvimento entraram em acordo sobre uma forma mais efetiva de ajuda ao desenvolvimento em 2005. Em uma conferência em Paris, decidiu-se que deveria haver melhor coordenação, alinhada com as necessidades dos beneficiários, e que os resultados precisariam ser avaliados.
A Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE) fez um balanço das medidas em 2011. Das 13 metas acordadas, apenas uma foi alcançada. O resultado foi considerado “decepcionante” pela OCDE.
Desiludido, o economista queniano James Shikwati pede o fim da ajuda ao desenvolvimento. De acordo com suas convicções, essa ajuda serve principalmente aos interesses políticos dos doadores. Na África, quem mais se beneficia da ajuda humanitária são os governos corruptos. A dependência foi aprofundada.
A declaração do ministro alemão para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Dirk Niebel, de que gostaria que fosse dado mais valor aos interesses da economia alemã foi considerada por Shikwati como “honesta”. Em conversa com o “europeu”, ele pediu a Niebel que “não prejudicasse os interesses econômicos da África através da ajuda humanitária”, mas que se preocupasse em promover comércio justo.
Especialmente em regiões de conflito a ajuda humanitária cai em mãos erradas. De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), em agosto de 2011 foram roubados na Somália milhares de sacos de alimentos para as vítimas da catástrofe da fome. O WFP anunciou que o roubo está sendo investigado.
Residentes de um dos campos de refugiados contaram que, depois de terem sido fotografados com sacos de milho, os alimentos foram novamente tomados deles. Nos mercados da capital, Mogadíscio, eram vendidos sacos com alimentos com selos do WFP, da Usaid e do governo japonês.
Ajuda aos famintos pode prolongar guerras
Já em 2010, um relatório do Grupo de Monitoramento da ONU para a Somália concluiu que metade da ajuda alimentar do WFP era roubada por senhores da guerra, comerciantes corruptos ou funcionários corruptos do próprio WFP. A organização negou isso.
A jornalista e escritora holandesa Linda Polman (A Indústria da Caridade. Os bastidores das organizações de ajuda internacional) conhece o mau uso da ajuda humanitária. Durante a fome na Somália nos anos 1990, ela testemunhou como os senhores da guerra roubavam suprimentos dos famintos para comprar armas. A ajuda pode prolongar uma guerra, assegura Polman, pois, segundo ela, “na guerra, alimento é arma.”
Em entrevista à Deutsche Welle, Polman alerta para que não se glorifique instituições de caridade. Segundo ela, existe uma “indústria da ajuda”, de instituições de caridade concorrentes e que têm interesses comerciais. Mesmo que tenham boas intenções, diz Polman, as organizações humanitárias vivem da fome e da ajuda humanitária. Elas concorrem pelo dinheiro de doadores e cooperam muito pouco entre si. E os poderosos nos países beneficiários se utilizam disso.
Segundo estimativas das Nações Unidas, existem cerca de 37 mil organizações internacionais de ajuda humanitária em todo o mundo. Na conta não estão incluídas iniciativas privadas. Polman apela aos doadores que controlem melhor projetos e instituições.
Transparência contra a corrupção – Open Aid
Wolfgang Wodarg já foi membro da comissão de Cooperação e Desenvolvimento Econômico do parlamento alemão e visitou muitos projetos de ajuda internacional. Hoje, Wodarg trabalha na diretoria da organização Transparency International na Alemanha.
Em entrevista à Deutsche Welle, ele estimou que apenas 10% da ajuda internacional chegam às pessoas que realmente precisam dela. “Corrupção e conflito de interesses são parte integrante da cooperação para o desenvolvimento”, reclama Wodarg. E a única forma de combater esse mal é aumentar a transparência.
Para isso foi criado o movimento Open Aid: doadores e instituições de caridade devem publicar em uma plataforma comum tudo o que recebem em forma de financiamento. Os beneficiários devem ser incluídos. O objetivo é criar um sistema que permita que qualquer pessoa na internet possa ter acesso a todas as organizações, projetos e resultados da ajuda internacional. E assim se pode ver, também, quem de fato se beneficiou. (EcoDebate)

Só 46% dos cereais plantados alimentam pessoas

Quando a Terra atingiu o sexto bilhão de seres humanos habitando-a simultaneamente, em 1999, o matemático biológico Joel E. Cohen,67, guardava um certo otimismo.
Via exagero no fatalismo com que alguns estudiosos referiam-se ao futuro e achava que a pergunta que dá título a seu livro mais famoso -quantas pessoas a Terra aguenta?- não era para ser respondida com um número, mas com políticas públicas e iniciativas sociais.
Entre o sexto e o recém-alcançado sétimo bilhão, porém, a humanidade -e seus governos- pouco colaboraram para manter o otimismo do matemático, que chefia o Laboratório de Populações na Universidade Rockfeller e leciona em Columbia, ambas em Nova York.
Em entrevista, Cohen falou sobre controle populacional, educação, investimento em desenvolvimento e o uso da comida que o mundo produz hoje.
Mas o tom que era de expectativa deu lugar à premência em um planeta que, a seu ver, tem seguido uma “receita para o desastre”.
Quando chegamos aos 6 bilhões, o senhor dizia que a pergunta que dá título ao seu livro era algo em aberto. Aos 7 bilhões, continuamos sem resposta?
Agora percebemos que a mudança climática é uma ameaça à produção de comida, à vida das espécies, incluindo a humana, com mais clareza do que há 12 anos.
O progresso científico trouxe razões para nos preocuparmos mais.
Hoje também temos o maior número de famintos em 40 anos, segundo o braço da ONU para agricultura e alimentação: quase 1 bilhão.
Até recentemente, o número de pessoas cronicamente mal nutridas estava caindo, mas, nos últimos anos o preço dos alimentos subiu muito, em boa medida devido à competição com biocombustíveis e outros usos industriais da comida. Com isso, a fome aumentou.
Os biocombustíveis têm um impacto significativo? Porque a mudança climática também pesa nas colheitas.
Onde há medição, as colheitas diminuíram por causa da mudança climática. Mas acho que pesam os dois fatores, uso industrial e clima.
Outra questão é a crescente riqueza em alguns países em desenvolvimento. A quantidade de carne consumida por pessoa na Terra subiu, se não me engano, quatro vezes desde 1961. Países antes pobres, como a China, aumentaram enormemente a demanda, e muito do gado é alimentado com grãos, cultivados em terra agricultável que podia ser usada para plantar comida.
Os ricos conseguiram melhorar sua dieta, o que é bom, mas às custas dos pobres, que não têm como bancar a competição com os animais.
O que os governos de um mundo superpopuloso deveriam priorizar?
Em 2009-2010, o mundo cultivou 2,3 bilhões de toneladas métricas de cereais. Do total, 46% foi para a boca de pessoas, 34% for para animais e 18% foi para máquinas -biocombustível, plásticos. Nosso sistema econômico não precifica gente que passa fome. A fome é economicamente invisível. Não é que não possamos alimentar as pessoas -com o que se planta agora, poderíamos alimentar de 9 bilhões a 11 bilhões. O problema é que os pobres não têm renda.
O que o sr. sugere?
A primeira coisa é que todas as 215 milhões de mulheres que querem usar métodos anticoncepcionais, mas não têm sua demanda atendida, deveriam ter apoio financeiro para conseguir anticoncepcionais moderno.
Isso custaria US$ 6,7 bi ao ano para o mundo todo. Os EUA, sozinhos, gastaram US$ 6,9 bi para festejar o Halloween há uma semana [segundo a Federação Nacional de Varejistas]. Devemos dividir a conta com países ricos e pobres. Mas o mundo pode bancar isso facilmente.
E o que mais?
Assegurar que todos tenham uma educação de boa qualidade no ensino fundamental e médio, que permita às pessoas ter renda e ser trabalhadores capacitados.
Isso também melhoraria a velhice, pois gente bem educada na juventude envelhece com mais saúde. E, quando os jovens vão à escola, eles se casam mais tarde. Mulheres educadas costumam ter menos filhos, e seus filhos sobrevivem melhor. As taxas de mortalidade caem.
E a minha terceira recomendação é garantir nutrição adequada para todas as gestantes, lactantes e crianças de até cinco anos. Isso é crucial, pois se a criança passa fome antes de chegar à idade escolar, ela não aprende.
Há problemas de desenvolvimento.
Se você quiser que as crianças tenham cérebros que funcionam, é preciso assegurar que tenham acesso a boa comida. Não estamos fazendo isso. Estamos desperdiçando nossas crianças sem ver o custo econômico.
Há um conceito em economia chamado custo de oportunidade, que é o que você perde ao não explorá-la. Nosso péssimo tratamento das crianças é um custo de oportunidade enorme que não é incluído nos sistemas econômicos nacionais.
O sr. está familiarizado com os programas de transferência de renda no Brasil?
Li pouco sobre eles, mas sei que existem programas similares no México. São maravilhosos. O Brasil e o México estão entre os países mais ricos que levam a questão a sério. Na América Latina como um todo, o número médio de filhos por mulher passou de 6, nos anos 60, para 2 ou 2,1 hoje. Uma mudança enorme.
O sr. atribui isso a quê?
É uma via de mão dupla. Por um lado, as mulheres e meninas receberam mais educação, e houve quedas tremendas na taxa de fertilidade. Por outro, a queda na fertilidade faz com que haja menos crianças precisando de escola. As duas coisas andam juntas. A educação reduz a fertilidade, e a fertilidade mais baixa melhora as oportunidades para a educação, se a sociedade quiser.
Na África subsaariana e no Sul da Ásia, inclusive parte da Índia, você não vê uma queda tão drástica na fertilidade, tampouco melhoras na nutrição.
A fertilidade caiu na Europa, e a população envelheceu. O mesmo tem ocorrido na América como um todo. Mas a fertilidade ainda é alta em partes do mundo, sobretudo na Ásia, como o sr. diz. Qual o impacto, para o planeta, de uma população declinante e envelhecida de um lado e países cada vez mais superpopulosos de outro?
Você tem razão, temos pelo menos dois regimes demográficos hoje. Há mais de 50 países onde os níveis de fertilidade caíram abaixo da taxa de reposição. E há outros com crescimento rápido.
Em 1950, havia três vezes mais gente na Europa do que na África Subsaariana. Em 2010, havia 16% mais gente na África Subsaariana do que na Europa. Pelas projeções da ONU, em 2100 haverá 5 pessoas na África Subsaariana para 1 na Europa. De 3 para 1, fomos de 1 para 5 -a proporção aumentou 15 vezes.
Isso pode significar uma tremenda pressão pela imigração da África subsaariana para a Europa se a África continuar pobre. Por outro lado, se os europeus, se a China e se o resto do mundo ajudarem a África a enriquecer, isso pode significar um mercado enorme para o maquinário, os produtos e até o estilo que a Europa produz. E pode significar prosperidade.
O perfil da população mudou, mas a renda não acompanhou -menos gente tem mais, mais gente tem menos.
É lamentável. É uma situação instável ecológica, política, econômica e socialmente. É a receita para o desastre.
Números
1 bilhão, passam fome no mundo, é o maior número de famintos em 40 anos, segundo o braço da ONU para agricultura e alimentação
2,3 bilhões é o cultivo de cereais, foi o que o planeta produziu no biênio 2009-2010
46% dos 2,3 bilhões de cereais, percentual usado para alimentar pessoas; 34% foram para animais e 18%, para produção de combustível
4 vezes é o consumo de carne. É o quanto aumentou o consumo por pessoa na Terra desde 1961 (EcoDebate)

Fome no mundo é alarmante e dramática

Para FAO, situação da fome no mundo é alarmante e dramática
Especialistas consideram que a situação se agrava com o crescimento da população mundial e a elevação dos preços dos alimentos. A região que mais sofre é a conhecida como Chifre da África, onde está a Somália
Representantes da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e do Programa Alimentar Mundial (PAM) advertiram em 18/10/11 a comunidade internacional sobre a situação da fome no mundo, considerada por eles alarmante e dramática. Para os especialistas, a situação se agrava com o crescimento da população mundial e a elevação constante dos preços dos alimentos. A região que mais sofre no mundo é a conhecida como Chifre da África, onde está a Somália.
“Uma em cada sete pessoas no mundo vai para a cama com fome, na maioria mulheres e crianças”, disse a diretora da representação do PAM em Genebra (Suíça), Lauren Landis, no seminário intitulado Lutar Juntos Contra a Fome. “A fome mata anualmente mais pessoas do que os vírus que transmitem a aids, a malária e a tuberculose”, acrescentou.
No período de 2005 a 2008, os preços dos alimentos atingiram o nível mais elevado dos últimos 30 anos. Os alimentos mais afetados são o milho e o arroz. “A situação assumiu proporções dramáticas a partir de 2008, quando os preços alcançaram um pico histórico e quase duplicaram em um período de três a quatro anos”, disse o diretor da FAO em Genebra, Abdessalam Ould Ahmed.
Ahmed acrescentou ainda que a situação atual é “mais dramática” porque o aumento dos preços dos alimentos ocorre no mesmo momento do agravamento da crise econômica internacional.
Para ele, a elevação dos preços é uma consequência, entre outros fatores, do aumento substancial da população mundial. “Cada ano existem no mundo mais 80 milhões de bocas para alimentar”, disse Ahmed. (EcoDebate)

Lugar de comida é no prato

Lugar de comida é no prato, não no lixo
Mais de 80% dos alimentos que enriquecem as lixeiras das cozinhas nacionais poderiam estar no prato dos brasileiros.
O exercício do reaproveitamento está se tornando cada vez mais um debate caloroso nas maiores nações do mundo. Pneus, papel e plástico, por exemplo, podem ser reaproveitados, e os benefícios disso são comprovados.
No caso de comida, a expressão e a prática sustentável de que fendida é outra: o chamado aproveitamento integral, um hábito saudável que consiste no uso de partes não convencionais dos alimentos. E não é que a ideia de usar totalmente os alimentos seja exatamente nova. Registros históricos mostram que, desde os primórdios, verduras, frutas e legumes eram consumidos por completo. Ou alguém consegue visualizar um homem das cavernas descascando uma maçã para comê-la? Descascar partes dos alimentos é um mau hábito o home adquirir com o tempo e com muita prática.
De acordo com a nutricionista Aline Rissato, da organização não governamental Banco de Alimentos – que combate o desperdício da comida -, são diversos os fatores que levaram à mudança no comportamento humano, como o aprimoramento de ferramentas e técnicas de culinária. “Além de razões mais modernas, como a globalização, que determinou a necessidade de alimentos oferecidos de forma mais prática”, destaca. Segundo Rissato, a retomada pela valorização de todos os alimentos foi uma consequência das grandes guerras. A comida, nessas ocasiões, era escassa, e tudo precisava ser reaproveitado para alimentar as populações famintas em países dizimados pelos combates. “No Brasil, fora do eixo dos grandes conflitos, esta valorização não aconteceu. Temos um país rico, que produz 26% acima da necessidade de cada brasileiro para se alimentar, e não damos valor às cascas, quando temos à nossa disposição uma riqueza de variedade de alimentos”, explica. Tanta fartura promove o desperdício.
Uma realidade brasileira
De acordo com o dicionário da língua portuguesa, desperdiçar é gastar sem proveito, malbaratar, esbanjar – o que costuma acontecer nas cozinhas brasileiras. Segundo Rissato, o problema no Brasil é ancestral, e independe das classes sociais ou econômicas.
Aqui, o descarte de partes dos alimentos ocorre por elas serem consideradas “lixo” ou, ainda, em função da concentração de produtos químicos. A nutricionista defende que o importante não é evitar o consumo de partes não convencionais, mas saber como utilizar todo o alimento, reduzindo riscos à saúde. “É preciso entender que a casca, apesar de conferir proteção à polpa, é porosa, de modo que parte dos agrotóxicos também está presente no interior da fruta”, explica.
O desperdício brasileiro de comida parece longe do fim. Uma enquete realizada pelo Instituto Akatu, que promove o consumo consciente, dá uma pequena mostra da realidade. Das 1.200 pessoas que responderam à pergunta “O que você faz com os restos de comida (cascas, sementes, entre outros)?”, 65% afirmaram que jogam no lixo ou mandam para reciclagem, e 19% os transformam em adubo. Apenas 15% disseram aproveitar talos, cascas e folhas na mesma ou em outras receitas. Enquanto isso, 58,6 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E as partes desperdiçadas dos alimentos poderiam ser a solução de muitos problemas de desnutrição. Segundo os dados do Akatu, já não restam dúvidas sobre os valores nutricionais que cascas, talos e folhas possuem. Algumas destas partes em geral desperdiçadas possuem o equivalente a até cinco vezes mais nutrientes e fibras do que a polpa que costumamos consumir. Estudo realizado pelo Serviço Social da Indústria (SESI) mostra, ainda, que a casca do abacaxi tem 102% de proteína, 151% de fibras e 119% de cálcio, porcentagem dos valores diários com base em uma dieta de 2.000 Kcal, só prá falar de alguns nutrientes. A casca da laranja tem 386% de carboidrato e 604% de fibra.
A melhor maneira de se consumir essas partes dos alimentos é acrescentá-las em algumas receitas. Por exemplo, a água de cozimento da batata concentra diversos tipos de vitaminas, que pode ser aproveitada em diversos cozimentos, como no preparo de purês. A casca do abacaxi pode ser batida no liquidificador na hora de fazer o suco, que, por sua vez, pode ser usado no preparo de bolos.
Feira inteligente
A nutricionista Aline Rissato defende que os consumidores optem pelos alimentos orgânicos, sem uso de compostos químicos para a redução de pragas. “Apesar de seus custos serem superior em relação aos alimentos com agrotóxicos, é importante ressaltar que saúde e qualidade de vida não têm preço”. No entanto, para aliviar o bolso, é possível pagar um atalho. Na hora de comprar frutas, verduras e legumes, privilegie os da época, Que têm melhor qualidade, são mais baratos e nutritivos, duram mais e possuem uma concentração muito menor de produtos tóxicos em relação aos alimentos comprados fora de sua estação.
Também é preciso estar atento à higiene. Os alimentos devem ser lavados, separadamente, em água corrente, e higienizados em solução de hipoclorito de sódio, mais conhecido como água sanitária ou cloro. O farmacêutico Gustavo Boaventura explica que, em contato com o hipoclorito, as bactérias têm as proteínas das suas paredes celulares destruídas e, consequentemente morrem. A preparação da solução é feita diluindo-se uma colher de sopa de água sanitária em um litro de água. “Não adianta colocar mais água sanitária, pois o efeito será o mesmo”, explica. O alimento deve ficar totalmente mergulhado na solução por 15 minutos. Ao final, é preciso secá-lo bem e esperar 10 minutos até consumi-lo. “Não há por que se preocupar, pois o cloro evapora completamente e não deixa qualquer resíduo que possa ser prejudicial à saúde”, ensina o farmacêutico.
O meio ambiente agradece
O aproveitamento integral dos alimentos tem entre uma das suas melhores consequências a redução do acúmulo de lixo orgânico, já que 60% do lixo nacional é composto por comida. Esse tipo de detrito gera um líquido escuro e malcheiroso que polui águas e torna terras inférteis para a plantação. Além disso, estes restos liberam gás metano, que pode colaborar com o aumento do efeito estufa e, consequentemente, com alterações climáticas.
Cozinha inteligente
Você aproveita os alimentos em sua totalidade nas suas receitas?
A Bem – Estar foi até o Sesi – Serviço Social da Indústria – de São Paulo, onde o Programa Alimente-se Bem acontece.
Preços elevados e baixos estoques de alimentos põem em risco as regiões mais pobres do mundo
Mundo ainda está em ‘zona de perigo’ por alta dos alimentos, diz Banco Mundial
Os altos preços dos alimentos e os baixos níveis de estoques fazem com que o mundo continue em uma “zona de perigo”, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
Segundo o relatório trimestral Food Price Watch, divulgado pelo Banco Mundial nesta segunda-feira, em julho (último dado disponível) os preços mundiais dos alimentos estavam 33% mais altos do que um ano antes e próximos do recorde registrado em 2008.
O documento cita ainda os níveis “alarmantes” dos estoques mundiais de alimentos. “Com esses baixos níveis de estoques, mesmo pequenas quedas na produção podem ter efeitos amplificados sobre os preços”, diz o texto.
Depois de um pico em fevereiro, alguns produtos chegaram a registrar baixa de preços, mas a volatilidade é motivo de preocupação.
De acordo com o Banco Mundial, a “esperada volatilidade” nos preços de produtos como açúcar, arroz e petróleo pode ter “efeitos inesperados” nos preços dos alimentos nos próximos meses.
“A vigilância é vital, devido às incertezas e a volatilidade existentes”, disse Zoellick.
Preços
A volatilidade pode ser observada na evolução de produtos como o milho, cujo preço caiu em junho e voltou a subir em julho, registrando aumento global de mais de 80% no período de um ano.
O comportamento também varia de acordo com a região. Enquanto os preços do milho aumentaram mais de 100% em um ano em Uganda, no Haiti no mesmo período houve queda de 19%.
“Com esses baixos níveis de estoques, mesmo pequenas quedas na produção podem ter efeitos amplificados sobre os preços” – Banco Mundial
Entre os diversos fatores que contribuem para a alta dos alimentos está o aumento dos custos de produção, causado em parte pelos altos preços do petróleo, atualmente 45% maiores do que os registrados um ano atrás.
A alta tem impacto sobre a cadeia produtiva. De julho de 2010 a julho de 2011 o preço dos fertilizantes subiu 67%.
Segundo o Banco Mundial, as incertezas sobre a economia global e a instabilidade política em diversos países do Oriente Médio e do norte da África devem manter os preços do petróleo voláteis no curto prazo.
África
O resultado dessa combinação de altos preços dos alimentos, baixos estoques e grande volatilidade é uma situação de risco para as populações mais pobres do mundo em desenvolvimento, onde o exemplo mais recente é o da crise que já afeta mais de 12 milhões de pessoas no Chifre da África.
De acordo com o relatório, apesar de a situação de emergência na região ter sido provocada por um período prolongado de seca e conflitos internos, como no caso da Somália, os altos preços dos alimentos contribuíram para agravar a crise.
“O desastre afetou os mais vulneráveis”, diz o Banco Mundial. “Na Somália, os preços dos cereais produzidos localmente continuam a crescer em todas as regiões desde 2010 e já ultrapassam o pico de 2008.”
Para Zoellick, “em nenhum outro lugar do mundo” a combinação de altos preços dos alimentos, pobreza e instabilidade produz efeito mais trágico do que no Chifre da África.
Segundo o relatório, como a vulnerabilidade aos altos preços dos alimentos varia em cada país e também entre diferentes grupos populacionais dentro de um mesmo país, a resposta ao problema deve envolver uma combinação entre intervenções de emergência para ajudar aos mais vulneráveis e iniciativas de longo prazo. (EcoDebate)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Risco de escassez de água

Código Florestal: Especialistas alertam para risco de escassez de água
Engana-se quem acredita que o novo texto do Código Florestal trará benefícios aos grandes produtores agrícolas em detrimento do meio ambiente e do restante da sociedade. O prejuízo será geral e irrestrito, caso o texto em tramitação nas comissões do Senado mantenha alguns vícios que adquiriu desde o relatório original, votado na Câmara.
Essa é a opinião de cientistas. O conjunto das opiniões mostra que, se aparentemente, o setor rural ganha, a curto prazo, com o aumento da área disponível e do desmatamento, sofrerá, no futuro, como toda a sociedade, os efeitos da ação predatória.
A primeira consequência será a escassez de água. A redução da vegetação nas margens dos rios e a falta de proteção às nascentes irão provocar a redução da oferta do produto. Nascentes vão secar, rios menores sofrerão rápido processo de erosão e os maiores, que recebem água dos pequenos, ficarão assoreados. “Vai faltar água para a própria agricultura”, afirma José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia (IIE). Segundo ele, a agricultura responde por 70% da água consumida no Brasil.
Tundisi diz que o texto do novo Código erra ao fixar medidas para as florestas ripárias – contíguas aos cursos d’água. “Isso varia conforme o rio, a região, o bioma. Essa questão tem de ser decidida em função do tamanho do rio e da área de inundação. É antilógico e anticientífico fixar uma barreira de cinco ou dez metros.” Segundo ele, o custo é também econômico. A degradação da área de mananciais não só reduz a possibilidade de captação, mas também aumenta o custo do tratamento de água.
Como o texto ainda pode ser alterado, os cientistas não projetaram ainda quais serão os impactos, mas preveem várias consequências, tidas como inevitáveis. Ocorrerão mais desmatamentos, assoreamentos de rios, inundações de cidades, mais emissão de CO2, deslizamentos de encostas, redução de produtividade depois de alguns anos de uso da terra, entre outros, destaca José Antônio Aleixo da Silva, secretário da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e coordenador do grupo de trabalho da entidade na análise do Código Florestal.
O texto estimula o plantio em áreas alagadas, “o que é um erro muito grave”, diz Tundisi. O País tem 600 mil km2 dessas áreas, com papel importantíssimo no controle de enchentes, nos ciclos hídricos, na reciclagem de nutrientes e na manutenção da biodiversidade aquática e terrestre. Estimula o plantio em várzeas, um erro muito grave. Da forma como o novo Código está sendo concebido, parece que a vegetação não tem papel ativo no ciclo hidrológico e, por isso, pode-se desmatar. Mas a vegetação é fundamental. Ela evapotranspira e 30% da água da atmosfera vêm da vegetação.
Para o biólogo Jean Paul Metzger, pesquisador da Universidade de São Paulo, a comunidade científica entende que o Código pode prever algumas exceções, sobretudo no caso de alguns produtos e da agricultura familiar. “Arroz em várzea, pecuária no Pantanal, café, maracujá, maçã, uva que precisam de encostas ou áreas de topo de morro, tudo isso precisa de um tratamento especial”, defende.
“Muitos desses produtos são de baixo impacto, por serem perenes, ou explorados de forma extensiva como a pecuária no Pantanal. Mas isso representa uma porcentagem muito baixa da agropecuária brasileira, menos de 10%”. O que ele não concorda é anistiar o desmatamento de áreas de proteção, principalmente para culturas de exportação.
Metzger demonstra especial preocupação com o fim da proteção às áreas de várzea e o impacto que isso pode ter no controle de enchentes. Para ele, liberar o desmatamento de áreas alagadas ou em encostas apenas para justificar exceções é um equívoco grave. “Não tem cabimento a gente pegar a exceção para justificar uma mudança completa. Além disso, estimula a ocupação de áreas de risco”, explica. O biólogo lembra que nas inundações que destruíram a região serrana do Rio de Janeiro no começo deste ano, 80% dos prejuízos materiais ocorreram numa faixa de 30 metros ao longo dos rios, faixa que, em muitos casos, estava irregularmente ocupada.
As principais mudanças defendidas pela comunidade científica no texto da lei incluem acabar com a divisão entre áreas de preservação permanentes e transitórias. O transitório é o passivo ambiental, a área degradada, que, se não for considerada permanente e não estiver sujeita a recuperação, pode representar uma perda definitiva da cobertura vegetal. Outro aspecto importante é a defesa dos manguezais, excluídos das áreas de preservação permanente (APPs).
Essas e outras advertências da comunidade científica foram oferecidas aos congressistas pela SBPC no livro “O Código Florestal e a ciência. Contribuições para o diálogo”. O livro, elaborado durante um ano, aponta os pontos que precisariam ser modificados e os argumentos científicos para embasar a questão. Segundo Aleixo, a obra causou “grande impacto” entre congressistas, mas nas votações tem prevalecido a força da bancada ruralista, principal interessada na manutenção do texto como está.
Os documentos mostram que o argumento de que vai faltar área para alimentação não tem validade, diz Metzger. Segundo ele, a área ocupada pela produção de alimentos destinados ao mercado interno está estável nos últimos anos. O que cresce é a produção de commodities exportáveis. “Então o Código, do jeito que está, vai favorecer um grupo reduzido de agricultores, que não precisam necessariamente desse tipo de estímulo”.
O texto enviado pela SBPC procura argumentar que não existe o dilema entre conservar/preservar o ambiente e produzir alimentos. Argumentam que, com um aumento marginal da produtividade da pecuária brasileira, muitas áreas de pasto poderiam ser liberadas para plantios agrícolas, dispensado a derrubada de florestas para esse fim. A entidade também defende o fim da anistia para os desmatamentos ocorridos nas APPs até 2008, a restauração de toda área desmatada à beira dos cursos d’água, a manutenção dos manguezais, salgados e apicuns como áreas de preservação permanente e a compensação da Reserva Legal o mais próximo possível da área desmatada, entre outros aspectos. (EcoDebate)

Dilma tratora as cisternas?

A sociedade civil articulada trabalha há anos a construção de um milhão de cisternas para a população difusa do semiárido. O P1MC já construiu cerca de 350 mil dessas cisternas.
O resultado desse trabalho de rendeira, ponto a ponto, cisterna a cisterna, junto com outras políticas públicas como a elevação do salário mínimo, Luz para Todos e Bolsa Família, fizeram com que desaparecesse do cenário nordestino as grandes migrações, os altíssimos índices de mortalidade infantil, as famigeradas Frentes de Emergência, os macabros saques de famintos e sedentos. Parece pouco, mas é uma conquista histórica.
Seriam impossíveis essas conquistas sem que uma legião de pessoas, articuladas em mais de 700 entidades, não dedicassem suas vidas para vencer essas tragédias. Com uma pedagogia paciente, envolvendo as comunidades beneficiadas, fazendo a reflexão sobre a convivência com o semiárido, replicando tecnologias que passam a ser controlada pelas comunidades, a realidade mudou.
Dilma, quando entrou, disse que iria acelerar esse processo. Sempre ficou a dúvida de qual seria o método para essa aceleração. Anunciou a construção de 800 mil cisternas, como universalização do Água para Todos. Até aí estava tudo ótimo.
Mas, repentinamente a presidente anuncia que vai acelerar a implantação das cisternas através de um reservatório de plástico, comprados de uma empresa. A presidenta nem imagina o estrago que está fazendo. Se soubesse, não é possível que o fizesse.
Primeiro, as cisternas de plástico murcham com o sol, envelhecem rápido, o que as inviabiliza do ponto de vista técnico. Mas esse não é o problema fundamental. Nenhuma empresa tem interesse em fazer o trabalho pedagógico junto às comunidades. Para guardar a água da chuva é necessário um trabalho de reflexão sobre o semiárido, como ele é, suas leis naturais de chuva e secas, sua biodiversidade específica, assim por diante.
O Estado brasileiro, desde o nível federal até ao municipal, nunca soube, não sabe, não há sinal que um dia saberá como fazer essa educação. Tanto é que a fome e a sede reinaram por séculos até que a sociedade civil inaugurasse essa nova metodologia, estabelecendo uma fenda histórica antes o que foi feito antes e o que está sendo feito agora. Dilma vai enterrar a metodologia com suas cisternas de plástico.
Se existe demora, o correto seria fortalecer a ASA. Afinal, só o aditivo da Transposição, que está derretendo ao sol, é de 1,8 bilhões de reais, isto é, dinheiro suficiente para fazer um milhão de cisternas.
Francamente, quem não ajuda que não atrapalhe. Se os governos não sabem fazer, que continuem apoiando aqueles que sabem. Já é uma contribuição excelente. Enterrar essas iniciativas, muito mais pedagógicas que obreiristas, é ressuscitar a velha indústria da seca, tão ao gosto dos coronéis de ontem e de sempre. (EcoDebate)

Petrobras já reutiliza 10% de toda a água

Petrobras já reutiliza 10% de toda a água necessária às operações da companhia
De janeiro a agosto deste ano, a Petrobras já reutilizou 13 bilhões de litros de água em suas operações de extração, produção e refino de petróleo e gás natural. O volume equivale a 10% de toda a água necessária às operações da companhia, já é 15% superior ao volume reutilizado no mesmo período do ano passado e daria para abastecer, no período, uma cidade com cerca de 450 mil habitantes.
Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador de Recursos Hídricos da estatal, Carlos Gonzales, avaliou que a racionalização e a reutilização da água garantem à empresa uma segunda fonte de abastecimento, com a redução da demanda por água nova para as operações.
Ele informou que a Petrobras pretende concluir os projetos de reutilização para chegar a 2013 com uma economia adicional de cerca de 13 bilhões de litros de água por ano – o que levaria a empresa a reutilizar 20% da água necessária às operações.
“Um dos maiores projetos do mundo será implantado no Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), que está sendo construído em Itaboraí, na região metropolitana da capital, onde a Petrobras utilizará uma solução inovadora – o aproveitamento da água de esgoto que será tratada para uso industrial”, disse.
Os dados indicam que a vazão prevista para o empreendimento pode alcançar até 1.500 litros por segundo, volume equivalente a 47,3 bilhões por ano. “Essa quantidade é suficiente para o consumo de uma cidade de 750 mil habitantes”.
Paralelamente, a Petrobras desenvolve na Refinaria de Capuava (Recap), em São Paulo, projeto que é referência em racionalização do uso da água. “Lá desenvolvemos um projeto em que, pela primeira vez na América Latina, uma refinaria pratica o descarte zero de efluentes”.
Os números relativos ao projeto indicam que a refinaria deixou de captar 1 bilhão de litros de água por ano do Rio Tamanduateí, que corta o município onde a planta da refinaria está instalada.
“No que diz respeito ao descarte, a empresa deixou de lançar 700 milhões de litros de efluente industrial por ano para o mesmo rio. No caso, a refinaria poupa água que será destinada a usos diversos – na agricultura, no abastecimento público e nas indústrias”.
No Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), na Ilha do Fundão, zona norte do Rio, a estatal desenvolve o sistema ecoeficiente. “Um dos mais modernos do país, o novo sistema inclui uma estação de tratamento e reutilização de água, que permitirá o reaproveitamento de 600 milhões de litros do produto, com uma economia anual de R$ 12 milhões – o volume é suficiente para abastecer uma cidade com 15 mil habitantes durante um ano”. O sistema deverá entrar em operação ainda no fim deste ano, informou Gonzales.
Com a área ampliada em mais 200 mil m2, o Cenpes passará a consumir um total de 800 milhões de litros de água por dia. Segundo a Petrobras, cerca de 75% desse volume serão provenientes de captação da chuva e de água de reaproveitamento: a primeira será utilizada em jardins e sanitários e a dos efluentes sanitários, oleosos e químicos será tratada e destinada ao sistema de ar condicionado. “Com isso, o Cenpes poderá ficar até quatro dias sem água de fontes externas”, avaliou. (EcoDebate)

Microplásticos no ar de casas e carros

Microplásticos no ar de casas e carros: estudo alerta que a exposição é 100 vezes maior que a estimada. Como a presença de microplásticos no...