segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desmatamento no Cerrado é duas vezes maior do que na Amazônia

No Brasil, desmata-se anualmente uma área de 20 mil km² de Cerrado a cada ano. Isso corresponde ao dobro do que é desmatado na Amazônia. A informação antecipada nesta quinta-feira pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, durante a abertura da Comissão Legislativa Participativa da Câmara dos Deputados será detalhada durante entrevista destinada a apresentar o primeiro monitoramento do desmatamento do Cerrado brasileiro. "Há 10 anos, segundo nossos dados, tanto a Amazônia como o Cerrado desmatavam 20 mil km² por ano. Felizmente conseguimos, por meio dos programas tocados pelo governo, reduzir pela metade o desmatamento no bioma amazônico. A má notícia é que ainda não conseguimos fazer isso pelo Cerrado", disse Minc. O ministro ressaltou a importância da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 115/95, que torna patrimônios nacionais o Cerrado e a Caatinga. "Já faz 14 anos que essa PEC está tramitando. É importantíssimo que estendamos o monitoramento do desmatamento também a outros biomas, como a Caatinga, o Pantanal e o Pampa", afirmou o ministro. Segundo Minc, será possível apresentar metas concretas visando à redução do desmatamento de todos os biomas a partir de junho de 2010. "A base do plano será apresentada ainda hoje. O Cerrado é fonte da maior parte do manancial de águas do país e não pode ser prejudicado pelo agronegócio", acrescentou. Após participar da abertura da comissão, Minc seguiu para a sede do Ministério do Meio Ambiente para lançar o Plano de Ação de Prevenção e Controle do Desmatamento no Bioma Cerrado. Plano contra desmatamento Lançado nesta quinta-feira, o plano para combate ao desmatamento do Cerrado pretende frear até 2011 o ritmo de devastação do bioma, que já perdeu 48,2% da vegetação original - quase um milhão km². Somente nos últimos seis anos, o desmatamento atingiu 127 mil km² do Cerrado, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente. Os números são do monitoramento por satélite que analisou imagens de 2002 a 2008 e mostra o avanço do desmate na região, pressionado pela expansão das lavouras de cana-de-açúcar, soja, pecuária e pela produção de carvão. "Não queremos que o Cerrado de hoje vire a Mata Atlântica", comparou o ministro do Meio Ambiente. A Mata Atlântica percorria o litoral brasileiro de ponta a ponta e se estendia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, ocupando 1,3 milhões de quilômetros quadrados. Atualmente restam apenas 20% de sua extensão original. O governo listou 60 municípios que, juntos, foram responsáveis por um terço do desmatamento no bioma entre 2002 e 2008 e que serão alvos prioritários das ações de fiscalização e controle. De acordo com o levantamento, o desmate recente no Cerrado está concentrado no oeste da Bahia, na divisa com Goiás e Tocantins e no norte de Mato Grosso. As áreas coincidem com as regiões produtoras de grãos e de carvão. A devastação do Cerrado também ameaça a oferta de recursos hídricos do país. Considerado "a caixa d'água do Brasil", o bioma concentra as nascentes das bacias hidrográficas do São Francisco Araguaia-Tocantins e do Paraná-Paraguai. "Se você desmatar mais essas bacias, vai ter menos água, menos energia renovável, menos hidrelétricas. Não estamos preocupados apenas com os bichinhos, com a biodiversidade, estamos preocupados com o desenvolvimento do Brasil", disse Minc. Orçamento de R$ 400 mi Além das ações de repressão, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento do Cerrado (PPCerrado) prevê medidas de ordenamento territorial, criação de unidades de conservação e implementação de planos de bacias. A previsão orçamentária para o plano até 2011 é de R$ 400 milhões. Segundo Minc, a resistência de ruralistas para reduzir o desmatamento no Cerrado vai ser maior que a enfrentada pela área ambiental na Amazônia. "A briga vai ser maior: a gritaria vai ser maior, porque no Cerrado as atividades econômicas estão muito mais consolidadas. A guerra vai ser muito mais difícil do que a outra, que já não é mole", aposta. Nesta sexta-feira, o ministro participa de uma operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para fechar fornos ilegais de carvão no Cerrado.

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