quinta-feira, 19 de julho de 2012

RJ e SP aqueceram mais que a média mundial

Rio e São Paulo aqueceram até 3 vezes mais do que a média do planeta, diz relatório do MCTI.
As mudanças climáticas imprimiram, nos últimos cem anos, marcas muito mais severas no Brasil do que em diversas regiões do planeta. Enquanto a Terra aqueceu, em média, 0,8 grau Celsius neste período, os termômetros paulistanos registram temperaturas 3 graus acima das vistas no início do século passado. O Rio também passa por aquecimento, embora menos homogêneo. Na Zona Sul, próxima ao mar, o calor aumentou em 1,3 grau. A partir do Maciço da Tijuca, esse índice chega a 2 graus.
O aquecimento das metrópoles é um dos alertas emitidos por um relatório inédito, lançado no último dia da Rio+20. Assinada por dois ministérios, o do Meio Ambiente e Ciência e o da Tecnologia e Inovação (MCTI), a iniciativa corresponde ao mais completo diagnóstico sobre o efeito das mudanças climáticas no país.
O estudo foi dividido em três partes. A primeira, que encerrará a conferência da ONU, tentará explicar como muda o clima no Brasil. A segunda, prevista ainda para este ano, terá como foco o impacto das políticas de mitigação. A última parte, que ainda está em produção, deve ser divulgada em 2013.
- Nosso relatório verifica transformações ambientais ocorridas nos últimos cem anos, como o aumento da temperatura nas florestas tropicais em até 2 graus Celsius – explicou Carlos Nobre, secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTI. – Mas precisamos separar o que foi motivado por fatores naturais daquilo que teve como causa a urbanização, por exemplo.
A empresa britânica Maplecroft, especializada em cálculos de riscos, pôs o Brasil, no ano passado, como o 81º mais suscetível às variações do clima – está, assim, com “alto risco”, maior do que potências como os EUA (129º), a Alemanha (131º) e o Reino Unido (138º). O perigo é extremo para Bangladesh e Índia, que encabeçam a lista.
Países em desenvolvimento têm menor capacidade de absorver o choque promovido por eventos extremos. Prova disso é que 95% das mortes ocasionadas por desastres naturais entre 1970 e 2008 tiveram essas nações como palco.
- O Brasil tem mais de 10 milhões de habitantes no semiárido e 15 milhões na periferia de metrópoles muito vulneráveis a desastres – lembrou Nobre. – Precisamos reduzir o número de mortos e feridos em desastres.
O novo relatório integra essa política de prevenção de incidentes. E sua urgência é ainda maior se for considerado que, entre as prováveis anfitriãs de novas catástrofes, estão capitais como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília e Manaus.
País vive três extremos climáticos simultâneos
Além de evitar desastres naturais nas cidades, o governo precisa se preocupar com os estragos do clima no campo. Parte significativa da economia nacional vem do primeiro setor, que sofre um abalo. Pernambuco, por exemplo, vive sua maior estiagem em 50 anos, O estado já contabiliza um prejuízo de R$400 milhões na agricultura.
- Vivemos três anomalias simultâneas: duas grandes secas, no Nordeste e no Sul, e uma série histórica de inundações na Bacia Amazônica – ressaltou Nobre.
O secretário participou ontem, na PUC-Rio, de uma sessão do Fórum de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável, promovido pelo Conselho Internacional para a Ciência. Pesquisadores debateram os impactos globais promovidos pelas mudanças climáticas.
- O custo da adaptação do mundo para o clima pode variar de US$9 bilhões a US$300 bilhões por ano, dependendo de quem calcula e do que queremos – ressaltou Diana Liverman, codiretora do Instituto do Meio Ambiente da Universidade do Arizona, nos EUA. – O gasto mínimo só mitiga os desastres. O máximo inclui fatores como a proteção de ecossistemas ameaçados. (EcoDebate)

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