segunda-feira, 5 de maio de 2014

Volume útil do sistema Cantareira cai ainda mais

‘Ex- represa’ deixa órfãos pelas margens
Vizinho da Represa Jaguari, morador estoca água da chuva para não deixar a família na seca.
Às margens do que até pouco tempo atrás era a principal fonte de abastecimento de água no Estado, o aposentado José Maurício de Oliveira, de 65 anos, simboliza a contradição da crise do Sistema Cantareira. Enquanto a vizinha Represa Jaguari se prepara para a captação do “volume morto” para encher caixas d’água em cidades a 100 quilômetros de sua casa, ele estoca água da chuva para não deixar a família na seca.

Ao lado da represa, José capta água da chuva
“É triste deixar chegar a esse ponto. Montei essas duas caixas de mil litros para usar água da chuva para lavar a casa e a roupa e vou de caminhão buscar 4 mil litros toda semana no poço de um amigo a 6 quilômetros daqui”, contou Oliveira, que mora em Joanópolis, a 112 quilômetros da capital, com a mulher, a filha e dois netos.
A estiagem sem precedentes também secou a principal fonte de renda do pescador Ernane da Silva, de 59 anos. “Essa seca acabou comigo. Eu tirava até R$ 1 mil pescando e agora dependo só da aposentadoria. Meu barco está encostado desde fevereiro. Não tem mais onde pescar”, disse.
Suspiro. Entre os órfãos da Jaguari, há, porém, ainda quem consiga aproveitar as últimas gotas da represa para garantir o sustento. Com uma queda na demanda por turistas tão crítica quanto a do nível dos reservatórios, a pousada onde trabalha Jonatas de Aguiar Cunha, de 30 anos, sobrevive com a hospedagem dos operários da obra contratada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para captar a água do “volume morto”.
“Já faz seis meses que o movimento vem caindo, assim como a represa. A nossa sorte é que a obra da Sabesp é aqui em frente e eles fecharam um pacote de hospedagem com a gente. O problema é que ela já está acabando e não sei como vai ficar depois. A represa era o nosso maior atrativo. As pessoas vinham aqui para andar de barco e de caiaque. Até o fim do ano, dava para ir remando até lá”, disse Cunha, apontando para o canteiro de obras a 500 metros da pousada. (OESP)

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