domingo, 15 de julho de 2012

Uso correto da água garante a sustentabilidade

Uso correto da água garante a sustentabilidade da vida sobre a Terra
Estudos da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA) revelam que o desperdício de água é maior que o uso.
O Brasil é o país com a maior reserva de água doce do mundo, com 16%.
Água, fonte da vida. Neste lindo planeta azul, aprendemos desde cedo que dois terços da Terra são cobertos por água, por conta de uma grandeza oceânica que impressiona e assusta. E que o Brasil “é o país com a maior reserva de água doce do mundo: 11,6% do total”. No entanto, de todo este mar de água que cobre o planeta, apenas 3% é doce, e a maior parte dela (2%) está em geleiras. Não há quem viva sem água, porém o fato é que nem todos se importam efetiva e decisivamente com a sua preservação. Talvez por causa da falsa crença na sua dimensão infinita. Conceito ilusório, reforçado por outras características inadequadas e condenáveis, como o individualismo e o egoísmo, que não permitem enxergar o todo da vida e não veem que o homem é apenas uma pequena parte de um contexto maior.
A verdade é que a água é um recurso limitado. E muito, muito precioso. E que hoje a disponibilidade hídrica já não é a mesma de apenas umas poucas décadas atrás. Afinal, já somos hoje mais de sete bilhões de pessoas sobrevivendo na face da Terra e explorando os seus recursos. Nem sempre da forma mais adequada ou sustentável. E, por isso mesmo, provocando uma degradação acelerada dos mananciais de água e de outros valiosos ativos ambientais. Segundo a ONU, três bilhões de pessoas vão sofrer com escassez de água até 2025. E cerca de 800 milhões de humanos pelo mundo afora já enfrentam este problema hoje.
Segundo a ONU, três bilhões de pessoas vão sofrer com a escassez de água até 2.025.
Os dados são alarmantes. Tanto que a escassez de água doce já é considerada um dos sete principais problemas ambientais hoje, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (United Nations Environment Programme – Unep), conhecido como GEO (Global Environmental Outlook).
Assim, se quisermos sobreviver nesta nave-planeta que provê naturalmente todas as condições para a manutenção dos sistemas vitais de todos os reinos que aqui coabitam, temos que mudar nossas posturas predatórias e consumistas e adotar novos padrões de comportamento e conduta que assegurem um mínimo de harmonia e respeito aos nossos ecossistemas sagrados. Porque um dia o homem vai ter que compreender que dinheiro não se pode comer. Nem beber...
A preocupação com o uso sustentável da água, com o consumo desse recurso natural para contentar as nossas necessidades, sem comprometer também as precisões das gerações futuras, tem que ser em nível global. As dimensões das resultantes de ações contrárias a essa compreensão não se restringem ou se limitam às demarcações geográficas. Aquele 1% de água doce, mesmo que, às vezes, em proporções gritantemente desiguais, é dividido por toda a população mundial.
Foi pensando nisto que a ONU instituiu, em 1993, o Dia Mundial da Água, comemorado anualmente em 22 de março. O objetivo desses encontros é discutir assuntos relacionados a problemas de abastecimento de água potável e aumentar a consciência pública, dos governos, das agências internacionais, das organizações não-governamentais e do setor privado.
Água Saudável
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), milhões de pessoas morrem anualmente no mundo devido a problemas relacionados ao consumo de água contaminada, sendo que, pelo menos 800 milhões de seres humanos pelo mundo afora já enfrentam problemas com a seca. Os mais afetados são as crianças menores de 5 anos, tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento. Visando contornar a situação, foi traçado pela OMS um Planejamento de Água Saudável, que define mudanças na gestão da água potável em vários países. A ideia baseia-se em orientações à população na inclusão de procedimentos de segurança para assegurar a qualidade da água. Segundo o órgão, uma água só pode ser classificada como potável quando apresenta teor mineral de até 500 mg por litro.
No Brasil, existe uma repartição específica responsável por assegurar o direito humano fundamental de acesso à água potável nas cidades e no campo: a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental (SNSA). Mas, nem tudo fica ao alcance do domínio da secretaria. Dados coletados pela própria SNSA, em 2003, apontaram que o índice médio de perdas de água por ligação ativa foi de 502,3 litros/ligações/dia, em média, enquanto o consumo per capita médio de água foi igual a 149 litros/habitante/dia. Ou seja, o desperdício de água é maior do que o seu uso.
A realidade não poderia se apresentar de outra forma, com tanta água sendo usada de maneira errada, seja no copo da criança que a consome sem tratamento, seja no desperdício provocado por vazamentos, lavagem exagerada de calçadas e carros com água potável, descarte inadequado etc. Há como mudar? Sim! Ações possíveis existem e nesta matéria elencamos algumas.
Reciclagem planetária
A própria natureza nos ensina, dentro do ciclo hidrológico, a prática do reúso e da reciclagem, onde a água que evapora dos lagos, rios e oceanos forma as nuvens, que se derramam em forma de renovadora chuva e neve, num processo cíclico no qual a mesma água é constantemente reutilizada e reprocessada, purificada.
E, tomando emprestadas as imagens poéticas da música Planeta Água, de Guilherme Arantes, ilustramos bem este ciclo renovador:
“Águas que nascem na fonte serena do mundo e abrem um profundo grotão.
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão...
Águas que banham aldeias e matam a sede da população...
Águas que caem das pedras, no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d’água, é misteriosa canção
Água que o sol evapora e pro céu vai embora, virar nuvens de algodão...”
Assim se cumpre o ciclo, onde a água que cai sob a forma de chuva retorna aos rios e aos mares e, pelo milagre da evaporação, sempre retornam. De modo que as “águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão. E sempre voltam humildes pro fundo da terra”, relembrando novamente o poeta.
Reciclagem doméstica
Essa prática de reciclagem da água em escala planetária, que a natureza faz de graça para nós, pode e deve ser replicada por meio de ações humanas. Consiste na reutilização da água, por mais de uma vez, para fins de consumos potáveis ou não, proporcionando, assim, o uso sustentado, além da redução de gastos. Uma atitude simples e que pode ser aplicada à realidade doméstica da maior parte da população brasileira. O reúso da água pode ser feito através de medidas simples, como o reaproveitamento da água da máquina de lavar para a limpeza de pisos, ou com a captação da água da chuva para a lavagem de carros, rega de jardins, descargas etc.
Os segmentos da engenharia e da arquitetura também se preocupam bastante em atrelar práticas sustentáveis às construções. Mecanismos e sistemas que visam, além de economia, responsabilidade com os recursos ambientais. A luz solar, as águas das chuvas ou as já utilizadas em outras atividades, por exemplo, podem ser captadas a fim de substituírem ou complementarem as fontes comumente exploradas.
O uso de energia solar contribui para a diminuição da exploração de recursos naturais não renováveis, como o petróleo, e para o adiamento da construção de novas hidrelétricas, que causam grandes impactos ambientais nos mananciais e bacias hidrográficas.
"Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão. E sempre voltam humildes pro fundo da terra" (Guilherme Arantes)
A tecnologia de captação e aproveitamento da água da chuva hoje disponível pode eliminar boa parte dos custos mensais com as contas de água. O grande vilão no consumo de água nas residências é o vaso sanitário, cujas descargas podem ser responsáveis por até 40% do total dos gastos. Um sistema com cisternas que acumulam água da chuva usando qualquer superfície que tenha como condensar o escoamento da água para uma vertente, como por exemplo, os telhados das casas, lajes ou pátios construídos especialmente para esse fim, onde não tem tráfego de pessoas, animais ou automóveis, pode ser ligado ao sistema de evacuação de esgotamento.
Atitudes responsáveis e sustentáveis e que não devem se tornar responsabilidades apenas de ONGs e instituições empreendedoras. Cada um de nós tem muito mais a oferecer ao meio em que vivemos. (revistasfera)

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