terça-feira, 19 de abril de 2011

Alimentação saudável para adolescentes

Pesquisadores apontam para a necessidade de promoção da alimentação saudável para adolescentes
Comportamento alimentar de adolescentes em debate – A pesquisa entrevistou mais de 1.600 adolescentes, qualificando-os em diferentes perfis de alimentação.
Devido ao processo de globalização e urbanização acelerada, cada vez mais os padrões de alimentação mudam na sociedade, principalmente o de jovens que se alimentam de produtos industrializados. Para analisar os fatores de risco à saúde de jovens do ensino fundamental no Rio de Janeiro, pesquisadores da Ensp, da Uerj e da UFMB realizaram o referido inquérito. A pesquisa entrevistou mais de 1.600 adolescentes, qualificando-os em diferentes perfis de alimentação. Como conclusão, os pesquisadores apontaram para a necessidade de promoção da alimentação saudável nessa população. O trabalho foi publicado no volume 27, número 2, do Cadernos de Saúde Pública da Fiocruz.
O artigo “Uso do método Grade of Membership na identificação de perfis de consumo e comportamento alimentar de adolescentes do Rio de Janeiro, Brasil“, de autoria de Letícia de Oliveira Cardoso, Luciana Correia Alves e Iuri da Costa Leite, todos da Ensp/Fiocruz, teve como coautores Inês Rugani Ribeiro de Castro, do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e Carla Jorge Machado, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais.
Como premissa, resultados de estudos conduzidos em países na América Latina revelaram tendências alarmantes quanto ao padrão de consumo alimentar. No caso do México, por exemplo, dados do Mexican Nutrition Survey mostraram que entre 1996 e 2006, do total de energia consumida por adolescentes e adultos, cerca de 7% foram provenientes do consumo de refrigerantes. Já pesquisas sobre disponibilidade domiciliar de alimentos em áreas metropolitanas brasileiras, realizadas entre 1974/1975 e 2002/2003, revelaram aumento expressivo na compra de alimentos industrializados pelas famílias. “Observou-se, nesse período, incremento nas compras de biscoitos e refrigerantes da ordem de 400%, refeições prontas, 80%, e embutidos, 300%”, destacaram os pesquisadores.
Partindo desse cenário, os pesquisadores buscaram identificar os perfis de consumo e de comportamentos alimentares dos adolescentes. Para descrever as prevalências, foi aplicado o método Grade of Membership (GoM), que acabou gerando quatro perfis de jovens: “A” (12,1%), caracterizado pelo consumo frequente de todos os alimentos marcadores de dieta saudável, menos frequente dos alimentos não saudáveis e pela presença de comportamentos alimentares saudáveis; “B” (45,8%), marcado pelo hábito de realizar o desjejum e três refeições/dia, consumo menos frequente de legumes e frutas e de cinco dos marcadores de alimentação não saudável; “C” (22,8%), ausência de comportamentos alimentares saudáveis e pelo consumo menos frequente de legumes, frutas, leite, embutidos, biscoitos e refrigerantes; e “D” (19,3%), caracterizado pelo consumo frequente de todos os alimentos não saudáveis e menos frequente de legumes e frutas.
“Chamou a atenção a baixa frequência do consumo de frutas e legumes cozidos em todos os perfis identificados, exceto no “A”. Pesquisas em diferentes cidades brasileiras indicam que esta característica (baixa frequência e quantidade insuficiente do consumo de frutas e hortaliças) parece comum no hábito alimentar deste grupo etário”, afirmaram os estudiosos. Por fim, os pesquisadores recomendam que sejam desenvolvidas intervenções dirigidas a estes grupos, abrangendo aspectos relacionados tanto ao consumo quanto aos comportamentos alimentares, envolvendo campanhas de alimentação saudável nas escolas ou ações educativas com novas abordagens metodológicas. (EcoDebate)

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