Nível dos reservatórios que abastecem o Sudeste é o menor
desde 2001
O Sistema Cantareira,
maior reservatório de água de São Paulo, atingiu nesta segunda-feira 19,6% de
sua capacidade, o menor nível da história desde sua criação na década de 70 do
século passado. O sistema abastece quase 9 milhões de pessoas na região
metropolitana da capital. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de
São Paulo (Sabesp), ainda não há desabastecimento e a oferta permanece normal
nos 364 municípios atendidos pelo órgão.
Na primeira reunião
do comitê formado pelos governos estadual e federal para gerenciar o problema
do baixo volume nos reservatórios paulistas, prevista para quarta-feira, serão
discutidos temas como a mudança na partilha de água feita entre os municípios
da região de Campinas, Piracicaba e Limeira e a região metropolitana de São
Paulo. Participarão representantes da Agência Nacional de Águas (ANA), do
Departamento Estadual de Água e Energia Elétrica (Daee) e dos comitês de bacias
do Alto Tietê e dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.
No mesmo período do
ano passado, o volume de armazenamento do Sistema Cantareira chegava a 54,1% do
total. A companhia não informou, porém, a partir de que nível pode haver racionamento.
Nos dez primeiros dias de fevereiro passado, o índice pluviométrico marcava
97,6 milímetros (mm). No acumulado deste ano, o volume ficou em 2mm – a
média histórica do mês é 206,5 mm.
Represa Jaguari, que
faz parte do Sistema Cantareira, está mais de 8 metros abaixo do seu nível de
vazão devido à falta de chuvas.
Conforme estudo
técnico do Consórcio PCJ, que opera os reservatórios dos rios Piracicaba,
Capivari e Jundiaí, seriam necessários 1.000 mm de chuva durante 60 dias para
que os reservatórios do Sistema Cantareira voltassem a operar com 50% da
capacidade de armazenamento. De acordo com o estudo, caso não ocorram
alterações no regime de chuvas e de retirada de água dos reservatórios, levará
80 dias para que toda a água do sistema seja consumida.
Pelo menos cinco
cidades do interior paulista já anunciaram medidas de racionamento. Em Diadema,
a companhia de saneamento iniciou, há cerca de dez dias um rodízio no
abastecimento entre bairros. A prefeitura esclareceu que não se trata de
racionamento, que só ocorreria se um volume limite fosse fixado para cada
família. A manobra está sendo feita porque o calor fez aumentar o consumo
d'água, o que demandou maior volume do que o recebido pelos reservatórios.
Valinhos adota o
racionamento há três dias. O município foi dividido em sete áreas, de acordo
com os dias da semana, e duas ficam sem água duas vezes por semana, em dias
intercalados. E podem ser notificadas e multadas, em R$ 336, as pessoas que
molharem quintais e jardins ou lavarem calçadas no período de racionamento. Na
quinta-feira (13), o Departamento de Águas e Esgotos de Valinhos vai analisar e
quantificar a redução do consumo d'água na cidade. A expectativa é de queda de
pelo menos 10%.
A concessionária
Águas de Itu também está racionando água no município das 20h às 4h. O objetivo
é recuperar o nível dos mananciais, que estão com menos de 10% da capacidade. A
situação é mais grave na região de São Miguel, responsável pelo abastecimento
da Estação de Tratamento de Pirapitingui, que secou completamente.
Em Vinhedo, o
racionamento ocorre desde dezembro. A cidade conta com um sistema de
monitoramento que aponta as regiões onde o consumo está acima da média. Tais
localidades podem ter o abastecimento suspenso de duas ou três horas, ou até
quatro, se a situação for crítica. Em Guarulhos, o revezamento ocorre em seis
bairros do município.
Baixada também
anunciou campanha
Em razão da falta de
chuva nos últimos meses, a Sabesp decidiu iniciar na Baixada Santista uma
campanha de conscientização para que a população economize água. O objetivo é
reduzir o consumo per capita em toda a região em até 20%.
Em entrevista à A
Tribuna o diretor de Tecnologia, Empreendimentos e Meio Ambiente da
Sabesp, João Paulo Tavares Papa, informou que a Baixada Santista está
plenamente abastecida graças aos investimentos feitos pela Sabesp nos sistemas
de captação de água da região. Entretanto, o verão atípico, com calor acima da
média e sem chuva, preocupa. “Isso é uma associação explosiva para o consumo.
Nesse momento, a concessionária precisa produzir mais água, mas existe um
limite da natureza que são os mananciais. Por isso, a conscientização é fundamental”,
alerta Luiz Paulo de Almeida Neto, diretor de sistemas regionais.
Apesar de em São
Paulo, as chuvas isoladas já terem começado no último domingo, no litoral sul,
as pancadas começarão a aparecer somente na próxima quarta-feira. Na região,
não chove há quase um mês. (atribuna)

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