quinta-feira, 17 de abril de 2014

‘Reserva’ do Cantareira vai até 27 de novembro

Plano da Sabesp estipula início do bombeamento do 'volume morto' em um mês e fim da captação na estação chuvosa; rodízio ainda não é previsto.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) vai dividir em duas etapas a captação de água do chamado "volume morto" do Sistema Cantareira. A empresa projeta que os 196 bilhões de litros que começam a ser retirados do fundo dos reservatórios daqui a 30 dias sejam suficientes para abastecer a Grande São Paulo até 27 de novembro.
A empresa detalhou o plano de emergência ao comitê anticrise que monitora a seca do principal manancial paulista. O grupo é liderado por técnicos do Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), do governo paulista, e da Agência Nacional de Águas (ANA), do governo federal. Ambos definem a vazão máxima de água que a Sabesp pode retirar por mês do Cantareira para abastecer 47,3% da Região Metropolitana. Ontem, o nível do volume útil do sistema estava em 12,1%.
Segundo fontes ligadas ao comitê, a Sabesp não apresentou nenhum plano de racionamento generalizado de água. Caso não volte a chover dentro do esperado a partir de novembro, quando começa a temporada chuvosa, a empresa pretende retirar mais água do "volume morto", que tem mais de 400 bilhões de litros. Esse volume é chamado assim porque a água fica abaixo do limite das comportas das represas e tem de ser bombeada. Procurada, a Sabesp não confirmou nem negou as informações.
Na semana passada, a presidente da empresa, Dilma Pena, disse que o abastecimento está garantido sem o rodízio generalizado de água até novembro. Em fevereiro, o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato, já havia dito ao Estado que, "se não chover dentro da média nos próximos meses", a companhia teria de adotar "medidas mais drásticas", como racionamento. O mesmo cenário foi descrito no relatório de sustentabilidade da empresa, divulgado há duas semanas.
Cronograma
Ao comitê, a Sabesp informou que em 15 de maio começa a retirar 116 bilhões de litros represados abaixo dos túneis de captação das Represas Jaguari-Jacareí, na cidade de Joanópolis, interior paulista. Previsto para junho, o uso do "volume morto" foi antecipado nos dois principais reservatórios do sistema porque eles estão em situação mais crítica, com 4,9% da capacidade.
Essa primeira captação acaba em 28 de agosto. A partir de setembro, começa a retirada de 80 bilhões de litros da Represa Atibainha, em Nazaré Paulista, que tem duração prevista até 27 de novembro. Ontem, o reservatório estava com 48,4% da capacidade. Ao todo, a Sabesp deve gastar R$ 80 milhões com obras para fazer a captação profunda.
Especialistas ouvidos pelo Estado dizem que a água do "volume morto" pode ter contaminantes que não são tratados no sistema convencional de abastecimento. A Sabesp, no entanto, garante a qualidade da água. (OESP)

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