sexta-feira, 23 de maio de 2014

Histórico de sustentabilidade na hotelaria turística

Compreender como ocorre a relação entre novos processos operacionais e sociais na relação homem/ambiente e refletir sobre qual ambiente é este no qual estamos inseridos de forma ativa nos torna seres sociais mais conscientes e integrados ao meio em que vivemos. Fazemos parte do todo, que inclui todas as nossas relações como transformadoras do ambiente. (MORIN, 2005)
Segundo Leff (2007) as questões que envolvem a sustentabilidade, atingiram formas tão complexas, que nos fazem pensar o ambiente dentro de variáveis que vão além do ambiente físico, pensar as relações socioculturais e jurídicas para uma melhor gestão dos recursos naturais disponíveis e inseridos no processo.
Esta é a gênese do meio antrópico ou socioeconômico, que somado ao meio natural físico e biológico, é hoje responsável pela construção de um novo tipo de conhecimento, para uma nova forma de percepção ambiental, onde não se permite o isolamento, proporcionando a integração.
A relevância do universo operacional para a qualidade ambiental, somente será possível se o social caracterizado pelo ser humano atuar de forma concreta, compatibilizando os meios físico e biológico com o próprio meio socioeconômico, compreendendo e interferindo como gestor das práticas ambientais (LEFF, 2007).
De acordo com Leff (2007), o surgimento de iniciativas concretas de aplicação do conceito de sustentabilidade indica que este está saindo do âmbito acadêmico e das organizações não governamentais (ONGs), deixando de significar uma abordagem, quase idealista para se tornar um dos principais norteadores das decisões de investimentos governamentais e privados.
Uma resposta a necessidade de conciliação de desenvolvimento econômico com gestão ambiental responsável, foi o surgimento do desenvolvimento sustentável, que possui diversos conceitos harmônicos entre si para expressar a sempre a mesma ideia de atender as necessidades do presente sem comprometer as necessidades das gerações futuras. Este conceito nasce do Relatório Brundtland, intitulado “Nosso futuro Comum” em abril de 1987, pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas.
O turismo como um todo, considerando-se sua cadeia produtiva envolvida: agentes de viagens, meios de transportes, meios de hospedagem, restauração, entretenimento, compras, etc., contribuem com mais de US$ 3,8 trilhões, valor equivalente a 11% do produto interno bruto do mundo. É também responsável pela geração direta e indireta de mais de 260 milhões de postos de trabalho, o equivalente à 10% da força de trabalho mundial, representando uma em cada nove pessoas empregadas no mundo, com perspectiva de serem criados mais 100 milhões de empregos até o ano de 2020.
Estes dados nos levam a crer que em se tratando de economia, a indústria do Turismo tem grande representatividade econômica mundial e consequentemente nacional justificando plenamente o diagnóstico de percepção ambiental agora realizado.
Numa tentativa de expressar toda a complexidade que se encerra no turismo, de forma clara e precisa já que podemos tomar por base tanto o lado da oferta quanto o da demanda, destacamos que o mesmo constitui-se como “o fenômeno que ocorre quando uma ou mais indivíduos se trasladam a um ou mais locais diferentes de sua residência habitual por um período maior que 24 horas e menor que 365 dias, sem participar dos mercados de trabalho e capital dos locais visitados” (OMT, 2005).
No sentido mais simples do conceito turístico onde talvez a palavra passagem, ficasse mas vinculada a prática do turismo, mais do que passar é necessário “ficar”, ou seja, este período composto por atividades de cultura e lazer em determinado local, só é considerado turismo de fato se o for constituído pela permanência, mesmo que apenas por uma noite. Os meios de hospedagem, então, se tornam indispensáveis para caracterização e ocorrência da atividade turística.
O conforto e até o luxo oferecidos pelos hotéis, estão frequentemente relacionados a extravagâncias e desperdícios. Mas a cada dia é mais comum que empreendimentos e hóspedes tentem aliar o bem-estar e o aconchego com o respeito ao meio ambiente. O movimento é observado no Brasil e no mundo.
Mas um dos pontos que ainda faltam avançar no País é a certificação no momento de construir os prédios pois no pais, nenhuma construção de hotel é certificada. Segundo a ONG Green Beuilding Council Brasil (GBC), hoje existem só 14 empreendimentos certificados com o Leed – Leadership in Energy and Enviromnental Design, selo verde para a construção civil. Em processo de certificação são 150 obras, entre as quais alguns hotéis. Um deles será instalado na zona sul de São Paulo e outros na região nordeste do pais. (ecodebate)

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