sexta-feira, 23 de maio de 2014

Contemporaneidade da sustentabilidade na hotelaria turística

Segundo Andersen (1990) já é tido como um sucesso empreendedor proporcionar hospedagem confortável aliada às práticas ecoturísticas e de sustentabilidade, servindo não somente como alternativa de economia para o custo de hospedagem, mas também, como forma de aproximação com o universo natural. Para tanto o envolvimento dos responsáveis pela execução dos projetos, arquitetos, construtores e gestores se faz fundamental (ANDERSEN 1990).
Segundo Fiksel (1996) a atividade econômica ecológica possui duas vertentes: a ecoeficiência e a ecocidadania. A ecoeficiência objetiva promover um sentido de melhoria econômica das empresas ao controlarem com maior eficiência os impactos gerados no meio ambiente, usando os recursos de forma mais coerente. As empresas ecoeficientes reduzem custos, mais competitivas, obtêm vantagens em novos mercados , utilizando tecnologias limpas e adotando conceitos do “ciclo de vida” do produto de maneira ecologicamente correta do nascimento ao descarte.
Com o objetivo de quantificar os impactos ambientes existentes no meio empresarial, se faz necessário o uso de indicadores de ecoeficiência, que contribuem também para melhorias, acompanhamento e planejamento de possíveis estratégias para a conquista da qualidade ambiental do setor estudado.
Através de informações obtidas pela coleta de dados, os indicadores propiciam a mensuração do impacto gerado pela empresa, ou seja, medindo a quantidade de recursos utilizados pela empresa podemos ter um panorama do impacto ambiental gerado por ela, auxiliando na tomada de decisões da empresa quanto às atitudes ambientais futuras. (DIAS, 2006)
Como qualquer empresa do ramo de hospedagem, a hotelaria necessita proporcionar qualidade através de conforto, o que ocasiona o consumo de energia. Revillon (2001) descreve que: “A hotelaria é um setor que depende da energia para poder oferecer os serviços esperados pelos hóspedes: eletricidade, água quente, piscinas aquecidas e, em especial, ar-condicionado”.
Para prover os mesmos resultados com menos recursos é estimulado o uso da energia solar, que poderia ter uma participação bem maior no setor hoteleiro no Brasil. Com isso, podemos observar a real necessidade de consumo mas também que pensar o aproveitamento da tecnologia, através de novas formas de utilização, que possam contribuir para uma gestão que contribua com as ações de sustentabilidade e para melhoria a manutenção da qualidade ambiental.
A busca incessante pela qualidade de serviços oferecidos aos hóspedes faz com que se tenha um aumento considerável no consumo de energia. Para Dias (2006) esta diferença no consumo não leva a mudanças de comportamento e nem consciência ambiental por parte dos gestores. “Esta busca por novos padrões de qualidade é normalmente feita sem que se considerem o uso de energias renováveis, levando a que não sejam aproveitadas oportunidades para melhoria de eficiência energética e de integração de sistemas (como ar-condicionado e água quente)”.
Neste sentido, podemos verificar que a qualidade abordada e perseguida pelos gestores hoteleiros se caracteriza unicamente na satisfação do cliente como único foco, deixando de perceber novas possibilidades igualmente satisfatórias e que também seriam de grande valia econômica para a empresa, tanto sob a dimensão operacional como pela imagem percebida, gerando ganhos de difícil quantificação que geralmente são classificados como bens intangíveis.
A sociedade utiliza os recursos naturais, desde os tempos mais remotos, como se os mesmos fossem infinitos. A água além de ser um recurso escasso, está seriamente comprometida pela poluição e pelo desperdício. Pensando nossa situação em termos de água potável, o estado não parece animador. No mundo, de toda água existente, somente 1% dela é própria para o consumo. Desse montante de água potável boa parte se encontra no território Brasileiro.
Ricci (2002) aponta que para se medir a eficácia das ações ambientais propriamente implementadas, existem vários indicadores que podem ser criados e monitorados. A complexidade e quantidade dos indicadores devem obedecer à relação custo-benefício. Este autor sugere indicadores que podem ser utilizados em um Programa de Gestão Ambiental de um Hotel, analisadas sob efetiva dimensão dos impactos mais relevantes às atividades do ramo hoteleiro.
Estes indicadores variam de acordo com o tipo de hotel, sua localização, suas instalações etc. O ideal, segundo Ricci (2005), seria realizar um “bench marking” (um processo contínuo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais entre os mais fortes concorrentes ou empresas reconhecidas como líderes) com hotéis de mesmo porte e características semelhantes de serviços.
Com o desenvolvimento de programas de eficiência energética e otimização do uso de recursos hídricos restam questões relacionada com tratamento de esgotos, efluentes ou águas servidas, gestão de resíduos sólidos, monitoramento de emissões atmosféricas e o desenvolvimento ou a adesão a protocolos de programas de responsabilidade ambiental (NAIME, 2004; RICCI, 2002)
Podemos definir Turismo sustentável como uma prática que busca a excelência na satisfação das necessidades econômicas, sociais e estética de uma região turística, assim como desenvolver o turismo receptivo, mantendo e preservando oportunidades de futuro. Ter a concepção de desenvolver preocupação sistêmica com a gestão dos recursos utilizados para que o objeto principal do turismo, natural, cultural ou social, predominante em cada região, possa continuar a ser usufruído (DIAS, 2006).
Observar os procedimentos sustentáveis dentro de empreendimento hoteleiro, diz respeito a observação da prática de atividade e monitoramentos que visem melhorar sua qualidade ambiental. Uma das principais motivações para este trabalho de acompanhamento é alcançar a conscientização ambiental dos colaboradores do hotel, para que possam saber a importância do seu papel, e que adotem a ideia de sustentabilidade. A observação envolve a rotina do hotel e a sistemática operacional com relação a produção e gestão de resíduos sólidos, consumo de energia e água, controle da utilização de água potável, evitando o desperdício e organização do setor de compras.
Existe uma grande lacuna na produção de dados estatísticos que nos retratem de forma fiel a realidade da situação ambiental É relativamente nova nossa preocupação pela busca de informações, nossa consciência se voltou para as carências econômicas e sociais ligadas a questões ambientais muito recentemente. Num primeiro momento, a preocupação existente era voltada para recursos ligados diretamente ao meio natural, como a poluição e degradação de rios e florestas.
Os indicadores estatísticos ficavam mais a cargo de órgãos governamentais, instituições científicas, associações não governamentais sem que houvesse padronização de exigências formalizada (TRIGUEIRO, 2005). Hoje a preocupação atinge a todos os setores e as formas de controle e divulgação são as mais variadas possíveis. (ecodebate)

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