segunda-feira, 29 de abril de 2013

A população da Europa em 2100

A Europa se tornou uma potência mundial depois da conquista da América e da consequente acumulação de riqueza, que possibilitou o fortalecimento dos Estados Nacionais, movimentos intelectuais – como o Iluminismo – e a Revolução Industrial e Energética. Mas o chamado “Velho Continente” passou a maior parte de sua história em diferentes guerras nacionais e territoriais entre os seus povos e com o resto do mundo. Houve a Guerra do Peloponeso, as Guerras de Alexandre o Grande, as Guerras Púnicas, as Cruzadas, a Guerra dos 100 anos, as Guerras Napoleônicas e as duas Grandes Guerras Mundiais do século XX, dentre várias outras. Na segunda metade do segundo milênio, os europeus conquistaram territórios e se espalharam e colonizaram diversas partes do mundo. Neste período, a Europa foi fonte de grande emigração populacional.
Mas depois da Segunda Guerra houve o processo de descolonização e a Europa se esforçou para evitar as guerras entre os seus principais países, caminhando rumo a construção de um Estado de Bem Estar Social. Com exceção de guerras menores e conflitos regionais e religiosos, o continente europeu conheceu grande prosperidade e influência internacional na segunda metade do século XX.
Em 1992 (na comemoração dos 500 anos da conquista da América) foi criada a União Europeia e em 2001, no início do novo milênio, foi criada a moeda única, o Euro. Parecia que a Europa iria manter o seu prestígio e posição na comunidade das nações. Porém, a chamada “euroesclerose” se agravou e o continente vive atualmente o drama de recuar no projeto de União entre os seus países. Além da perda de competitividade econômica, o “velho continente” está ficando velho em termos de estrutura etária e deve apresentar uma população em declínio no século XXI.
A população da Europa era de 547,3 milhões de habitantes em 1950 e passou 738,2 milhões de habitantes em 2010. Portanto, a Europa, mesmo recebendo migrantes, teve um crescimento demográfico relativamente lento nos últimos 60 anos. Para 2050, mesmo com o influxo da imigração, a estimativa é uma queda para 719,3 milhões na projeção média da ONU, devendo cair para 674,8 milhões de habitantes em 2100. A densidade demográfica era de 24 hab/km2, passando para 32 hab/km2, em 2010, devendo ficar em torno de 30 hab/km2, na segunda metade do corrente século.
A taxa de fecundidade total (TFT) da Europa já era baixa em 1950, de 2,65 filhos por mulher. Em 1975-80 ficou abaixo do nível de reposição (1,98 filhos). Em 2010 estava em apenas 1,53 filhos por mulher e existe a expectativa da ONU que esta taxa cresça para próximo de 2 filhos por mulher no restante do século. Porém, a atual crise econômica tem colocado muitas dúvidas sobre a capacidade de retomada dos níveis de reposição da fecundidade.
O número médio de nascimentos estava em 12,035 milhões em 1950-55, mas caiu para 7,9 milhões em 2005-10. Isto reduziu a base da pirâmide populacional e provocou o rápido envelhecimento da população. A idade mediana era de 29,7 anos em 1950 e passou para 40,1 anos, mostrando que a Europa é o continente mais envelhecido do mundo. Para 2050 estima-se uma idade mediana de 46 anos.
A mortalidade infantil e a esperança de vida estavam, em 1950-55, em 72,6 mortes para cada mil nascimentos e 65,6 anos, respectivamente. A mortalidade infantil caiu para 6,9 por mil e a esperança de vida subiu para 75,4 anos, no quinquênio 2005-10. Para 2100, estima-se uma mortalidade infantil e 2,6 por mil e uma esperanças de vida de 87,4 anos.
Em termos ambientais, a Europa possui um grande déficit ambiental. Segundo o relatório Planeta Vivo, da WWF, a pegada ecológica per capita dos europeus era de 4,72 hectares globais (gha), em 2008, mas possuía uma biocapacidade de 2,24 gha. A redução da população vai ajudar a reduzir o déficit ambiental. Mas não será suficiente. A Europa vai precisar investir na mudança da matriz energética e na construção de um modelo de produção e consumo que seja realmente sustentável. (EcoDebate)

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