domingo, 31 de janeiro de 2010

Emissão de gás carbônico no País vai triplicar até 2017

Governo brasileiro contradiz o próprio plano climático. Análises do próprio governo indicam que emissões saltarão para 39 milhões de toneladas em 2017. Se por um lado a área ambiental do governo firma compromissos para reduzir as emissões de gás carbônico por meio da queda do desmatamento, do outro o planejamento do setor elétrico prevê mais geração termoelétrica, considerada uma energia mais poluente. Análises de técnicos do próprio governo indicam que as emissões de CO2 dessas novas usinas saltarão dos atuais 14 milhões de toneladas para 39 milhões em 2017. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, está preocupada com as projeções do governo de aumentar a produção de energia em usinas termoelétricas, principalmente as movidas a óleo combustível. Estamos na contramão da Europa e do que deverá acontecer nos Estados Unidos com a posse do Barack Obama. A nova versão do Plano Decenal de Expansão da Energia, que traça as metas para o setor de 2008-2017, projeta que a capacidade de geração do País terá de saltar dos atuais 99,7 mil megawatts (MW) para 154,7 mil MW. Desse acréscimo, cerca de 20,8 mil MW deverão ser gerados em usinas termoelétricas de diversos tipos, como nuclear, a gás, carvão, diesel, óleo combustível ou biomassa. A previsão do governo para a produção de energia em usinas movidas a óleo combustível, mais caras e poluentes, é de cerca de 40 novas térmicas até 2017. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), alega que as usinas termoelétricas listadas no Plano Decenal são tão somente aquelas que já negociaram contratos nos leilões de energia do governo. Ou seja, não são mera previsão, são um fato. Não há planejamento para ser feita mais térmicas do que aquelas já negociadas em contratos. E essas usinas só venderam sua energia porque as novas hidrelétricas (mais limpas) não puderam ir a leilão porque não tinham licença ambiental. A ex- ministra Marina Silva não concorda com a análise de que a expansão das térmicas decorre da demora, por parte da área ambiental, na liberação de novas hidrelétricas. Isso é fazer o meio ambiente de bode espiatório. As usinas do Madeira (Santo Antônio e Jirau, em Rondônia) já foram liberadas. E diziam, antes, que essas usinas tinham de sair para evitar o crescimento das térmicas. Termoelétricas podem quintuplicar emissões. A demora na concessão de licenças ambientais para a construção de hidrelétricas pode aumentar em cinco vezes a emissão de CO2 no País, por causa do aumento da geração de energia em termoelétricas, alerta o Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, em relatório que analisa o Plano Decenal de Energia Elétrica, divulgado pelo governo em 2008. No plano, o governo calcula que até 2017 entrarão 20,8 mil megawatts (MW) de usinas térmicas, sendo que 7,5 mil MW em centrais movidas a óleo, mais poluentes. Com a expansão desse tipo de energia, autoridades do governo admitem que o volume de emissões de CO2 no setor elétrico passaria dos atuais 14 milhões de toneladas por ano para cerca de 39 milhões em 2017. A conta do instituto ressalta que, considerando a possibilidade de atraso nas obras de 36 hidrelétricas, as emissões de CO2 poderiam chegar a 75 milhões de toneladas anuais em 2017. Para chegar a esse número, o instituto levou em conta a expectativa de que o atraso faria com que cerca de 14 mil MW sejam substituídos por energia de térmicas. O modelo do atual governo se caracteriza pelo aumento de geração de energia mais cara e mais suja, fazendo a hidroeletricidade recuar na matriz elétrica, sem ser substituída por fontes mais limpas. A Aneel divulgou dados que comprovam a tendência de expansão das térmicas. Dos 2.158 MW acrescentados ao sistema em 2008, 1.243 MW (57,64%) são gerados por essas usinas.

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