quarta-feira, 7 de abril de 2010

Continente gelado abrigou floresta e vulcão

Mostra no Rio reconstitui fauna e flora da Antártida há 80 milhões de anos, com base em fósseis coletados. O cenário é de floresta com samambaias e coníferas - como pinheiros e araucárias - pré-históricas, montanhas, um vulcão e, no mar, répteis gigantes. Não parece, mas é a descrição do continente antártico de 80 milhões de anos atrás que a exposição Fósseis do Continente Gelado - O Museu Nacional na Antártida revela a partir de terça-feira e até 8 de abril. A mostra é resultado da expedição de mais de dois meses que pesquisadores do museu da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) fizeram à Antártida no verão de 2006/2007. Eles recolheram 2 toneladas de material - e, pela primeira vez, uma equipe brasileira coletou fósseis de vertebrados. A estrela é o plesiossauro, encontrado na região da Ilha James Ross, sul da Antártida. Do bicho de quase 7 m de comprimento, os paleontólogos liderados por Alexander Kellner encontraram vértebras e parte das nadadeiras - o suficiente para que os paleoartistas Maurílio Oliveira e Orlando Grillo fizessem a réplica e reconstruíssem o cenário em que vivia. Dentes de tubarão pré-histórico também foram encontrados. "Não é um tubarão como os de hoje. Os dentes são diferentes na estrutura geral, são mais finos, e têm uma crista na parte basal", diz Kellner. Os vestígios de floresta são fósseis de troncos, alguns cobertos por carvão. O maior tem 4,5 metros de comprimento. "O fato de haver carvão nos faz crer que havia um vulcão, que queimou a floresta", diz Kellner. A exposição terá outras curiosidades, como um mexilhão de 40 centímetros e uma coquina (acúmulos de concha) de 120 quilos. O Museu Nacional fica na Quinta da Boa Vista e abre de terça a domingo, das 10 às 16 horas. O ingresso custa R$ 3 e o telefone é (21) 2562-6042. A exposição aguarda patrocínio para ir a outras cidades. Tempestades atrapalharam a expedição Foram 72 dias de viagem e 37 de acampamento, mas só 19 de trabalho. A equipe do Museu Nacional enfrentou tempestades de neve na expedição à Antártida, o que dificultou as pesquisas. E para retirar o fóssil do tronco de conífera, os paleontólogos precisaram escavar o gelo. “É justamente o que a gente sempre diz que não faz, porque é contraproducente. Mas não teve jeito”, conta o paleontólogo Alexander Kellner. Para chegar á Antártida, eles viajarão em avião Hércules da Força Aérea Brasileira (FAB) e no navio Ary Rongel, da Marinha. “Quando chegamos, foi a maior decepção. Não tinha neve. Nem parecia a Antártida”, disse o paleoartista Orlando Grillo. Começaria a nevar logo depois, para não parar mais. A expedição virou documentário, parte dele será exibido na mostra, e foi tão marcante para Kellner que o inspirou a escrever o romance Mistério sob o Gelo.

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