segunda-feira, 19 de maio de 2014

O que são La Niña e o El Niño

Fenômenos provocam extremos do clima em todo o mundo
De enchentes recordes a secas e incêndios selvagens destruidores, uma mudança nas temperaturas do Oceano Pacífico pode provocar um caos climático em todo o planeta.
O padrão de tempo oceânico do El Niño está ligado a secas na Austrália e enchentes em partes da América do Sul, enquanto La Niña causa o oposto, com os dois fenômenos ocorrendo em intervalos regulares.
Uma poderosa La Niña provocou enchentes recordes no leste da Austrália em 2011, e tem sido culpada por secas inclementes no Texas e diversos episódios de seca na América do Sul, prejudicando colheitas de milho e soja. E há previsões de que El Niño pode voltar ainda este ano.
O que é El Niño? É um aquecimento de temperaturas de superfície no Pacífico oriental e central. Pescadores do Peru notaram que a chegada das águas mais quentes ocorre geralmente em torno do Natal. O fenômeno, que acontece a cada três ou sete anos, leva a mais chuvas naquela parte da América do Sul e a uma queda na pesca.
El Niños fortes podem levar ao enfraquecimento dramático dos ventos alísios que sopram no Pacífico, o que provoca seca no sudeste da Ásia e Austrália e em partes da África. Os ventos alísios são o padrão prevalente de ventos de superfície leste encontrados nos trópicos, na seção mais baixa da troposfera, perto do equador. Historicamente, foram usados por capitães de navios para cruzar os oceanos do mundo durante séculos, permitindo a expansão europeia nas Américas e rotas comerciais no Atlântico e no Pacífico.
Alguns El Niños podem afetar as monções indianas, com a redução da chuva, o que ameaça colheitas e vidas. Globalmente, ele pode provocar chuvas acima da média no Peru e na Bolívia, seca no sudeste da Ásia, Austrália, Índia e nordeste do Brasil, ciclones no Pacífico Central e tempestades no sul e oeste dos Estados Unidos. Também tende a cortar o número de furacões no Atlântico, mas a aumentar o número de tempestades no leste do Pacífico.
La Niña é um resfriamento anormal de temperaturas oceânicas no Pacífico oriental e central. Isto provoca ventos alísios mais fortes no Pacífico, que causam temperaturas muito quentes no Pacífico ocidental e em torno do norte da Austrália, com chuvas acima da média. Tipicamente, também fortalece ciclones durante a temporada dos fenômenos na Austrália. Como no caso do El Niño, os impactos podem ser globais. Na Indonésia e partes da Austrália, La Niña pode trazer enchentes, afetando a produção de trigo, açúcar, óleo de palmeira e ainda as minas de carvão e ferro. Na Argentina e nas planícies dos EUA, pode provocar seca, o que  prejudica colheitas de trigo e soja.
La Niña tende a levar a padrões de vento que favorecem a formação de mais tufões no Atlântico e menos no Pacífico oriental, o que potencialmente significa maior ameaça à produção de gás e petróleo no Golfo do México e a cidades na Flórida.
Cientistas afirmam que os dois fenômenos podem estar sendo potencializados pela mudança do clima, porque oceanos mais quentes também alimentam tempestades e alteram os padrões do tempo. (abril)

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