quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Águas subterrâneas tornarão o 2° maior manancial de abastecimento

Águas subterrâneas podem se tornar segundo maior manancial para abastecimento de São Paulo
"Observatório do Futuro da Água" deve propor soluções na gestão de recursos hídricos.
Apontado como uma solução para aumentar a segurança do abastecimento de água na Região Metropolitana de São Paulo, os aquíferos são reservatórios de água subterrânea ainda pouco explorados no Brasil. “De toda água doce líquida do planeta, 97,5% são águas subterrâneas”, explicou o professor Ricardo Hirata, diretor do Cepas (Centro de Pesquisa de Água Subterrânea) e professor do Instituto de Geociências da USP.
O Projeto chamado de “Observatório do Futuro da Água” tem como objetivo repensar o uso da água nas cidades e propor soluções de planejamento e investimento na gestão de recursos hídricos.  “Já era previsto que o Cantareira um dia não conseguiria garantir a segurança hídrica da cidade, resultado de um evento climático excepcional e do próprio aumento sem controle da demanda”, disse referindo-se ao recente esgotamento do Reservatório do Sistema Cantareira em São Paulo.
Segundo o professor, a solução da crise de água tem que ser pensada a curto, médio e longo prazo. Com os reservatórios secando, existe uma questão emergencial. Uma solução, nesse caso, é utilizar o volume morto e os programas de incentivo à redução da demanda de água. Já em longo prazo outras ações podem ser pensadas, como por exemplo, a redução do uso de água pela população, pela agricultura e pela indústria.
Existem ainda águas que poderiam ser melhores utilizadas, como a água de reuso, que é a água obtida após o tratamento do esgoto doméstico. Muitas vezes essa água não é própria para consumo humano, mas pode ser empregada para lavar calçadas, carros e amplamente na indústria. E existem também as águas rasas dos aquíferos, que geralmente são consideradas impróprias para a ingestão, mas que são acessíveis e de baixo custo, e muito bem servem para usos não nobres. “É apenas uma questão de regulamentação. O Estado tem certa restrição a isso, pois não vê essa água como boa, e toma uma relação paternalista não permitindo que as pessoas a utilizem”, explicou.
A regulamentação de poços particulares também é uma questão a ser enfrentada, já que hoje 70% dos poços do Estado de São Paulo não são outorgados. “Não é barato fazer esse registro e o Estado não oferece nada em troca. Ele não garante as vazões outorgadas, não controla os usuários ilegais, que criam interferências hidráulicas importantes e aumentam os custos da extração de água por poços. O problema é que há 8 mil poços ilegais, e quando o Estado não sabe onde eles estão, ele também não pode restringir o uso de água subterrânea em áreas intensamente explotadas”, afirmou. O projeto do Futuro da Água também visa suprir essa lacuna, e tem a proposta de criar um site oferecendo apoio técnico gratuito em troca de informações do usuário, “Queremos o setor melhor controlado. Todos têm a ganhar com isso. O Estado tem que cobrar pela outorga ou mais bem pelo uso da água, mas ele precisa oferecer alguma coisa em troca”, concluiu. (usp)

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