quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Entenda a obrigatoriedade do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

O PGRS é obrigatório para diversas empresas desde a publicação da Lei nº 9.605, de 12/02/1998, contudo sua formalização para o desenho atual e principalmente sua posição de condicionante para o licenciamento ambiental foi instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.
É de suma importância a observância das leis e normas federais, estaduais e municipais durante a elaboração do PGRS pela empresa.

A gestão de resíduos é um assunto que merece destaque ao discutir as preocupações com o meio ambiente. A consciência acerca dos impactos gerados pelos descartes de resíduos sólidos impulsiona a busca por soluções e incentiva a tomada de iniciativas e comprometimentos por pessoas físicas e, em especial, jurídicas, trazendo reflexões sobre a responsabilidade de cada um sobre seus próprios atos e sobre os benefícios do descarte correto desses resíduos.

Neste sentido, a gestão de resíduos consiste em um conjunto de ações que visam determinar a forma de uso, coleta, transporte, armazenamento, tratamento, destinação e entre outras etapas necessárias para o descarte correto dos resíduos de uma empresa ou residência, de maneira a gerar mínimos impactos no meio ambiente.

O processo de elaboração de tais etapas é feito com base na análise e mapeamento da realidade da empresa, onde é feito um diagnóstico que fundamenta as estratégias criadas para lidar com cada tipo de resíduo, respeitando suas características e as normas desse processo. Cabe ressaltar que existem diferentes tipos de resíduos e cada um deles podem ser classificados segundo a sua origem, composição e periculosidade, sendo diferenciados entre resíduos sólidos urbanos (domiciliar), comercial, industrial, hospitalar ou de serviços de saúde.

O descarte incorreto deles acarreta poluição visual do local e eventuais poluição do solo, do lençol freático e do ar, prejudicando, desta maneira, a saúde de todos. Além disso, os prejuízos podem se estender para a área financeira com a aplicação de multas ou paralisações das atividades empresariais por perda da licença de operação caso as normas que tratam a questão não forem observadas, além de reclusão de até anos dos responsáveis da empresa, haja vista que os geradores da poluição são corresponsáveis por eventuais danos ambientais causados por seus resíduos.

Tendo isso em mente, a Lei n. 12.305/2010 instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a qual determina a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) pelos geradores de resíduos, quer dizer, obriga as empresas a demonstrarem a sua capacidade de dar uma destinação final ambientalmente adequada e de realizar a gestão de resíduos adequadamente.

Assim, o PGRS é um documento que identifica o tipo e a quantidade de resíduos sólidos gerados e define as diretrizes de gerenciamento ambientalmente adequado de todos os resíduos que são gerados no estabelecimento, apontando estratégias de controle e monitoramento dos processos produtivos, com o objetivo de evitar descartes/destinações inadequadas que possam gerar poluição ao meio ambiente e acarretar prejuízos à saúde pública.

PGRS – Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

Com isso, o PGRS deve ser elaborado a cada 12 meses por um responsável técnico devidamente habilitado e observando o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos estabelecido pelo município no qual a empresa está localizada.

Entretanto, a inexistência de um plano municipal não impede a elaboração do PGRS pela empresa, podendo esta fazê-lo independentemente. Ainda, o PGRS deve ser disponibilizado anualmente ao órgão municipal competente, ao órgão licenciador do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e às demais autoridades competentes, os quais ficarão responsáveis por repassar ao Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR) as informações prestadas no documento.

Em alguns casos, o PGRS também pode configurar requisito para a emissão de alvarás de atividades e integrar o licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras.

Desta forma, o art. 20 da lei supracitada determina quais empresas estão sujeitas à elaboração do PGRS e o artigo seguinte dispõe sobre o conteúdo mínimo que deve constar no documento, sendo ele: (I) descrição do empreendimento ou atividade; (II) diagnóstico de resíduos sólidos gerados, apontando a origem, volume e caracterização dos resíduos).

Esta etapa consiste na classificação dos resíduos baseado nos laudos de análise química, segundo a NBR 10.004 da ABNT, na qual as empresas devem classificar, quantificar, indicar formas para a correta identificação e segregação na origem, dos resíduos gerados por área/unidade/setor da empresa; (III) dados detalhados dos responsáveis de cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos; (IV) definição dos procedimentos operacionais relativos ao gerenciamento de resíduos sólidos; (V) plano de contingência, ou seja, as ações preventivas e corretivas que serão adotadas pela empresa em caso de eventual ocorrência de gerenciamento incorreto ou acidentes no tratamento dos resíduos, visando o controle e minimização de danos causados ao meio ambiente e ao patrimônio; (VI) metas e procedimentos de minimização da geração de resíduos, seguindo as determinações dos órgãos do SISNAMA, SNVS e do SUASA, à reutilização e reciclagem; (VII) identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores; (VIII) ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida de produtos, segundo o art. 31 da mesma lei, e (IX) revisão periódica com prazo de vigência da licença de operação a cargo dos órgãos do SISNAMA.

À vista do exposto, a PNRS tem como fundamento o compartilhamento de responsabilidades da geração até a destinação final, na responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida e no direito da sociedade à informação e controle social, além de estimular a cooperação entre governo, empresas e sociedade.

Sendo assim, é de suma importância a observância das leis e normas federais, estaduais e municipais durante a elaboração do PGRS pela empresa, verificando as leis e normas pertinentes ao correto gerenciamento de resíduo gerado pela sua atividade, haja vista que o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado é uma garantia constitucional previsto no art. 225 da Constituição Federal e a inobservância deste direito gera efeitos profundos na qualidade de vida de todos.

Como elaborar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos?

Se uma empresa quer ser efetivamente sustentável, ela deve cumprir um pré-requisito determinante: ter um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). (ecodebate)

China e Índia responsáveis pelo aumento das emissões globais de CO2 em 2023

As emissões globais de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fósseis e cimento aumentaram 1,1% em 2023, atingindo um novo recorde de 36,8 mil milhões de toneladas de CO2 (GtCO2), de acordo com o relatório do Orçamento Global de Carbono de 2023 do Global Carbon Project.

O novo relatório indica que o aumento das emissões fósseis em 2023 foi em grande parte impulsionado pelo aumento das emissões na China e na Índia – sem o aumento ocorrido nos dois países, o total global teria diminuído abaixo dos níveis de 2022, conforme mostra o gráfico abaixo.

A pandemia da covid-19 provocou uma recessão econômica global que diminuiu o uso total de combustíveis fósseis e, consequentemente, reduziu as emissões mundiais de CO2. Mas a retomada econômica pós-covid representou a retomada também das emissões de CO2. Os maiores aumentos aconteceram exatamente nos dois países mais populosos do mundo e que estão entre aqueles de maior crescimento econômico.

Embora as emissões de CO2 provenientes de combustíveis fósseis tenham excedido os níveis pré-pandémicos nos últimos dois anos, as emissões globais totais de CO2 – que incluem as provenientes das alterações no uso do solo – permaneceram ligeiramente abaixo do recorde de 2019 de 40,9 GtCO2.

Em 2023, o total global empatou efetivamente com o recorde de 2019. A estimativa central fornecida pelo Orçamento Global de Carbono é 0,1% inferior ao registo anterior. Estima-se que todos os anos o Orçamento Global de Carbono inclua os dados mais recentes, bem como melhorias na modelação de fontes e sumidouros, resultando em algumas revisões anuais do registo histórico.

O crescimento das emissões totais de CO2 abrandou substancialmente na última década (2013-22), com um crescimento médio de 0,14% ao ano. Isto é muito inferior à taxa de crescimento média de 2,1% ao ano durante a década anterior (2003-12) e à taxa de crescimento média a longo prazo de 1,7% entre 1959 e 2012.

O crescimento contínuo das emissões de combustíveis fósseis foi largamente contrabalançado por um ligeiro declínio nas emissões provenientes do uso do solo. No entanto, as incertezas em torno das emissões provenientes do uso do solo continuam a ser bastante grandes.

Análises recentes da Agência Internacional de Energia (AIE) e da Climate Analytics sugeriram que as emissões fósseis globais poderão atingir o seu pico em 2023 ou 2024, à medida que o crescimento da energia limpa acelera e a utilização de combustíveis fósseis diminui, especialmente na China.

De fato, já houve uma virada demográfica na China. O gráfico abaixo mostra a variação anual da população chinesa em idade de trabalhar (PIA = 15-59 anos) entre 1950 e 2100. Nota-se que havia um crescimento populacional até aproximadamente 2010 e já está havendo um decrescimento populacional que deve continuar durante todo o século XXI. Na década de 1980, o crescimento da PIA era de mais de 15 milhões de pessoas por ano, mas na década de 2040 deve haver um decrescimento de pouco menos de 15 milhões ao ano.

Entre 1950 e 2009, a população em idade ativa da China cresceu em 618 milhões de indivíduos e, nos 60 anos entre 2010 e 2069, a PIA da China vai ser reduzida em 414 milhões de pessoas. Com a redução da força de trabalho a economia deve crescer menos e, em consequência, abre-se uma janela de oportunidade para a redução das emissões.

A China já é um país de renda média e tem investido pesadamente na transição energética e na recuperação de florestas. Desta forma, com mudanças tecnológicas, redução da população e recuperação ecológica o gigante do leste asiático poderá atingir o pico das emissões brevemente e começar a reduzir os seus níveis de poluição. O governo chinês anunciou no dia 17/01/2024 que a população da China caiu pelo segundo ano consecutivo. O decrescimento demográfico deve contribuir para a China alcançar o pico das emissões em 2024 ou 2025.

O quadro da Índia é diferente, pois o gigante do sul-asiático ainda tem uma renda per capita baixa e uma população total que deve continuar crescendo até a década de 2060, quando o país deve atingir o pico das emissões. A Índia é o terceiro maior emissor de CO2 (atrás apenas da China e dos EUA), mas deve assumir a segunda posição até 2040.

O ano de 2023 bateu o recorde de temperatura em cerca de 125 mil anos. As anomalias das temperaturas diárias de 2023 ficaram acima de 1ºC em todos os dias do ano, ficaram acima de 1,5ºC em metade dos dias de 2023 e ficaram acima de 2ºC nos dias 17 e 18/11/2023.

Portanto, o mundo atingiu o limite inferior da meta do Acordo de Paris. O limite superior de 2º C pode ser atingido até 2040. As consequências de um aquecimento global acelerado são catastróficas.

Só com a redução profunda e rápida das emissões a civilização pode evitar uma Terra inabitável. (ecodebate)

Mudança climática afetará saúde humana nos trópicos

A mudança climática poderá provocar ainda a migração de doenças de clima quente para zonas mais temperadas e um recrudescimento dos vetores de doenças mais comuns, causando pandemias. A migração de pessoas também poderá ocorrer, gerando transtornos para as regiões receptoras que não estiverem preparadas.
A mudança climática será amplificada nos dias mais quentes nas regiões tropicais, causando graves impactos à saúde humana, concluiu uma nova pesquisa da Universidade de St Andrews.

O artigo, publicado na Nature Geoscience prevê que, nos trópicos, os dias quentes aquecerão substancialmente mais do que a média dos dias.

Por exemplo, espera-se que os cinco por cento dos dias mais quentes aqueçam 20´% mais do que em um dia normal. Este aquecimento amplificado de temperaturas extremas terá impactos severos na saúde humana, ecossistemas e incêndios florestais em grandes partes da África, Ásia e Américas.

O autor do estudo, Dr. Michael Byrne, da Escola de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de St Andrews, usa conceitos da dinâmica atmosférica para explicar o aquecimento acelerado em dias quentes.

Em particular, ele mostra que dois aspectos do clima tropical – a saber, tempestades frequentes e a fraca influência da rotação da Terra – controlam como os dias quentes respondem a um clima em mudança.

Mudança de temperatura para os 5% mais quentes dos dias em relação à média

O Dr. Byrne disse: “Este artigo apresenta uma teoria simples para compreender os processos que determinam as temperaturas extremas em terras tropicais.

“Segundo a teoria, o aquecimento é ampliado nos dias quentes porque esses dias são secos: isso é denominado mecanismo ‘mais seco fica mais quente’.

“Esta teoria preenche uma lacuna importante na nossa compreensão do clima tropical e das ondas de calor e espero que o estudo incentive novas pesquisas, usando a teoria, bem como modelos e observações climáticas, para expandir a compreensão das condições meteorológicas extremas nos trópicos e além”.

Mudança Climática é uma crise de Saúde Pública. (ecodebate)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Entenda as mudanças climáticas em 6 gráficos

As temperaturas globais estão aumentando em razão da ação humana, com consequências como ondas de calor mais intensas e a subida do nível do mar.

É provável que a situação piore nas próximas décadas, mas medidas urgentes podem limitar os piores efeitos das alterações climáticas.

Várias linhas de evidências científicas apontam para o aumento das obtidas de gases de efeito estufa no último século e meio como um fator de mudança climática de longo prazo em todo o mundo

Com a conferência do clima das Nações Unidas na Escócia voltando os holofotes para as políticas de mudança climática e o impacto do aquecimento global, é útil entender que a ciência mostra.

Sou uma cientista atmosférica que estuda em ciências e avaliações do clima global durante a maior parte da minha carreira. Aqui estão seis coisas que você deve saber, em gráficos.

O que está causando a mudança climática

O foco principal das derivadas é o dióxido de carbono, um gás de efeito estufa que é liberado quando os fósseis – carvão, petróleo e gás natural – são queimados, bem como por incêndios florestais, mudanças no uso da terra e fontes naturais.

A Revolução Industrial do final dos anos 1800 deu início a um enorme aumento na queima de fósseis. Ele alimentou residências, indústrias e abriram o planeta para viajar. Nesse mesmo século, cientistas identificaram o potencial do dióxido de carbono para aumentar as categorias globais, que na época era considerado um possível benefício para o planeta. Medições sistemáticas dispostas em origem de 1900 e aumento constante no dióxido de carbono, com a maioria diretamente rastreável à combustão de fósseis.

Quanto a concentração de CO2 aumentou a cada ano

Quando as atividades humanas liberam mais dióxido de carbono do que a natureza pode remover, a concentração de CO2 na atmosfera aumenta. Em 2020, apesar das menores emissões durante a pandemia, a concentração ainda aumentou 2,4 partes por milhão. O gráfico mostra o quanto a concentração aumentou a cada ano nas últimas seis décadas.

Uma vez na atmosfera, o dióxido de carbono tende a permanecer lá por muito tempo. Uma parte do dióxido de carbono liberado pelas atividades humanas é absorvida pelas plantas e parte é absorvida diretamente no oceano, mas cerca de metade de todo o dióxido de carbono emitido pelas atividades humanas hoje surgidas na atmosfera – e provavelmente permanecerá lá por anos, influenciando o clima globalmente.

Durante o primeiro ano da pandemia em 2020, quando menos pessoas baseiam e algumas indústrias pararam, como tomada de dióxido de carbono dos combustíveis caíram cerca de 6%. Mas isso não impediu o aumento da concentração de dióxido de carbono porque a quantidade liberada na atmosfera pelas atividades humanas excedeu em muito o que a natureza poderia absorver.

Se uma civilização parasse com suas atividades emissoras de dióxido de carbono hoje, ainda levaria muitas vezes de anos para que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera caísse o suficiente para trazer o ciclo de carbono do planeta de volta ao equilíbrio devido à longa vida do dióxido de carbono na atmosfera.

Quanto tempo o CO2 permanece na atmosfera?

Se as pessoas parassem completamente de queimar combustíveis fósseis em 2021, os modelos estimam que a concentração de CO2 atmosférico diminuiria lentamente, levando mais de um século para retornar aos níveis dos anos 1980. Esperar 20 anos para interromper todas as emissões levaria muito mais tempo, como mostra a linha tracejada.

Como sabemos que os gases de efeito estufa podem mudar o clima

Várias linhas de evidências científicas apontam para o aumento das obtidas de gases de efeito estufa no último século e meio como um fator de mudança climática de longo prazo em todo o mundo. Por exemplo:

• Medições de laboratório desde 1800 têm verificado e quantificado repetidamente como propriedades de absorção do dióxido de carbono que permite que ele retenha o calor na atmosfera.

• Modelos simples baseados no impacto de calor do dióxido de carbono na atmosfera correspondente às mudanças históricas na temperatura.

• Modelos climáticos completos, condensados no Prêmio Nobel de Física, não só indicam um aquecimento da Terra devido ao aumento do dióxido de carbono, mas também são detalhes das áreas de maior aquecimento.

Quando os níveis de dióxido de carbono eram altos no passado, as evidências mostram que as temperaturas também estavam altas. Baseado em Salawitch et al., 2017, atualizado com dados até o final de 2020, CC BY

• Registros de longo prazo de núcleos de gelo, anéis de árvores e corais mostram que, quando os níveis de dióxido de carbono estão altos, as temperaturas também são altas.

• Nossos planetas vizinhos também existem evidências. A atmosfera de Vênus é densa com dióxido de carbono e, como resultado, é o planeta mais quente do nosso sistema solar, embora Mercúrio esteja mais perto do sol.

As temperaturas estão subindo em todos os continentes

O aumento dos preços é evidente em registros de todos os continentes e sobre os oceanos.

As temperaturas não estão subindo na mesma taxa em todos os lugares, no entanto. Uma variedade de fatores afeta as locais, incluindo o uso da terra que influencia a quantidade de energia solar absorvida ou refletida, fontes de calor locais como ilhas de calor urbanas e tipos.

O Ártico, por exemplo, está aquecendo cerca de três vezes mais rápido do que a média global, em parte porque, à medida que o planeta se aquece, a neve e o derretimento do gelo tornam a superfície mais propensa a absorvente, em vez de refletir, a radiação solar. Como resultado, uma cobertura de neve e o gelo marinho diminuem ainda mais rapidamente.

Como as temperaturas aumentaram ao longo do tempo em todo o mundo

Todos os continentes se aqueceram no século passado, embora não no mesmo ritmo. As linhas mostram a diferença entre a temperatura média anual de cada continente e a média de 1910-2000. Os oceanos também estão aquecendo, mas não tão rapidamente.

O que a mudança climática está fazendo ao planeta

O sistema climático da Terra é interconectado e complexo, e mesmo pequenas mudanças de temperatura podem ter grandes impactos – por exemplo, com cobertura de neve e níveis do mar.

Mudanças já estão acontecendo. Estudos mostram que o aumento das temperaturas já está afetando a proteção, geleiras, padrões climáticos, atividade de ciclones globais e tempestades severas. Vários estudos mostram que os aumentos na frequência, severidade e duração das ondas de calor, por exemplo, afetam os ecossistemas, a vida humana, o comércio e a agricultura.

Os registros históricos do nível da água do oceano aumentos consistentes nos últimos 150 anos, conforme o gelo da geleira derrete e o aumento das temperaturas expande a água do oceano, com alguns desvios locais devido ao afundamento ou aumento da terra.

O nível do mar subiu nas cidades costeiras de todo o mundo

O derretimento das geleiras e a expansão térmica da água do oceano estão fazendo com que o nível do mar suba. O aumento e o declínio das massas de terra locais também podem afetar o nível aparente do mar.

Embora os eventos extremos muitas vezes se devam todos os conjuntos de causas, alguns são agravados pelas mudanças climáticas. Assim como as inundações, as costeiras podem ser agravadas pelo aumento do nível dos oceanos, as ondas de calor são mais prejudiciais com as temperaturas basais mais altas.

Os cientistas do clima trabalham arduamente para estimar as mudanças futuras como resultado do aumento do dióxido de carbono e outras mudanças esperadas, como uma população mundial. É claro que as temperaturas vão aumentar e vai mudar. A magnitude exata da mudança depende de muitos fatores de interação.

Temperatura e precipitação em um mundo em mudanças

Algumas razões de esperança

De forma esperançosa, a pesquisa científica está melhorando nossa compreensão do clima e do complexo sistema terrestre, identificando como áreas mais vulneráveis e orientando os esforços para reduzir os impulsionadores das mudanças climáticas. Trabalhar com energia renovável e fontes alternativas de energia, bem como maneiras de capturar carbono das indústrias ou do ar, está produzindo mais opções para uma sociedade mais bem preparada.

Ao mesmo tempo, as pessoas estão aprendendo como podem reduzir seu próprio impacto, com a compreensão crescente de que um esforço coordenado globalmente é necessário para ter um impacto significativo. Os veículos elétricos, assim como a energia solar e eólica, estão crescendo a taxas antes impensáveis. Mais pessoas estão demonstrando vontade de adotar novas estratégias para usar a energia da forma mais eficiente, consumir de forma mais sustentável e escolher energias renováveis.

Os cientistas reconhecem cada vez mais que abandonar os fósseis tem benefícios adicionais, incluindo uma melhoria da qualidade do ar para a saúde humana e os ecossistemas. (ecodebate)

As águas subterrâneas estão se esgotando em todo o mundo

Eles mostram que os níveis das águas subterrâneas diminuíram desde o ano 2000 em muito mais locais do que aumentaram. Em muitos locais, especialmente em zonas áridas que são intensamente cultivadas e irrigadas, os níveis das águas subterrâneas estão a cair mais de 0,5 metros (20 polegadas) por ano.
Reservas globais de água subterrânea estão em rápido esgotamento

Muitos países em diferentes partes do mundo estão enfrentando um rápido e preocupante esgotamento das suas reservas de água subterrâneas. Esse recurso é essencial para milhões de pessoas, que dependem dele para finalidades como consumo e irrigação. A maciça redução dessas reservas foi registrada por uma pesquisa recente, que se baseou em milhares de medições do nível das águas subterrâneas de 170 mil poços distribuídos em mais de 40 países, em dados registrados no estudo realizado na Califórnia e divulgado pena CNN.

Os declínios rápidos e acelerados do nível das águas subterrâneas têm muitos efeitos prejudiciais

Se você estiver praticamente em qualquer ponto da Terra, haverá água se movendo pelo solo sob seus pés. As águas subterrâneas fornecem água potável a cerca de metade da população mundial e a quase metade de toda a água utilizada para irrigar as culturas.

Pesquisa inédita aponta que reservas subterrâneas de água estão acabando.

Sustenta rios, lagos e zonas úmidas durante as secas.

As águas subterrâneas são um recurso renovável, mas pode levar décadas ou mesmo séculos para que alguns aquíferos se recuperem depois de esgotados. A compreensão atual deste desafio baseia-se principalmente em onde e com que frequência as pessoas registram medições dos níveis de água nos poços.

Num estudo recentemente publicado, a nossa equipe de cientistas de dados, especialistas em água e especialistas em políticas compilou o primeiro conjunto de dados destes níveis à escala global. Analisamos milhões de medições do nível das águas subterrâneas em 170.000 poços localizados em mais de 40 países e mapeamos como os níveis das águas subterrâneas mudaram ao longo do tempo.

Nosso estudo tem duas descobertas principais. Em primeiro lugar, mostramos que o rápido esgotamento das águas subterrâneas está generalizado em todo o mundo e que as taxas de declínio aceleraram nas últimas décadas, com os níveis a caírem 50 centímetros ou mais anualmente em alguns locais. Em segundo lugar, porém, a nossa investigação também revela muitos casos em que ações deliberadas travaram o esgotamento das águas subterrâneas. Estes resultados mostram que as sociedades não estão inevitavelmente condenadas a drenar os seus abastecimentos de água subterrânea e que, com intervenções oportunas, este importante recurso pode recuperar.

Retrato de um planeta sedento

Muitos fatores determinam os níveis das águas subterrâneas, incluindo a geologia, o clima e a utilização do solo. Mas os níveis das águas subterrâneas que estão a descer cada vez mais profundamente num determinado local muitas vezes sinalizam que as pessoas estão a bombeá-las mais rapidamente do que a natureza consegue reabastecê-las.

Algumas das 300 milhões de medições que compilamos foram registradas por dispositivos de medição automatizados. Muitos outros foram feitos em campo por pessoas de todo o mundo. E essas medições pintam um quadro preocupante.

Eles mostram que os níveis das águas subterrâneas diminuíram desde o ano 2000 em muito mais locais do que aumentaram. Em muitos locais, especialmente em zonas áridas que são intensamente cultivadas e irrigadas, os níveis das águas subterrâneas estão a cair mais de 0,5 metros (20 polegadas) por ano. Os exemplos incluem Afeganistão, Chile, China, Índia Peninsular, Irão, México, Marrocos, Arábia Saudita, Espanha e Sudoeste dos EUA.

A nossa segunda e mais preocupante descoberta é que em cerca de um terço das áreas onde compilámos medições, a taxa de declínio das águas subterrâneas está a acelerar. O declínio acelerado das águas subterrâneas é comum em climas secos, onde grandes extensões de terra são utilizadas para a agricultura. Isto sugere uma ligação potencial entre a irrigação alimentada por águas subterrâneas e a intensificação do esgotamento das águas subterrâneas.

A água subterrânea é um recurso essencial, mas subestimado em todo o mundo. Banco Mundial, CC BY-ND

O que acontece quando as águas subterrâneas são utilizadas em excesso?

Os declínios rápidos e acelerados do nível das águas subterrâneas têm muitos efeitos prejudiciais.

O abastecimento de água potável proveniente de poços e nascentes pode secar quando os níveis das águas subterrâneas diminuem. As pessoas e comunidades que dependem desses poços podem perder o acesso àquela que pode ser a sua única fonte de água doce acessível para beber.

Por exemplo, os poços que fornecem água potável às casas estão secando no Vale de San Joaquin, na Califórnia, onde o esgotamento das águas subterrâneas acelerou desde o início da década de 2000. É provável que este problema continue e piore a menos que sejam tomadas medidas para estabilizar as reservas de água subterrânea.

Os poços que secam também podem ameaçar a produção agrícola. O esgotamento das águas subterrâneas tem sido visto há muito tempo como uma das maiores ameaças à agricultura irrigada global, porque os poços fornecem quase metade da água utilizada para irrigação a nível mundial.

Em áreas onde as águas subterrâneas normalmente drenam para os rios, a queda dos níveis das águas subterrâneas pode reverter esse fluxo e fazer com que os rios vazem para o subsolo. Isto afeta a ecologia do rio e reduz o abastecimento de água a jusante. Nos EUA, os fluxos com fugas são mais comuns onde as taxas de captação de águas subterrâneas são elevadas, destacando como o bombeamento das águas subterrâneas pode reduzir diretamente a quantidade de água que flui no subsolo para os rios próximos.

O declínio das águas subterrâneas também pode causar o afundamento das superfícies terrestres. A subsidência de terras aumentou os riscos de inundação em dezenas de cidades costeiras em todo o mundo, incluindo Jacarta, Tóquio, Istambul, Mumbai, Auckland e a área da Baía de Tampa, na Flórida.

Mais longe da costa, a subsidência de terras pode danificar infraestruturas. Representa um desafio crítico em áreas onde os níveis das águas subterrâneas diminuíram, incluindo Teerã e a Cidade do México. Em muitos casos, o principal culpado é o bombeamento excessivo de águas subterrâneas.

Finalmente, a queda das águas subterrâneas pode fazer com que a água do mar se desloque para o interior do subsolo e contamine os sistemas costeiros de águas subterrâneas – um processo conhecido como intrusão de água do mar. Quando a água do mar penetra, os aquíferos costeiros podem tornar-se demasiado salinos para serem utilizados como água potável sem dessalinização que consome muita energia.

Como reabastecer a reserva de água subterrânea

Também encontrámos locais onde os níveis das águas subterrâneas estão a recuperar. As estratégias que as comunidades utilizaram para reabastecer as suas fontes de água subterrânea incluíram o desenvolvimento de novas alternativas de abastecimento de água, tais como rios locais; adotar políticas para reduzir a procura de águas subterrâneas; e reabastecer intencionalmente os aquíferos com águas superficiais.

A cidade de El Dorado, Arkansas, viu os níveis das águas subterrâneas caírem cerca de 60 metros entre 1940 e 2000, à medida que as indústrias locais bombeavam água do aquífero. Em 1999, uma nova política estabeleceu uma estrutura de taxas de bombeamento, dando às empresas um incentivo para encontrar um novo abastecimento de água. Em 2005, foi construída uma conduta para desviar a água do rio Ouachita para El Dorado. Esta nova fonte reduziu a procura de águas subterrâneas e os níveis das águas subterrâneas aumentaram na área desde 2005.

Em Banguecoque, entre 1980 e 2000, foram perfurados tantos poços privados para fins domésticos, industriais ou comerciais que o bombeamento de águas subterrâneas duplicou e os níveis das águas subterrâneas caíram. As autoridades responderam quadruplicando as taxas de extração de águas subterrâneas entre 2000 e 2006. O bombeamento total de águas subterrâneas diminuiu e os níveis começaram a recuperar à medida que os utilizadores encontravam outras fontes de água.

Num vale perto de Tucson, Arizona, os níveis das águas subterrâneas diminuíram 30 metros à medida que as retiradas para irrigação aumentaram após a década de 1940. Para ajudar a reabastecer as águas subterrâneas esgotadas, foram construídas lagoas com vazamentos. Essas lagoas são preenchidas com água do Rio Colorado, que é transportada por centenas de quilômetros até a área por meio de canais. À medida que estas lagoas vazam, elas reabastecem o aquífero esgotado. Por causa dessas lagoas com vazamentos, os níveis das águas subterrâneas no vale aumentaram cerca de 60 metros em alguns lugares.

Estudo global revela esgotamento de reservas subterrâneas de água.

A nossa análise mostra como é importante monitorizar os níveis das águas subterrâneas em muitos locais. Com o declínio dos níveis das águas subterrâneas em muitos locais, as comunidades e as empresas que delas dependem necessitam de informações precisas sobre os seus abastecimentos de água para que possam agir a tempo de os proteger. (ecodebate)

Agricultura emite 46% dos gases de efeito estufa no Brasil

Segundo a pesquisa, o uso da terra foi responsável por 46% das emissões de gases do efeito estufa em 2020, sendo 90% desse total causadas pelo desmatamento. O segundo principal vilão é o setor agropecuário, responsável por 25% das emissões de gases do aquecimento global.
Agricultura, transporte e resíduos foram os três setores que mais emitiram gases de efeito estufa no Brasil em 2022.

É o que aponta um relatório realizado pela KPMG que fornece informações sobre como sete indústrias fundamentais para combater as mudanças climáticas se comportaram com relação ao tema.

A análise foi feita em 24 países, entre eles, o Brasil e realizada com base nas informações do banco de dados de Emissões para Pesquisa Atmosférica Global, da Comissão Europeia (European Commission’s Emissions Database for Global Atmospheric Research – da sigla EDGAR). Além disso, o documento disponibilizou ainda dados críticos para entender e superar os desafios da transição para emissão zero de gás carbono em nível global.

O estudo mostrou também que a maioria dos setores pesquisados registrou um aumento de emissões absolutas de gases de efeito estufa, de 2005 a 2022, sendo que os maiores percentuais foram nos setores de transporte (53%), agricultura (46%) e resíduos (30%). Se for analisado apenas o recorte de energia, excluindo a geração de eletricidade, foi registrada uma redução de 1%.

“A agricultura é responsável por emissões significativas, e uma nova versão do Plano ABC do Brasil para a descarbonização do setor foi publicada pelo governo brasileiro, o que inclui a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas, expansão do uso da fixação biológica de nitrogênio para substituir fertilizantes nitrogenados e o reflorestamento de milhões de hectares de terra. Além de reduzir as emissões líquidas e melhorar o meio ambiente do país, o reflorestamento oferece oportunidades comerciais por meio da venda potencial de créditos de carbono”, analisa sócia-líder de ESG da KPMG no Brasil e na América do Sul, Nelmara Arbex.

Agricultura, transporte e resíduos foram os setores que mais emitiram gases de efeito estufa no Brasil, diz pesquisa da KPMG.

Setores

Emissões de GEE em 2022

Emissão absoluta: 2005 a 2022

Intensidade emissão: 2005 a 2022

Agricultura

46%

46%

-26%

Transportes

16%

53%

10%

Resíduos

13%

30%

-7%

Indústria

11%

9%

-6%

Energia

5%

-1%

-46%

Eletricidade

4%

18%

-13%

Edificações

4%

20%

-14%

* Calculado pela KPMG com dados da EDGAR

Quando analisada a mudança na intensidade das emissões, também no período de 2005 a 2022, o setor de transporte foi o único que teve um aumento de 10%.

“Neste caso, foram utilizados os valores relativizados, ou seja, as emissões totais do setor foram divididas por algum fator para tentar desconsiderar variações de outros parâmetros. Por exemplo, a relativização dos setores de transporte e edificações foi feita por número de pessoas (per capita), as categorias economia, indústria e agricultura foi por receita do setor no ano de 2010”, explica o sócio-diretor líder de descarbonização da KPMG no Brasil, Felipe Salgado.

Sobre a pesquisa:

A pesquisa da KPMG “Net Zero Readiness Report 2023” utilizou as informações do banco de dados banco de dados de Emissões para Pesquisa Atmosférica Global, da Comissão Europeia – EDGAR (European Commission’s Emissions Database for Global Atmospheric Research), que se baseiam nas categorias de emissões de gases de efeito estufa do IPCC da Organização das Nações Unidas (ONU): energia excluindo eletricidade (setor de combustíveis); eletricidade; transporte; edifícios (combustão em pequena escala não industrial); indústria (combustão industrial e processos industriais); agricultura (pecuária, solos agrícolas e queima de resíduos de colheita); e resíduos.

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