domingo, 17 de janeiro de 2010

Biólogo pesquisa poluição antártica

Geradores de eletricidade a óleo lançam fumaça no ambiente e cientista busca medir o impacto ecológico. A Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF), a base brasileira na Antártida, depende de geradores de eletricidade a óleo e incinera seu lixo orgânico. Embora as cinzas do incinerador sejam trazidas de volta ao Brasil, a fumaça dos geradores e do lixo queimado é lançada no ambiente. A quantidade pode ser pequena, mas o projeto do biólogo Eduardo Delfino, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) pretende determinar a extensão do impacto ambiental . De tempos em tempos, Delfino se desloca cerca de 4 quilômetros ao longo da costa da Península de Keller, onde está a EACF, para verificar os equipamentos que coletam amostras. Atualmente recolhendo amostras de ar, Delfino pretende voltar à Antártida em 2010 para coletar líquens que acumulam e registram a poluição. O pesquisador já conta com modelos matemáticos que simulam como a poluição gerada por Ferraz deve se comportar, mas a comprovação em campo é uma necessidade. "Se o Brasil quiser ampliar a estação ou criar outra em outro ponto, é bom conhecer o impacto desta e, se ele se mostrar importante, saber como reduzi-lo", diz. Outro motivo para pesquisar os efeitos das emissões de Ferraz é separar que parte da poluição vem de outras regiões do mundo e que fração é gerada localmente. A principal preocupação de Delfino é o black carbon (carbono preto) - minúsculas partículas de fuligem geradas pela combustão. Há estudos que indicam que esse material pode acelerar o derretimento das geleiras. "É importante saber se isso está acontecendo na Península de Keller", diz. "Mas, mesmo se estiver, o black carbon, se for responsável, pode ser ainda aquele que foi gerado pelos caçadores de baleia." Baleeiros e caçadores de focas usaram as Ilhas Shetlands do Sul, onde fica a EACF, como base de operações nos séculos 19 e 20. Quantificar as emissões de Ferraz e descobrir para onde a fuligem produzida pela estação está indo pode ajudar a separar o impacto ambiental gerado pelos brasileiros do produzido no passado. Delfino também busca determinar o impacto dos dois navios brasileiros em mares antárticos, o Ary Rongel e o Almirante Maximiano. A expedição de quarta-feira envolveu a ativação de um coletor de amostras em Punta Plaza - posto avançado próximo de Ferraz - e a checagem de outro, numa praia glacial batizada de Ipanema. A visita a Ipanema revelou que o eixo da bomba que faz o ar passar pelo filtro que recolhe a poluição estava quebrado e foi trocado.

Um comentário:

HB disse...

Mas por q,Antártica esta poluindo assim q q ta acontecendo la na geleira?