Abaixo
estão os principais fatores e impactos econômicos mapeados em estudos de
mercado:
•
Impacto na Produtividade: A partir de 30°C, a produção horária de um
trabalhador diminui em média 3% a cada grau adicional. Esse número dispara
quando as temperaturas sobem ainda mais.
•
Setores mais afetados: Atividades ao ar livre ou que exigem esforço físico
contínuo são as mais impactadas, com destaque para a construção civil, a
logística e a agricultura.
• Impacto por Região: A Allianz Research estima que economias fortemente expostas (como França, Alemanha, Itália e Espanha) podem ter perdas acumuladas entre 5% e 7% do PIB caso o calor extremo se repita anualmente até 2030.
Relatório mostra que ondas de calor já impactam produtividade, consumo de energia, investimentos e contas públicas em diferentes regiões do mundo
O
aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor já representa um
risco estrutural para a economia global e pode provocar perdas acumuladas de
até 7% do Produto Interno Bruto (PIB) em algumas das economias mais expostas
até 2030.
É
que o revela o mais novo estudo “Too hot to grow: The economic costs of extreme
heat”, realizado pela Allianz Research, divisão de pesquisa econômica da
Allianz Trade, que analisou os impactos do calor extremo sobre produtividade,
consumo de energia, investimentos, inflação e contas públicas.
O
estudo identifica que os impactos econômicos do calor se intensificam
significativamente quando as temperaturas ultrapassam os 30°C. A partir desse
ponto, há uma queda acelerada na produtividade do trabalho, aumento do consumo
de energia e pressão sobre custos operacionais das empresas.
Segundo os autores, cada grau adicional acima dos 30°C reduz em aproximadamente US$ 1,30 a produção por hora trabalhada, o equivalente a cerca de 3% da produtividade média observada na amostra analisada entre 2014 e 2024. Paralelamente, a demanda por energia cresce cerca de 1,2% por grau adicional em cenários de calor extremo.
O alto custo econômico das ondas de calor nos países preparados só para o frio
Destaque
para o Brasil e América do Sul
O
Brasil é destacado nominalmente no estudo como uma das economias que já operam
sob níveis elevados de temperatura. O levantamento revela que, ao comparar o
consumo de energia per capita durante o episódio de calor mais intenso enfrentado
pelo país após 2014 com a sua média histórica do período de 1991–2010, o Brasil
registrou um aumento superior a 4% a 5% na demanda por energia. Além disso, em
termos regionais, a América do Sul verá o impacto direto no mercado de trabalho
se acentuar: a parcela de horas de trabalho perdidas devido ao estresse térmico
deve dobrar, subindo de 0,4% em 1995 para 0,8% até 2030.
Impactos
globais
Para medir os efeitos macroeconômicos, os economistas apontam um cenário em que os cinco anos mais quentes registrados por cada país entre 2014 e 2024 se repetem progressivamente entre 2026 e 2030. Nesse contexto, as perdas acumuladas de PIB poderiam alcançar US$ 354 bilhões no Japão, US$ 240 bilhões na França, US$ 147 bilhões na Itália, US$ 131 bilhões na Alemanha e US$ 120 bilhões na Espanha.
Ondas de calor atingem os mais pobres com mais intensidade
O
estudo também destaca que os impactos não se limitam ao crescimento econômico.
Em países mais afetados pelo calor, a formação de capital fixo, indicador
ligado a investimentos produtivos, pode cair em média 8% no período analisado.
Segundo a Allianz Research, o calor extremo reduz o retorno esperado sobre
novos investimentos, desencorajando projetos de expansão e comprometendo a
capacidade produtiva futura.
Além
disso, os autores identificam um cenário de estagflação em economias mais
expostas, com inflação elevada combinada ao aumento do desemprego. Em países
como Espanha, França, Itália e Eslováquia, o estudo projeta simultaneamente
alta de preços e deterioração do mercado de trabalho, pressionando autoridades
monetárias e fiscais.
Os
impactos também atingem diretamente as contas públicas: o relatório estima que
o calor extremo pode reduzir receitas fiscais anuais em até 1,8% na França,
1,3% na Itália e Espanha e 0,7% na Alemanha, ao mesmo tempo em que aumenta
despesas com saúde, infraestrutura, energia e adaptação climática.
Outro
ponto destacado pelo relatório é a baixa cobertura securitária relacionada aos
danos causados pelo calor extremo. Em 2022, as perdas financeiras na Europa
chegaram a €46 bilhões, mas apenas uma pequena parcela estava protegida por
seguros. Segundo o estudo, a maior parte dos danos ocorre de forma indireta,
por meio de perda de produtividade, pressão sobre sistemas de saúde e impactos
econômicos difusos, dificultando a cobertura pelos modelos tradicionais de
seguro.
O levantamento também aponta que países e empresas precisarão acelerar medidas de adaptação climática para reduzir os impactos econômicos das ondas de calor. Entre as recomendações estão a criação de protocolos trabalhistas específicos para altas temperaturas, modernização de edifícios para reduzir superaquecimento, investimentos em infraestrutura energética e ampliação de mecanismos de proteção financeira e securitária.
Crise climática pode reduzir até 50% do PIB global e gerar choques econômicos, sociais e financeiros, segundo estudo internacional.
Fim
do mundo: cientistas colocam o planeta em alerta ao revelar que a crise
climática pode devastar a economia global, com perdas de até 50% do PIB e risco
de choques sociais e financeiros em cadeia. (ecodebate)




