domingo, 9 de outubro de 2011

RMC é mais poluída que a Grande São Paulo

Ranking das OMS põe Campinas à frente da Capital e de Curitiba em emissão de poluentes
Pôr do sol em dia de clima seco e ar poluído em Campinas
A região de Campinas é mais poluída que a Grande São Paulo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que divulgou ontem o ranking mundial entre 1,1 mil cidades do mundo. A região de Campinas é a terceira mais poluída do País e ocupa a 267ª posição no ranking mundial, com uma emissão de 39 microgramas de poluentes por metro cúbico de ar — quase o dobro do máximo recomendado pela OMS, de 20 microgramas por metro cúbico. São Paulo emite 38 microgramas por metro cúbico.
A região de Ahwaz, no Irã, é a mais poluída do mundo, com uma taxa de 372 microgramas por metro cúbico. No Brasil, a mais poluída é a região do Rio de Janeiro, com 64 microgramas de poluição por metro cúbico de ar. A metrópole brasileira menos poluída, entre as que constam no levantamento, é Curitiba, com 29.
O parque industrial, especialmente o polo petroquímico de Paulínia, e a grande frota de veículos que utilizam diesel são as principais causas da poluição na região de Campinas, segundo a bióloga Maria de Fátima Tonon, da Pró-Ambiente Assessoria Ambiental. “A bacia atmosférica da região está comprometida e isso levou os órgãos ambientais a serem muito rigorosos nos licenciamentos”, afirmou. Segundo ela, Campinas não chega a ficar saturada por causa da dispersão de poluentes em consequência dos ventos.
O ozônio é o poluente mais persistente, segundo relatório divulgado no início do ano pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Duas cidades na Região Metropolitana de Campinas (RMC), Americana e Paulínia, já têm saturação severa de ozônio, poluente secundário que se forma a partir de reações entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis, na presença de luz solar. Por sua formação estar relacionada a outros compostos, e depender muito das condições meteorológicas, seu controle é mais difícil. A maior parte dos compostos geradores do ozônio são oriundos de emissão gases de veículos, indústrias e queimadas. O último levantamento da CETESB, referente aos últimos três anos, com cidades com população superior a 200 mil habitantes, mostra que municípios como Paulínia chegaram a apresentar níveis até 60% maiores de saturação de poluição que o máximo permitido.
Entre os poluentes atmosféricos estão o monóxido de carbono, o ozônio, o dióxido de enxofre, os óxidos de nitrogênio e os particulados. Esses poluentes advêm principalmente da queima de combustíveis fósseis, particularmente das usinas elétricas a carvão e automóveis movidos por gasolina. Os óxidos de nitrogênio podem levar à formação de ozônio ao nível do solo. Particulados são lançados de uma variedade de fontes, principalmente dos motores a diesel.
“Não apenas a região de Campinas, mas grande parte das regiões brasileiras precisam começar desde já a pensar na mudança no modal de transportes. Hoje, a maioria dos carros leva apenas o motorista e a frota de ônibus já não é tão nova. É preciso começar a se pensar em transportes sobre trilhos, mais eficazes enquanto modal e muito menos poluentes”, disse o ambientalista Pedro Américo Custódio, que atua em uma organização não-governamental (ONG), a Viva a Vida, e trabalha na área de transportes.
Remediação
Medidas vêm sendo adotadas pela agência ambiental para controlar as emissões industriais na base petroquímica de Paulínia, onde estão importantes fontes de liberação de hidrocarbonetos. As distribuidoras de combustíveis estão obrigadas a implantar mecanismos de controle nos tanques, os chamados selos flutuantes. A maioria já implantou. Para as novas bases, a CETESB está usando o sistema de compensação ambiental: se a empresa vai implantar ou ampliar uma fonte de poluição onde haja emissão de gases, ela tem que compensar as emissões
Outra alteração que houve em Paulínia foi o incentivo de uso de combustíveis mais limpos em caldeiras e fornos e também uma maior fiscalizações em veículos orientando motoristas para manterem os motores bem regulados, melhorando a qualidade da queima de combustível. A ampliação de unidade industrial que emite precursor de ozônio só é autorizada se houver uma compensação ambiental. Em Paulínia, a agência ambiental monitora a concentração de monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre, monóxido de nitrogênio, óxidos de nitrogênio, hidrocarbonetos totais, metano, partículas inaláveis. Em Campinas, a agência ambiental mede apenas partículas inaláveis e monóxido de carbono.
Saiba mais
Altas concentrações de ozônio no ar são responsáveis pelo aumento de casos de doenças cardiovasculares, de doenças congênitas (má- formação do feto) e agravamento no quadro de doenças respiratórias. O limite máximo de saturação de gás ozônio aceito pelo Conama é de 160 microgramas por metro cúbico. Paulínia, conhecida pela atividade econômica ligada ao setor petroquímico, é a sexta com piores níveis de concentração do gás. Entre os anos de 2007 e 2009 a média apresentada pela cidade foi de 218 microgramas por metro cúbico, mas durante o período a cidade chegou a registrar até 258 microgramas, em determinados momentos do ano. Americana, nona da lista, está com média nos últimos de três anos de 203 microgramas de ozônio por metro cúbico. (OESP)

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