sexta-feira, 23 de maio de 2014

Evolução da sustentabilidade na hotelaria turística

O turismo é considerado um grande negócio, pois gera um impacto significativo sobre a economia de um determinado destino. Conforme Archer e Cooper (2001), durante muito tempo os estudos referentes ao impacto do turismo sobre uma determinada destinação se concentravam na análise de aspectos econômicos. No entanto, diversos destinos tiveram os seus benefícios econômicos neutralizados em função das consequências ambientais e sociais decorrentes da atividade turística.
Archer e Cooper (2001) citam que a dificuldade em quantificar os impactos ambientais e sociais retardou o desenvolvimento de metodologias de mensuração desses impactos e consequentemente a produção de estudos sobre esses temas. Somente com o surgimento do ambientalismo e a consequente preocupação com os ambientes naturais é que se verificou que os custos sociais e principalmente os ambientais superam seus benefícios econômicos.
A atividade hoteleira, enquanto subsistema do segmento turístico, também pode contribuir de forma negativa para com a degradação ambiental, basta que seja gerida de modo incorreto.
Para Dias (2006), podemos encontrar como impactos causados por esta atividade tanto aqueles relacionados ao uso dos recursos naturais, bem como os de característica poluidora. Isto porque estes impactos se diferenciam exatamente pelo momento no qual os mesmos estão inseridos no contexto dos processos da atividade hoteleira. Os impactos causados devido ao mau uso dos recursos naturais ocorrem a partir da entrada do processo. Já os impactos poluidores se dão na saída, ou seja, ao término do processo.”
A água e a energia são recursos essenciais, escasso e indispensáveis. O uso descontrolado da água pode ser observado na hotelaria tanto para uso de higiene e limpeza, como cozinha, jardins, lavanderias e sanitários em geral, em atividades de lazer, como em piscinas e saunas, ou em aspectos decorativos, tais quais chafarizes, cascatas e córregos artificiais.
Também de fundamental importância, observa-se a aplicabilidade do uso de energia na hotelaria em praticamente todas as atividades desempenhadas, oferecidas, administradas ou controladas por esta.
Resíduos sólidos são gerados desde embalagens e restos de comida até resíduos de limpeza e manutenção. Mas poucos estabelecimentos tem programas adequados de gestão de resíduos sólidos.
Os meios de hospedagem sempre trazem consigo o problema da destinação de seu esgoto e demais efluentes, tais como as demais águas servidas. Este tipo de poluição afeta rios, mares e lagoas, causando danos à flora e à fauna destes lugares. Além disso, a poluição dos lançados esgotos traz problemas à saúde, tanto dos seres humanos como dos animais. Os resíduos lançados diretamente nos oceanos ou rios podem diminuir a qualidade dos atrativos turísticos dos empreendimentos hoteleiros ao reduzir a população de peixes e tornando a água imprópria para a atividade recreacional.
Para Fiksel (1996), o planejamento hoteleiro envolve diversas variáveis, sendo uma delas, como tem sido visto, relacionada à questão ambiental. Assim, desenvolver a hotelaria e ao mesmo tempo conciliar o respeito à sustentabilidade, preservar o meio ambiente, a cultura local e manter-se atrativo turisticamente é um dos principais desafios para os planejadores hoteleiros da atualidade. Por isso a qualidade na exploração hoteleira depende e muito da qualidade do meio ambiente no qual ela está inserida.
Neste contexto, a gestão ambiental, incluindo tratamento e potabilização da água para consumo humano, gestão de resíduos sólidos, monitoramento atmosférico, otimização do uso de recursos hídricos e eficientização energética, evita a deterioração dos recursos naturais, que são um fator fundamental para o planejamento hoteleiro. Em função disso, os hotéis estão trazendo o gerenciamento ambiental para o dia a dia de seus negócios, pois utilizam os recursos naturais, energia, água e outros materiais que estão sob ameaça crescente.
Há uma série de programas, projetos e sistemas de gestão ambiental (SGAs) sendo implementados pelas empresas brasileiras. Dentre estes, os mais reconhecidos e aplicados à hotelaria nacional serão abordados a partir de agora.
A Norma Técnica de Requisitos de Sustentabilidade para Meios de Hospedagem – NIH-54 vem, dentro da perspectiva dos SGA existentes, fazer uma interpretação das normas da série ISSO 14000, aplicando-as diretamente ao cotidiano das atividades dos meios de hospedagem. A norma foi desenvolvida pelo Instituto de Hospitalidade (IH) com o apoio do Banco Interamericano de desenvolvimento (BID) e da agência de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX). Foi construída de forma representativa, voluntária e legitimada pelos representantes de vários segmentos interessados, dentre eles a ABIH, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas (SEBRAE) e a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O Projeto Ecologia tem como objetivo a implantação das ações de proteção ao meio ambiente, descritas na Carta Ambiental Accor, documento lançado na França e 1997, em todas as unidades da rede. O projeto vem sendo desenvolvido no Brasil desde 1999, com o envolvimento efetivo de todos os colaboradores da Rede Accor e de parceiros preocupados com a preservação ambiental.
Essa também é a preocupação da Accor do Brasil que há dois anos, desenvolve uma política ambiental nas centenas de unidades que administra. De acordo com o Diretor Geral da Rede Accor Hotel no Brasil, Roland de Bonadona, o projeto começou o trabalho de envolver funcionários e hóspedes com a questão ambiental, despertando neles inicialmente o cuidado com a reciclagem. Hoje, com o sucesso alcançado pelo projeto, a meta inclui ainda a economia de eletricidade e gás, emprego pelos funcionários dos recursos obtidos com a reciclagem em projeto ambiental ou social. (ecodebate)

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