terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Falta d’água deve reduzir PIB industrial de SP

Falta de água deve reduzir PIB industrial de São Paulo.
Ritmo de produção da indústria será afetado pela crise que atinge regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas.
Existem empresas planejando férias coletivas para contornar a crise hídrica.
Indústrias que captam água diretamente das bacias dos Rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia devem reduzir em 30% o consumo diário.
A falta de água que atinge as Regiões Metropolitanas de São Paulo e de Campinas vai afetar o ritmo de produção da indústria, a produtividade e o PIB (Produto Interno Bruto) industrial do Estado de São Paulo. Já existem empresas planejando férias coletivas e redução de turnos de trabalho para contornar a crise hídrica.
A avaliação é do vice-presidente da FIESP (Federação das indústrias do Estado de São Paulo) e diretor de Meio Ambiente, Nelson Pereira dos Reis. Existem nessas duas regiões cerca de 60 mil indústrias que respondem por 60% do PIB industrial paulista. "A preocupação é grande. Não esperávamos uma seca com essa intensidade", diz Reis.
Ele ressalta que o impacto econômico ficou claro a partir de 22/01/15, quando a ANA (Agência Nacional de Águas) e o DAEE (Departamento Águas e Energia Elétrica) publicaram uma resolução conjunta que determina que as indústrias que captam água diretamente das bacias dos Rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia reduzam em 30% o consumo diário quando o volume útil dos reservatórios do Sistema Cantareira estiver abaixo de 5%, sob pena de multa. Hoje esse limite foi ultrapassado, isto é, já está sendo usada a reserva estratégica de água ou o chamado "volume morto".
"Isso vai significar uma freada muito grande na economia da região no primeiro trimestre", diz o vice-presidente da Fiesp, explicando que ainda não é possível quantificar o impacto. "Mas as empresas já trabalham mais devagar." Ele observa que a situação é muito preocupante porque hoje, em plena estação das águas, o quadro de abastecimento é crítico. E a perspectiva é piorar com o início do período da seca, que começa em abril.
Sindicatos
Entre os setores instalados na região e que devem ser mais afetados, Reis aponta as indústrias química, alimentícia e têxtil. Até 26/01 os sindicatos dos trabalhadores das indústrias químicas e de alimentos na região de Campinas não tinham recebido comunicados de férias coletivas.
A Ambev, que tem fábrica na região de Campinas, informou por meio de nota que está "intensificando ainda mais os investimentos e ações para garantir a economia dos recursos hídricos". Segundo a empresa, a economia tem permitido enfrentar a crise sem corte de pessoal. Entre 2002 e 2013, a Ambev informa que reduziu em 38% o uso da água no processo produtivo.
De acordo com o vice-presidente da FIESP, nos últimos anos as indústrias já adotaram medidas para aumentar o reuso da água. "Agora trabalhamos com alternativas, como o maior aproveitamento de águas subterrâneas. Há ainda potencial a ser aproveitado."
Enquanto as alternativas para ampliar a oferta de água estão sendo implementadas, há empresas que correm para manter o ritmo de produção. A Cummins, de Guarulhos (SP), que fabrica motores, em 2014 comprava dois caminhões de água por dia para a manutenção de torres de resfriamento. Em dezembro, teve de dobrar o volume. Desde então está mantendo o ritmo de compra. Colaborou Cleide Silva.
Impacto
60 mil é o número de indústrias instaladas na Região Metropolitana De São Paulo e de Campinas que devem sentir o efeito da falta de água.
30% é quanto as indústrias que captam água das bacias dos Rios Jaguari, Camanducaia e Atibaia terão de reduzir o consumo de água, segundo ANA e DAEE. (r7)

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