terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Governo prevê queda de 70% no desmatamento até 2018

O plano federal contra efeito estufa tolerará a destruição de 70.000 Km² nos próximos oito anos. O Plano Nacional de Mudanças do Clima, prevê uma meta de redução de 73% no desmatamento até 2018. A base para o cálculo é um valor médio do desmatamento apurado num período de dez anos encerrado em 2005, ou 19.500 Km². Com isso, o governo vai tolerar o desmatamento de 70 mil quilômetros quadrados de floresta amazônica de 2009 a 2017, uma área superior aos estados do Rio de Janeiro e Sergipe juntos. Essa proporção representa um teto para o desmatamento, em 2017, de cerca de 5.000 Km², ou cerca de metade do índice registrado neste ano, de mais de 11 mil km². Criticado por ambientalistas que fazem parte do comitê de mudança climática, o Plano Nacional Sobre Mudança do Clima, anunciado por Lula pelo ministro Carlos Minc, dá a folga necessária para a expansão do agronegócio e a execução de obras de infra-estrutura, segundo técnicos do próprio governo. Para cumprir a meta, o desmatamento entre 2006 e 2009 terá que ser reduzido inicialmente em 40%, em relação aos níveis do período 1996-2005. Segundo os números divulgados pelo governo, a Amazônia perdeu, entre agosto de 2007 e julho de 2008, cerca de 11.968 Km². De 2010 a 2013, a pretensão é diminuir a devastação em 30% em relação aos quatro anos anteriores (2006-2009) e para o período entre 2014 e 2017 a meta de redução também é de 30% com relação a 2010-2013. O Brasil vinha sendo pressionado por outros países para assumir compromissos de redução da devastação da Amazônia e da emissão de gases poluentes. O Plano fixa metas para a redução das emissões de gás carbônico, principalmente aquelas provocadas pelo desmatamento. O governo calcula que reduzindo o desmatamento em 70% até 2017, o País poderá evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono. Para reduzir as emissões, o governo federal também se comprometeu a eliminar a prática de atear fogo aos canaviais para renovar o cultivo. O plano não prevê metas para o cerrado, um ecossistema mais vulnerável ao agronegócio. As queimadas no cerrado contribuem para o efeito estufa que as registradas na selva amazônica. A decisão de assumir metas foi possível porque mudou-se a relação de forças dentro do governo para isso, como também a percepção da sociedade e dos cientistas sobre o assunto. O plano é melhor do que o da China e o da Índia e, com segurança, melhor que o de outros países que nem sequer assinaram o Protocolo de Kyoto e foi elaborado pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, no qual 12 ministérios têm representação. Não é suficiente ter um Plano, temos que conscientizar a sociedade brasileira sobre as vantagens comparativas que tem um país como o Brasil se preservar suas florestas. Outra das metas do Plano é dobrar a área de floresta plantada dos atuais 5,5 milhões de hectares para 11 milhões de hectares em 2020. Na área de energia está prevista a criação de uma política de eficiência energética que permita reduzir o consumo de eletricidade em 10% até 2030. O governo se comprometeu, durante os próximos dez anos, a mudar, a cada ano, um milhão de geladeiras antigas por modelos novos que consomem menos eletricidade. Estabelecer metas internas representa um passo "importantíssimo" do país em demonstrar que está disposto a fazer muito mais do que vem fazendo atualmente. O Brasil também estará em uma posição internacional privilegiada de exigir dos países em desenvolvimento um empenho muito maior do que aquele até então anunciado. O anúncio do plano ocorre após o governo ter divulgado um aumento de 3,8% na taxa de desmatamento da Amazônia no período de um ano, de agosto de 2007 a julho deste ano, a primeira alta na taxa anual nos últimos quatro anos. Críticas O plano foi criticado por membros do próprio comitê de mudança do clima. Estamos longe de ter um plano que atenda à dimensão do problema que enfrentamos, é uma forma de o governo respaldar e legitimar um fato, em referência à destruição da floresta. Critica-se a decisão do governo de utilizar porcentuais elevados de desmatamento no passado para estabelecer metas para os próximos anos. Em 2004, a área desmatada na Amazônia chegou a 27.000 Km², reduzindo para 20.000 Km² no ano seguinte. Avalia-se que o governo, ao tolerar um desmatamento de 70.000 Km² de 2009 a 2017, vai permitir a destruição justamente da área propícia ao desenvolvimento sustentável. Essa área está próxima de cidades, vilas, estradas e de toda uma infra-estrutura. Pela visão do mercado, vamos perder o filé mignon, que é a floresta perto da infra-estrutura. É aí que deveria ter projeto de desenvolvimento sustentável, algo que não é possível em regiões mais remotas como a Serra do Tucumaque. Não faz o menor sentido achar que o plantio de mais eucaliptos e pinhos é uma forma de combater o aquecimento global. A plantação de um hectare de pinhos não compensa um hectare desmatado de floresta nativa. A proposta do governo é aumentar em mais 5,5 milhões de hectares a área de florestas. Deste total, 3,5 milhões são de floresta comercial e apenas 2 milhões de espécies nativas.

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